Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical
Sistema de Produção, 15 - 2ª edição
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Nov/2007

Produção Integrada de Citros - BA

Claudio Luiz Leone Azevêdo

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Variedades
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita

Processamento
Mercado e comercialização
Referências
Glossário


Expediente

Colheita e pós-colheita

Colheita

Os frutos podem ser colhidos por torção do pedúnculo seguida de sua remoção (“arranquio”) ou por meio de tesouras ou alicates de colheita (no caso das tangerinas). O “arranquio” é um método mais rápido, porém promove maiores danos aos frutos, principalmente na região peduncular, favorecendo a entrada de patógenos e a perda de água. A colheita por derriça (movimentação vigorosa da planta) não deve ser realizada. Recomenda-se o uso de caixas plásticas e sacos para realizar a colheita. No caso das caixas, há necessidade de operações mecanizadas ou carroça a depender do tamanho do pomar. O intervalo de segurança dos agrotóxicos deve ser obrigatoriamente respeitado para a colheita dos frutos. É obrigatória a limpeza e higienização de equipamentos e utensílios de colheita, tais como luvas, tesouras e caixas.

Deve-se evitar colher frutos nas primeiras horas da manhã, quando ainda estão com orvalho ou molhados de chuva. Frutos com cortes ou qualquer outro tipo de ferimento devem ser descartados ainda no campo. É proibida a mistura de frutos coletados no chão com os colhidos na planta. Obrigatoriamente, os frutos colhidos não devem ter contato direto com o solo, nem exposição direta ao sol, chuva, etc., sendo recomendado que sejam levados para a empacotadora no mesmo dia da colheita. Descartam-se os frutos danificados mecanicamente, os frutos verdes, aqueles que têm relação sólido solúveis totais/acidez total titulável (SST/ATT) baixa, os de fraca coloração de suco e podem gerar sabor estranho e os frutos muito maduros, que são facilmente afetados por doenças e mais sensíveis aos danos mecânicos, podendo gerar sabor estranho e contaminação do restante da carga.

Quadro 1. Normas técnicas específicas para a produção integrada de citros - NTE.
Colheita
Obrigatório
Recomendado
Proibido
Permitido com restrição

Colher frutas respeitando o intervalo de segurança dos agroquímicos;

Proceder a colheita destinada ao mercado de fruta fresca, sem a derriça no chão, não permitindo o contato direto com o solo;

Evitar danos as frutas;

Proceder à limpeza e higienização de equipamentos de colheita, armazenamento, transporte e local de trabalho;

Atender aos regulamentos técnicos específicos do ponto de colheita de cada combinação copa/porta-enxerto e de acordo com cada mercado de destino.

Usar luvas e vestimentas apropriadas para proporcionar segurança aos colhedores;

Proceder à pré-seleção da fruta durante a colheita;

Colher frutas destinadas ao mercado de frutas frescas com tesouras;

Evitar a colheita de frutas molhadas de chuva ou orvalho;

Transportar as frutas colhidas para a empacotadora logo após a colheita;

Utilizar equipamentos de colheita próprios;

Aferir os instrumentos utilizados para determinar o ponto de colheita;

Proceder a colheita sem a derriça no chão também para frutas destinadas à industrialização.

Manter frutas produzidos na PIC sem identificação e adoção de procedimentos contra riscos de contaminação;

Manter juntos frutas de PIC com os de outros sistemas de produção ou mesmo outros produtos.


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Transporte, recepção e armazenagem

Transportar em veículos e equipamentos higienizados e apropriados, conforme os requisitos técnicos;

Identificar e registrar os lotes quanto à procedência para manter a rastreabilidade;

Coletar amostras e analisar quanto às características tecnológicas;

Proceder à limpeza e higienização de câmaras, máquinas e do ambiente em geral.

Implementar as boas práticas de fabricação - BPF;

Não transportar nem armazenar frutas numa mesma câmara em conjunto com os provenientes de outros sistemas de produção, ou mesmo outros produtos.

Manter embalagens com frutas produzidas na PIC sem identificação e adoção de procedimentos contra riscos de contaminação.

Transportar e armazenar frutas da PIC em conjunto com os de outros sistemas desde que embalados e identificados separadamente e justificados.

