Embrapa Caprinos

Sistemas de Produção, 1

ISSN 1809-1822 Versão Eletrônica

Dez/2005

Sistema de Produção de Caprinos e Ovinos de Corte no Nordeste Brasileiro


Autores

 

Apresentação
Importância econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Raças
Infra-estrutura
Alimentação e manejo alimentar
Manejo reprodutivo
Manejo produtivo
Manejo sanitário
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

 

Expediente

Raças e Cruzamentos para produção de Carne Caprina e Ovina


A escolha da raça ou grupo genético é um aspecto de grande importância para o sucesso do agronegócio da carne e da pele ovina e caprina, no Nordeste do Brasil.

Estas espécies animal apresentam grande potencial fisiológico para produção de carne e pele, especialmente os ovinos deslanados e os caprinos naturalizados da Região Nordeste. Trata-se de grupos sexualmente precoces, em especial, quando submetidos a manejo nutricional diferenciado. O curto período de prenhez (150 dias de duração) e a prolificidade (crias nascidas/por fêmea parida), nestes pequenos ruminantes domésticos, favorecem a obtenção de uma elevada eficiência produtiva, por unidade de tempo. Geralmente, a capacidade produtiva das raças ou dos grupos genéticos de caprinos e ovinos é inversamente relacionada com a sua rusticidade. Portanto, para a região semi-árida os tipos mais indicados são os indicados a seguir.

Raças e Grupos Raciais de Caprinos de Corte

Raças e Grupos Raciais de Ovinos de Corte

Cruzamentos

Caprinos de Corte
Ovinos de Corte


Raças e Grupos Raciais de Caprinos de Corte

As principais raças de caprinos indicadas para o Nordeste brasileiro são a Anglo-nubiana linhagem corte, a Boer, a Savana, a Kalahari, a Moxotó e a Canindé além dos tipos raciais Marota, Repartida, Gurguéia e SRD. As características de produção destes grupos genéticos estão apresentadas na Tabela 1.

 

Tabela 1. Características de Grupos Raciais de Caprinos de Corte indicadas para o Nordeste Brasileiro.

Raça ou grupo racial

Peso Macho Adulto (kg)

Peso Fêmea Adulta (kg)

Adaptação

Prolificidade

GPD

Qualidade

de carcaça

Qualidade

da pele

Anglo-nubiana

70-95

55-65

A

A+

A

M

A+

Bôer

110-135

70-80

M-A

M-A

A++

A

A

Canindé

45-55

35-40

A++

A

B+

B

A++

Gurguéia

35-40

30-35

A++

A

B

B

A++

Kalahari

100-130

60-70

M

M-A

A+

A

A

Marota

35-40

30-35

A+

M-A

B

B

A+

Moxotó

45-55

35-40

A++

A

B+

B

A+++

Repartida

35-45

35-40

A++

A

B

B

A++

Savana

100-130

60-70

M

M-A

A+

A

A

SRD

40-60

30-50

A++++

M-A

B

B

A++

Fonte: Lôbo (2003)

GPMD = Ganho de peso médio diário; A = Alto; M = Médio; B = Baixo; DER = Duração da estação reprodutiva: L = longa; C = curta. O sinal de (+) foi adicionado para denotar um maior grau de excelência em uma característica particular.

Raças e Grupos Raciais de Ovinos de Corte

As principais raças de ovinos de corte indicadas para utilização na região Nordeste são Santa Inês, Morada Nova, Somalis Brasileira, Dorper, Rabo Largo ou Dâmara, Cariri e o tipo Sem Raça Definida (SRD). Vale salientar que os grupos genéticos de cauda gorda, ou seja, Somalis Brasileira e Rabo Largo, estão incluídos entre as de menor necessidades nutricionais, sendo assim mais rústicos, em virtude da existência de uma reserva de gordura, localizada na base da cauda. Na Tabela 2 estão apresentadas as características de produção de raças ou grupos genéticos ovinos recomendados para utilização em sistemas de produção, no Nordeste brasileiro.

