Embrapa Hortaliças
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1678-880X Versão Eletrônica
Jun./2008
Cenoura (Daucus carota )
Autores

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Deficiências nutricionais
Cultivares
Plantio
Raleio
Irrigação
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita
Coeficientes técnicos
Referências

Expediente


Pragas

Félix Humberto França


As principais pragas da cultura da cenoura são lagartas e pulgões, que são controlados através de praticas culturais, e pela ação de inimigos naturais como parasitóides e predadores. São muito poucos os inseticidas registrados para o controle de pragas da cenoura, o que torna o controle químico uma prática pouco recomendável para a cultura.

 

Lagartas

Lagarta-rosca (Agrotis spp.) ; Lagarta-militar (Spodoptera frugiperda); Lagarta-falsa-medideira (Rachiplusia nu)

As larvas de algumas espécies de mariposas são conhecidas vulgarmente por "lagarta-rosca", pelo hábito típico que têm de se enroscarem quando tocadas. As espécies mais comuns pertencem ao gênero Agrotis, sendo que A. ipisilon é a mais frequente.

Algumas espécies do genero Spodoptera, notadamente a S. frugiperda apresentam comportamento semelhante, principalmente durante a época mais seca do ano. As mariposas do gênero Agrotis colocam os ovos no solo, moitas de capim, restos de cultura, gramíneas emergentes ou nas folhas ou pecíolos das plantas de cenoura. As larvas, após a eclosão, alimentam-se raspando as folhas, e à medida que aumentam de tamanho, passam a cortar as plantas próximo à superfície do solo.

Os danos de lagarta-rosca em cenoura são mais comuns até 30-40 dias após a semeadura. Geralmente a presença de lagarta-rosca só é detectada quando se verificam plantas cortadas.

A colocação de iscas envenenadas nos locais onde haja plantas daninhas, restos de culturas mal incorporados, ou entre as fileiras de cenoura recém semeadas permite localizar e combater os focos de infecção (Figura 1).


Foto: Autor da foto
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Fig. 1. Lagarta rosca
 

O controle mais eficiente destas espécies é alcançado através de práticas culturais como o adequado preparo de solo, incorporação dos restos culturais e eliminação das plantas daninhas, especialmente gramíneas. Para o controle químico, as pulverizações devem ser feitas preferencialmente no período da tarde, e dirigidas à base das plantas porque as larvas se escondem no solo durante o dia e saem a noite para se alimentar.

Produtos à base de Trichlorfon e Carbaryl controlam a Agrotis, Spodoptera e outras espécies que eventualmente se alimentam das folhas de cenoura, como a Rachiplusia nu, esta conhecida vulgarmente como "falsa medideira" (Figura 2).


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Fig. 2. Lagarta falsa-medideira
 
Pulgões

Dysaphis spp; Cavariella aegopodii

Os pulgões raramente chegam a causar dano econômico à cultura da cenoura, porque não ocorrem em grandes populações e são altamente parasitados por micro-himenópteros. Pulverizações com produtos à base de Fenitrothion e Pirimicarb controlam eficientemente estes afídeos (Figura 3).


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Fig. 3. Pulgões
 
Larvas de Crisomelídeos

Diabrotica speciosa; Diabrotica bivittula; Cerotoma arcuata

Ocasionalmente, quando a cenoura é plantada após a cultura do milho ou pastagens, as raízes da planta podem ser danificadas por larvas de crisomelídeos, cujos adultos são conhecidos por vaquinhas ou brasileirinho, os quais pertencem aos gêneros Diabrotica e Cerotoma (Figura 4). Estas infestações são esporádicas e provavelmente causadas por algum tipo de desequilíbrio ambiental temporário.

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Fig. 4. Larvas de Crisomelídeos

A aplicação de Chlorpyrifos, em solo úmido ao ser constatada a presença das larvas ou de raízes danificadas é eficiente, devendo ser observado um período mínimo de carência de 15 dias.

 

Como alternativa ao uso de inseticidas, sabe-se que adultos de crisomelídeos são atraídos por raízes da cucurbitácea silvestre denominada Tayuyá ou frutos de Lagenaria sp, a cabaça-verde, que podem ser utilizados como iscas. Tanto as raízes quanto os frutos, quando tratados com inseticidas, mantêm a capacidade de atração dos adultos.

Estes, ao se alimentarem, são envenenados, o que faz com que as populações destes insetos sejam reduzidas.

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