Embrapa Florestas
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1678-8281 Versão Eletrônica
Ago./2003

Cultivo do Eucalipto

Moacir José Sales Medrado

Início

Importância socioeconômica e ambiental
Indicações de espécies para plantio
Produção de mudas
Sistemas de Plantio
Nutrição, Adubação e calagem
Pragas
Doenças
Manejo de plantações para desdobro
Sistemas Agroflorestais
Coeficientes Técnicos e Custos
Mercado e Comercialização
Referências
Glossário


Expediente
Autores

Sistemas agroflorestais


Sistemas silviagrícolas

Gurgel Filho (1962), averiguou os reflexos advindos a um povoamento de eucalipto (Eucalyptus alba Reinw.), no espaçamento de 3m x 1,5m, em decorrência do plantio intercalar de milho, quando da instalação de um povoamento de eucalipto. Observou que à medida que aumentava o número de linhas de milho entre as linhas de eucalipto, crescia o prejuízo causado pela espécie agrícola à espécie florestal.

Couto et al. (1982), estudaram um sistema agroflorestal da cultura da soja com o eucalipto, sob a hipótese que o cultivo da leguminosa levaria a uma diminuição do custo com o controle de plantas daninhas na área e a um retorno financeiro mais precoce, como afirmava Raitanen (1978).

A partir desta experiência, observaram que a soja suprimiu as plantas daninhas sem afetar adversamente nem a sobrevivência nem o crescimento do eucalipto e que as melhores produções de soja e de madeira foram obtidas com cinco linhas de soja, espaçadas de 0,5 m entre as linhas de eucalipto. Segundo eles, uma vez que a produção de soja foi igual à produção local, em monocultivo, ela poderá não somente cobrir seus custos de estabelecimento, mas também prover um retorno financeiro.

Schreiner e Balloni (1986), em Itararé, Estado de São Paulo, estudaram a rentabilidade de sistemas agroflorestais de feijão com eucalipto (Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden.), no ano de implantação do povoamento a um espaçamento de 3m x 2m.  Os autores observaram que até 35 meses, após a implantação, os consórcios além de não afetarem a sobrevivência da espécie florestal, favoreceram crescimento da mesma. Neste prazo, o volume de madeira estimado nos diversos modelos agroflorestais, alcançou, em média, 150, 8 m3/ha, enquanto que no plantio solteiro, limitou-se a 125, 8 m3/ha. A produção de feijão, também, não foi influenciada pela densidade de plantio, registrando-se, até mesmo, uma tendência de aumento quando esta foi de 200 mil plantas/ha (917 kg/ha). Apesar de a cultura do feijão ter sido prejudicada pelo excesso de chuvas, durante todo o ciclo, obteve-se retorno, sobre o capital nela investido, da ordem de aproximadamente 30%.

Na fazenda Monte Verde, de propriedade do grupo Votorantim, situada no município de Itapetininga, no Estado de São Paulo, estudou-se a influência do cultivo da soja (Glycine max L.) sobre o eucalipto, no espaçamento de 3 m x 2 m, constatando-se que apesar de não haver diferenças significativas, entre as alturas das plantas de eucalipto, parecia haver uma tendência a que fossem maiores nos sistemas consorciados (Schreiner e Baggio, 1986)

Em  Itapetininga, Estado de São Paulo, Schreiner (1989), estudou a viabilidade de um outro sistema agroflorestal de soja com o eucalipto (Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden), este, no espaçamento de 3m x3 m. Conforme observações do autor, até dezoito meses decorridos da implantação, a soja além de não prejudicar a sobrevivência do eucalipto, favoreceu o seu crescimento. Neste período o volume de madeira, nos sistemas agroflorestais, atingiu, em média, 49,3 m3/ha, contra 37,3 m3/ha, em plantio solteiro. A produção de soja não foi influenciada pelas densidades de plantio, registrando-se porém, uma tendência de maior produtividade (1.734 kg/ha), quando utilizou-se uma densidade populacional de 400.000 plantas/ha. A soja, propiciou, ainda, um retorno de 30% sobre o capital de seu custeio, apesar de ter sido prejudicada, em sua fase inicial, por anormalidades climáticas e por ataque de formigas.

