Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
A Cultura do Coqueiro
Lafayette Franco Sobral

Sumário

Importância econômica da cocoicultura no Brasil
Exigências climáticas do coqueiro
Solos
Adubação do coqueiro
Cultivares de coqueiro Produção e obtenção de mudas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Manejo de plantas infestantes
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais para uso de defensivos agrícolas na cultura do coqueiro
Colheita e pós-colheita do coco
Aspectos da comercialização e mercados do coco
Coeficientes técnicos e custos de produção da cocoicultura irrigada no Brasil

Referências
Expediente

Adubação do coqueiro

A nutrição equilibrada do coqueiro constitui-se em pré requisito de fundamental importância para que se obtenha uma produção adequada. A determinação da necessidade de adubação e/ou calagem do coqueiral, deverá ser realizada tomando-se como base a análise do solo e foliar.

Análise de solo - para áreas já implantadas, recomenda-se a coleta de amostras na projeção da copa das plantas, que corresponde a um raio de 2m a partir do estipe. Deve-se coletar 20 sub amostras, tomadas a uma profundidade de 0 a 20 e 20 a 40 cm, para uma área homogênea de 10ha aproximadamente. As amostras coletadas nas entrelinhas devem ser tomadas a uma profundidade de 0 a 20cm, e tem como objetivo avaliar a acidez do solo, para possível correção através da calagem.

Análise foliar – as folhas a serem amostradas devem estar localizadas no meio de copa dos coqueiros. De acordo com a idade e desenvolvimento das plantas, são normalmente coletadas as folhas de número 4, 9, e 14, contadas a partir da folha mais nova e que se encontra com folíolos diferenciados constituindo-se assim a folha número 1. Em coqueiros jovens a contagem é feita, a partir da folha número 1 até aquela que se quer amostrar. Em plantas adultas, deve-se localizar as folhas de cujas axilas encontram-se a inflorescência mais recente aberta (folha 10), a qual, está situada numa posição quase que oposta (1600) àquela que dá origem a uma inflorescência mais próxima da sua abertura (folha 9). O passo seguinte será a identificação da folha 14 que dá origem a um cacho com frutos médios do tamanho de um punho fechado, e que encontra-se localizada no meio da copa logo abaixo da folha 9, apresentando assim maior projeção sobre o solo. Para correta identificação, deve-se observar a posição das inflorescências e cachos, os quais se desenvolvem sempre de um mesmo lado da folha.

Identificada a folha a ser amostrada, devem ser coletados três folíolos de cada lado da sua parte central, amostrando-se apenas 10cm, posteriormente acondicionado em saco de papel.

As amostras devem ser coletadas a partir de áreas homogêneas com aproximadamente 10ha, tomando-se 25 plantas para compor uma amostra de coqueiros de origem genética desconhecida, 20 plantas para coqueiros híbridos e 15 planta para coqueiros anões. As amostras devem ser coletadas no início do período seco, entre 7 e 11h da manhã. Quando há ocorrência de precipitação superior a 20mm torna-se necessário aguardar 36h para nova coleta de folhas.

Após a coleta o material deve ser enviado para laboratório no mesmo dia. Quando não for possível deve-se manter as amostras em refrigerador com prazo máximo de 3 dias após a coleta. A amostra deverá conter nome do proprietário e da propriedade, posição da folha amostrada, idade da planta, data de coleta, localização da amostra no plantio.


Tabela 1 . Principais sintomas de deficiência mineral e correção do estado nutricional em coqueiros.

Nutrientes

Sintomas

Aparecimento dos sintomas

Correção

Nitrogênio

  • amarelecimento gradual nas folhas do coqueiro.
  • diminuição do número de flores femininas.
  • em estágio avançado, há um decréscimo do número e tamanho das folhas e estreitamento do estipe, causando o que se chama “ponta-de-lápis”.

* estes sintomas têm como causas a baixa pluviosidade, as condições de solo desfavoráveis à mineralização do N e a presença de ervas daninhas, na área do plantio.

*das folhas mais velhas para as mais novas.

