Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
A Cultura do Coqueiro
Dulce Regina Nunes Warwick
Edna Castilho Leal

Sumário

Importância econômica da cocoicultura no Brasil
Exigências climáticas do coqueiro
Solos
Adubação do coqueiro
Cultivares de coqueiro Produção e obtenção de mudas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Manejo de plantas infestantes
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais para uso de defensivos agrícolas na cultura do coqueiro
Colheita e pós-colheita do coco
Aspectos da comercialização e mercados do coco
Coeficientes técnicos e custos de produção da cocoicultura irrigada no Brasil

Referências
Expediente

Doenças e métodos de controle

São reconhecidas no mundo varias doenças atacando o coqueiro, das quais algumas ocorrem nas condições brasileiras e variam de importância de uma região para outra. Entre estas, as mais importantes são: lixa-pequena, queima-das-folhas, anel-vermelho, murcha-de-phytomonas e podridão seca.

 

Queima das folhas

Etiologia

  • Anamorfo: Lasiodiplodia theobromae (Pat.) (Griffon & Maubl)= Botryodiplodia theobromae Pat.
  • Teleomorfo: Botryosphaeria cocogena Subileau

 

Distribuição geográfica

A queima das folhas é atualmente um dos mais sérios problemas da cultura do coqueiro em todo o Nordeste brasileiro. A doença é originária do Brasil e ocorre de forma epidêmica em Alagoas, Bahia, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em outros países a sua ocorrência é citada apenas na Guiana Francesa.

 

Plantas hospedeiras

O fungo Lasiodiplodia theobromae (Pat.) (Griffon & Maubl) é encontrado atacando diversas culturas entre elas: ata, cacaueiro, cupuaçuzeiro, eucalipto, gravioleira, mandioca, mamoeiro e seringueira.

 

Sintomatologia

Os sintomas da doença iniciam a partir das folhas inferiores. Caracteriza-se por um secamento dos folíolos localizados na extremidade da folha em forma de V, que avança pela ráquis até atingir a base da folha, que seca prematuramente. Concomitantemente, surgem nos folíolos manchas de coloração marrom clara a avermelhada, de formato irregular e alongadas, que também progridem em direção à ráquis onde se observa um exudado de goma. Uma vez na ráquis a doença torna-se sistêmica evoluindo para a queima da folha, determinando sua queda prematura. Em conseqüência, o cacho fica sem sustentação e cai antes de completar a maturação. O avanço da doença na planta provoca a redução da área fotossintética, o que reflete significativamente na produtividade. Essa doença chega a atingir cerca de 50% das folhas de uma planta e até 100% da plantação, daí seu caráter endêmico na região de ocorrência.

 

Medidas de controle

  • Remover e queimar folhas infectadas durante o período chuvoso ou inverno

 


Lixa pequena

Etiologia

  • Anamorfo: Desconhecido
  • Teleomorfo: Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau = Catacauma torrendiella Batista

Distribuição geográfica

A lixa pequena só existe no Brasil, sendo todas as variedades e híbridos cultivados suscetíveis em diferentes graus. Foi relatada pela primeira vez no Estado de Pernambuco e atualmente encontra-se em quase todas as regiões onde se cultiva o coqueiro. É considerada a doença mais importante da cultura nos Estados de Pernambuco, Pará, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia.

Plantas hospedeiras

Allagoptera brevicalyx (buriti-de-praia), Bactris ferruginea (mané-véio) e Syagrus coronata (ouricuri).

Sintomatologia

A doença é caracterizada por pequenos pontos negros, também conhecidos como verrugas, os quais ocorrem por todas as áreas dos folíolos, ráquis, pedúnculo floral e frutos do coqueiro. Nos folíolos as manchas são inicialmente amareladas e posteriormente necróticas, na forma de losângulo. Estas manchas crescem e coalescem, causando a necrose total dos folíolos.