Lavagem

Utilizar para a lavagem das frutas somente produtos neutros e específicos, ou sanitizantes recomendados e registrados conforme legislação vigente.

Utilizar tanques com bomba para agitação e circulação da água para facilitar a remoção de impurezas ou a reposição da água;

Determinar periodicamente a concentração do sanitizante utilizado e a qualidade da água;

Encaminhar a água residual do processo de lavagem à estação de tratamento de efluentes.

Lavar frutas produzidos em sistema de PIC simultaneamente com frutas produzidas em outros sistemas;

Utilizar caixas ou reservatórios construídos com materiais proibidos pela legislação vigente, tais como o amianto;

Utilizar produtos cosméticos de origem não-natural em pós-colheita.

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Classificação

Classificar as frutas de acordo com a legislação vigente.


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Classificar e embalar frutas da PIC com frutas produzidos em outros sistemas.


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Fonte: Normas Técnicas Específicas de Citros, 2004, MAPA.

 

Pós-Colheita

Quadro 2. Normas técnicas específicas para a produção integrada de citros - NTE.
Embalagem e etiquetagem
Obrigatório
Recomendado
Proibido
Permitido com restrição

Embalar e rotular frutas da PIC seguindo as orientações da Instrução Normativa Conjunta SARC/ANVISA/INMETRO/ 009 DE 12-11-2002;

Manter as embalagens novas armazenadas em local protegido e separadas das embalagens usadas; impedir a entrada de animais;

Usar embalagens limpas com selo PIC, resistentes ao empilhamento, transporte e armazenamento, conforme normas de padronização;

Proteger as frutas contra choques e abrasões;

Embalar somente frutas de mesma origem, cultivar e qualidade, identificando-os de forma a permitir a rastreabilidade;

Proceder à identificação do produto, conforme normas técnicas de rotulagem com destaque ao sistema de produção integrada de frutas - PIF.

Utilizar embalagens adequadas para citros;

Evitar enchimento excessivo das embalagens de modo a causar danos durante seu manuseio e transporte;

Utilizar etiquetas com código de barras para agilizar todo processo;

Proceder a adequação das embalagens ao processo de paletização.

Utilizar caixas de madeira
fabricadas com matéria-prima oriunda de florestas nativas;

Utilizar embalagens que não proporcionem assepsia.


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Paletização

Utilizar em paletes da PIC somente frutas produzidos nesse sistema.

Proceder a paletização de acordo com a Instrução Normativa Conjunta (SARC/ANVISA/INMETRO/ 009 DE 12-11-2002), sendo que as dimensões externas devem permitir empilhamento preferencialmente em paletes com medidas de 1,0 x 1,2 m.

Utilizar paletes de madeira fabricados com matéria-prima oriunda de florestas nativas.

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Logística

Utilizar o sistema de identificação que assegure a rastreabilidade de processos adotados na geração do produto.

Utilizar métodos, técnicas e processos de logística que assegurem a qualidade das frutas da PIC.

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Classificação

Classificar as frutas de acordo com a legislação vigente.


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Classificar e embalar frutas da PIC com frutas produzidos em outros sistemas.


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Fonte: Normas Técnicas Específicas de Citros, 2004, MAPA.

 

Quadro 3. Normas técnicas específicas para a produção integrada de citros - NTE .
Amostragem para análises de resíduos em frutas
Obrigatório
Recomendado
Proibido
Permitido com restrição

Permitir a amostragem anual de frutos no pomar (10% das parcelas) e nas empacotadoras (10% dos lotes), em conformidade com o Manual de Coleta de Amostras para Avaliação do Resíduo de Agrotóxicos em Vegetais - MAPA/DDIV/ABEAS 1998;

A ação deverá ser registrada no caderno de campo ou de pós-colheita, caso a amostragem tenha sido feita, respectivamente, no campo ou na empacotadora;

Proceder as análises em laboratórios credenciados pelo MAPA, em conformidade com o Programa Nacional de Monitoramento e Controle de Resíduos Químicos e Biológicos em Vegetais (PNCRV);

O LMR deve atender ao estabelecido por cada mercado consumidor.