*adubação nitrogenada à base de uréia, sulfato de amônio e/ou adubação orgãnica, ou quando for o caso drenagem do solo e eliminação de gramíneas..

Fósforo

  • diminuição do crescimento da planta.

* folhas com coloração verde mais escura.

 

*adubação com superfosfato simples em solos com teor baixo de enxofre e com superfosfato triplo e rochas fosfatadas.

Potássio

Na folha:

  • aparecimento de manchas cor de ferrugem nos dois lados do folíolo.
  • pequeno amarelecimento dos folíolos, sendo mais intenso na extremidade, as quais podem tornar-se escurecidas.

Na planta:

  • amarelecimento das folhas no meio da copa e posterior secamento das folhas mais velhas.

* as folhas mais novas permanecem verdes.

*das folhas mais velhas para as mais novas.

*adubação com cloreto de potássio ou outra fonte deste elemento.

Cloro

  • inicialmente os folíolos ficam amarelados e com manchas alaranjadas, e a seguir, secam nas margens e nas extremidades.

* diminuição do tamanho dos frutos.

*folhas mais velhas.

*adubação com cloreto de sódio, caso estas não estejam sendo adubadas com cloreto de potássio.

Cálcio

  • folíolos com manchas amarelas arredondadas, tornando-se marrom no centro.

*manchas uniformemente distribuídas nos folíolos.

  • a partir da folha no 4, essas manchas concentram-se nos folíolos da base da folha

* manchas marrons também podem aparecer na base da ráquis foliar.

*primeiro aparecem nas folhas no 1, 2 e 3, progredindo para as folhas mais velhas.

*aplicação de calagem e /ou gessagem para suprir a deficiência

Magnésio

  • nas partes extremas do folíolo e expostas ao sol, o amarelecimento é mais intenso, enquanto que próximo à ráquis da folha os folíolos permanecem verdes.

* em caso de deficiência severa, ocorre a morte do tecido nas extremidades dos folíolos, que ficam amarelo-escuros. Neste estádio, observa-se manchas que deixam passar a luz.

*folhas mais velhas

* utilização da calagem ou utilizando-se adubos magnesianos

Enxofre

No coqueiro jovem

  • folhas amarelas e alaranjadas, podendo tornar-se escuras nas extremidades dos folíolos, com o agravamento da deficiência.

No coqueiro adulto

  • redução no número de folhas vivas, que amarelecem.

* tombamento das folhas mais velhas devido ao enfraquecimento da ráquis.

*folhas mais novas

Adubação com fertilizantes à base de enxofre.

Boro

* folíolos apresentam-se juntos pela extremidade
* com a progressão da deficiência, os folíolos da base das ráquis diminuem de tamanho, podendo inclusive desaparecer
* nos casos mais graves, o ponto de crescimento deforma-se completamente, e paralisa o desenvolvimento da planta, podendo causar sua morte.

*folhas mais novas

* coqueiro jovem – aplicação de 30g de bórax na axila da folha no 4 da planta com sintomas.
* coqueiros adultos – aplicação no solo de 50 gramas de bórax por planta com sintomas

Cobre

* a ráquis da folha torna-se flácida e em seguida enverga.
* quase simultaneamente, os folíolos começam a secar as extremidades, passando do verde ao amarelo e, por fim, ao marrom – aspecto queimado.
* quando a deficiência se agrava, a planta seca completamente e as novas folhas emitidas são pequenas e amarelas.
* a deficiência é mais comum em plantas com até dois anos de idade.

*folhas novas

* em solos com baixo teor de cobre no solo, deve-se aplicar na cova de plantio 20 g de Sulfato de Cobre misturando-se bem à terra antes de preencher a cova.
* em plantas com idade entre um e dois anos aplicar 100g de sulfato de cobre por planta com sintomas.

Fonte: SOBRAL (1998).

Análise foliar

Os níveis críticos dos macronutrientes N, P, K, Ca e Mg nas folhas no s 1, 4, 9 e 14 dos coqueiros-gigante e híbridos são mostrados na Tabela 2. Para os micronutrientes, os níveis críticos na folha no 14 em mg kg-1 são os seguintes: Boro - 10; Mn - 100; Zn - 15; Cu - 5 e Fe - 40.