 

Medidas de controle

  • Corte e queima das folhas muito infectadas e secas.
  • Plantio de leguminosas para permitir a fixação de nitrogênio.
  • Biocontrole com os fungos hiperparasitas Acremonium alternatum, A persicinum, A. cavaraeanum, Dycima pulvinata e Septofusidium elegantulum apesar de apresentarem bom potencial de controle, têm demonstrado resultados variáveis, os quais podem ser atribuídos a diversos fatores. Estudos atualmente estão sendo conduzidos com o objetivo de aumentar a eficiência desse sistema de controle.

 

Lixa grande

Etiologia

  • Anamorfo: Desconhecido
  • Teleomorfo: Sphaerodothis acrocomiae (Montagne) von Arx & Muller = Coccostroma palmicola (Speg.) von Arx & Muller

 

Distribuição geográfica

Ocorrência semelhante a lixa pequena


Plantas hospedeiras

Attalea funifera (piaçava)

 

Sintomatologia

A doença manifesta-se sobre o limbo, na nervura dos folíolos e na ráquis foliar, com grossos peritécios de coloração marrom que podem atingir 2mm de diâmetro. Essas frutificações estão geralmente dispostas na borda do folíolo, ao lado da nervura central ou sobre ela. Os peritécios também aparecem na face inferior do limbo. A ráquis é também parasitada pelo fungo e os estromas se soltam facilmente.

 

Medidas de controle

  • Corte e queima das folhas muito infectadas, no período chuvoso ou inverno.
  • Plantio de leguminosas para permitir a fixação de nitrogênio.
  • Biocontrole com os fungos hiperparasitas Acremonium alternatum, A. persicinum, A. cavaraeanum, Dycima pulvinata e Septofusidium elegantulum têm apresentado resultados positivos, embora com variações possivelmente em função das condições locais.

 

Anel vermelho

Etiologia

  • Nematóide: Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard = Rhadinaphelenchus cocophilus Cobb

 

Distribuição geográfica

Essa doença é encontrada em toda região produtora de coco no País, na América Central, no Caribe e na América do Sul.

 

Plantas hospedeiras

Além de todas as variedades de coqueiro, são também suscetíveis as espécies buriti do brejo (Mauritia flexuosa), catolé (Syagrus romanzoffiana, S. schizophylla), dendenzeiro (Elaeis guineensis), inajá (Maximiliana maripa), macaúba (Acrocomia aculeata, A. intumescens, A. sclerocarpa), palmeira real (Roystonia regia, R. oleraceae), piaçava (Attalea funifera), tamareira (Phoenix dactylifera, P. canariensis), Guilielma sp., Sabal umbraculiferum e Syagrus coronata.

 

Sintomatologia

Os sintomas variam dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento das folhas basais, começando pela seca da ponta para a base. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da ráquis. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microorganismos saprófitas. Plantas mortas apresentam o topo desnudo.

O sintoma interno é observado através de um corte transversal no estipe, apresentando-se sob a forma de um anel, de coloração marrom ou vermelha, medindo cerca de 4 a 6cm e distante da periferia cerca de 2 a 3cm.

 

Medidas de controle

  • Erradicação de plantas mortas, com sintomas da doença ou não.
  • Desinfecção das ferramentas utilizadas no corte das plantas doentes.
  • Uso de armadilhas atrativas contendo cana mais o feromônio de agregação Rincoforol para captura do inseto vetor (ver detalhes em broca-do-olho).
  • Controle biológico do inseto vetor com o fungo Beauveria bassiana inoculado na isca vegetal (ver detalhe em broca-do-olho).

 

Murcha de Fitomonas

Etiologia

  • Protozóario: Phytomonas sp.

