Embrapa Rondônia
Sistemas de Produção, 6
ISSN 1807-1805 Versão Eletrônica
Dez./2005
Cultivo do Coqueiro em Rondônia
Autores

Inicio 

 

Apresentação
Aspectos Climáticos
Aspectos Edáficos
Clima e Solo

Cultivares

Instalação do coqueiral
Produção de Mudas
Plantio

Adubação de cobertura

Adubações subsequentes

Deficiência Nutricional

Tratos Culturais

Controle de Pragas e Doenças

Colheita Pós colheita
Coeficientes técnicos

 

Referências

Expediente

Produção das mudas

Escolha da planta matriz

O coqueiro anão apresenta uma alta taxa de auto-fecundação, com isso, existe uma grande probabilidade da semente selecionada dar origem a uma planta bastante semelhante à planta matriz. Portanto, recomenda-se selecionar plantas com bom aspecto nutricional; em plena produção; precoces; com tronco reto; livres de sintomas de pragas e doenças; grande número de folhas (30 a 35); grande número de cachos, bem apoiados sobre as folhas e com pedúnculo curto; grande número de flores femininas; grande número de frutos (acima de 10) e frutos de formato redondo.

Colheita dos frutos-sementes

Os frutos-sementes devem ser colhidos quando estiverem totalmente maduros, o que ocorre após 11 a 12 meses após a abertura do cacho floral da planta. Não deve-se colher frutos caídos por apresentarem baixo poder germinativo. O ponto de colheita é reconhecido pelo secamento e coloração marron do fruto, depois da ocorrência de perda acentuada de peso do fruto, que passou de 2kg, quando verde, para 1,0 a 1,5 kg quando no ponto ideal.

Preparo das sementes

Os frutos-sementes após a colheita devem ser estocados ao ar livre e na sombra, durante 10 dias, para terminar o processo de maturação. Embora tenha alguns autores que recomendam o entalhe do fruto, ou seja o corte de uma parte da casca fibrosa do fruto, visado aumentar a hidratação e germinação da semente, existem dados de pesquisa mostrando que esta prática não trouxe ganhos significativos na germinação das sementes, sendo portanto uma prática não recomendada, uma vez que aumenta o custo de produção das mudas.

Implantação do viveiro

O viveiro deve ser instalado em área de topografia plana, próximo da fonte de água, em local ventilado, de fácil acesso, longe de coqueirais velhos e doentes, além disso deve-se preferir locais com solos de textura média a arenosa e bem drenados.

Dimensões do canteiro

O canteiro deve ter entre 1,0 e 1,5 m de largura, 15 cm de profundidade e comprimento variável, em função do número de sementes e tamanho da área. Recomenda-se deixar um espaço entre os canteiros de 0,5m para facilitar o trânsito de pessoas no viveiro. Além disso, o viveiro deve ser instalado a pleno sol, sem necessidade de cobertura.

Posição das sementes

As sementes são colocadas no viveiro, na posição vertical, com a região de inserção no cacho, voltada para cima. Alguns autores recomendam a colocação das sementes na posição horizontal, entretanto, pesquisadores observaram que a utilização de sementes na posição vertical, apresentaram vantagens, como: maior facilidade de transporte, redução do problema de quebra de coleto, dispensa o entalhe, permite maior número de sementes/m², possibilita melhor centralização da muda na cova, favorece um maior enraizamento da planta no campo e permite o plantio da muda em maior profundidade. Um problema seria um maior gasto com mão de obra para "equilibrar" a semente na posição vertical. 

Irrigação

As sementes no viveiro necessitam de cerca de 6 a 7mm de água por dia, isto corresponde a 6 a 7 litros de água/m²/dia. Recomenda-se que a irrigação seja diária e em dois turnos, de manhã e a tarde.

Descarte de sementes e mudas

Pesquisadores mostraram que existem uma correlação entre início de germinação e precocidade de produção. Neste sentido, recomenda-se eliminar as sementes que não germinarem até 120 dias após o plantio. Nesta oportunidade elimina-se também as mudas raquíticas, deformadas, estioladas, albinas e de aspecto ruim. Todo o material descartado deve ser queimado. 

Tipos de produção de mudas

Basicamente existe duas maneiras de se produzir as mudas do coqueiro, 1- coloca-se a semente no germinador, deste para o viveiro e depois para o campo, ou 2- a semente fica no germinador e depois vai para o campo. O mais utilizado em Rondônia e de uso mais frequente atualmente juntos aos cocoiculturores do Brasil é o segundo método que permite um menor gasto com mão de obra, leva-se uma muda mais jovem para o campo, facilitando o seu pegamento. A seguir detalharemos os dois métodos. 

Produção de mudas: Germinador – Viveiro - Campo.

