Embrapa Embrapa Trigo
Sistemas de Produção, 2 - 4ª edição
ISSN 1809-2985 Versão Eletrônica
Jul/2011
Cultivo de Cevada
Autores

Sumário

Apresentação
Introdução
Zoneamento agrícola para a cevada cervejeira no Sul do Brasil
Cultivares
Práticas culturais
Manejo e conservação de solo
Adubação e calagem
Controle de plantas daninhas
Controle de insetos pragas
Controle de doenças
Colheita
Secagem
Referências
Glossário
Autores


Expediente


Adubação e calagem

Introdução

A cevada é uma espécie que exige solos de boa fertilidade. Na escolha da área deve ser levado em conta que esta cultura é muito suscetível à acidez do solo.

Amostragem de solo Calagem
Adubação Fertilizantes orgânicos
Fertilizantes foliares Micronutrientes
Enxofre e gesso agrícola  

 

Amostragem de solo topo

A coleta de amostra de solo pode ser realizada com pá-de-corte ou trado calador. No sistema plantio direto e no qual a última adubação foi feita na linha de semeadura, a coleta com pá-de-corte, de uma fatia contínua de 3 a 5 cm de espessura, de entrelinha a entrelinha, é ideal, mas pode ser substituída pela coleta com trado calador numa linha transversal às linhas de semeadura. Neste caso, a coleta deve ser realizada da seguinte forma: a) coletar 1 ponto no centro da linha e 1 ponto de cada lado, se for cereal de inverno; b) coletar 1 ponto no centro da linha e 3 pontos de cada lado, se for soja; e c) coletar 1 ponto no centro da linha e 6 pontos de cada lado, se for milho.

Com relação ao número de subamostras por área uniforme, sugere-se amostrar o solo em 15 a 20 pontos, para formar uma amostra composta. Esse número depende diretamente do grau de variabilidade da fertilidade do solo.

No sistema plantio direto, a amostra pode ser coletada na camada de 0 a 10 cm de profundidade, particularmente em lavouras com teores de P e de K no solo abaixo do nível de suficiência. Para solos acima desse nível, a amostragem de 0 a 10 ou de 0 a 20 cm pode ser usada (Tabela 1), pois os resultados não afetarão a recomendação de adubação. Quando há evidência de acentuado gradiente de acidez, convém coletar amostras nas camadas de 0 a 10 cm e de 10 a 20 cm, permitindo, dessa forma, conhecimento mais amplo do solo, principalmente no tocante ao teor de alumínio, pois a cevada é muito sensível à esse elemento.

Calagem topo

Calagem nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina

A prática de calagem do solo objetiva reduzir o índice de acidez através da aplicação de calcário, que é composto de CaCO3 e MgCO3. A quantidade de calcário a ser usada varia conforme o índice SMP determinado na análise do solo. De forma geral, o pH adequado para cevada situa-se entre 5,5 e 6,0. A dose de calcário e o modo de aplicação variam em função do sistema de manejo do solo (Tabela 1).

Cálculo da quantidade de calcário

As quantidades de calcário indicadas na Tabela 2 referem-se a corretivos com PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) de 100%. Isso significa que a quantidade de produto a aplicar deve ser calculada em função do PRNT. Sugere-se que seja dada preferência a calcário dolomítico, por ser de menor custo, bem como por conter cálcio e magnésio.

Em alguns solos, principalmente nos de textura arenosa, o índice SMP pode indicar quantidades reduzidas de calcário, embora o pH em água esteja em nível inferior ao preconizado. Nesses casos, pode-se calcular a necessidade de calagem a partir dos teores de matéria orgânica (MO) e de alumínio trocável (Al) do solo empregando-se as seguintes equações para o solo atingir o pH em água desejado:

para pH 5,5, NC = -0,653 + 0,480 MO + 1,937 Al,

para pH 6,0, NC = -0,516 + 0,805 MO + 2,435 Al,

onde, NC é expresso em t/ha, MO em % e Al em cmolc/dm3.

É importante considerar que o método SMP não detecta corretivo de acidez que ainda não reagiu. Em geral, são necessários três anos para que ocorra a dissolução completa do calcário. Observando-se esses aspectos, evita-se a supercalagem.

Calagem no sistema plantio direto

Precedendo a implantação do sistema plantio direto em solo manejado convencionalmente ou sob campo natural, recomenda-se corrigir a acidez do solo da camada arável (0-20 cm), mediante incorporação de calcário. A dose a ser usada é função de vários critérios, conforme consta nas Tabelas 1 e 2.

