Embrapa Trigo
Sistema de Produção, 1 - 2ª Edição
ISSN 1809-2985 Versão Eletrônica
Dez/2006
Cultivo de centeio
Silvio Tulio Spera
Alfredo do Nascimento Junior

Sumário

Apresentação
Introdução
Descrição da planta
Utilização
Clima
Solos
Calagem e adubação
Cultivares
Semeadura
Manejo e controle de plantas daninhas
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Referências
Glossário


Autores
Expediente


Solos

Centeio é mais produtivo (grãos, forragem etc.) do que outros cereais de inverno, em condições de baixa fertilidade, maior acidez e reduzida umidade de solo, podendo ser indicado para cultivo em solos arenosos, degradados e exauridos e recomendado para recuperar e proteger áreas em processo de desertificação. É menos exigente em adubação ou em preparo de solo que outros cereais de inverno. Requer temperatura baixa durante o afilhamento e solos profundos e bem drenados, devendo-se evitar seu cultivo em solos muito argilosos ou encharcados.

A planta de centeio desenvolve-se adequadamente em uma ampla variação de umidade, mas em geral ela supera as leguminosas e os demais cereais de inverno em solos arenosos, pobres quimicamente e em condições de seca, requerendo 20-30% menos água, por unidade de matéria seca, do que a planta de trigo.

Centeio é conhecido por tolerar acidez, podendo ser cultivado em condições de pH entre 4,5 e 8,0, mas, de forma genérica, encontra melhor adaptação com pH entre 5,0 e 7,0. Adapta-se melhor às regiões situadas em altitudes superiores a 400 m, no Rio Grande do Sul (RS), em Santa Catarina (SC), no Paraná (PR), em São Paulo (SP), em Minas Gerais (MG) e em Mato Grosso do Sul (MS). Entretanto, quando adubada corretamente, a cultura responde positivamente com aumento de rendimento de grãos e de massa verde.

Lemos et al. (1967) definiram que solos considerados ideais para a cultura de trigo e para outros cereais de inverno não-irrigados, deveriam apresentar as seguintes características: ausência de impedimentos de natureza química, ausência de impedimentos físicos, ausência de impedimentos à mecanização e pouca suscetibilidade à erosão. Monegat (1991) relata que centeio, apesar de se desenvolver em condições de baixa fertilidade, responde satisfatoriamente e produz mais quando adubado adequadamente e com pH do solo corrigido para valor entre 5,6 e 7,0. Hernani et al. (1995) reportam que centeio apresenta exigência hídrica menor que os demais cereais de inverno.

As seguintes propriedades e características de solo foram obtidas a partir de perfis de solos considerados ideais para cultivo de cereais de inverno, por Lemos et al. (1967), por Baier (1994) e por Hernani et al. (1995), e que podem ser consideradas as desejáveis para o cultivo de centeio:

Químicas
Capacidade de troca catiônica acima de 15 cmolc dm-3;
Teor de alumínio trocável inferior a 4 cmolc dm-3;
Nível de matéria orgânica do solo entre 1 e 5 %;
Saturação por alumínio abaixo de 5%;
Saturação por sódio abaixo de 4%;
Saturação por bases acima de 35%;
Teor de fósforo acima de 2,0 mg dm-3;
pH entre 5,5 e 6,0.

Físicas
Solos minerais não hidromórficos;
Teor de argila acima de 25%;
Densidade do solo entre 1,10 e 1,25 g cm-3;
Porosidade total acima de 50%;
Água disponível acima de 10%;
Ausência de encharcamento.

Morfológicas
Profundidade efetiva acima de 100 cm;
Ausência de camadas adensadas;
Ausência de argilas expansivas;
Drenagem de boa a forte;
Ausência de petroplintita, pedregosidade e rochosidade.

Centeio é cultivado, no Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais (Baier, 1994). Não há zoneamento para a cultura no Brasil, porém, em virtude da similaridade, ela pode ser conduzida nas mesmas áreas aptas para a cultura de trigo. O zoneamento para a cultura de trigo divide os solos, quanto à textura (teor de argila), e indiretamente, quanto à disponibilidade de água para as plantas, em três classes, de acordo com proposto por Hamakawa et al. (1994):

- Tipo 1: solos de textura arenosa, com 7% de água disponível na região radicular;
- Tipo 2: solos de textura média, com 10% de água disponível;
- Tipo 3: solos de textura argilosa, com 12% de água disponível.

Solos aptos para a cultura de centeio no Rio Grande do Sul

Os dois riscos climáticos mais relevantes para a cultura de centeio no Rio Grande do Sul – geada na floração e excesso de chuva na colheita – não estão relacionados com o tipo de solo.

Tipo 2: Latossolo Vermelho-escuro (< 35% de argila) e Latossolo Vermelho-amarelo;
Tipo 3: Latossolo Vermelho-escuro com textura argilosa (> 35% de argila); Latossolo Roxo; Podzólico Vermelho-amarelo; Podzólico Vermelho-escuro; Solos Litólicos, Cambissolos e Cambissolos Eutróficos; Solos Aluviais.