 

Tabela 2. Características de Grupos Raciais de Ovinos de Corte indicadas para o Nordeste Brasileiro.

Raça ou grupo racial

Peso Macho Adulto (kg)

Peso Fêmea Adulta (kg)

Adaptação

Prolificidade

GPD

Qualidade

de carcaça

Qualidade

da pele

Cariri

60-70

35-55

A

M-A

B

B

A+

Dâmara

60-90

50-60

A + + +

M+

B

B

A+

Dorper

90-120

65-85

M – A

B

A++

A+

A

Morada Nova

50-60

30-45

A + +

A

B

B

A+++

Santa Inês

70-95

45-60

A

B

M - A

M

A++

Somalis

50-70

35-50

A+ + +

B

B

B

A++

SRD

40-50

30-40

A++++

M-A

B

B

A++

Fonte: Lôbo (2003)

GPMD = Ganho de peso médio diário; A = Alto; M = Médio; B = Baixo; DER = Duração da estação reprodutiva: L = longa; C = curta. O sinal de (+) foi adicionado para denotar um maior grau de excelência em uma característica particular.

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Cruzamentos

Caprinos de Corte

Ovinos de Corte

Cruzamento é quando se acasalam, ou seja, são colocados para se reproduzir, indivíduos de raças ou grupamentos genéticos distintos. Por exemplo, quando se acasalam animais da raça Santa Inês com animais da raça Morada Nova, se diz que se está realizando o cruzamento entre estas raças.

Os produtos dos cruzamentos são conhecidos por mestiços. Realiza-se o cruzamento quando se deseja obter o vigor híbrido, ou heterose, que é a superioridade da progênie em relação à média dos pais.

Existem vários tipos de cruzamento. A escolha de qual tipo usar depende do objetivo da criação. Se o produtor desejar vender todos os animais, provenientes do cruzamento entre duas raças, o cruzamento mais indicado é o simples ou industrial. Neste tipo de cruzamento os animais ½ sangue originados do acasalamento entre duas raças serão levados todos para o abate, independente do sexo da cria. O máximo vigor híbrido é alcançado neste tipo de cruzamento.

Quando se deseja reunir características de várias raças em um animal, realiza-se o cruzamento rotativo ou alternado, que consiste em ir alternando no acasalamento, uma raça e outra, sucessivamente. Exemplo: um rebanho de fêmeas SRD é acasalado com reprodutores Santa Inês, as fêmeas oriundas deste cruzamento serão acasaladas com reprodutores Somalis, as fêmeas provenientes do cruzamento com Somalis serão acasaladas com reprodutores Santa Inês, e assim sucessivamente.

Para a realização do cruzamento, o primeiro passo é selecionar a(s) raça(s) paterna(s), que fornecerá (ão) os reprodutores, e a(s) raça(s) materna(s), que fornecerá (ao) as matrizes, servindo de base para o cruzamento. Isto é importante, uma vez que existem raças com maiores velocidades de crescimento, mais indicadas para serem paternas, e outras que apresentam melhor fertilidade, boa habilidade materna e boa condição corporal.

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Cruzamentos para Caprinos de Corte

No Nordeste, especialmente no Semi-Árido, onde as condições de alimentação são desfavoráveis durante boa parte do ano é conveniente que a linhagem materna seja constituída de animais de elevada rusticidade. Nestas condições, para caprinos, o tipo racial SRD e as raças Moxotó e Anglo Nubiana devem ser utilizadas como linhagem materna e como linhagem paterna reprodutores das raças Boer, Anglo Nubiana e Savana.

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Cruzamentos para Ovinos de Corte

No Nordeste, especialmente no Semi-Árido, onde as condições de alimentação são desfavoráveis durante boa parte do ano é conveniente que a linhagem materna seja constituída de animais de elevada rusticidade. Nestas condições, para ovinos, o tipo racial SRD e as raças Morada Nova, Cariri e Dâmara devem ser utilizadas como linhagem materna e reprodutores das raças Santa Inês, Somalis Brasileira ou Dorper, como linhagem paterna.

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