No caso de solos de campo natural, a eficiência da calagem superficial depende muito da acidez potencial do solo (maior em solos argilosos), da disponibilidade de nutrientes, em especial de P e de K, do tempo transcorrido entre a calagem e a semeadura de cevada e da quantidade de precipitação pluvial. Por essa razão, sugere-se que o calcário seja aplicado seis meses antes da semeadura de cevada.

Calagem em solo sob preparo convencional

Nos sistemas de preparo convencional (aração e gradagem) ou de preparo mínimo (escarificação e gradagem), o calcário deve ser incorporado uniformemente ao solo, até a profundidade de 20 cm, conforme critérios estabelecidos na Tabela 1.

Quando a quantidade de calcário indicada na Tabela 2 é aplicada integralmente, o efeito residual da calagem perdura por cerca de cinco anos, dependendo de fatores como manejo do solo, quantidade e fonte de N aplicada nas diversas culturas, erosão etc. Após esse período, indica-se a realização de nova análise do solo para quantificar a dose de calcário. Na hipótese de serem aplicadas quantidades parceladas, o total não deve ultrapassar o indicado para cinco anos.

Tabela 1. Critérios de amostragem de solo e indicação da necessidade de calagem e quantidade de corretivo da acidez para culturas de grãos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Sistema de manejo do solo
Condição da área
Amostragem (cm)
Critério de decisão
Quantidade de corretivo de acidez1
Método de aplicação
Convencional2 Qualquer condição 0 a 20 pH < 6,02 1 SMP para pHágua 6,0 Incorporado
Plantio direto2 Implantação a partir de lavoura ou campo natural quando o índice SMP for <= 5,0 0 a 20 pH   < 6,0 1 SMP para pHágua 6,0 Incorporado
Implantação a partir de campo natural quando o índice SMP for entre 5,1 e 5,5 0 a 20 pH  < 5,5 ou V < 65%3 1 SMP para pHágua 5,5 Incorporado4 ou Superficial5
Implantação a partir de campo natural quando o índice SMP for > 5,5 0 a 20 pH   < 5,5 ou
V < 65%3
1 SMP para pHágua 5,5 Superficial5
Sistema consolidado (mais de cinco anos) 0 a 10 pH  < 5,5 ou V < 65%3 ½ SMP para pHágua 5,5 Superficial5
Fonte: COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.
1 Corresponde à quantidade de calcário estimada pelo índice SMP em que 1 SMP é equivalente à dose de corretivo para atingir o pH em água desejado.
2 Não aplicar corretivo de acidez quando a saturação por bases (V) for maior que 80%.
3 Quando somente um dos critérios for atendido, não aplicar corretivo de acidez se a saturação por Al for menor do que 10% e se o teor de P for “Muito alto” (Tabela 4).
4 A opção de incorporação ou aplicação superficial de corretivo de acidez em campo natural deve ser feita com base no grau de tolerância à acidez do solo das demais culturas do sistema de produção. Quando se optar pela incorporação, usar a dose 1 SMP para pHágua 6,0.
5 No máximo aplicar 5 t/ha (PRNT 100%).

 

Tabela 2. Quantidade de corretivo de acidez (PRNT = 100%) necessária para elevar o pH do solo a 5,5 e 6,0 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Índice SMP
pHágua desejado
Índice SMP
pHágua desejado
5,5
6,0
5,5
6,0
----------- t/ha ----------
--------- t/ha-------
≤4,4
15,0
21,0
5,8
2,3
4,2
4,5
12,5
17,3
5,9
2,0
3,7
4,6
10,9
15,1
6,0
1,6
3,2
4,7
9,6
13,3
6,1
1,3
2,7
4,8
8,5
11,9
6,2
1,0
2,2
4,9
7,7
10,7
6,3
0,8
1,8
5,0
6,6
9,9
6,4
0,6
1,4
5,1
6,0
9,1
6,5
0,4
1,1
5,2
5,3
8,3
6,6
0,2
0,8
5,3
4,8
7,5
6,7
0,0
0,5
5,4
4,2
6,8
6,8
0,0
0,3
5,5
3,7
6,1
6,9
0,0
0,2
5,6
3,2
5,4
7,0
0,0
0,0
5,7
2,8
4,8
7,1
0,0
0,0
Fonte: COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

Calagem para o estado do Paraná

No estado do Paraná a necessidade de corretivo de acidez é determinada em função da percentagem de saturação por bases (V). Recomenda-se aplicar corretivo de acidez quando esta for inferior a 50%, calculando-se a quantidade de calcário para o solo atingir 70% de saturação por bases, mediante a seguinte equação.

imagem

onde: NC = necessidade de calagem, t/ha (PRNT 100%);

CTC = capacidade de troca de cátions ou S + (H + Al), em cmolc/dm3;

S = soma de bases trocáveis (Ca + Mg + K), em cmolc/dm3;

V2 = porcentagem desejada de saturação por bases (70%);

V= porcentagem de saturação por bases fornecida pela análise (100 x S/CTC);

PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total (%);

f = 100/PRNT.