Solos aptos para a cultura de centeio em Santa Catarina

Os dois riscos climáticos mais relevantes para a cultura de centeio em Santa Catarina – geada na floração e excesso de chuva na colheita – não estão relacionados com o tipo de solo.

Tipo 2: Latossolo Vermelho-amarelo (< 35% de argila);
Tipo 3: Latossolo Vermelho-escuro de textura argilosa (> 35% de argila); Latossolo Bruno, Latossolo Roxo; Latossolo Bruno Câmbico; Podzólico Bruno-acinzentado; Podzólico Vermelho-amarelo, Vermelho-escuro e Vermelho-amarelo latossólico; Terra Bruna Estruturada, Terra Roxa Estruturada; Brunizém; Brunizém Avermelhado; Cambissolo e Cambissolo Eutróficos; Solos Litólicos.

Solos aptos para a cultura de centeio no Paraná

Os dois riscos climáticos mais relevantes para a cultura de centeio no sul do Paraná (abaixo do paralelo 24° S) – geada na floração e excesso de chuva na colheita – não estão relacionados com o tipo de solo. Porém, acima desse paralelo, a deficiência hídrica destaca-se como risco e é agravada pela textura de solo, quanto maior o teor de areia.

Para o estado do Paraná, o zoneamento para a cultura de trigo estabelece como tipos de solos aptos para o plantio não-irrigado:

Grupo 2: Latossolo Vermelho-escuro (< 35% de argila); Latossolo Vermelho-amarelo; Latossolo Vermelho-escuro com textura argilosa (> 35% de argila); Latossolo Roxo (e Latossolo Bruno).

Grupo 3: Podzólico Vermelho-amarelo; Podzólicos Vermelho-escuro; Terra Roxa Estruturada (e Terra Bruna Estruturada); Cambissolos Eutróficos; Solos Aluviais.

Solos aptos para a cultura de centeio em São Paulo

Para a cultura de centeio, sob condição de sequeiro, no estado de São Paulo a deficiência hídrica torna-se condição de risco importante e é agravada pela textura de solo, quanto maior o teor de areia. O zoneamento para a cultura de trigo estabelece como tipos de solos aptos para o plantio não-irrigado em São Paulo, os seguintes:

Tipo 1: Areias Quartzosas; Solos Aluviais arenosos;
Tipo 2: Latossolo Vermelho-escuro (< 35% de argila); Latossolo Vermelho-amarelo (< 35% de argila);
Tipo 3: Latossolo Roxo; Latossolo Vermelho-escuro (> 35% de argila); Podzólicos Vermelho-amarelo; Podzólicos Vermelho-escuro e Terra Roxa Estruturada; Cambissolos Eutróficos; Solos Aluviais de textura média e argilosa.

O cultivo de cereais de inverno em solos arenosos envolve sérios riscos e devem ser observadas várias práticas de manejo, pois esses solos não são aptos para lavouras anuais (Spera et al., 1998).

Solos aptos para a cultura de centeio em Mato Grosso do Sul

Para a cultura de centeio, sob condição de sequeiro, no estado de Mato Grosso do Sul, a deficiência hídrica torna-se limitante e impede a utilização de solos de textura arenosa. Para o estado de Mato Grosso do Sul, o zoneamento da cultura de trigo estabelece como tipos de solos aptos para o plantio não-irrigado os seguintes:

Tipo 3: Latossolo Vermelho-escuro (> 35% de argila), Latossolo Roxo; Podzólico Vermelho-amarelo; Podzólicos Vermelho-escuro (Terra Roxa Estruturada); Cambissolos Eutróficos; Solos Aluviais de textura média e argilosa.

Solos com potencial para a cultura de centeio em Minas Gerais

Para Minas Gerais, na safra 2001/2002, o Programa de Zoneamento Agrícola do MAPA incluiu a cultura de trigo sob condição de sequeiro como opção para o período de safrinha que permite aproveitar o fim do período chuvoso na região. Nessa época, apesar da temperatura e umidade do ar elevadas, é possível o cultivo de trigo sem irrigação, com a colheita prevista para o início da estação seca. A mesma consideração poderá ser estendida para centeio, ainda que não haja indicação da cultura para a região. As épocas de semeadura, considerando-se altitude de 800 m, ou superior, e solos com elevada capacidade de retenção de água, ficaram restritas ao mês de fevereiro. O zoneamento para trigo não-irrigado em Minas Gerais indica os seguintes solos:

Tipo 3: Podzólico Vermelho-amarelo; Podzólico Vermelho-escuro (e Terra Roxa Estruturada); Latossolo Roxo; Latossolo Vermelho-escuro (> 35% de argila); Cambissolos Eutróficos; Solos Aluviais de textura média e argilosa.
 

 
 
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