Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
A Cultura do Coqueiro
Humberto Rollemberg Fontes

Sumário

Importância econômica da cocoicultura no Brasil
Exigências climáticas do coqueiro
Solos
Adubação do coqueiro
Cultivares de coqueiro Produção e obtenção de mudas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Manejo de plantas infestantes
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas gerais para uso de defensivos agrícolas na cultura do coqueiro
Colheita e pós-colheita do coco
Aspectos da comercialização e mercados do coco
Coeficientes técnicos e custos de produção da cocoicultura irrigada no Brasil

Referências
Expediente

Plantio

A marcação da área deve ser realizada observando-se o sentido norte-sul, para estabelecimento da linha principal de plantio, com o objetivo de proporcionar maior período de insolação às plantas. O plantio das mudas deve ser realizado preferencialmente no início do período chuvoso, garantindo assim bom suprimento de água às plantas. Quando realizado em condição de sequeiro, em regiões com déficit hídrico elevado, deve-se dar preferência à utilização de mudas mais jovens, com 3 a 4 folhas em média, as quais apresentam menor área foliar e maior teor de reserva no endosperma, possibilitando menores perdas em campo. No caso de plantios irrigados, a utilização de mudas mais desenvolvidas produzidas em sacos plásticos de polietileno, podem proporcionar maior precocidade de produção e desenvolvimento das plantas em campo. Deve-se observar no entanto a relação custo/benefício, para que o produtor possa tomar a melhor decisão em relação ao padrão da muda a ser utilizada.

A abertura de covas para plantio, tem como objetivo principal, proporcionar à jovem planta, condições favoráveis no que se refere a umidade e fertilidade do solo, favorecendo assim o desenvolvimento e o aprofundamento das raízes do coqueiro. A depender do tipo de solo, as covas devem ser abertas com dimensões que variam entre 0,60m x 0,60m x 0,60m a 0,80m x 0,80m x 0,80m, devendo ser preparadas preferencialmente um mês antes do plantio. No caso de solos arenosos, onde deve ser maior a preocupação com a retenção de umidade, o terço inferior da cova deverá ser preenchido com material que favoreça a retenção de água. Quando se utiliza casca de coco, deve-se observar que estas devem ser dispostas com a cavidade voltada para cima, com camadas de solo entre estas, evitando-se a formação de espaços vazios O restante deve ser preenchido com solo de superfície e adubo orgânico, misturados homogeneamente ao fertilizante fosfatado. Recomenda-se o uso de 3kg de torta de mamona ou o equivalente em esterco ou outra fonte orgânica. Como fonte de fósforo, deve-se dar preferência ao superfosfato simples (800 g/cova) em virtude da presença do enxofre na sua composição.

As mudas em raízes nuas devem ser imediatamente plantadas após o arranquio, ou devem permanecer à sombra durante um período o mais curto possível, evitando perda de umidade do material. Recomenda-se a poda das raízes, efetuando-se o plantio no centro da cova, tendo-se o cuidado de evitar o enterramento da muda abaixo do nível do solo.

Para as mudas produzidas em saco plástico, deve-se retirar o saco no momento do plantio.

 

Espaçamentos utilizados

Os espaçamentos tradicionalmente recomendados para a cultura do coqueiro, utilizam o sistema de plantio em triângulo equilátero possibilitando assim um aumento de 15% do número de plantas por área. São os seguintes os espaçamentos utilizados de acordo com a cultivar a ser implantada: 9m x 9m x 9m (142 plantas por hectare) para a variedade de coqueiro-gigante, de 7,5m x 7,5m x 7,5m (205 plantas por hectare) para a variedade de coqueiro anão e de 8,5m x 8,5m x 8,5m (160 plantas por hectare) para o coqueiro híbrido.

Considerando-se que os novos plantios com coqueiros anões e híbridos são realizados em sua maioria, com irrigação localizada, utilizando-se o sistema de plantio em triângulo equilátero, tem-se observado na maioria das situações, que estes espaçamentos, apresentam problema de sombreamento, decorrente do maior desenvolvimento das plantas. Como conseqüência, aumentam as dificuldades relativas à consorciação com outras culturas e a mecanização nas entrelinhas, comprometendo inclusive a qualidade dos frutos.

A utilização de novos plantios em quadrado e/ou retângulo, ou mesmo em triângulo, adotando-se maiores espaçamentos, além de facilitar o manejo do coqueiral, constitui-se numa alternativa que pode ser seguida entre pequenos produtores de coco, os quais, dependem da utilização das entrelinhas para plantio de culturas de subsistência. Recomenda-se portanto, independentemente do sistema de plantio utilizado, espaçamentos com 8,5 e 9,0m para coqueiros anões e híbridos respectivamente, em função do maior número e da disposição das folhas destas cultivares, o mesmo não ocorrendo em relação a variedade Gigante. Neste caso, apesar do menor número de plantas por área, o produtor tem a opção de ocupar de forma mais eficiente o espaço disponível no coqueiral, utilizando outras culturas nas entrelinhas ou mesmo nas faixas de plantio do coqueiro, aumentando consequentemente a eficiência do seu sistema de produção.

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