Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
A Cultura do Coqueiro
Wilson Menezes Aragão

Sumário

Importância econômica da cocoicultura no Brasil
Exigências climáticas do coqueiro
Solos
Adubação do coqueiro
Cultivares de coqueiro Produção e obtenção de mudas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Manejo de plantas infestantes
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais para uso de defensivos agrícolas na cultura do coqueiro
Colheita e pós-colheita do coco
Aspectos da comercialização e mercados do coco
Coeficientes técnicos e custos de produção da cocoicultura irrigada no Brasil

Referências
Expediente

Cultivares de coqueiro

O gênero Cocos é constituído apenas pela espécie Cocos nucifera L., a qual é composta de algumas variedades, entre as quais as mais importantes são: Typica (Var. Gigante) e Nana (Var. Anã). Os híbridos de coqueiro mais utilizados são resultantes dos cruzamentos entre essas variedades. Atualmente segundo o Sindicato dos Produtores de Coco (SINDCOCO), em torno de 70, 20 e 10% dos plantios de coqueiro no país, são formados pelas cultivares gigante, anão e híbrido, respectivamente.

O coqueiro gigante é ainda bastante explorado, principalmente pelos pequenos produtores de coco. É uma variedade rústica, de crescimento rápido e fase vegetativa longa, iniciando o florescimento entre 5 a 7 anos, em condições ecológicas ideais, chegando a florescer, no entanto, até com 10 anos, após o plantio. Esta variedade atinge 20 a 30m de altura, podendo produzir até 80 frutos/planta/ano, de tamanho variando de médio a grande e com vida econômica de 60 a 70 anos. No Brasil é muito empregado, in natura para uso culinário (na produção de doces, bolos etc.), bem como na agroindústria de alimentos para leite de coco, farinha de coco, entre outros.

O coqueiro anão constitui-se na variedade de coqueiro mais utilizada comercialmente no Brasil, para produção de água de coco, com qualidade sensorial superior às demais cultivares, apesar de poder ser empregada também na agroindústria de alimentos e/ou do fruto seco in natura, com produtividade estimada de polpa nos plantios tecnificados, acima de 8 ton/ha. Neste contexto, essa variedade pode se constituir em alternativa promissora para os produtores de coco seco, pois além de se tornar uma variedade de maior utilidade comercial, reduzirá o “déficit” de produção de polpa atualmente observado nos plantios com as cultivares de coqueiro híbrido e gigante. Além disto, com relação a qualidade dessa polpa, o teor de gordura encontra-se em torno de 30%,sendo menos da metade dos teores encontrados na variedade gigante (65 a 70%) e no híbrido (62 a 65%), abrindo consequentemente, uma perspectiva muito interessante no segmento de mercado de alimentos “light”, a base de coco, que é um mercado crescente.

A variedade Anã apresenta desenvolvimento vegetativo lento, é precoce, iniciando a produção em média com dois a três anos após o plantio. Chega a atingir 10 a 12m de altura e tem vida útil em torno de 30 a 40 anos. Apresenta estipe delgado, folhas numerosas porém curtas, produz um grande número de pequenos frutos (150 a 200 frutos/planta/ano), é mais sensível ao ataque de pragas, como ácaro, e doenças foliares. Em geral apresenta maiores exigências de clima e solo do que a variedade Gigante.

Os frutos do coqueiro anão destinados ao consumo in natura de água de coco devem ser colhidos, principalmente, entre o sexto e o sétimo mês, após a abertura natural da inflorescência, independentemente da cultivar considerada. Nessa idade ocorrem os maiores valores para: pesos de fruto, volume de água de coco, teores de frutose, glicose e grau brix, consequentemente, as características sensoriais são superiores (Tabela 1). Para uso agroindustrial, recomenda-se efetuar uma mistura da água dos frutos colhidos nas idades de 5 a 8 meses. Já os frutos secos para produção agroindustrial de alimentos ou para uso culinário, devem ser colhidos entre 11 a 12 meses de idade.

Tabela 1. Características físico-química de frutos de coqueiro anão no ponto ideal de colheita para uso da água de coco. Aracaju, SE, 2002.

Características

Idade (meses)

 

6

7

Peso do fruto (g)

1358,9

1558,9

Volume de água (mL)

324,08

289,0

Frutose (g/100 g)

3,25

2,09

Glicose (g/100 g)

2,96

1,95

Grau Brix

6,16

6,13

Potássio (mg/100 mL)

102 a 192

143 a 191

Fonte: ARAGÃO (2002).

