Embrapa Caprinos

Sistemas de Produção, 1

ISSN 1809-1822 Versão Eletrônica

Dez/2005

Sistema de Produção de Caprinos e Ovinos de Corte No Nordeste Brasileiro


Autores

Apresentação
Importância econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Raças
Infra-estrutura
Alimentação e manejo alimentar
Manejo reprodutivo
Manejo produtivo
Manejo sanitário
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

 

Expediente 

Alimentação e Manejo Alimentar


A região do Nordeste brasileiro, especialmente a Semi-Árida, é marcada por duas épocas bem distintas, uma época chuvosa e uma época seca. Na época chuvosa, caracterizada pela diversificação e abundância de plantas forrageira na pastagem nativa (Caatinga) os caprinos e os ovinos têm a possibilidade de consumir uma dieta rica em nutrientes, sendo necessário o fornecimento em cocho apenas da suplementação mineral. Por outro lado, durante a época seca matrizes e crias necessitam de alimentação diferenciada em função do estádio fisiológico ou fase de produção em que se encontram.

A associação de um manejo nutricional adequado com sistema de manejo reprodutivo, sem esquecer de utilizar animais de reconhecido potencial produtivo, possibilita o estabelecimento do sistema de produção aqui preconizado de três partos em dois anos.

Neste capítulo do sistema de produção, são relacionados os principais alimentos que podem ser utilizados no sistema de produção, bem como, recomendações sobre a alimentação de matrizes, reprodutores e crias são feitas para a fase de produção. É descrito o manejo alimentar na fase de recria. Duas opções de acabamento viáveis economicamente para a região Nordeste são descritas.

Alimentos

Manejo Alimentar

Alimentos


Existem várias opções de alimentos a serem utilizados nos sistemas de produção na região nordeste. Em termos de alimentos volumosos podem ser citados: Pastagens, culturas para a seca, capineiras, fenos, silagens e resíduos agroindustriais. Para completar a nutrição dos caprinos e ovinos, em algumas fases do ciclo de produção é necessário o uso de concentrados. A suplementação mineral é importante em todas as fases de produção, portanto, para completar a alimentação dos caprinos e ovinos os suplementos minerais são de fundamental importância.

 

Pasto Nativo

Pasto Cultivado

Culturas para uso na Seca

Mandioca
Palma Forrageira

Capineiras

Resíduos Agroindustriais

Feno

Silagem

Concentrados

Suplementos Minerais e Misturas Múltiplas

 

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Pasto Nativo


A Caatinga é uma excelente fonte alimentar para os rebanhos durante a época chuvosa. Para aumentar seu potencial produtivo quatro técnicas de manipulação foram desenvolvidas pela Embrapa Caprinos.

Raleamento – Consiste em diminuir o número de árvores/há, reduzindo a densidade de espécies de baixo valor forrageiro e madeireiro (ex: marmeleiro, malva branca). Com a diminuição no número de árvores, em áreas onde há banco de sementes de espécies herbáceas, há aumento na disponibilidade destas para uso na alimentação animal. Como ovino tem maior preferência por espécies herbáceas, esta prática favorece mais esta espécie.

Rebaixamento – Consiste em cortar a uma altura em torno de 70 cm espécies arbóreas (Ex.: jurema preta, sabiá, mororó) de valor forrageiro cuja folhagem está fora do alcance do animal. Esta prática favorece bastante os caprinos, pois, estes têm preferência por plantas de folha larga.

Raleamento e rebaixamento – consiste na combinação dos dois métodos anteriormente citados.

Enriquecimento – Consiste em adicionar a vegetação já existente em uma caatinga raleada, outras espécies principalmente herbáceas (Ex.: capim-gramão). Esta prática tanto pode incrementa a produção de forragem de uma caatinga raleada, como pode, em áreas onde é feito o raleamento e não existe banco de espécies herbáceas nativas, contribuir com o aumento na quantidade de forragem destas áreas. Na tabela abaixo estão alguns indicadores de desempenho de cada um dos níveis de manipulação e da caatinga nativa.

 

Tabela 1. Efeito dos níveis de manipulação sobre a produção de forragem e a capacidade de suporte da vegetação nativa da Caatinga

 

Caatinga

Indicadores

Nativa

 Raleada

 Rebaixada

 Ral-Reb

 Enriquecida

Prod.Fitomassa

4,0 t/ha ano

4,0 t/ha ano

4,0 t/ha ano

4,0 t/ha ano

4,0 t/ha ano

Fitomassa lenhosa

90%

20%

60%

40%

10%

Fitomassa herbácea

10%

80%

40%

60%

90%

Cobertura lenhosa

30-100%

30-40%

50-60%

40-50%

10-15%

Fitomassa pastável

10%

60%

40%

50%

90%

Cap. Suporte Ovino (ha/cab/ano)

1,5-2

0,5

1-1,5

0,5-1

0,1-0,4

Cap. Suporte Caprino (ha/cab/ano)

1,5-2

0,5

0,5-0,7

0,5-1

0,3-0,5

Produção PV Ovino kg/ha ano

12-15

50

20

40

150

Produção PV Caprino kg/ha ano

15-20

37

40

40

100

Fonte: Araújo Filho (1990)

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Pasto Cultivado

Existem várias forrageiras que são recomendadas e devem ser usadas na formação de pastos cultivados e com propósitos específicos para a alimentação animal, especialmente na região semi-árida. Dentre as espécies mais adaptadas, pode-se citar: capim-búffel (Cenchrus ciliaris), capim-gramão (Cynodon dactylus), capim-corrente (Urochloa mosambicensis) e  capim-andropogon (Andropogon gayanus) e como banco de proteína, a Leucena (Leucaena leucocephala).

Há outro grupo de gramíneas, de elevado potencial de produção, mas que são mais exigentes quanto à fertilidade do solo e à pluviosiade. São as gramíneas do gênero Panicum (tanzânia, mombarça, colonião, aruana, massai, etc...) e o popular capim-elefante (Pennisetum purpureum).

O manejo dos animais pode ser feito em sistema de lotação contínua (pastejo contínuo), lotação rotativa (pastejo rotacionado) ou ainda pode ser feito diferimento do pasto (feno em pé).