Stape e Martini (1992), estudaram o plantio consorciado da cultura do arroz com o Eucaliptus grandis, no Parque Florestal Ibiti, de propriedade da Ripasa S/A Celulose e Papel, no município de Itararé, no Estado de São Paulo, em Latossolo Vermelho-escuro álico, obtendo os seguintes resultados: a) o arroz, naquelas condições, mostrou-se apto para consorciação com o eucalipto; b) a consorciação do eucalipto com arroz aumentou a produção volumétrica em 5%, na idade de 52 meses, comparativamente ao plantio solteiro. A partir destes resultados a empresa passou a utilizar o sistema agrofloresta, constatando que: a) a produção florestal da consorciação, em escala comercial, foi superior ao plantio solteiro, tanto para o E. grandis como para o E. saligna, com a mesma tendência dos resultados experimentais, evidenciando-se os efeitos benéficos desta prática agroflorestal; b) a melhor produtividade apresentada pelo eucalipto resultou numa melhor Taxa Interna de Retorno e num menor custo de produção para o plantio consorciado, para as duas espécies de eucalipto; c) a possibilidade de aplicação de herbicidas poderá favorecer a cultura consorciada, reduzindo seus custos de manutenção, uma vez que as capinas manuais necessárias oneraram significativamente os custos de produção; d) os ganhos de produtividade também resultaram em menores custos de corte e remoção da madeira em relação aos plantios solteiros.

Na fazenda São Miguel, no município de Unaí, em Minas Gerais, em Latossolo Vermelho-escuro e Latossolo Vermelho amarelo, técnicos efetuaram um trabalho de modificação do sistema de reflorestamento da fazenda, passando para um sistema agroflorestal onde o eucalipto (Eucalyptus urophylla Anhembi (Ex-Flores) foi consorciado com grãos. A avaliação dos resultados mostrou que o sistema agroflorestal foi compatível com a exploração florestal e viável economicamente (Centro..., 1992)

Na área experimental pertencente a CAF Florestal Ltda, no município de Dionísio, no Estado de Minas Gerais, estudo sobre o plantio de leguminosas com eucalipto como alternativa para a manutenção da produtividade florestal, mostrou que: a) não houve benefício inicial significativo das leguminosas no crescimento do eucalipto, em razão de uma possível concorrência por nutrientes e água; b) os eucaliptos consorciados com leguminosas que produziram maior quantidade de matéria seca, cresceram menos, enquanto que aqueles consorciados com Crotalária cresceram mais em comparação aos demais sistemas; c) o consórcio com as leguminosas não afetou a sobrevivência do eucalipto; d) a produção de matéria verde das leguminosas consorciadas com o eucalipto, não da sua produção em monocultivo; e) a maior porcentagem de cobertura do solo proporcionada pelas coberturas, suprime as plantas daninhas e propicia redução dos custos de controle; f) houve uma tendência para que a Crotalária, a mucuna anã, a puerária e o calopogônio, mantivessem maior umidade ao solo do que o plantio solteiro (Netto et al., 1992).

No município de Peçanha, no Vale do Rio Doce, no Estado de Minas Gerais, estudo sobre o sistema agroflorestal com Eucalyptus grandis, no espaçamento de 3m X 2m, e a cultura do milho, em Latossolo Vermelho Amarelo distrófico, mostrou que: a) o melhor resultado foi obtido com a intercalação de três fileiras de milho no plantio do eucalipto; b) a produção de grãos foi afetada pelo aumento do número de fileiras de milho; c) os sistemas agroflorestais mostraram-se mais eficientes no uso da área, proporcionando uma redução na área plantada de até 66% e uma redução de até 20% no custo de implantação do eucalipto; o uso do sistema agroflorestal pode ser uma alternativa para a redução dos custos florestais, tanto para a empresa como para o produtor rural em programas de fomento florestal (Passos et al., 1992)

 

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