Este método consiste na produção de mudas que passam por duas fases antes de ir para o local definitivo. Na primeira, as sementes são colocadas para germinar e depois repicadas no viveiro.

Germinador: nesta fase as sementes são distribuídas no canteiro na densidade de 25 a 30 sementes/m² e cobertas com 2/3 de sua altura com terra. Em seguida, na medida do possível, cobre-se o 1/3 restante com palha de arroz ou serragem. As sementes iniciam a germinação entre 40 e 60 dias após o plantio no germinador. Quando a brotação apresentar cerca de 15 cm deve ser repicada para o viveiro.

Viveiro: no viveiro, o solo deve ser preparado com antecedência, utilizando-se o método tradicional, 1 aração e 2 gradagens. Além disso, recomenda-se fazer a análise de solo e se necessário fazer a calagem do solo. A área deverá ser piqueteada, num espaçamento de 60 x 60cm, em triângulo equilátero, para se realizar a repicagem das mudas. Estas deverão ser plantadas, se possível, em dias nublados, tendo as raízes cortadas a 2 cm da semente. A repicagem deve ser feita tomando-se o cuidado de não enterrar o coleto da planta. As mudas permanecerão no viveiro por 4 a 5 meses. Por ocasião do transplantio eliminam-se as mudas raquíticas, com poucas folhas e que apresentarem baixo desenvolvimento. Neste método produz-se 3 mudas/m² de canteiro.

Produção de mudas: Germinador – Campo.

Este método consiste na produção de mudas do germinador direto para o campo. As sementes são distribuídas nos canteiros na densidade de 15 sementes/m² e também cobertas com 2/3 da sua altura com terra, e o restante com palha de arroz ou serragem. As mudas permanecerão no germinador por 5 a 7 meses quando, também, deve-se fazer um descarte das mudas mais fracas. Neste método produz-se de 10 a 15 mudas/ m² de canteiro.

Padrão da muda

A muda de boa qualidade é ereta, com 4 a 6 folhas, altura de 50 a 70 cm, mais de 11 cm de diâmetro do coleto, cor uniforme, sem deformações e ausência de sintomas de ataques de pragas e doenças.

Adubação

Sementeira

Quando se opta pelo método germinador-campo, o solo deste germinador deve ser adubado, para isso geralmente, aplica-se em solos pobres, por m², antes de se colocar as sementes, 5 litros de esterco de curral curtido, 200 g de superfosfato simples, 100g de cloreto de potássio, 5 gramas de FTE BR 12 (micronutrientes) e calcário, na quantidade a ser calculada, conforme resultado da análise de solo. Após esta adubação deve-se fazer uma incorporação deste material, a 5 cm de profundidade.

Viveiro

Caso se opte pelo sistema germinador-viveiro-campo, o solo do germinador não precisa ser adubado, mas, sim o solo do viveiro. Neste sentido, deve-se aplicar por planta a quantidade de 30 gramas de uréia, 60 gramas de superfosfato simples e 30 gramas de cloreto de potássio, esta adubação deverá ser aplicada 30 dias após a repicagem das mudas. Após 60 dias aplica-se 50 gramas de uréia mais 30 gramas de cloreto de potássio. 

Tratos culturais

Controle de plantas daninhas

O viveiro deve ser mantido livre de plantas daninhas, pois, algumas são hospedeiras de insetos vetores ou de fonte de inóculo de doenças do coqueiro. O controle deve ser realizado dentro do viveiro e numa faixa de no mínimo 10 metros de largura ao redor das plantas. Os herbicidas recomendados para a cultura são: Paraquat dicloreto (extremamente tóxico) e Gliphosato (altamente tóxico). 

Controle de pragas e doenças

Para obtenção de mudas de bom padrão, necessário se faz o monitoramento periódico das mudas visando identificar o ataque de pragas e doenças e realizar o seu controle. 

COVA

A cova de plantio deve ter as dimensões de 0,80 x 0,80 x 0,80 m, para solos arenosos e 0,60 m x 0,60 m x 0,80 m para solos argilo-arenosos, Estas covas podem ser abertas manualmente ou com broca acoplada ao trator com bitola de 50 cm, terminando-se a abertura, com o auxílio de uma pá reta, por exemplo, para chegar às dimensões desejadas evitando-se o espelhamento (compactação  das paredes da cova). 

Deve-se separar a terra retirada dos primeiros 40cm da cova e misturar com 800 g de superfosfato simples + 30 a 50 litros de esterco bovino + 30 g de FTE BR 12 (ou 20 gramas de bórax + 20 gramas de sulfato de cobre). Esta recomendação de adubação refere-se a solos de baixa fertilidade; em solos mais férteis deve-se fazer uma redução proporcional à fertilidade.

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