Para manejar os animais em lotação contínua, são mais recomendadas as gramíneas de hábito de crescimento estolonífero (crescem se espalhando, não forma touceiras). As mais usadas neste caso são os capins tiftons, capim gramão e alguns tipos de brachiaria.

Para manejo rotacionado preferir usar gramíneas que crescem em touceiras (tanzânia, mombaça, andropogon, búffel). Neste sistema o capim tem alternados períodos de uso e de descanso. O período de uso deve variar entre um e cinco dias. Já o período de descanso é específico Para cada gramínea (tabela 2).


Tabela 2.
Períodos de descanso e resíduos pós-pastejo de algumas gramíneas forrageiras.

Forrageira (nome comum)

Período de descanso

(dias)

Altura de resíduo pós-pastejo (cm)

Andropogon

21 a 30

10 a 15

Brachiarão

27 a 32

10 a 15

Colonião, Tobiatã

27 a 32

20

Tanzânia e Mombaça

27 32

20

Estrela, Tiftons

21 a 30

5 a 10

Coast-cross

21 a 30

5 a 10

Humidícola

21 a 30

5 a 10

Fonte: adaptado de Aguiar (1997)

 

O uso correto das áreas de pastagens, independente do sistema de pastejo utilizado, deve incluir a realização de adubações de manutenção e também o ajuste da taxa de lotação, evitando o super-pastejo que é a principal causa de degradação de pastagens.

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Culturas para uso na Seca


Neste item são exploradas algumas culturas que podem ser utilizadas nos sistema de produção do nordeste para uso na alimentação dos rebanhos, principalmente na época seca.

 

Mandioca

Palma Forrageira

Cana-de-açúcar

 

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Mandioca


Entre os cultivos produtores de alimentos energéticos, com tolerância às condições de semi-aridez, destaca-se a mandioca, que é tradicionalmente cultivada nas áreas com solos de textura leve e boa profundidade.

A mandioca pode contribuir com o aumento dos nutrientes na dieta dos animais de várias maneiras, entre elas merecem destaque a fabricação da raspa e o aproveitamento da parte aérea.

Raspas de mandioca são raízes picadas em máquinas simples e secadas ao sol, preferencialmente em terrenos cimentados. É alimento rico em energia e pobre em proteína, como pode ser observado na Tabela 3. Por essa razão deve ser fornecido aos animais junto com alimentos ricos em proteína como o feno de leguminosas (leucena e guandu), farelos (soja, algodão) ou com substâncias nitrogenadas como a uréia de uso exclusivo para ruminantes).

 

Tabela 3. Conteúdo de energia e proteína da mandioca e do milho.

Produto

MS%

PB%

EM (Mcal/kg)

ED (Mcal/kg)

Raiz seca da Mandioca (raspa)

90,0

3,40

3,10

3,40

Folhagem seca da Mandioca

90,0

22,0

1,10

1,20

Milho (grão)

90,0

9,5

3,40

3,45

Fonte: Cavalcanti (1994)

 

A economicidade do uso da raspa de mandioca depende da relação de preço entre a raspa e o cereal mais utilizado como ração, que no nosso caso é o milho. O valor de mercado da raspa de boa qualidade é 80% do valor do milho e 85% do valor do sorgo. Portanto, seu uso é recomendado quando seu preço de aquisição ou seu custo de produção for inferior a 80% do valor do milho.

Uma forma de melhorar o valor nutritivo da raspa seria através da adição de uréia. O uso mais tradicional da uréia é realmente em confinamento, na mistura com melaço, porém, tal produto é de disponibilidade e preço inacessíveis em regiões não produtoras, como o Nordeste. A raspa de mandioca é tão eficiente na utilização da uréia pelos ruminantes quanto o melaço (Cavalcanti e Guimarães Filho, 1997)

A parte aérea da mandioca corresponde a toda porção da planta acima do solo, apesar de alguns autores considerarem como aproveitável tanto para alimentação animal como humana, apenas o terço superior, mais enfolhado e conseqüentemente mais rico do ponto de vista nutricional (Carvalho e Kato, 1987). Além da alta produtividade, a parte aérea da mandioca, bem como suas folhas, apresenta elevados teores protéicos e com teores de fibra inferiores aos de várias forrageiras tropicais.

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Palma Forrageira


As secas e as incertezas climáticas recorrentes na região semi-árida do Nordeste do Brasil constituem os fatores mais limitantes à produção animal. Devido às suas características morfofisiológicas, as cactáceas representam fonte de água e alternativa alimentar para as regiões sub-úmida e semi-árida.

 

A palma constitui alimento volumoso suculento de grande importância para os rebanhos, notadamente nos períodos de secas prolongadas, pois, além de fornecer alimento verde, contribui no atendimento de grande parte das necessidades de água dos animais (Lira et al., 1990). As espécies de palmas forrageiras mais utilizadas na alimentação animal no Nordeste são Opuntia ficus Mill e Nopalea cochenillifera Salm-Dyck (Oliveira, 1996).

 

A produtividade média da palma pode ser estimada em torno de 80 toneladas de matéria verde/ha  corte, com valores superiores a 200 toneladas/ha  corte quando do uso de adubações pesadas. O uso do esterco deve ser feito a cada dois anos, na dose de cerca de 2 t/ha, enquanto que, em termos de adubação mineral, é recomendada a fórmula 90-60 kg/ha de N-P2O5 (Albuquerque, 2000).

 

A palma apresenta baixa proteína digestível e valor equivalente à silagem de milho em extratos não nitrogenados, além de elevado índice de digestibilidade da matéria seca (75%). Um fator limitante para a nutrição dos animais com uso da palma é a baixa quantidade de matéria seca consumida, visto que esse cultivo apresenta alta quantidade de água (90%).

 

Na tabela 4 pode-se ver a composição nutricional dos principais tipos de palma. Observando os dados, percebe-se que a palma forrageira não possui um bom balanço dos nutrientes. Portanto, deve ser usada como fonte de água e de energia barata.

 

Tabela 4. Composição química de alguns cultivares de Palma.