Reanalisar o solo após três anos.

Adubação topo

Nitrogênio

As doses de nitrogênio indicadas para a produção de cevada são apresentadas na Tabela 3.

A quantidade de fertilizante nitrogenado a aplicar varia, basicamente, em função do teor de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento, a qual é função da interação de vários fatores de produção e das condições climáticas. A quantidade de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 e 20 kg/ha. O restante deve ser aplicado em cobertura, completando o total indicado na Tabela 3.

Tabela 3.Indicações de adubação nitrogenada (kg/ha) para a cultura de cevada, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Nível matéria orgânica no solo (%)
Cultura precedente
Soja
Milho
< 2,5
40
60
2,6 – 5,0
30
40
>5,0
≤20
≤20
Fonte: COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.
Para expectativa de rendimento maior do que 2 t/ha, acrescentar, aos valores da tabela, 20 kg de N/ha após soja e 30 kg de N/ha após milho, por tonelada adicional de grãos a ser produzida.
Observação: A tabela acima pode servir de base para a adubação nitrogenada no estado do Paraná.

A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ser realizada entre os estádios de afilhamento e alongamento, correspondendo, em geral, ao estádio em que o colmo principal apresenta 4 a 6 folhas. No caso de resteva de milho, e especialmente quando há presença de muita palha, convém antecipar a aplicação em cobertura. Para cultivar muito suscetível ao acamamento, quantidade menor que a indicada na tabela deve ser empregada. Para a cultivar BRS 195, resistente ao acamamento, a dose máxima de N a aplicar pode chegar a 80 kg/ha. Para as demais cultivares, a quantidade de N deve ser administrada de forma a evitar ou reduzir danos por acamamento. Em qualquer circunstância, a quantidade de N a aplicar deve ser módica, pois excesso de N pode produzir grão contendo mais de 12% de proteína, tornado-o impróprio para a fabricação de malte.

Além dos fatores usados na Tabela 3, é importante considerar que a disponibilidade de N no solo é dependente de vários fatores. Assim, o histórico de cultivo da área, as condições climáticas, a época de semeadura, a incidência de doenças e a estatura da cultivar podem afetar o grau de resposta da planta ao fertilizante nitrogenado aplicado.

No sistema plantio direto, o cultivo de cevada em área com resteva de soja geralmente proporciona rendimento maior do que em área com resteva de milho.

A época de semeadura pode interferir no grau de acamamento da cultivar. Em geral, quanto mais cedo for realizada a semeadura, maior será a estatura da planta e, consequentemente, maior a probabilidade de ocorrência de acamamento.

Para quantidades acima de 40 kg N/ha, pode-se optar pelo fracionamento em duas aplicações: no início do afilhamento e, o restante, no início do alongamento. Além da observância do estádio da planta (afilhamento/alongamento), é importante considerar, no momento da aplicação do fertilizante em cobertura, a umidade do solo, pois ao aplicar o fertilizante na superfície do solo, há necessidade de que ele seja dissolvido e transportado pela água para o interior do solo. Dessa forma, a aplicação só deverá ser feita quando o solo apresentar umidade suficiente para que esses processos (dissolução e transporte no solo) possam ocorrer. O melhor momento de aplicação é antes de uma precipitação pluvial de média intensidade (10 a 20 mm), pois a dissolução e o transporte de N para as raízes serão rápidos, minimizando-se, assim, perdas por volatilização de amônia. Por outro lado, precipitações pluviais prolongadas, ou de alta intensidade, podem propiciar perdas de N por lixiviação ou por escoamento superficial.

Em razão das reações que ocorrem com o fertilizante nitrogenado ao ser dissolvido pela água e das possíveis perdas de N por volatilização, mormente de uréia, sugere-se aplicar o fertilizante nas horas menos quentes do dia. Para obter distribuição uniforme, períodos com vento devem ser evitados.

