Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Mudas de Citros

Autores

Sumário
Início
 
Introdução
Viveiros
Etapas da produção de mudas de citros
Custos, comercialização e rentabilidade
Comentários finais
Referências
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Expediente 
 
Viveiros

Instalação

O viveiro deve ser instalado, preferencialmente, em local com exposição norte, o mais distante possível de plantas cítricas. Segundo a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (1998), a distância mínima de plantas cítricas deve ser de 100 m para a produção de mudas certificadas, sempre a mais de 50 m de estradas públicas.

O viveiro deve ser construído em solo adequadamente nivelado, de maneira a não permitir a entrada de água de escorrimento superficial. Quebra-ventos devem ser instalados na posição dos ventos predominantes, podendo-se utilizar, para tanto, espécies como grevílea, casuarina ou Pinus spp.

Estrutura

As mudas de citros e os porta-enxertos devem ser produzidos obrigatoriamente em ambiente protegido contra insetos vetores de doenças, principalmente cigarrinhas.

O ambiente protegido deve apresentar uma estrutura resistente a ventos fortes, para evitar a exposição das mudas durante o processo de produção, e uma mureta lateral de concreto, com altura mínima de 30 cm, para evitar a entrada de água das chuvas por respingos (Figura 1).
Fonte: Rogério de Sá Borges
Fig. 1. Modelo de viveiro telado.

Normalmente, os produtores de mudas de citros têm construído viveiros com estrutura de aço galvanizado e perfis de alumínio, revestidos lateralmente com tela branca (abertura de malha < 1 mm2) e cobertura plástica com filme de polietileno transparente com 150 micra de espessura, tratados contra raios ultravioleta. Esse tipo de instalação tem sido o mais prático e econômico, pois possui uma vida útil em torno de 25 anos. Geralmente, a tela antiafídica e a cobertura plástica apresentam uma durabilidade de 5 e 3 anos, respectivamente, dependendo do clima e manuseio por parte do viveirista.

A altura do pé-direito e o formato do telado são determinantes no controle da temperatura interna do ambiente protegido. Em média, as variedades de citros somente apresentam crescimento vegetativo em temperaturas entre 13ºC e 34ºC (Amaral, 1982). No entanto, as condições que maximizam o crescimento situam-se entre 26ºC e 28ºC. A umidade relativa do ar de 65% é considerada ideal para o desenvolvimento de plantas cítricas (Joaquim, 1997). Obviamente, deve-se projetar e manejar a estrutura para que apresente temperaturas favoráveis às plantas pelo maior período de tempo possível.

Nas condições climáticas do Estado do Rio Grande do Sul, ou seja, invernos frios e prolongados e verões quentes, pode-se utilizar módulos largos com cortinas plásticas móveis, para conservação do calor nos períodos frios, e sistemas de abertura de janelas nas porções superiores do telado e/ou de ventilação forçada para eliminação de ar quente, nos períodos de temperaturas elevadas. Os viveiros telados podem apresentar sistemas de aquecimento a gás ou a vapor de água, regulados manualmente ou por termostato. Diversos sistemas de aquecimento e de refrigeração estão disponíveis no mercado; a opção ou não pelo uso de um desses sistemas deve basear-se na análise da relação custo-benefício.

Para o manejo adequado das mudas, a altura do pé-direito de um viveiro telado deve ser de no mínimo 3 m sob as calhas. Em geral, o custo de implantação e de manutenção do sistema de climatização é diretamente proporcional à altura do pé-direito do viveiro.

A cobertura plástica é importante para o manejo da irrigação, principalmente em regiões que apresentam concentração de chuva em determinados períodos. Desta forma, evita-se o encharcamento do substrato, com conseqüente proliferação de doenças, e a redução da porcentagem de pegamento das enxertias. Esse tipo de cobertura também possibilita uma melhor captação de calor nos meses mais frios, que pode ser mantido com o fechamento das cortinas laterais.