Cultivar

MS*(%)

PB*(%)

Cálcio(%)

Fósforo (%)

DIVMS*(%)

Palma gigante

(Opuntia fícus-indica)

8,41

6,23

3,74

0,14

75,15

Palma redonda

(Opuntia stricta)

9,09

7,82

---

0,41

74,11

Palma miúda

(Nopalea cochenillifera)

11,1

5,21

2,06

0,17

77,37

Palma sem espinho

(Opuntia robusta cv. Monterey

6,70

8,38

---

0,22

---

*MS = matéria seca; PB = proteína bruta; DIVMS=digestibilidade in vitro da matéria seca

Fonte: Adaptado de Gregory e Felker (1992) e Lira et al. (1990)

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Cana-de-Açúcar


A cana-de-açúcar apresenta uma série de características desejáveis: grande produção por unidade de área (
20 a 30 t MS/ha) e baixo custo por unidade de matéria seca produzida, período de colheita e disponibilidade constante ao longo do ano, manejo simples e manutenção do valor nutritivo por até seis meses depois da maturação (Silva, 1995). A cana é uma planta de características como: alto potencial de produção, bom perfilhamento, resistência a pragas e doenças, resistência ao florescimento e alto teor de açúcar.

Do ponto de vista nutricional, apresenta duas limitações principais: baixos teores de minerais, principalmente fósforo (0,07%) e baixo teor de nitrogênio (1,5 a 5%) (Silva, 1995).

Para melhorar a qualidade e valor nutritivo da cana, pode-se fazer uso de uréia ou sulfato de amônio. Normalmente, a mistura uréia:sulfato de amônio (9:1) é utilizada na proporção de 0,5 a 1% em relação ao peso da cana picada.

No ano de 1999 o Nordeste produziu 53 milhões de toneladas de cana-de-açúcar utilizadas na produção de açúcar, álcool, aguardente, rapadura entre outros, produzindo vários subprodutos com potencial de uso na alimentação animal. Da lavoura vem a ponta de cana, da indústria açucareira: o bagaço, a torta de filtro e o melaço e da indústria alcoólica o fundo de dorna e o vinhoto (Santana e Sousa, 1984). Destes, o bagaço-de-cana é o mais disponível.

O bagaço é o produto resultante do esmagamento da cana-de-açúcar na extração do caldo. Anualmente são gerados mais de 75 milhões de toneladas no país inteiro. Devido ao seu alto teor de fibra (45%) e baixa proteína (2,5%) sua digestibilidade é baixa. A amonização do bagaço de cana surge como alternativa para melhorar seu valor protéico e conseqüentemente sua digestibilidade. Cândido et. al. (1999), amonizando bagaço de cana-de-açúcar via adição de uréia, encontrou aumentos no teor protéico (sem uréia= 1,22%) à medida que foi aumentado o percentual de uréia na matéria seca do bagaço (2%=5,5; 4%=9,9; 6%=14,2 e 8%=18,6).

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Capineira

A capineira é uma área de produção intensiva de capim. O capim mais utilizado é o elefante. A forragem produzida na capineira pode ser utilizada tanto para corte como para produção de silagem (durante época chuvosa).

Uma capineira de capim-elefante produz, a cada 60 dias, o equivalente a 34 t de matéria verde em um hectare. O ideal é que o produtor adote este intervalo de corte. Neste intervalo de corte obtém-se 34 t de MS/ha. Para isto, a capineira deve ser dividida em piquetes e ser usada de forma escalonada.

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Banco de Proteína


O banco de proteína, cujas informações para sua formação foram descritas no capítulo infra-estrutura, pode ser usado tanto para corte como para pastejo. No esquema de corte, deve-se fazer um a cada 42 dias na época chuvosa e a cada 81 dias no período seco. A forragem cortada pode ser fornecida in natura ou na forma de feno. Para pastejo um hectare suporta de 10 a 15 caprinos ou ovinos adultos.

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Resíduos Agroindustriais


O uso da irrigação tem proporcionado o desenvolvimento da fruticultura em diversas áreas da Região Nordeste nos últimos anos, produzindo desde a fruta de mesa até industrializados como polpa, sucos, doces, entre outros (Vasconcelos, 2002). Em todos os estados dessa região, há produção de algum resíduo agroindustrial com potencial para uso como alimento para os animais. Na Bahia e em Sergipe, destaca-se a produção de resíduo da cultura de citrus, no Maranhão, a casca do arroz, no Ceará, o bagaço de caju e no Rio Grande do Norte, o aproveitamento dos resíduos da fruticultura irrigada (melão, principalmente). E desta maneira, aproveitam-se as potencialidades do local, objetivando fornecer alimento e nutrientes para os animais durante todo o ano.

Os subprodutos apresentam bom valor nutritivo e podem ser consumidos na sua forma in natura, bem como desidratados na forma de feno e também sob a forma de silagem. Na inclusão de subprodutos na dieta dos rebanhos, deve-se atentar para a composição química e balanço dos nutrientes. Por exemplo, o feno do resíduo de Abacaxi possui teor adequado de cálcio, mas é pobre em fósforo. Este desbalanço precisa ser ajustado para melhorar o aproveitamento desse resíduo na alimentação animal.

Um fator muito importante e determinante para o uso de subprodutos na alimentação animal é determinar os níveis de adição dos mesmos às rações. A polpa cítrica pode ser adicionada em até 30% na silagem para caprinos e ovinos. O resíduo da indústria de suco de goiaba pode ser adicionado em até 15% também na silagem.

O caju é alimento que não deve ser consumido puro em nenhuma das opções de utilização. Embora apresente baixo teor de tanino (0,43%), é deficiente em cálcio (0,059%), fósforo (0,037%) e cobre (0,87 ppm) e apresenta baixos teores de cobalto.  Vale a ressalva de que, se o produtor estiver em região de alta disponibilidade e fizer uso de programas de ração com mínimo custo, os custos de produção certamente irão declinar.

A casca desidratada de maracujá em dietas para ruminantes pode ter um nível de inclusão de até 22% na composição de rações.

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Feno


Inúmeras alternativas são encontradas para o fornecimento de volumosos de qualidade para alimentação dos rebanhos no Nordeste Brasileiro. Entretanto, pelas facilidades nos processos de produção e armazenamento, bem como pela sua qualidade nutricional, a administração de feno é uma das alternativas mais viáveis para os sistemas de produção nordestinos. O feno é obtido mediante a exposição ao sol e ao ar da planta cortada, que sofre dessecação lenta e parcial, de modo que a sua taxa de unidade, originalmente de
60 a 85%, seja reduzida para teores entre 10 e 20%, com perda mínima de nutrientes, maciez, cor e sabor.