Tabela 2. Níveis críticos de N, P, K, Ca, Mg e S em posição da folha do coqueiro-gigante e coqueiro-híbrido.

Nutrientes

Posição da folha

4

9

14

Variedade

Gigante

Híbrido

Gigante

Híbrido

Gigante

Híbrido

-----------------------------g kg-1 MS -------------------------

N

22,0

22,0

22,0

22,0

18,0

22,0

P

1,3

1,4

1,3

1,3

1,2

1,2

K

17,5

20,0

11,5

17,0

8,0

14,0

Ca

3,4

 

4,4

 

5,0

 

Mg

2,2

2,4

2,4

2,3

2,4

2,0

S

 

1,7

 

1,5

1,5

1,5

Fonte: SOBRAL (1998).

Calagem

Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada na área como um todo, localizada na projeção da copa e na cova de plantio. Caso o alumínio esteja acima de 5mmolc.dm-3 de solo, a calagem deve ser efetuada na área toda, no sentido de reduzir a toxidez. Vale salientar que em solos arenosos, a quantidade de calcário não deve ultrapassar 2 t ha-1. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do círculo, que tem como centro o estipe e como limite a projeção da copa. Nos dois métodos, a incorporação é importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário.
O espaço de tempo entre a calagem e a adubação, deve ser de, no mínimo, 60 dias. A aplicação de calcário na cova de plantio é recomendada para evitar que a presença do Al+3 iniba o crescimento radicular.

 
Adubação

Em solos onde o teor de P no solo é menor que 10mg dm -3, é recomendável misturar com o volume de solo a ser utilizado para encher a cova de plantio, 800g de superfosfato simples.
A Tabela 3, contém doses de N, P2O5 e K2O para os coqueiros gigante e híbridos desde a implantação até a fase adulta, em condições de sequeiro a qual pode ser usada em solos com baixos teores de P de K.

 

Tabela 3. Doses de N, P2O5 e de K recomendadas para o coqueiro em diferentes fases, cultivado em solos com baixos teores de P e de K.

Idade

N

P2O5

K2O

Gigante

Híbridos

Gigante

Híbridos

Gigante

Híbridos

 ------------------------------------g planta-1 ano-1-------------------

0 a 1

500

6001

1603

1602

480

600

2

600

900

240

200

480

1000

3

720

1200

240

400

600

1400

4

800

1500

300

400

840

1800

5

1000

 

350

 

960

 

6

1200

 

400

 

1080

 

7

1350

 

400

 

1200

 

Fonte: SOBRAL (1998).

1 - A adubação com nitrogênio deverá ser iniciada 30 dias após o plantio.
2 - O superfosfato simples deverá ser utilizado como fonte de fósforo, o qual deverá ser misturado ao volume de terra que preencherá a cova de plantio.

Estas recomendações poderão ser transformadas em fórmulas, dividindo-se as quantidades recomendadas de nutrientes (N, P e K) pelo menor valor, para obtenção inicialmente da relação básica, e posteriormente da formulação comercial mais próxima. Considerando a última linha da tabela 4 tem-se 1350g N; 400g P2O5 e 1200g K2O por planta. Com estas relações, pode-se calcular uma fórmula comercial. Para facilitar fazemos a quantidade de N igual a de K2O. A quantidade remanescente de N seria aplicada na forma de uréia. Assim, teríamos em g planta–1: N-1200; P2O5 —400 e K2O -1200. A proporção seria 3-1-3. Dividindo-se esta relação por 2, tem-se 1.5-1.1.5 que corresponde a uma fórmula 15-10-15. Para alcançar os níveis de N, P2O5 e K2O recomendados na última linha da tabela 4, seriam necessários 8kg de fórmula 15-10-15 e mais 330g de uréia.

Em plantios de sequeiro, os fertilizantes poderão ser aplicados em dose única no final do período chuvoso. Em locais planos, os fertilizantes devem ser aplicados e incorporados para evitar perdas de nitrogênio por volatilização, principalmente quando a fonte do nutriente for a uréia.