 

Distribuição geográfica

A murcha de Fitomonas também conhecida como hartrot, marchitez sorpressiva, fatal wilt, murcha do coqueiro e murcha de Cedros. Foi constatada a ocorrência no Suriname, Trinidad e Guiana Inglesa, e atualmente relatada no Caribe, América Central e América do Sul. No Brasil foi assinalada na Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

 

Plantas hospedeiras

O protozoário pode sobreviver em plantas daninhas, inclusive do gênero Euphorbia, além das culturas como dendezeiro, piaçava, palmeira real, inajá e a palmeira rabo de peixe anã (Caryota mitis).

 

Sintomatologia

Os sintomas da doença iniciam a partir das folhas mais baixas para as mais altas e da extremidade para a base da folha. As folhas vão ficando amareladas e com a progressão da doença tornam-se marrom-avermelhadas, coloração esta que varia a depender da variedade da planta. As inflorescências tornam-se necrosadas e secas, ocorrendo a queda prematura dos frutos. A inflorescência da espata fechada encontra-se parcial ou totalmente enegrecida, sintoma este bastante característico dessa doença. Observa-se na planta, em fase final da doença, uma podridão fétida no broto apical.

 

Medidas de controle

  • Erradicar as plantas doentes.
  • Manter as plantas no limpo pela eliminação das plantas daninhas.
  • Retirar as folhas mais velhas e as bainhas mortas, as quais podem abrigar o percevejo vetor.
  • Controle químico dos vetores Lincus spp e Ochlerus sp. com o produto monocrotofós (40g. i.a/100L de água) a cada três meses.

 

Podridão seca


Etiologia

  • Doença de etiologia ainda indefinida, contudo resultados de pesquisa preliminares tem associado aos sintomas das doenças a presença de fragmentos de DNA de 1, 2Kb similar à um grupo de fitoplasmas.

 

Distribuição geográfica

A podridão seca ocorre em viveiros e em plantios novos definitivos. Foi registrada na Costa do Marfim, Filipinas, Indonésia, Malásia e Brasil.

 

Plantas hospedeiras

O dendezeiro tem se mostrado sensível a esta doença.

 

Sintomatologia

O sintoma externo da doença caracteriza-se pela paralização do crescimento e pelo secamento da folha central. Internamente, aparece no coleto, lesões internas de coloração marrom com aparência de cortiça, observada através de corte longitudinal na planta.

 

Medidas de controle

  • Erradicação imediata de todas as plantas doentes.
  • Evitar a instalação do viveiro em locais úmidos.
  • Eliminar ervas daninhas, principalmente, as gramíneas.
  • Pulverizar as áreas foco com monocrotofós (40g. i.a/100L de água) a cada 15 dias visando a eliminação do inseto vetor (cigarrinhas da família Delphacidae). Contudo este produto ainda não estão registrado para a cultura.

 

Mancha foliar ou mancha de helmitosporio


Etiologia

  • Anamorfo: Bipolaris incurvata = Drechslera incurvata = Helmintosporium incurvatum = H. halodes
  • Teleomorfo: Cochliobolus sp

 

Distribuição geográfica

Cosmopolita

 

Plantas hospedeiras

Este fungo é comum em vários hospedeiros, contendo aproximadamente 45 espécies que são parasitas de plantas tropicais e subtropicais.


Sintomatologia

Nas folhas surgem lesões arredondadas de coloração verde claro com o centro escuro, ocorrendo a formação de um halo amarelado. A medida que evoluem tornam-se ovais, alongadas no sentido da nervura dos folíolos. Em casos severos, as lesões coalescem provocando o secamento dos folíolos, podendo até provocar a morte da planta. Na planta aparecem sempre a partir das folhas mais velhas.

 

Medidas de controle

  • Remover e queimar folhas infectadas
  • Evitar adubação excessiva com nitrogênio
  • Resultados de pesquisa sugerem alguma eficiência de controle pulverizando a folhagem com fungicidas a base de Mancozeb ou Captan em intervalos semanais ou Tebuconazole em intervalos de 15 dias direcionando o jato para a face inferior dos folíolos. Contudo estes produtos ainda não estão registrados para a cultura.
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