A fenação é um processo simples e econômico, sendo recomendável porque oferece algumas vantagens. Sua execução não apresenta dificuldades que impeçam o pequeno criador de realizá-la com o emprego de recursos manuais, ao passo que o grande criador pode fazer em larga escala com o auxílio da mecanização. O armazenamento do feno é muito flexível, porque pode ser feito em fenis, medas ou depósitos, neste caso quando enfardado. A distribuição é simples, pois pode ser feita no cocho, podendo também ser consumido diretamente quando produzido em medas.

O bom feno é palatável e nutritivo e ótima fonte de vitaminas A e D. Em virtude da sua concentração, um quilo de feno pode substituir três quilos de silagem de milho ou sorgo ou de forragem verde. Todavia, o valor do feno varia sob a influência de diversos fatores, principalmente a espécie e a idade da forrageira utilizada e da perfeição do seu manuseio e armazenamento, que envolvem o corte, a secagem, o transporte e pormenores relativos às medas, fardos e depósitos.

A qualidade de um feno depende de sua composição química, palatabilidade e digestibilidade, que por sua vez estão na dependência de diversos fatores, principalmente os seguintes: espécie botânica da planta, estágio de desenvolvimento, proporção de folhas, coloração verde, alterações causadas por mofos, bolores e insetos, presença de material estranho e perdas sofridas durante a preparação.

Quanto às espécies de plantas, deve-se considerar principalmente que as leguminosas são ricas em proteína e cálcio, enquanto que as gramíneas são mais ricas em carboidratos. Algumas gramíneas, como o capim-buffel, a braquiária e o tifton podem produzir fenos de alta qualidade. Por outro lado, o feno de leucena pode apresentar teores de proteína bruta em torno de 16%, com digestibilidade de 65%. Sob irrigação é possível promover cortes na leucena a cada 35 dias, o que proporciona de 12 a 15 toneladas de feno por hectare/ano.

A fase de maturação no momento do corte tem grande influência sobre o feno quanto ao rendimento por unidade de área, valor nutritivo, palatabilidade, digestibilidade, proporção de folhas, coloração e teores de proteína, fibra e elementos minerais. A planta nova produz feno mais rico em proteína e minerais, porém mais pobre em fibras, sendo mais palatável e digestível. O rendimento é tanto menor e a qualidade é melhor, quanto mais nova é a planta.

As folhas são palatáveis, digestíveis e mais ricas em nutrientes. Já os caules, em geral, são mais pobres do que as folhas. Assim sendo, todos os cuidados que ajudem a diminuir as perdas de folhas durante a preparação e o armazenamento do feno são importantes. A cor verde, mais intensa na planta nova e no feno bem preparado, é altamente desejável porque indica a riqueza em caroteno, que tem fundamental importância na nutrição.

A presença de mofos e bolores diminui a palatabilidade e o valor nutritivo do feno, além de ser perigosa para a saúde dos animais. Por sua vez, o ataque de insetos prejudica a qualidade do alimento, porque em geral afeta a proporção de folhas, a coloração a palatabilidade e o valor nutritivo.

Na fenação, além da perda natural de água, ocorrem outras que afetam partes ou componentes da planta. Assim, as folhas sofrem perdas durante o secamento, principalmente quando este é exagerado; vitaminas são perdidas por descoloração e oxidações; a quantidade de matéria seca é reduzida por fermentações; a lavagem pela chuva causa perdas de nutrientes solúveis.

Mesmo no feno armazenado podem ocorrem perdas durante a cura, devido principalmente a fermentações e à ação da umidade. Assim é que o amido e os açúcares da forragem, por fermentações durante a cura do feno, são transformados em água e gás carbônico. Todavia, estas perdas podem ser reduzidas quando o feno é armazenado sem excesso de umidade e bem protegido, pois estes cuidados dificultam ou atenuam a fermentação e a elevação da temperatura.

Se os aspectos negativos são devidamente controlados, o produtor poderá ter no uso do feno uma rica e relativamente barata fonte de nutrientes essenciais para os caprinos e ovinos. Contudo, é bom lembrar que, dependendo do estado fisiológico e do nível de produção do animal, provavelmente uma suplementação com concentrados seja necessária, principalmente durante o terço final da gestação e durante a lactação. Finalmente, não se deve esquecer que uma ração perfeitamente equilibrada, para produzir o máximo resultado, depende da influência exercida sobre os animais por diversos fatores em conjunto, principalmente as condições ambientais, a capacidade genética, o estado sanitário e o manejo do rebanho.

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Silagem


Silagem é o alimento resultante de um processo controlado de fermentação. Tem cheiro agradável e deve ter suas propriedades nutritivas semelhantes à forrageira que lhe deu origem, de modo a garantir bom consumo e conseqüentemente bons índices de produtividade.

Qualquer forrageira aceitável pelos caprinos e ovinos, na forma verde, normalmente se presta para silagem, desde que seja colhida no momento oportuno. O milho, o sorgo e o capim-elefante são as forrageiras mais utilizadas.

A melhor época para ensilar o milho ou sorgo é quando a planta atinge 30 a 35% de matéria seca. Isso ocorre quando o grão atinge o ponto denominado farináceo (após o estado leitoso). O ponto farináceo é obtido quando ao se esfregar entre os dedos os grãos cortados estes se esfarelam. O ponto para o capim-elefante é obtido quando a planta esta com em torno de 60 dias que foi cortada. Neste ponto há carboidratos suficientes para a fermentação. Nesta idade é preciso fazer uma pré-murcha no capim ou adicionar substâncias que aumentem o teor de matéria seca na massa a ser ensilada.

Para obtenção de uma boa silagem, alguns pontos devem ser observados:

cortar o material a ser ensilado em pequenos pedaços, de tamanho aproximado de 1 a 2 cm de comprimento, no caso específico para milho e sorgo;

encher o silo rapidamente, terminando no máximo em 5 a 6 dias;

expulsar o ar do silo, através de uma boa compactação;

cobrir o silo com lona e sobre ela colocar uma camada de terra de aproximadamente 10 cm.

As boas silagens apresentam coloração clara, variando de verde-amarelo ao verde-oliva e de cheiro agradável. Uma cor mais escura, por exemplo, revela excesso de umidade ou compactação deficiente, provocando fermentações indesejáveis e aparecimento de mofo.

