Embrapa Trigo
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1809-2985 Versão Eletrônica
Dez/2005
Cultivo de cevada
Autores

Sumário

Apresentação
Introdução
Regionalização para épocas de semeadura no sul do Brasil
Cultivares
Práticas culturais
Manejo e conservação de solo
Adubação e calagem
Controle de plantas daninhas
Controle de pragas
Controle de doenças
Colheita
Secagem
Referências
Glossário

Expediente


Controle de Pragas

As pragas de campo mais comuns na cultura de cevada são os pulgões e as lagartas, as quais podem reduzir a produção de grãos, caso não manejadas adequadamente. Os corós também têm ocorrido e causado danos econômicos em algumas áreas.

Pulgões

Os pulgões, Metopolophium dirhodum, Schizaphis graminum, Sitobion avenae e Rhopalosiphum padi (Hem., Aphididae), causam danos diretos pela sucção da seiva da planta, o que pode reduzir o número de grãos por espiga, o tamanho do grão, o peso de grãos e o poder germinativo das sementes. Além desses danos, os pulgões podem ser vetores de viroses, principalmente do Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC).

Sugere-se, para o controle de pulgões em cevada, os inseticidas e as doses indicados na Tabela 14.

Tabela 14. Inseticidas registrados no MAPA indicados para o controle de pulgões, de lagartas e de corós, em cevada.
Nome Inseticida/ Praga  Ingrediente ativo Produto comercial
Dose (g/ha)
 
Toxic.1 Car. (dias)2
I.S.3
Nome4
Dose litro/ha
Classe toxico- lógica5
Registrante
Pr. Pa. Oral Dermal

Clorpirifós etil

• Pulgões Metopolophium dirhodum Sitobion avenae

 

192

 

A

 

B

 

14

 

85

 

1042

Lorsban 480

BR (CE; 480)

Vexter (CE; 480)

Lorsban 480

 

0,4

0,4

 

II

II

 

 

Dow AgroSciences

• Lagartas Pseudaletia sequax 192 - 336 A B 14 85 - 49 1042-595

BR (CE; 480)

Vexter (CE; 480)

0,4 - 0,7

0,4 - 0,7

II

II

Imidaclopride                    
• Pulgões
M. dirhodum Schizaphis graminum
366 - - - 571 a 5714 >11248 Gaucho FS (FS; 600) 60 6 IV

 

Bayer Cropscience

• Corós Diloboderus abderus 606 - - - 333 a 3333 > 6667 Gaucho FS (FS; 600) 1006 IV
Fipronil                    
• Corós D. abderus 25,0 - 37,56 - - - - - Standak (SC; 250) 0,10 - 0,156 IV Basf
1 Predadores = Cycloneda sanguinea e Eriopis connexa; Parasitóides = Aphidius spp. S (seletivo) = 0 a 20% de mortalidade; B (baixa) = 21% a 40%; M (média) = 41% a 60%; A (alta) = 61% a 100%. Pr.= Predadores; Pa. = Parasitóides.
2 Carência (período entre a última aplicação e a colheita).
3 I.S. = Índice de segurança = DL50 x 100 / g i.a./ha; quanto maior o índice, menos tóxica a dose do produto.
4 Os dados entre parênteses referem-se à formulação (CE = concentrado emulsionável; FS = suspensão concentrada, para tratamento de sementes; SC = suspensão concentrada) e à concentração (g i.a./litro) do produto.
5 Classe toxicológica: I =extremamente tóxico; II = altamente tóxico; III = medianamente tóxico; e IV = pouco tóxico.
6 Tratamento de sementes, dose em g ou ml/100 kg de sementes.

A decisão do uso de inseticidas deve obedecer aos seguintes critérios:

Da emergência ao afilhamento: controlar quando a infestação média de pulgões atingir 10% das plantas da lavoura.

Da elongação ao emborrachamento: controlar quando a população média atingir 10 pulgões por afilho.

