Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
A Cultura do Coqueiro
Manuel Alberto Gutiérrez Cuenca

Sumário

Importância econômica da cocoicultura no Brasil
Exigências climáticas do coqueiro
Solos
Adubação do coqueiro
Cultivares de coqueiro Produção e obtenção de mudas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Manejo de plantas infestantes
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais para uso de defensivos agrícolas na cultura do coqueiro
Colheita e pós-colheita do coco
Aspectos da comercialização e mercados do coco
Coeficientes técnicos e custos de produção da cocoicultura irrigada no Brasil

Referências
Expediente

Aspectos da comercialização e mercados do coco

Para analisar a comercialização do coco é preciso separá-la em dois segmentos: mercado de coco seco e mercado de coco verde. O custo do transporte assume papel relevante em ambos os segmentos, considerando as grandes distâncias entre o Nordeste e o Sudeste/Sul, geralmente percorridas por via terrestre, acrescentando em média 35% sobre o preço pago ao produtor, no caso do coco seco e de aproximadamente 133% no caso do coco verde, devido ao maior volume e peso a ser transportado e menor preço por unidade negociada.

Um caminhão com capacidade para 18t transporta aproximadamente 18.000 cocos secos ou 6.500 frutos verdes. O valor do frete entre Sergipe e São Paulo em meados de 2002, girava em torno de R$1.300,00, o qual fica a cargo do transportador ou agente da comercialização do produto.

Além do custo do transporte, o deslocamento do produto a grandes distâncias gera problemas, referentes ao acondicionamento da carga, a qual, conduzida a granel, é envolvida por uma lona que aumenta a temperatura nas horas mais quentes do dia, provocando rachaduras nos frutos.

 

O mercado de coco

Estima-se que do total de coco seco produzido no país, de acordo com dados levantados pelo Sindicato dos Produtores de Coco (SINDCOCO), a produção brasileira é comercializada da seguinte forma: 35% destinam-se à agroindústria, que produz, principalmente, coco ralado e leite de coco, para atender a demanda de grandes empresas produtoras de chocolate, biscoitos, iogurtes, sorvetes, confeitarias e padarias. 35% destinam-se aos mercados Sudeste/Sul para atender às pequenas indústrias, a exemplo de docerias, padarias, sorveterias, etc. Destes, cerca de 90%, são constituídos de frutos verdes. Os 30% restantes ficam no mercado nordestino, para atender ao consumo in natura, tanto de coco seco, como de coco verde (Viglio, 1997- citado por Cuenca, 2002). Estima-se que 80% do consumo nordestino, seja de coco seco e os outros 20% são na forma de coco verde. A situação do consumo por região e por tipo de coco, no Brasil, no final da década de 90, é apresentado na Tabela 1.

O processo de abertura da economia e conseqüente liberação das importações de matéria prima, ocorridos na última década, penalizaram os produtores de coco, devido à pouca flexibilidade da produção agrícola para se adaptar a essas mudanças.

 

Canais de comercialização

A produção de coco no Nordeste é realizada, geralmente, por pequenos e médios produtores caracterizando-se por ter uma organização incipiente, principalmente na comercialização, derivando daí o baixo poder de barganha e vulnerabilidade às imposições dos intermediários que retêm maior percentual da margem de lucro na comercialização, tendo em vista que agregam somente os custos de transporte e vendem a preços bastante elevados, em relação aos pagos ao produtor. Cuenca (1997), mostrou que a organização dos produtores pode influenciar as margens de comercialização em seu favor, pois aumenta seu poder de barganha através da eliminação da excessiva intermediação na hora de vender sua produção.

A comercialização do coco para o mercado interno, pelo fato, da facilidade do transporte de grandes quantidades a granel e a grandes distâncias sem acondicionamento e/ou embalagens especificas; oferece grandes vantagens quando comparadas à comercialização de outras frutas tropicais.

O processo de comercialização do coco in natura, seco ou verde, no Nordeste compreende os canais e fluxos da produção mostrados na figura 1:

Figura: Manuel Alberto Gutierrez Cuenca

Figura 1. Fluxos e canais de comercialização do coco no Brasil.

O primeiro compreende o coco que é vendido diretamente às indústrias de processamento ou pelos próprios agentes, excluindo-se a participação dos intermediários externos. Atuam nesse fluxo os grandes e alguns médios proprietários. Pequenos produtores, quando organizados em cooperativas ou associações, poderiam facilmente vir a participar desse fluxo, apropriando-se de maiores lucros proporcionados pela cadeia produtiva do coco.

O segundo fluxo inclui quatro agentes econômicos: produtores, pequenos intermediários (agente), grandes intermediários e indústrias.

O terceiro fluxo é uma variação do segundo, pois na ausência do grande intermediário, é o atacadista quem o substitui na canalização do produto para a indústria.

No processo de comercialização, as maiores margens de lucro ficam na intermediação, pois existe uma diferença muito grande entre os preços pagos aos produtores e os preços que são cobrados aos consumidores.

Devido à lucratividade e margens obtidas na comercialização, alguns produtores médios e grandes, atuam também como intermediários, comprando e concentrando consideráveis quantidades de coco seco, para posterior revenda a outros intermediários ou diretamente à industria.

Os pequenos atacadistas, localizam-se na sede dos municípios produtores e transportam o coco em pequenos caminhões, ao passo que, os grandes atacadistas concentram grandes volumes e se localizam nos grandes centros urbanos, além de possuírem um maior grau de informação a respeito dos preços e da demanda do produto nos principais centros consumidores do país.