A retirada diária da silagem é feita cortando uma fatia mínima e uniforme de 15 cm de espessura, com ferramenta bem afiada.

É importante que no silo seja preservado o valor nutritivo da forrageira que deu origem à silagem e que as técnicas de ensilagem são mais importantes do que o tipo de silo e possíveis aditivos a serem utilizados. 

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Concentrados


Concentrados são alimentos com menos de 18% de fibra bruta, podendo ser energético ou protéico.

Concentrados energético – Alimentos que possuem menos de 18% de fibra e menos de 20% de proteína bruta, na matéria seca. Os principais concentrados energéticos são: o milho e o sorgo em grão, o milho desintegrado com palha e sabugo (MDPS), o farelo de o trigo, o farelo de arroz, a raspa de mandioca, a polpa de citros frutas, as nozes, e os tubérculos a exemplo da mandioca e da batata doce, cuja composição está apresentada na Tabela 5.


Tabela 5.
Composição química dos principais concentrados energético para ruminantes, na base da matéria seca.

Alimento

MS

EM

PB

FDN

Cálcio

Fósforo

 

(%)

(Mcal/kg)

(%)

(%)

(%)

(%)

Arroz, farelo, integral

88,07

2,67

14,41

34,65

0,11

1,54

Arroz, farelo desengordurado

89,33

-

17,41

26,65

0,13

1,83

Batata doce

33

2,93

5,0

-

0,10

0,15

Citros, polpa

87,51

3,11

7,06

25,15

1,95

0,16

Mandioca, raspa

88,0

3,75

2,60

-

0,28

0,19

Melaço em pó

94,69

70

2,73

-

6,23

0,24

Melaço de cana

75,0

1,94

5,8 b

-

1,0

0,11

Milho, grão

89,00

3,15

10,00

9,00

0,05

0,29

Milho, espiga

89,30

2,49

7,80

-

0,01

0,25

 (MDPS)

87,66

2,59

8,09

38,94

0,08

0,21

Óleo vegetal

100

8,23

-

-

-

-

Sorgo, panícola

88,48

2,85

12,55

35,84

-

-

Sorgo, grão

87,44

3,04

9,61

13,16

0,07

0,28

Trigo, farelo

89,0

2,75

16,0

44,48

0,15

0,99

* MS, matéria seca; EM, energia metabolizável; PB, proteína bruta; FDN, fibra em detergente neutro; MDPS, milho desintegrado com palha e sabugo.

Fonte: Fontes: Valadares Filho et al. (2001), NRC (1981), NRC (1985).

Concentrados protéicos – Alimentos com menos de 18% de fibra e mais de 20% de proteína bruta, na matéria seca. Fazem parte deste grupo de alimento os farelos de oleaginosas como o de soja, o de amendoim, o do algodão, o de girassol, etc.; glúten de milho; farelo de coco, subprodutos de origem animal, como as farinhas de carne, sangue e peixe. Na Tabela 6 está apresentada a composição química dos principais concentrados protéicos.


Tabela 6.
Composição química dos principais concentrados protéicos para ruminantes, na base da matéria seca.

Alimento

MS

EM

PB

FDN

Cálcio

Fósforo

 

(%)

(Mcal/kg)

(%)

(%)

(%)

(%)

Algodão, caroço

92,00

3,83

23,90

44,98

0,26

0,87

Algodão, torta

93,5

1,89

34,18

43,68

0,24

0,77

Amendoim, farelo, extração mecânica

93,00

3,25

52,00

14,00

0,20

0,61

Amendoim, farelo, extração por solvente

92,00

2,98

52,30

-

0,29

0,68

Babaçu, torta

92,8

1,75

20,62

78,68

0,07

0,53

Feijão (velho)

89,0

3,29

25,3

 

0,18

0,59

Coco, farelo, extração mecânica

92,00

3,62

22,40

-

0,19

0,66

Coco, farelo, extração por solvente

91,00

3,31

23,40

-

0,08

0,57

Amendoim, farelo, extração mecânica

93,00

3,25

52,00

14,00

0,20

0,61

Amendoim, farelo, extração por solvente

92,00

2,98

52,30

-

0,29

0,68

Girassol, farelo com casca

90,00

1,51

25,90

40,00

0,23

1,03

Girassol, farelo, sem casca, extração mecânica

93,00

2,85

44,60

-

0,44

0,98

Girassol, farelo, sem casca, extração por solvente

93,00

2,45

49,8

-

0,44

0,98

Levedura, resíduo de cervejaria

5,60

3,19

61,30

-

0,34

1,58

Cevada, resíduo de cervejaria

18,94

2,75

34,56

71,39

 

 

Mamona, farelo atoxicado

90,17

 

40,64

 

0,71

0,71

Milho, farelo de glúten

87,46

 

23,18

39,53

0,10

0,60

Peixe, farinha

92,41

4,18

63,2

6,12

6,80

3,72

Soja, farelo

88,56

3,16

47,64

14,81

0,33

0,58

Soja grão

90,76

3,16

38,73

13,96

0,35

0,56

Soja, leite

9,40

-

41,70

-

0,02

0,05

Uréia pecuária (equivalente protéico)

99,0

-

281

-

-

-

* MS, matéria seca; EM, energia metabolizável; PB, proteína bruta; FDN, fibra em detergente neutro; MDPS, milho desintegrado com palha e sabugo.

Fonte: Valadares Filho et al. (2001), NRC (1981), NRC (1985).

 

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Suplementos minerais

O fornecimento de suplementos minerais é uma prática que deve ser incorporada ao manejo nutricional de caprinos e ovinos em todas as fases do ciclo produtivo. Os elementos minerais encontrados com maior freqüência em níveis deficientes em pastagem e tecido animal de ruminantes, no Brasil, são: o fósforo, o cobre e o cobalto. Por esta razão, estes elementos não podem deixar de fazer parte de misturas minerais. Por outro lado, deficiência de ferro, em pastagem para ruminantes, é muito rara, razão pela qual é dispensável a sua inclusão neste tipo de suplemento.