As principais fontes de nitrogênio são a uréia (45% N), o nitrato de amônio (32% N) e o sulfato de amônio (20% N). A eficiência agronômica desses fertilizantes para a cultura da cevada é idêntica. Por essa razão, indica-se o uso da fonte de menor custo por unidade de N.

O acamamento, definido como alteração permanente da posição vertical do colmo, é verificado com frequência em lavouras de cevada cervejeira, trazendo consequências indesejáveis, tanto para o rendimento como para a qualidade do grão. Mesmo com o uso de cultivares que possuem genes de baixa estatura, que reduzem a incidência de acamamento quando comparados com cultivares mais altas, ainda pode ocorrer acamamento. Isto ocorre principalmente em áreas de alta fertilidade do solo ou quando a dose de N é elevada e ocorre vento forte.

Além da adubação nitrogenada, a aplicação de redutor de crescimento pode influenciar o desenvolvimento e o crescimento das plantas e, dessa forma, servir como estratégia para reduzir o acamamento. Os redutores de crescimento atuam, em geral, no metabolismo de giberelinas, podendo reduzir o alongamento de entrenós das plantas, de acordo com o estádio de desenvolvimento no momento da aplicação do produto e da dose empregada. Desta forma, o uso de redutor de crescimento pode ser apontado como uma possível ferramenta para reduzir o acamamento em lavouras de cevada.

O redutor de crescimento Moddus® (i.a. trinexapaque-etílico) está registrado no Brasil para uso em cevada, podendo ser aplicado como medida preventiva ao acamamento. A indicação é que o produto seja pulverizado quando se visualizar o primeiro nó no colmo principal da planta, na dose de 0,4 L/ha. As cultivares BRS 195, BRS Brau, BRS Cauê, BRS Elis e MN 6021 por terem genes de nanismo, são não responsivas ao produto quanto a altura das plantas. Para estas cultivares a dose não deve ultrapassar 0,3 L/ha.

Fósforo e potássio

A quantidade de fertilizante contendo P e K a aplicar varia em função dos teores desses nutrientes no solo (tabelas 4 e 6). O limite superior do teor “Médio” é considerado o nível crítico de P e de K no solo, cujo nível deve ser mantido pela aplicação de quantidade adequada de fertilizante. A partir do limite superior do teor “Alto”, a probabilidade de resposta à aplicação de fertilizante é muito pequena ou nula.

No Rio Grande do Sul o sistema de recomendação de adubação para P e para K oferece duas alternativas para a produção de grãos: a) adubação corretiva gradual e b) adubação corretiva total. A primeira opção é indicada quando há menor disponibilidade de recursos financeiros, sendo a quantidade total de P ou K aplicada ao solo no decurso de duas safras. Já a adubação corretiva total é indicada quando há disponibilidade de recursos financeiros para investimento, sendo a aplicação de P e de K, necessária para corrigir a deficiência do solo, aplicada de uma só vez. Em ambos os casos, a meta é elevar os teores de P e de K no solo ao nível adequado para o desenvolvimento das plantas. No caso de solos arenosos (< 20% de argila) ou com CTC < 5 cmolc/dm³, não se recomenda a adubação corretiva total de K.

As quantidades de P2O5 e de K2O (Tabela 5) são indicadas em função de dois parâmetros básicos: a) a quantidade necessária para o solo atingir o limite superior do nível “Médio” em duas safras/culturas (adubação de correção), e b) a exportação desses nutrientes pelos grãos acrescido de perdas naturais do sistema. Nas faixas de teores “Muito baixo”, “Baixo” e “Médio”, a diferença entre a quantidade indicada em cada cultivo e a manutenção é a adubação de correção, ou seja, é a quantidade necessária para elevar o teor do nutriente no solo ao nível crítico em duas safras. No caso em que será feita a correção total no 1º cultivo, a dose a aplicar deverá ser a soma das quantidades dos dois cultivos menos a manutenção do 2º cultivo. Assim, por exemplo, se o rendimento referência for 2 t/ha e se o teor de P for “Baixo”, a dose a aplicar na cultura da cevada, conforme indicado na Tabela 9, será 70 + 50 – 30 = 90 kg P2O5/ha, que corresponde, portanto, a 60 kg de adubação corretiva e 30 kg de manutenção. E, se o 2º cultivo for soja e o rendimento esperado dessa cultura for 2 t/ha, aplicar-se-á somente a manutenção para essa cultura (30 kg/ha), pois o solo já terá atingido o nível de P desejado. Com base nesses critérios, ter-se-á uma adubação que permitirá aumentar, e posteriormente manter, o teor no solo, obtendo-se, assim, produção elevada e retorno econômico. As quantidades da Tabela 9 presumem um rendimento aproximado de 2 t/ha. Para rendimentos superiores, deverão ser acrescentados aos valores da tabela, por tonelada de grãos, 15 kg de P2O5 e 10 kg de K2O. Na Tabela 4, os teores de P e de K interpretados como “Alto” e “Muito alto” representam situações nas quais é esperado desenvolvimento máximo da cultura e as doses de P2O5 e de K2O indicadas para essas faixas na Tabela 5 representam a adubação de manutenção (30 kg de P2O5 e 20 kg de K2O).