Diferentes diâmetros de malha da tela podem ser utilizados nos viveiros, desde que com tamanho igual ou inferior a 1 mm2. Nos viveiros telados comerciais, têm sido utilizadas telas com malha de 1 mm2, por apresentarem menor custo em relação às telas antiafídicas. Também permitem maior ventilação, diminuindo a temperatura, tanto no verão quanto no inverno, no entanto não conferem proteção contra afídeos. A integridade da tela de um viveiro deve ser analisada permanentemente pelos funcionários, efetuando-se o conserto de furos ou rasgos assim que sejam detectados.

O viveiro telado deve possuir antecâmara com duas portas dispostas perpendicularmente para dificultar a entrada de insetos. As portas devem permanecer abertas o menor tempo possível, devendo-se abrir a porta que dá acesso ao telado somente quando a externa estiver fechada (Figura 2).

Fonte: Rogério de Sá Borges
Fig. 2. Modelo de ante-câmara do viveiro teclado.

Entre as duas portas deve ser instalado um pedilúvio contendo cobre e/ou amônia quaternária para desinfecção dos calçados (Figura 3).

Fonte: Rogério de Sá Borges
Fig. 3. Pedilúvio para desinfecção dos calçados.

No interior do viveiro telado, as mudas devem ser dispostas em bancadas com altura mínima de 30 cm (Secretaria da Agricultura e Abastecimento, 1998). Graf (1999) recomenda bancadas com 40 a 50 cm de altura do solo, para facilitar o trabalho dos funcionários e evitar que respingos de água do solo atinjam as mudas. As bancadas podem ser confeccionadas de madeira, ferro ou cimento e as mudas podem ser dispostas em grupos de 6 ou 8. O espaçamento mínimo entre bancadas deve ser de 60 cm para facilitar o manuseio das mudas. Com esta distribuição, podem ser produzidas, em média, 25 mudas/m2 de viveiro.

O piso do viveiro deve ser constituído por uma camada de pelo menos 5 cm de espessura de brita ou ser cimentado nas áreas de circulação, o que facilita as operações de limpeza.

Controle de acesso

A propriedade deve ser fechada com cerca-viva para garantir um melhor controle do acesso de pessoas e de veículos. Antes de entrar na propriedade, os veículos, principalmente caminhões, devem ser vistoriados em relação à presença de restos de cultura, os quais devem ser removidos. Em seguida, devem passar por um sistema fixo de arco rodolúvio ou ser pulverizados, manualmente, com solução bactericida composta por amônia quaternária na diluição de 1 L do produto comercial para 1000 L de água. O ideal é que toda a superfície dos veículos entre em contato com a solução desinfetante. Deve-se, sempre, respeitar o prazo de validade da amônia quaternária antes e após a diluição do produto em água. Segundo Feichtenberger (1998), a solução bactericida deve ser substituída a cada 48 horas. Estas medidas visam evitar a entrada de pragas e doenças no viveiro, principalmente o cancro cítrico.

Treinamento de funcionários

Os funcionários do viveiro devem receber treinamento sobre todas as fases de produção da muda, com ênfase para os aspectos relacionados à qualidade e à eficiência do trabalho. Todos os funcionários devem conhecer os sintomas provocados pelas doenças, desequilíbrios fisiológicos, deficiências e toxidez de nutrientes. Catálogos com ilustrações dessas situações estão disponíveis no mercado para esse tipo de treinamento. Desta forma, as mudas devem ser constantemente inspecionadas.

Recomenda-se que certas atividades, como semear, enxertar, desbrotar, irrigar, aplicar agroquímicos e nutrientes sejam divididas entre os funcionários, de forma a atribuir responsabilidades individuais.

O viveirista deve fornecer uniformes aos funcionários, que devem ser lavados diariamente. Antes de iniciar o trabalho, os funcionários devem trocar de roupa, inclusive de calçados, e lavar as mãos com sabonete. A pele humana pode ser desinfestada com produto químico a base de Digluconato de Clorohexidina, na diluição de 1 L do produto comercial para 200 L de água (Carvalho et al., 2000).

As ferramentas de trabalho devem ser exclusivas para cada telado, devendo ser desinfestadas com formalina a 2,5% antes e após o uso.

 

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