Durante a época seca, proteína e energia são nutrientes limitantes para o desenvolvimento dos caprinos e ovinos, sendo que nestas condições a alimentação dos animais deve receber um suplemento com estes dois nutrientes, além da suplementação mineral. Nestas circunstâncias, recomenda-se a utilização de mistura múltipla que suplementa a dieta do animal com minerais, proteína e energia. Ressalte-se que a resposta à suplementação com mistura múltipla depende da existência de forragem, com abundância, nas pastagens, mesmo que esta não seja de boa qualidade nutritiva. As principais fontes de minerais a serem utilizadas nos suplementos minerais para caprinos e ovinos estão apresentadas na Tabela 7 e nas Tabelas 8 e 9 encontram-se sugestões de misturas múltiplas.


Tabela 7.
Quantidades de elementos minerais para composição de suplementos minerais para caprinos e ovinos.

Produto

Ca

P

Cu

Co

Zn

Mn

Se

Fosfato bicálcico

23,3

18,0

-

-

-

-

-

Farinha de ossos

31,1

14,5-

-

-

-

-

-

Superfosfato triplo

13,0

17,9

-

-

-

-

-

Calcário calcítrico

38,5

-

-

-

-

-

-

Farinha de ostra

38,0

-

-

-

-

-

-

Sulfato de cobre

-

-

25,5

-

-

-

-

Sulfato de cobalto

-

-

-

24,5

-

-

-

Sulfato de zinco

-

-

-

-

22,7

-

-

Sulfato de manganês

-

-

-

-

-

32,5

-

Selenato de sódio

-

-

-

-

-

-

45,6

Fonte: adaptado de NRC (1985) e NRC (1981).

 

Tabela 8. Mistura múltipla formulada a partir de ingredientes adquiridos isoladamente.

Ingredientes

Quantidade

Milho em grão (xerém) (kg)1

27,0

Fonte cálcio e fósforo (kg)2

16,0

Farelo de soja (kg)3

15,0

Uréia (kg)

10,0

Flor de enxofre (kg)4

1,3

Sulfato de zinco (g)

300,0

Sulfato de cobre (g)

27,0

Sulfato de cobalto (g)

20,0

Sal comum (kg)

30,3

 

Composição

 

Proteína bruta (%)

37,78

Energia metabolizável (Mcal/kg)

1,38

Cálcio (%)

5,81

Fósforo (%)

2,71

1º milho pode ser substituído por sorgo em grão, panícula de sorgo, MDPS, raspa de mandioca e polpa cítrica.

2A fonte de cálcio e fósforo poderá ser o fosfato bicálcico.

3O farelo de soja pode ser substituído por torta de algodão, torta de babaçu, farelo de girassol, etc.

4A flor de enxofre pode ser substituída pelo sulfato de amônio ou pelo sulfato de cálcio.

Fonte: Tabela composta especialmente para esta publicação

 

Tabela 9. Mistura múltipla formulada tendo como ingrediente mistura mineral comercial.

Ingredientes

Quantidade

Milho em grão (xerém) (kg)

27,7

Farelo de soja (kg)

15,0

Mistura mineral (kg)1

16,0

Uréia (kg)

10,0

Flor de enxofre (kg)

1,3

Sal comum (kg)

30,0

Composição

Proteína bruta (%)

37,84

Energia metabolizável (Mcal/kg)

1,40

Cálcio (%)

1,97

Fósforo (%)

2,71

1Escolha uma mistura mineral que não venha pronta para uso, ou seja, não contenha sal comum. Nesta simulação foi usada uma mistura contendo 8,7% de P e 12,0% de Ca.

Fonte: tabela composta especialmente para esta publicação.

 

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Manejo Alimentar


No sistema de produção o manejo alimentar deve seguir as fases do sistema de produção. Para cada categoria em cada fase de produção existem particularidades que são fundamentais para o sucesso da produção de carne e pele no Nordeste Brasileiro.

 

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Fase de Produção

Manejo Alimentar das Matrizes
Manejo Alimentar dos Reprodutores

Manejo Alimentar das Crias

Fase de Recria

Fase de Acabamento

Pasto
Confinamento

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Fase de Produção


Durante a fase de produção que vai desde a concepção até o desmame, o manejo alimentar deve contemplar de forma específica cada categoria animal.

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Manejo Alimentar das Matrizes

Manejo Alimentar dos Reprodutores

Manejo Alimentar das Crias

 

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Manejo Alimentar das Matrizes

O programa de alimentação das matrizes deve ser concebido em função das diversas fases do seu ciclo produtivo. Ressalte-se que estas não devem apresentar-se nem muito magras nem excessivamente gordas, especialmente por ocasião da cobertura ou da parição.

O acompanhamento da condição de escore corporal das matrizes é de fundamental importância para o desempenho produtivo dos rebanhos. Recomenda-se, portanto, que no momento da cobertura, os animais apresentem escore corporal de 2,5 a 3,0 (escala de 1 a 5, onde um significa muito magra e cinco, muito gorda) e que cheguem ao parto com 3,5. Do parto ao pico de lactação, é esperado uma redução no escore para 2 a 2,5.

As fêmeas que à cobertura estão magras têm sua eficiência reprodutiva comprometida. Neste caso, as fêmeas devem receber um tipo de suplementação (flushing) à base de concentrado energético como milho ou sorgo em grãos. A mudança dos animais de um piquete para outro com forragem de melhor qualidade também pode ser usada. Se a fêmea estiver muito gorda. Deve sofrer restrição alimentar para que possa estar apta à reprodução.

Nos primeiros 100 dias de prenhez, as necessidades nutricionais da fêmea são baixas. Todavia, restrições alimentares severas podem provocar abortos ou má formação de fetos.

A melhoria da dieta desta no terço final da prenhez e início da lactação deve ser, também, pelo aumento no nível de proteína, através do fornecimento de fenos de leguminosas ou de alimentos concentrados.

Nos últimos 50 dias de prenhez há necessidade de nutrientes adicionais para atender ao crescimento fetal (75% do feto se desenvolve nesta fase) e a placenta. Nesta fase o útero ocupa grande espaço na cavidade abdominal, comprimindo o rúmen, o que faz com que a capacidade de consumo da fêmea diminua. Por isso, nesta fase, é importante o fornecimento de volumosos de boa qualidade e concentrado.