Tabela 4. Interpretação dos teores de fósforo e de potássio no solo, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Teor de P ou de K no solo
P Mehlich-1
K Mehlich-1
Classe textural do solo1
CTCpH7, cmolc/dm3
1
2
3
4
<5
5-15
>15
-------------------------- mg P/dm3 -----------------
-------- mg K/dm3 ---------
Muito baixo ≤2,0 ≤3,0 ≤4,0 ≤7,0 ≤15 ≤20 ≤30
Baixo 2,1-4,0 3,1-6,0 4,1-8,0 7,1-14,0 16-30 21-40 31-60
Médio 4,1-6,0 6,1-9,0 8,1-12,0 14,1-21,0 31-45 41-60 61-90
Alto 6,1-12,0 9,1-18,0 12,1-24,0 21,1-42,0 46-90 61-120 91-180
Muito alto >12,0 >18,0 >24,0 >42,0 >90 >120 >180
Fonte: COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.
1Variável auxiliar (teor de argila); classe 1: > 60%; classe 2: 41 a 60%; classe 3: 21 a 40%; classe 4: 20%.
Observação: % = g/100 cm3 de solo; mg/dm3 de solo = mg/L de solo = ppm (massa/volume).

 

Tabela 5 . Quantidades de fósforo e de potássio a aplicar ao solo para a cultura de cevada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Teor de P ou de K no solo
Fósforo (kg P2O5/ha)
Potássio (kg k2O/ha)
1º cultivo
2º cultivo
1º cultivo
2º cultivo
Muito baixo
110
70
100
60
Baixo
70
50
60
40
Médio
60
30
50
20
Alto
30
30
20
20
Muito alto
0
≤30
0
≤20
Fonte: COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – CQFS RS/SC. Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.
Observações: Para rendimento superior a 2 t/ha, acrescentar 15 kg P2O5/ha e 10 kg K2O/ha, por tonelada adicional de grãos a serem produzidos.
Nos teores “Muito baixo” e “Baixo” a dose indicada inclui 2/3 da adubação de correção no 1º cultivo e 1/3 da adubação de correção no 2º cultivo. No teor “Médio” toda a adubação de correção está inclusa no 1º cultivo. As quantidades para o teor “Alto” são àquelas indicadas para a obtenção do rendimento referência de 2 t/ha de cevada.

 

Tabela 6. Teores de P e de K no solo e respectivas doses de P205 e K20 para a cultura de cevada no Paraná.
Teor no solo
P, mg/dm3
kg P2O5/ha
K, cmolc/dm3
kg K2O/ha
Muito baixo/baixo
< 5
60 – 90
<0,11
60 - 80
Médio
5 – 9
40 – 60
0,1 – 0,3
40 - 60
Alto/muito alto
> 9
20 – 40
> 0,3
30 - 40
Fonte: Comissão de Pesquisa de Cevada (2011).

Extrator de Mehlich-1 para P e K.
1cmolc K/dm3 x 391 = mg K/dm3.

Fontes de fósforo

Para os adubos fosfatados solúveis [superfosfato simples, superfosfato triplo, MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico)], a quantidade de P2O5 deve ser calculada levando-se em consideração a soma dos teores de P2O5 solúveis em água e em citrato neutro de amônio. No caso de termosfosfatos e de escórias, as quantidades devem ser calculadas levando-se em consideração o teor de P2O5 solúvel em ácido cítrico a 2%, na relação 1/100.