A variedade Anã é composta das cultivares amarela, verde , vermelho de Camarões e vermelho da Malásia. No Brasil, a principal demanda para plantio, é da cultivar verde. Segundo estimativas da SINDCOCO, atualmente a área plantada com coqueiro anão verde no país é de 57 mil hectares.

O coqueiro híbrido intervarietal anão x gigante, é uma cultivar de ampla utilidade comercial, podendo ser empregada para produções de água de coco e de fibras, e principalmente, para produção de polpa ou albúmen sólido. A grande dificuldade a curto e médio prazo, é a baixa disponibilidade de sementes híbridas no mercado, para implantação de extensas áreas com essa cultivar.

O uso do coqueiro híbrido pode oferecer diversas vantagens em relação aos parentais Anão e Gigante, em condições agroecológicas ideais de exploração:

  • Maior estabilidade de produção quando submetidos a diferentes condições ambientais;
  • Ampla utilidade do fruto – uso in natura (culinária e água de coco) e emprego agroindustrial (alimentos, água de coco, saboaria, detergentes, fibras para estofados e ração animal, entre outros);
  • Fruto de tamanho médio de acordo com a exigência do mercado;
  • Maior produtividade de polpa – pode produzir em média entre 8,5 a 9,5 t/ha de polpa, enquanto o gigante entre 3,5 a 5,0 t/ha e o anão em média 8 t/ha;
  • Maior produtividade de água que o gigante – produz cerca de 10.000 a 12.000 L/ha, enquanto o gigante 5.000 a 7.000 L/ha e produtividade igual ao dos anões;
  • Maior estabilidade de preço no ano, devido a sua ampla utilidade.

 

Vantagens do coqueiro híbrido em relação ao gigante:

  • Germinação das sementes mais rápida – germina entre 70 a 90 dias, enquanto o gigante entre 100 a 150 dias;
  • Crescimento e desenvolvimento da planta mais lento;
  • Menor porte – atinge até 20m;
  • Florescimento mais precoce – floresce em média entre 3,0 a 3,2 anos;
  • Maior produção de frutos por planta - produz em média entre 130 a 150 frutos;
  • Maior produtividade de frutos - produz em média entre 20.000 a 24.000 frutos/ha, enquanto o gigante nas 8.500 a 11.500 frutos/ha;
  • Água mais saborosa.

 

Vantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro anão:

  • Planta mais vigorosa;
  • Fruto maior, consequentemente, mais aceito tanto para consumo in natura quanto agroindustrial;
  • Maior produção de água - produz em média 500 ml/fruto, enquanto o Anão 300 mL/fruto;
  • Maior produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto, enquanto o Anão nas mesmas condições apresenta em média 200g;
  • Vida útil econômica - entre 50 a 60 anos, portanto, maior que a do Anão.
    Apesar de apresentar uma série de vantagens, os híbridos apresentam algumas desvantagens em relação aos Anões e Gigante no que se refere a segregação genética. Não se recomenda, portanto, plantar as sementes (sementes F2) colhidas dos híbridos (plantas F1), porque a plantação originada dessas sementes, além de ter uma produção de frutos menor em relação a produção das plantas híbridas, será muito desuniforme para qualquer característica, principalmente, aquelas de interesse agronômico e econômico, como: início de florescimento, produção de frutos, porte, tolerância e ou resistência às pragas, doenças e estresse ambiental, entre outras. Estes aspectos não interessam ao produtor.

 

Desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro gigante:

  • Planta menos rústica;
  • Menor produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto de polpa enquanto o coqueiro gigante entre 400 a 500 g/fruto;
  • Menor produção de água – produz em média 500 mL/fruto, enquanto o coqueiro gigante 600 mL/fruto;
  • Vida útil econômica entre 50 a 60 anos, portanto menor que a do coqueiro gigante.
    Desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro anão:
  • apresenta germinação da semente mais lenta – germina entre 70 a 90 dias, enquanto o anão entre 40 a 60 dias;
  • Crescimento e desenvolvimento da planta mais rápido;
  • Maior porte – atinge 20m de altura, enquanto o anão atinge até 12m;
  • Florescimento mais tardio – floresce em média entre 3,0 a 3,2 anos, enquanto o Anão floresce em média entre 2,5 a 2,9 anos;
  • Menor produção de frutos – produz em média entre 130 a 150 frutos/planta/ano, enquanto o anão entre 150 a 200 frutos/planta/ano.
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