A lactação é outra importante fase do ciclo produtivo da fêmea, especialmente nas primeiras semanas de lactação. Geralmente, no início da lactação observa-se perda de peso nas fêmeas decorrente da elevada demanda por nutrientes, a qual está diretamente relacionada ao nível de produção de leite. A fêmea deve parir com escore de 3 a 3,5. Nestas condições, a fêmea dispõe de reservas corporais (gordura) para mobilização durante as primeiras semanas de lactação. As fêmeas que parem mais de uma cria produzem mais leite que aquelas que parem uma única cria. Todavia, este aumento não é proporcional ao número de crias paridas, ou seja, em partos múltiplos é necessário fornecimento de suplementação alimentar.

Recomenda-se alimentar as fêmeas jovens (em crescimento) separadas das adultas, pois, estas possuem necessidades diferentes. Esta atitude evita, também, a dominância das fêmeas adultas, contribuindo para melhorar o consumo das fêmeas jovens.

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Manejo Alimentar dos Reprodutores

Devido à alta incidência de cálculos urinários em machos faz-se necessário o balanceamento da dieta total para que contenha cálcio e fósforo nas proporções 2,0: 1,0 ou 1,5:1,0. Para animais adultos fornecer concentrado variando de 16 a 18% de proteína bruta, na quantidade de 500 a 600g/dia, juntamente com alimento volumoso de média qualidade a fim de atender suas exigências de mantença.

Durante a estação de monta, caso o macho esteja servindo a um número excessivo de fêmeas, a ração pode ser novamente balanceada aumentando a quantidade de nutrientes. O que não deve ser permitido é o desgaste excessivo do reprodutor ou sua engorda, pois, ambas as situações prejudicam o desempenho sexual do mesmo.

 

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Manejo Alimentar das Crias

Nas primeiras semanas de vida, dois aspectos são de fundamental importância para a sobrevivência e bom desempenho das crias: capacidade de produção de leite e a habilidade materna das matrizes, estando esta última intimamente relacionada com a primeira e traduzida como cuidados e proteção dispensada às crias pela mãe. É importante, portanto, trabalhar esta característica com base no parâmetro: kg de cordeiro desmamado / ovelha parida, descartando aquelas menos produtivas.

Durante a época de carência alimentar (época seca), as crias ficam com as mães o dia todo até 15 dias de idade. A partir desta idade deverão ser retidas no aprisco e submetidas a duas mamadas diárias (amamentação controlada); uma pela manhã e outra à tarde ante e após o pastejo das matrizes. No aprisco, deve ser fornecido para as crias forragem de boa qualidade (capim-elefante verde ou feno de leguminosas ou de gramíneas) e concentrado à vontade. Esta prática é conhecida como creep feeding. O concentrado deverá conter 3,0 Mcal de energia metabolizável por kg de matéria seca, 15 % de proteína bruta, 0,50 % de cálcio e 0,35 % de fósforo. Não é aconselhável utilizar leguminosas verdes por que causam diarréias nas crias. A leucena, mesmo na forma de feno, por conter mimosina, não deve ser utilizada como único volumoso para crias cujo rúmen ainda não se desenvolveu completamente.

A associação da amamentação controlada e com o creep feeding traz benefícios tanto para o desempenho reprodutivo das matrizes como para o produtivo das crias. Com o uso destas práticas o desmame pode ser realizado entre 70 e 84 dias de idade.

 

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Fase de Recria


A recria é a fase do sistema de produção que é iniciada após o desmame das crias com o objetivo de prepará-las para o acabamento ou para reposição (fêmeas) caso não se trate de cruzamento industrial. Não existe uma duração pré-estabelecida para a recria. Tratando-se de animais para abate, o desejável é que esta fase não exista, isto é, que os animais passem diretamente do desmame para a fase de acabamento. Mas, em situações em que as crias são desmamadas com menos de
15 kg, os animais devem ser submetidos a uma fase de recria até atingirem esse peso.

Por tratar-se de ruminantes, a alimentação deve ser baseada, principalmente, em volumosos, os quais abrangem uma grande variedade de alimentos, como forragens verdes e conservadas (feno e selagem). Ressalte-se que estes alimentos devem ser de boa qualidade nutritiva, no sentido de atender aos requerimentos nutricionais desta categoria animal, os quais são elevados. A inclusão de leguminosas, a exemplo da cunhã (Clitoria ternatea), da leucena (Leucaena leucocephala), da gliricídia (Gliricidis sepium) etc., como parte da fração volumosa da dieta é uma medida importante. Outra boa fonte de volumosos que poderá ser utilizada são os resíduos da agro-indústria frutífera, que já representa uma fonte considerável de alimentos de boa qualidade nutricional. O uso de concentrados poderá ser adotado como complementação da dieta.

 

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Fase de Acabamento


Acabamento é a fase final do sistema de produção. Para o Nordeste brasileiro esta fase pode ser realizada de duas maneiras: em pastagem e em confinamento.

Acabamento a Pasto

Acabamento em Confinamento

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Acabamento a Pasto


A principal vantagem do sistema de acabamento a pasto é a possibilidade de produzir cordeiros a pasto o ano inteiro tornando o sistema de produção mais sustentável e competitivo frente a crescente demanda pelos produtos da ovinocultura de corte.

É possível fazer o acabamento de cordeiros tanto em pastagem nativa como em pastagem cultivada. Quando as crias são desmamadas na estação chuvosa o pasto nativo fornece nutrientes em quantidade e com qualidade para possibilitar a realização desta fase da criação neste tipo de pasto.

No entanto, se as crias forem desmamadas na época seca, o acabamento a pasto só é possível com o uso de pastagens cultivadas.

Em acabamentos a pasto o rendimento de peso vivo de ovinos em pastagem irrigada sob lotação rotativa no semi-árido pode ser superior a 2500 kg/ha x ano, chegando perto de 3000 kg/ha x ano. Com o uso de suplementação ganhos entre 150 e 200g/dia podem ser obtidos. A suplementação é uma ferramenta que pode ser utilizada para elevar a capacidade de suporte da pastagem.

Para que este tipo de sistema de alimentação seja eficiente e produtivo, alguns índices foram estabelecidos para ajudar os produtores. Tais índices são:

Peso médio inicial dos cordeiros: 13-15 kg

Ganho de peso esperado: até 100g/cab. dia sem suplementação até 200 g/cab./dia com uso de suplementação

Consumo de matéria seca: 3% PV

Consumo diário de matéria seca: 900 g/cab. dia

Taxa de lotação: 40 a 60 cordeiros/ha

Peso final esperado: 30 Kg

Duração da terminação: aproximadamente 150 dias

Estes índices tem sido obtidos com capim tanzânia que tem uma produção média variando entre 18-22t MS/ha ano (sem uso de irrigação em torno de 80% desta produção estará concentrada na época chuvosa).