Os fosfatos naturais reativos apresentam baixa solubilidade em água, mas são eficientes como fonte de P em solos com pH em água inferior a 5,5 ou pH em CaCl2 menor que 5,0. Com base no efeito desses fosfatos no rendimento de grãos de cevada, em rotação com outras culturas, verificou-se que eles tendem a ser equivalentes aos fertilizantes solúveis no segundo ou terceiro cultivo após a aplicação, mas proporcionam menor rendimento de grãos no primeiro cultivo, quando comparados com fosfatos acidulados (superfosfato triplo, superfosfato simples). Em solos com teor elevado de P não se observaram diferenças no rendimento de grãos entre os fosfatos naturais reativos e os fosfatos acidulados, tanto em aplicações a lanço como em linha de semeadura. Sua indicação, portanto, é mais adequada em solos com pH inferior a 5,5 e teor médio ou alto de P. A quantidade a aplicar deve ser estabelecida em função do teor total de P2O5.

As fontes usuais de fertilizantes potássicos são o cloreto de potássio (KCl) e o sulfato de potássio (K2SO4), ambos solúveis em água.

Na escolha de qualquer fonte de P ou de K deve ser considerado o custo da unidade de P2O5 e K2O posto na propriedade, levando-se em conta os critérios de solubilidade acima indicados.

Fertilizantes orgânicos topo

As doses de N, P2O5 e de K2O, provenientes de fertilizantes orgânicos, devem ser as mesmas das Tabelas 3, 5 e 6 e o cálculo deverá ser realizado levando-se em consideração o tipo de fertilizante orgânico e a reação desses produtos no solo. A liberação de N na primeira cultura após sua aplicação varia de 30 a 60%. Para P esse valor é de 70 a 80%. Já o K é liberado integralmente na primeira safra.

Fertilizantes organominerais

Este grupo de fertilizantes provém da mistura de fertilizantes orgânicos e minerais. Resultados obtidos por várias instituições de pesquisa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina indicam o seguinte:

  • os produtos apresentam efeito fertilizante com base nos teores de N, de P2O5, de K2O e de outros nutrientes;
  • a fração orgânica desses fertilizantes não aumenta a eficiência de aproveitamento, pelas plantas, dos teores de N, de P e de K neles contidos, pois a quantidade de substâncias orgânicas aplicada é pequena;
  • a escolha desses produtos deve considerar o custo da unidade de N-P2O5-K2O do fertilizante entregue na propriedade.
Fertilizantes foliares topo

Os resultados de pesquisa com vários tipos de fertilizantes foliares indicam não haver vantagem econômica de seu emprego na cultura da cevada.

Micronutrientes topo

Os solos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná são, em geral, bem supridos em micronutrientes (zinco, cobre, boro, manganês, cloro, ferro e molibdênio), sendo incomum a constatação de deficiências na cultura da cevada.

Em virtude da diversidade de fatores que influenciam a disponibilidade de micronutrientes para as plantas, seu uso deve ser criterioso, pois a demanda desses nutrientes pelas plantas é muito pequena. Os fertilizantes orgânicos, quando aplicados em doses que suprem a demanda das plantas em NPK, geralmente fornecem quantidades adequadas de micronutrientes para o desenvolvimento das culturas durante várias safras.

Enxofre e gesso agrícola topo

O gesso (CaSO4.2H2O) é uma fonte solúvel de enxofre (S) e de cálcio (Ca) às plantas. Na forma comercial, contém 13% de S e 16% de Ca. Excetuando o MAP (fosfato monoamônico, 48 % P2O5 e 9 % N) e o DAP (fosfato diamônico, 45 % P2O5 e 17 % N), as demais fontes de P contém cálcio, variando de 10% no superfosfato triplo a 16% no superfosfato simples. Entre as alternativas de fontes de enxofre, o superfosfato simples apresenta 8% de S. Em adição, fórmulas N-P2O5-K2O contendo baixo teor de P2O5 geralmente são elaboradas com superfosfato simples e, portanto, contêm enxofre. No caso de comprovação de deficiência de enxofre, através da análise de solo (< 5 mg S/dm3), indica-se aplicar cerca de 20 a 30 kg de enxofre por hectare. Solos arenosos e com baixo teor de matéria orgânica apresentam maior probabilidade de ocorrência de deficiência de enxofre.

Com relação ao uso de gesso agrícola como condicionador químico de camadas subsuperficiais, os resultados de pesquisa obtidos indicam não haver resposta consistente da cultura da cevada ao produto na Região Sul do Brasil. Por outro lado, a gessagem não prejudica as culturas em geral, sendo o gesso uma fonte solúvel de enxofre e de cálcio, permitindo, portanto, que o subsolo também tenha seu teor aumentado nesses elementos.

 
 
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