Do espigamento ao estádio de grãos em massa mole: controlar quando a população média atingir 10 pulgões por espiga.

A população média de pulgões deve ser determinada semanalmente, por amostragens de plantas, em vários pontos representativos da lavoura.

Lagartas

Geralmente, as lagartas Pseudaletia sequax e P. adultera (Lep., Noctuidae) atacam a cultura a partir do mês de setembro e até a maturação. Como o efeito de inseticidas no controle dessas lagartas dá-se mais pela ingestão do produto do que pela ação de contato, recomenda-se iniciar o controle nos focos de infestação quando ainda houver folhas verdes nas plantas de cevada.

Os produtos sugeridos para o controle de lagartas, e as respectivas doses, são indicados na Tabela 14.

Corós

Diferentes espécies de larvas de solo, conhecidas como corós (Col., Melolonthidae), com hábitos alimentares e potencial de danos diferentes, ocorrem na cultura de cevada. As espécies mais comumente encontradas são o coró-das-pastagens (Diloboderus abderus) e o coró-do-trigo (Phyllophaga triticophaga). Ambas apresentam ciclo biológico relativamente longo, que envolve as fases de ovo, de larva (coró), de pupa e de adulto (besouro). Somente as larvas, que são polífagas, são capazes de causar danos às culturas. Em geral, a infestação ocorre em manchas na lavoura.

Coró-das-pastagens - A espécie apresenta ciclo anual, escava galerias no solo e ocorre mais sob plantio direto e em pastagens, em razão da necessidade de palha para construção de ninhos e oviposição e mesmo para a alimentação de larvas pequenas. Os adultos podem ser encontrados de dezembro a março. A postura é feita nesse período, com mais freqüência em janeiro. Após um período de incubação, que dura entre uma e duas semanas, eclodem as larvas, que passam por três ínstares até empuparem, geralmente em novembro. O dano decorre da ação das larvas, especialmente as de 3º ínstar, que consomem sementes, raízes e partes aéreas da planta, que puxam para dentro da galeria. As larvas se concentram entre 10 cm e 20 cm de profundidade. Os maiores danos às culturas ocorrem de maio a setembro.

Coró-do-trigo - A espécie apresenta uma geração a cada dois anos, ocorre tanto sob plantio direto como sob preparo convencional de solo e não escava galerias. Os ovos são postos em novembro do ano 1. A fase de larva ocorre desde o fim do ano 1, prolonga-se durante todo o ano 2 e termina em janeiro/fevereiro do ano 3. As pupas ocorrem de janeiro a abril do ano 3; os adultos surgem a partir de março e permanecem no solo até outubro/novembro do mesmo ano, quando vêm a superfície para acasalamento e dispersão. As larvas apresentam três ínstares, são favorecidas por solos não compactados e vivem muito próximas da superfície, concentrando-se até os 10 cm de profundidade. Os danos ocorrem em anos alternados e estão associados às larvas, especialmente as de 3º ínstar, que se alimentam de sementes, de raízes e da parte aérea de plântulas, que puxam para dentro do solo. O período mais crítico para as culturas estende-se de maio a outubro/novembro do ano 2, quando, então, as larvas param de comer e permanecem inativas até a pupação.

Manejo de corós - Os pontos a serem considerados e as medidas a serem adotadas são:

• observar e demarcar as áreas com ocorrência de corós, com vistas ao acompanhamento nos anos seguintes;
• Considerar que a mortalidade natural, normalmente provocada por inimigos naturais, principalmente patógenos, e por condições extremas de umidade do solo, pode ser expressiva, e o colapso de uma população pode ocorrer de uma geração para outra;
• identificar a(s) espécie(s) de coró existente(s) na lavoura e estimar a densidade, através de amostragens em trincheiras de 25 cm de largura x 50-100 cm de comprimento x 20 cm de profundidade;
• considerar que danos expressivos ocorrem a partir de 5 corós/m2 (nível de dano);
• não plantar cevada em áreas com infestação média acima do nível de dano; a aveia preta para cobertura de solo, tem maior capacidade de tolerar danos de corós e pode ser uma alternativa nessas situações;
• lembrar que o coró-das-pastagens, apesar dos danos que causa, também pode proporcionar benefícios, como melhorar a capacidade de absorção de água do solo, em virtude das galerias que escava, e melhorar características físicas, químicas e biológicas do solo, através da incorporação de matéria orgânica;
• ter presente que sistemas de rotação de culturas e de manejo de resíduos que reduzam a disponibilidade de palha no período de oviposição de Diloboderus abderus desfavorecem o estabelecimento ou o crescimento populacional do inseto;

Sugere-se, para o controle de corós na cultura de cevada, o inseticida e a dose indicados na Tabela 14.

Pragas de cevada armazenada

Medidas preventivas

a) Armazenar grãos de cevada com grau de umidade máximo de 13%;
b) Limpar silos, depósitos e equipamentos;
c) Eliminar focos de infestação com a retirada e a queima de resíduos do armazenamento anterior;
d) Pulverizar nas instalações que receberão os grãos, usando produtos protetores, indicados na Tabela 15, na dose registrada e recomendada pelo registrante;
e) Não misturar lotes de grãos não infestados com outros já infestados, dentro do silo ou armazém.

Tabela 15. Inseticidas registrados no MAPA indicados para tratamento preventivo e curativo contra pragas, em cevada armazenada.
Nome comum Dose ppm Registrante (i.a.)
Nome comercial
Dose comercial/t
Formu-lação1
Concen-tração (g i.a./L,kg)
Intervalo de segurança2
Registro para espécies3 Classe toxicológica
Fosfina4 1-3g/t Fersol Fertox 3-9 g PF 333,3 4 dias

S. c.

S. o.

S. z.

T. c.

 

I

Deltametrina

0,35-0,50

Bayer Cropscience

K-Obiol 14-20 ml CE 25 30 dias R. d. III
Fenitrotiom

5,0-10,0

Iharabras

Sumigran 10-20 ml CE 500 14 dias S. o. II
Pirimifós-metil

4,0-8,0

Syngenta

Actellic 8-16 ml CE 500 30 dias S. c. II
Terra de diatomáceas

867-1.734 Casa Bernardo

860-1.720 Irrigação Dias Cruz

Insecto

 

Keepdry

1-2 kg

 

1-2 kg

PS

 

PS

867

 

860

-

 

-

S. o.

 

S. o.

IV

 

IV

Tratamento curativo

Fazer o expurgo dos grãos, caso apresentem infestação, empregando o produto fosfina (Tabela 15). Esse processo deve ser feito em armazéns, em silos de concreto, em câmaras de expurgos, sempre com vedação total, observando-se o período de exposição necessário para controle das pragas e a dose indicada do produto.

Após o expurgo, fazer aplicação de cobertura na massa de grãos, para evitar a reinfestação e proteger os grãos. Para isso, usar os inseticidas protetores fenitrotiom, pirimifós-metil ou deltametrina (Tabela 15).

Tratamento preventivo de grãos

O tratamento com inseticidas químicos protetores de grãos (Tabela 15) deve ser realizado no momento de abastecer o armazém e pode ser feito na forma de pulverização na correia transportadora ou em outros pontos durante a movimentação dos grãos. É importante que seja feita uma perfeita mistura do inseticida com a massa de grãos. Também pode ser usada a pulverização para proteção de grãos armazenados em sacaria, na dose registrada e recomendada pelo registrante. Para proteção simultânea de grãos às pragas Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae e Sitophilus zeamais, recomenda-se o uso de um inseticida piretróide (deltametrina) com um inseticida organofosforado (pirimifós-metil ou fenitrotiom), uma vez que estes inseticidas são específicos para cada espécie-praga (Tabela 15).

 
 
 
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