O método de pastejo que possibilita melhor desempenho em curto prazo é a Lotação Rotativa (popularmente conhecido como pastejo rotacionado).

Para começar a utilizar o pasto como fonte de alimentação, neste tipo de manejo, inicialmente o produtor deve pesar e vermifugar os animais. Os animais devem permanecer no piquete durante o período de tempo pré-determinado, que varia de um a cinco dias. E o período de descanso de cada piquete varia de 20 a 42 dias dependendo do tipo de forrageira (ver informação na área alimentação – Pastagem Cultivada).

A cada 21 dias deve-se proceder a pesagem dos animais para acompanhamento do ganho de peso, bem como para identificação de falhas de manejo e monitoramento dos aspectos gerais sanitários do rebanho.

A altura do pasto é uma ferramenta de manejo do pastejo de fácil compreensão por parte dos produtores e que visa melhor utilização do pasto pelos animais e também uma recuperação adequada do pasto após o pastejo. A altura do pasto de capim-tanzânia e outras cespitosas, deve ser de 0,5-0,7 m quando os animais forem entrar no piquete. Quando os animais saírem do piquete esta altura deve estar em torno de 0,20 a 0,3 m. Ajustes na lotação devem ser feitos para se conseguir estas alturas. Em sistemas intensivos a taxa de lotação para Panicum (tanzânia e mombaça) varia de 40-60 cordeiros por hectare. Para gramíneas menos produtivas, essa lotação pode ser de no máximo 30 cordeiros/ha.

 

*

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Acabamento em confinamento


O confinamento é uma prática que consiste na seleção e no confinamento de ovinos jovens (cordeiros), machos e/ou fêmeas, com vistas a prepará-los para o abate num curto espaço de tempo. No Nordeste, esta prática é recomendada, principalmente, para o Semi-Árido do Nordeste brasileiro, onde se observa uma grande carência de forragem nas pastagens, durante a época seca.

Considerando que o ganho muscular de cordeiro e cabritos ocorre, principalmente, até a puberdade, que ocorre por volta de cinco a seis meses de idade. A partir desta idade inicia-se a deposição de gordura. Assim, selecionar animais jovens (por volta de 90 dias) e saudáveis (livres de parasitas externos, vermifugados e vacinados contra enfermidades endêmicas), com mínimo de 15 kg de peso vivo.

A duração do confinamento é um fator de elevação de custos. Portanto, quanto maior for o tempo de confinamento, maior será o custo de produção e menor será a rentabilidade do negócio. Estudos indicam que a duração do confinamento deve ficar entre 56 e 70 dias.

A castração é recomendada com o propósito de evitar a presença de sabor e odor desagradáveis que surgem na carne, a partir da puberdade do animal. Animais inteiros (não castrados) apresentam maior potencial para ganho de peso e carcaças mais magras. Portanto, como a terminação de cordeiros, em confinamento, propicia o abate de animais em idade precoce (150 e 180 dias de idade) a castração não é recomendável.

A alimentação é o fator mais importante para a viabilidade econômica do confinamento no Nordeste, pois, chega a ser responsável por até 70% dos custos de produção (Barros et al, 1997). Assim, reduzir custos com alimentação sem, contudo, reduzir o desempenho dos animais significa aumentar o rendimento financeiro desta prática. Ressalte-se que os concentrados, geralmente, são os alimentos que mais oneram a alimentação de cordeiros confinados. Portanto, faz-se necessário a busca por ingredientes alternativos que substituam ou reduzam a quantidade de uso dos tradicionais milho e soja.

As opções de ingredientes para ração de cordeiros em confinamento são numerosas. Deve-se, entretanto, procurar escolher aqueles ingredientes que apresentem qualidade nutritiva condizente com as necessidades nutricionais dos animais e que estejam disponíveis ou possam ser produzidos na propriedade ou em regiões próximas. Sempre que for conveniente, procurar utilizar alimentos produzidos na propriedade, como é o caso de gramíneas e leguminosas. Outra opção é a utilização de resíduos agro-industriais, em substituição aos grãos e aos farelos de oleaginosas.

 As dietas para confinamento de cordeiros e cabritos devem ser formuladas em função de suas necessidades nutricionais, as quais estão relacionadas com a capacidade de ganho de peso dos animais. Assim, os níveis de nutrientes na dieta destes animais estão listados na Tabela 10.

 

Tabela 10. Composição nutricional de rações para acabamento de cordeiros e cabritos, em confinamento.

GP1

Caprino

Ovino

(g)

ED1 (Mcal/kg)

PB1

(%)

Cálcio (%)

Fósforo

(%)

ED (Mcal/kg)

PB

(%)

Cálcio (%)

Fósforo

(%)

20 kg de Peso Vivo

100

2,79

11,50

0,33

0,23

2,82

17,50

0,45

0,34

200

2,65

11,82

0,33

0,23

1,75

15,81

0,48

0,29

300

-

-

-

-

2,95

18,37

0,50

0,24

30 kg de Peso Vivo

100

2,47

8,78

0,33

0,23

2,76

13,75

0,41

0,30

200

2,61

9,46

0,33

0,23

2,75

10,90

0,45

0,28

300

-

-

-

-

3,10

13,89

0,50

0,25

1GP = ganho de peso; ED = energia digestível; PB = proteína bruta.

Fonte: elaborada para esta publicação.

 

Os resultados indicam que a espécie caprina apresenta menor desempenho em confinamento que a ovina. Mesmo animais da raça Boer, que é especializada para produção de carne, bem como seus mestiços o ganho de peso máximo observado foi de 203 g/animal/dia, enquanto que para cordeiros ¾ Suffolk x ¼ SRD há registro de até 307 g/animal/dia. Este fato é compreendido ao analisar os resultados obtidos com cordeiro Finnish Landrace (FLS) e cabritos da raça Finnish Landrace (FLG). Ressalte-se que os cabritos necessitaram de 60 dias a mais que os cordeiros para atingirem 18 kg de peso de carcaça.

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