A criação das Ceasas, objetivando melhorar a estrutura de comercialização de produtos hortifrutigranjeiros no País e diminuir o número de intermediários nesse processo, não foi capaz de eliminar a forte presença dos mesmos no comércio de coco. Isto se deve ao fato, de que as centrais de abastecimento vêm desempenhando, ao longo dos anos, nas principais capitais, apenas uma função centralizadora da produção, chegando em alguns casos a favorecer a ação dos intermediários.

 

O mercado de coco verde

O mercado de coco-verde tem crescido nos últimos anos com o aumento do consumo da água-de-coco. A água-de-coco concorre no mercado de refrigerantes e bebidas isotônicas, representando aproximadamente 1,4% desse consumo, estimado em mais de 10 bilhões de litros/ano. A pequena participação neste mercado dá a dimensão das possibilidades de crescimento do consumo da água-de-coco.

O comércio do coco verde, assim como o de qualquer produto de origem agrícola, possui características que afetam diretamente a comercialização tais como:

A sazonalidade do consumo: Em função da maior demanda na época de férias escolares e verão no Sudeste do Brasil, principalmente nos meses de novembro a março. Mesmo havendo produção de frutos durante todos os meses do ano, o volume comercializado se retrai durante os meses mais frios. Pesquisa realizada no estado do Rio de Janeiro mostrou que as estações climáticas definem a intensidade do consumo, sendo de 56% no verão; outono e primavera 19% e no inverno apenas 6%.

A perecibilidade do fruto: Segundo pesquisa realizada junto a vendedores de coco, no varejo, constatou-se que as perdas na comercialização chegam a 8% do total de frutos comercializados. Após a colheita, sua vida útil é de aproximadamente quinze dias, se manuseado corretamente.

A aparência do fruto: Devido ao manuseio e transporte os frutos chegam muitas vezes a apresentar deformações e manchas escuras, fazendo o consumidor pensar que aquele produto não está mais apto para o consumo.

As quantidades comercializadas têm evoluído em grandes porcentagens, a exemplo do que ocorreu no estado de Minas Gerais, que de 1990 a 1995 teve um aumento de 1.170%, passando de 480t para 6.104 t.

O coco verde pesa em torno de 1,5kg, quando bem padronizado chega a 2kg, possui cerca de 20% de água e 80% de casca. Portanto, é um produto pesado e volumoso, o que dificulta e encarece o transporte.

Atualmente, o que se tem disponível para comercialização em termos de água de coco envasada em embalagens de conveniência, são produtos de duas naturezas distintas: água de coco verde congelada sem uso de conservantes e água de coco maduro envasada em embalagens do tipo longa vida, produzidas em grandes fábricas que processam o coco seco para retirar leite de coco e coco ralado.

 

Mercado externo

O Brasil, em 2001, ocupava o quinto lugar na produção mundial de coco, sendo superado apenas por Indonésia, Filipinas, Índia e Sri Lanka; apesar disso, vem importando mais do que exporta.

Segundo levantamento da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), citados pelo Jornal Folha de São Paulo edição de 18 de janeiro de 2000, o Brasil importou cerca de US$42,3 milhões em coco entre 1996 e 1999. Nesse período a exportação do coco brasileiro rendeu cerca de US$982 mil.

A concorrência do Brasil com os países Asiáticos, donos dos maiores coqueirais do mundo, é na opinião do Sindicato dos Produtores de Coco, desigual, tendo em vista o subsídio que os governos daqueles países dão aos seus produtores locais.

Segundo o anuário da Agricultura Brasileira, Agrianual 2000, de FNP Consultoria & Comércio, as indústrias brasileiras importaram coco seco dos seguintes países: República Dominicana, Vietnã, Índia, Sri Lanka, Venezuela, México, Costa do Marfim e Filipinas. Já a Argentina, Paraguai e Uruguai são os principais consumidores do coco brasileiro.

Desde 1995, o país decidiu sobretaxar a importação de coco seco e ralado, essa medida atingiu os seguintes Países: Sri Lanka, Indonésia, Malásia, Costa do Marfim e Filipinas. Já em 1998, estabeleceram-se barreiras sanitárias ao produto, visando evitar a entrada de doenças.

Espera-se que as “medidas de salvaguarda” criadas pelo governo brasileiro, em julho 2002, limitando as importações de coco desidratado, garanta por bom tempo mercado para os produtores nacionais e melhore suas margens de comercialização através de melhores preços pagos pela sua produção.

 

Sazonalidade dos preços do coco seco e coco verde no Brasil

O conhecimento do comportamento sazonal dos preços ao longo do tempo é de fundamental importância. Conhecendo esta, os produtores e demais agentes da cadeia passam a entender a sinalização das forças de mercado que determinam a oferta e demanda do produto.

Analisando-se a sazonalidade dos preços do coco seco na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), principal centro de comercialização do pais, observa-se que a época de melhores preços ocorre entre junho e outubro, período em que, devido à estação chuvosa, a oferta do produto se retrai na região Nordeste, fornecedora de mais de 90% do coco seco comercializado no país.

A sazonalidade dos preços do coco verde comporta-se de forma bastante diferente à do coco seco, principalmente na CEAGESP-SP, onde os maiores níveis registram-se entre dezembro e março, coincidindo com o período de férias escolares e meses de maior afluência de veranistas nas praias.

Em Belo Horizonte os maiores preços são registrados em fevereiro, caindo a seguir, atingindo seu mínimo em dezembro.

Em Brasília, os preços começam em ascensão no mês de setembro, atingindo a elevação máxima no mês de março, para cair em seguida, chegando ao mínimo em agosto.

No Rio de Janeiro o comportamento dos preços, em média 20% menores que em Brasília, registram a mesma sazonalidade, atingindo o máximo em fevereiro e o mínimo em agosto.

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