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Comercializar frutas com níveis de resíduos acima do permitido pela legislação vigente ou fora do período de carência.


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Processos nas empacotadoras

Identificar os lotes que chegam à empacotadora com relação à procedência, peso e hora de chegada, para subsidiar a ordem de processamento e registrar sistematicamente (manual e/ou informatizado) todas as etapas dos processos adotados para ser possível realizar a rastreabilidade do produto.

Implementar as BPF e o sistema de análise de perigo e pontos críticos de controle - APPCC no processo de pós-colheita; utilizar embalagens descartáveis e recicláveis.

Depositar os descartes de frutas, de embalagens e água de lavagem em locais impróprios.

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Câmaras frigoríficas, equipamentos e ambiente de trabalho

Proceder periodicamente à higienização de câmaras frigoríficas, equipamentos e ambiente de trabalho;

Utilizar somente produtos recomendados e registrados conforme legislação vigente;

Seguir as recomendações técnicas de manejo e armazenamento dos citros.

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Proceder à execução dos processos de empacotadoras e armazenamento de frutas da PIF, junto com as de outros sistemas de produção.

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Tratamentos físico, químico e biológico

Usar somente produtos registrados e recomendados pela PIC, respeitando a dose e o intervalo de segurança recomendado, conforme legislação vigente;Proceder ao registro sistemático (manual e/ou informatizado) em caderno de pós-colheita.

Adotar preferencialmente tratamentos físicos e biológicos;Obedecer aos procedimentos e técnicas da APPCC;Assegurar níveis de resíduos dentro dos limites máximos permitidos pela legislação vigente.

Armazenar produtos e embalagens vazias em local inadequado;Depositar restos de produtos químicos e lavar equipamentos em locais que possam contaminar fontes de água, riachos e lagos;Utilizar desinfetantes que possam formar cloraminas ou outros compostos tóxicos na água de lavagem das frutas.
Usar produtos químicos em pós-colheita, somente quando justificado.
Fonte: Normas Técnicas Específicas de Citros, 2004, MAPA.

Deve-se evitar colher frutos nas primeiras horas da manhã, quando ainda estão túrgidos ou com orvalho ou ainda molhados de chuva. Frutos com cortes ou qualquer outro tipo de injúria devem ser descartados ainda no campo. É proibida a mistura de frutos coletados no chão com os colhidos na planta. Obrigatoriamente, os frutos colhidos não devem ter contato direto com o solo, nem exposição direta às intempéries (sol e chuva, principalmente), e é recomendado que sejam levados para a empacotadora no mesmo dia da colheita.

Transporte

O transporte até a empacotadora deve ser feito em veículos e equipamentos adequados, limpos e higienizados. Frutos da PIC devem ser transportados separadamente, podendo, em casos restritos, ser transportados juntamente com frutas de outros sistemas de produção, desde que devidamente identificados e em embalagens separadas. Dar preferência a caixas plásticas limpas para evitar contaminação e danos aos frutos por amassamento. Deve-se evitar também o pisoteio da carga e a sobrecarga para evitar contaminação.

Recepção

Na recepção, os frutos da PIC devem ser obrigatoriamente identificados e registrados quanto à procedência para manter a rastreabilidade. Amostras dos frutos devem ser retiradas para avaliação da qualidade. É proibido o beneficiamento de frutas da PIC junto com frutas de outros sistemas de produção. É obrigatória a limpeza e a higienização dos ambientes e do maquinário antes do beneficiamento de frutas da PIC.

Lavagem

Para a lavagem das frutas é obrigatório o uso de produtos neutros ou específicos para a cultura, ou sanitizantes recomendados e registrados segundo a legislação vigente. A qualidade da água deve ser analisada periodicamente e a água residual deverá ser encaminhada ao tratamento antes do retorno ao solo ou ao leito dos rios.

Seleção

Descartam-se os frutos danificados mecanicamente, os frutos verdes, que têm ratio baixo, fraca coloração de suco e podem gerar sabor estranho e os frutos muito maduros, que são facilmente afetados por doenças e mais sensíveis aos danos mecânicos, o que pode gerar sabor estranho e contaminação do restante da carga.