Em plantios irrigados e que disponham de injetor de fertilizantes, tanto o N quanto o K podem ser aplicados via fertirrigação. Na utilização desta técnica, é aconselhável verificar se as doses calculadas estão efetivamente chegando às plantas, pois diferenças de pressão e eventuais resíduos oriundos da incompleta dissolução dos fertilizantes, podem influenciar na distribuição correta das quantidades. Isto pode ser feito através da coleta de amostras de solução, nos emissores. As amostras deverão ser coletadas em recipientes previamente lavados com água desmineralizada e enviadas ao laboratório para análise. Nas tabelas 4 e 5, são apresentadas recomendações de N, P e K para o coqueiro anão irrigado.

Tabela 4 . Recomendações de N, P e K para o coqueiro anão irrigado, em formação, com base na análise foliar para N e de solo para P e K.

Ano

P resina, mg dm-3

K trocável, mmolc dm-3

 

N g planta-1

0 - 12

13 a 30

> 30

< 1,6

1,6 – 3,0

> 3,0

P2O5 , g planta-1

K2O , g planta-1

0 – 1

 

1 – 2
2 - 3

450

-

 

200
300

-

 

150
200

-

 

100
100

600

 

900
1200

400

 

700
900

200

 

500
600

N na folha 1, g kg-1

< 16

16 - 20

> 20

600
900

450
750

300
600

Fonte: SOBRAL (2002).


Tabela 5 . Recomendações de N, P e K para o coqueiro anão irrigado em produção, com base na análise foliar para N e de solo para P e K, considerando a produtividade esperada (205 plantas/ha).

Produtividade esperada, 1.000 frutos ha-1

N em folha, g kg-1
(Folha 14)

P resina, mg dm -3

K trocável, mmolc dm -3

<16

16-20

>20

0-12

13-30

>30

<1,6

1,6-3,0

>3,0

 

N, kg ha-1

P2 O5, kg ha-1

K2O, kg ha-1

<20

180

120

80

80

60

20

200

150

100

20 – 30

220

180

100

100

70

30

250

200

120

30 – 40

260

200

120

120

90

40

300

240

150

40 – 50

300

220

140

140

100

50

400

300

180

>50

360

250

160

160

120

60

500

350

200

Fonte: SOBRAL (2002).

Na tabela 6 são mostradas recomendações de adubação com os micronutrientes B, Zn, Mn e Cu, com base na análise de solo.

Tabela 6 . Recomendações de micronutrientes para o coqueiro, em produção com base na análise de solo.

Nutriente/Método de Análise

Teor no solo mg dm-3

Quantidade do fertilizante em g planta-1 ano-1

B (Água quente)

0 a 0,2 > 0,2

Bórax – 50
-

Mn (DTPA)

0 a 1,2 > 1,2

Sulfato de Manganês - 200

Cu (DTPA)

0 a 0,2 > 0,2

Sulfato de Cobre – 100

Zn (DTPA)

0 a 0,5 > 0,5

Sulfato de Zinco – 200

Fonte: SOBRAL (2002).

A economicidade da adubação do coqueiro, pode ser inferida de maneira prática, considerando-se a quantidade de frutos necessários para cobrir os custos com os fertilizantes. A relação preço do coco/preço do fertilizante, tem forte influência na rentabilidade da fertilização, pois, quando a mesma é favorável, um menor número de frutos é necessário para cobrir os custos do fertilizante. Entretanto, quando o preço do coco está baixo, ou o preço dos fertilizantes está alto, a citada relação torna-se desfavorável ao produtor, e é necessário um maior número de frutos, para cobrir os custos da adubação, diminuindo a rentabilidade. O produtor deve sempre lembrar que os efeitos diretos do fertilizante no aumento de produção do coqueiro, somente ocorre dois anos após a adubação. Como consequência deste fato os financiamentos de custeios para cultura do coqueiro devem ter prazo mínimo de dois anos.

 
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