Classificação

Muito importante para unificação da linguagem de mercado. Com ela reduz-se as perdas e consegue-se melhores preços. A classificação de laranjas, lima ácida ‘Tahiti’ e tangerinas está baseada na cor da casca (escala visual), diâmetro do fruto (mm) e presença de defeitos e manchas (%), que vão determinar, respectivamente, a coloração, a classe e a categoria do lote. Essas informações são veiculadas nos rótulos das embalagens.

Embalagens

As embalagens e a rotulagem destas devem seguir as recomendações da instrução normativa conjunta SARC/ANVISA/INMETRO/009, que estabelece que as embalagens não devem causar danos aos frutos e devem ter dimensões que permitam a paletização conforme o PBR – Palete Padrão Brasileiro, de 1,00 x 1,20 m. Podem ser recicláveis ou retornáveis. Neste último caso devem ser limpas e desinfectadas a cada utilização. No caso de comercialização em sacos, estes devem ser acondicionados em embalagens que atendam os requisitos de paletização. As embalagens devem ser armazenadas, obrigatoriamente, em locais protegidos da entrada de pragas e outros animais, guardando-se as novas em local separado das usadas.

Todas as embalagens devem ser rotuladas de acordo com a legislação vigente para identificação do produto e fins de rastreabilidade. O rótulo deve estar visível ao comprador, mesmo quando as embalagens estiverem paletizadas, empilhadas ou em exposição.

Armazenamento

As condições dependem da variedade, do local de cultivo e do estádio de maturação do fruto. De modo geral, laranjas podem ser armazenadas a 5ºC / 90-95% de umidade relativa por cerca de dois meses. As tangerinas são conservadas nas mesmas condições por quatro semanas. A lima ácida ‘Tahiti’ conserva-se a 10ºC / 90-95% U.R. por quatro semanas. Tratamentos fungicidas, filmes plásticos e cera auxiliam no prolongamento da vida útil pós-colheita dessas frutas.

Temperaturas mais baixas que as recomendadas podem ocasionar injúrias pelo frio, que geram manchas de coloração vermelha ou marrom e depressões na casca. A umidade relativa também deve ser controlada para que não favoreça a incidência de doenças quando muito alta ou a excessiva perda de peso quando estiver baixa.

Obrigatoriamente deve-se proceder à limpeza e higienização das câmaras, registrando as operações no caderno pós-colheita.

Boas Práticas

Para cuidar da qualidade da fruta é preciso cuidar das estruturas e das pessoas que as manipulam. As Boas Práticas são um conjunto de procedimentos que contribuem para o conforto do trabalhador, sua saúde e a higiene dentro do sistema de produção. Na Produção Integrada de Citros é recomendável a implementação de Boas Práticas na fazenda, bem como do sistema de monitoramento da qualidade chamada de APPCC – Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – também conhecido como PAS – Programa Alimentos Seguros.

Há algumas situações observadas nas casas de embalagem que não são recomendadas para o manuseio das frutas:

  • Manuseio excessivo e inadequado das frutas

  • Acessórios deficientes (caixas, ferramentas)

  • Desconhecimento da qualidade microbiana da água

  • Limpeza e higiene deficientes

  • Deficiência de estruturas de apoio à higiene e saúde dos trabalhadores (banheiros, bebedouro, pias, etc.)

  • Ausência de planejamento de manutenção de instalações e equipamentos

  • Acessos mal conservados (estradas)

  • Ausência de drenagem e tratamento de água

  • Ausência de local específico para agroquímicos

  • Ausência de registros do uso e preparação de químicos

  • Deficiência no uso de EPIs

São listados aqui alguns exemplos, recomendações para melhorar a qualidade estética da fruta e reduzir os riscos de contaminação:

  • Construção de local específico para alimentação e repouso
  • Construção de banheiros separados da casa de embalagem
  • Programa de limpeza e manutenção de instalações e equipamentos
  • Construção de local específico para agroquímicos
  • Implementar registros de preparo e uso de agroquímicos
  • Utilizar minimamente os agroquímicos permitidos
  • Avaliar fluxo de embalagem
  • redução de manuseio
  • Conscientização e capacitação de pessoal
  • Implementar programas de monitoramento de qualidade (Ex.: APPCC)

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