Embrapa Florestas
Sistemas de Produção, 4 - 2ª edição
ISSN 1678-8281 - Versão Eletrônica
Ago/2010
Cultivo do Eucalipto
Leonardo Rodrigues Barbosa; Dalva Luiz de Queiroz; Wilson Reis Filho

Sumário

Indicação de espécies e clones
Produção de sementes
Produção de mudas
Sistemas de plantio
Sistemas agroflorestais
Fundamentos de nutrição, adubação e calagem
Recomendações de adubação mineral
Pragas de importância econômica
Doenças e outras desordens
Manejo de plantações para desdobro
Mercado e comercialização
Referências
Glossário

Autores
Expediente

Pragas de importância econômica


O controle biológico na área florestal


O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é um conjunto de métodos e processos que, tomados de modo harmônico e integrado, levando em consideração os aspectos econômicos, sociais e ambientais, promovem o declínio de populações de insetos indesejáveis. Dentre os componentes do MIP, certamente o biológico é o mais utilizado e juntamente com a resistência de plantas e práticas silviculturais, formam os três pilares do MIP (BERTI FILHO, 1990; KOGAN, 1998).

O controle biológico tem como vantagens: a) ausência de efeitos colaterais adversos, ao contrário dos pesticidas químicos; b) pode atingir alto nível de controle; c) custo muito baixo após a implantação; d) não prejudica o homem, animais e organismos benéficos; e) manutenção da capacidade de reproduzir; f) a praga normalmente não desenvolve resistência ao inimigo natural (BERTI FILHO, 1990).

Apesar destas vantagens, apresenta limitações tais como: a) não elimina totalmente a praga; b) o nível de controle pode não ser satisfatório, necessitando outras medidas; c) necessita de conhecimentos técnicos e mão-de-obra especializada; d) pode ser demorado, normalmente sempre mais que o químico (BERTI FILHO, 1990).

O controle biológico clássico no Brasil iniciou-se em 1921, com a importação de Prospaltella berlesi (Aphelinidae) dos Estados Unidos para o controle de Pseudaulacaspis pentagona no pessegueiro (BERTI FILHO, 1990). Os sucessos alcançados nos primeiros programas incentivaram vários pesquisadores e instituições a investirem no controle biológico, sendo publicados mais de 1.400 trabalhos nas últimas duas décadas na área de entomopatógenos (ALVES, 1998), com ênfase aos bioinseticidas virais e bacterianos.

Na área florestal, vários projetos que enfatizam o controle biológico podem ser referenciados, tais como:

1. O uso de Trichogramma sp. (Hymenoptera) no controle de lagartas desfolhadoras de Eucalyptus spp. Em 1982, foram liberados 168 mil indivíduos de Trichogramma soaresi na tentativa de controlar um foco de Blera varana Schaus em Eucalyptus cloeziana F. Muell. no Estado de Minas Gerais (BERTI FILHO, 1990).

2. Programa de controle de lagartas desfolhadoras do eucalipto com uso de predadores, como Podisus nigrolimbatus Spínola (Hemiptera: Pentatomidae) e P. connexivus Bergroth (ZANÚNCIO et al., 1993).

3. O controle da vespa-da-madeira Sirex noctilio Fabricius com a introdução do nematóide Deladenus siricidicola Bedding, seu principal inimigo natural, e posteriormente os parasitóides Megarhyssa nortoni (Cresson) e Rhyssa persuasoria (L.). O parasitóide Ibalia leucospoides Hochenwald foi introduzido naturalmente junto com a praga (IEDE e PENTEADO, 2000). A vespa-da-madeira foi observada no Brasil pela primeira vez em 1988 (IEDE e PENTEADO, 1988) e no ano seguinte foi iniciado o programa de controle.
Além destes, muitos trabalhos individuais ou em grupos têm apresentado alternativas ao controle de pragas florestais, com a identificação de inimigos naturais, testes de eficiência para predadores, parasitóides e microorganismos, principalmente vírus e bactérias. Dentro do controle biológico de formigas cortadeiras, principal praga florestal no Brasil, podem ser citados os trabalhos de Alves e Sosa Gomez (1983); Anjos et al. (1993); Della Lucia et al. (1993); Silva e Diehl-Fleig (1995) e Specht et al. (1994).



Uso de insetos parasitóides no manejo de pragas de florestas

Os parasitoides pertencem às ordens Hymenoptera, Diptera, Coleoptera, Lepidoptera e Strepsiptera. Estima-se que mais de 500 mil espécies de Hymenoptera são parasitoides (GODFRAY, 1994; BOSCH et al., 1973).

Os parasitoides diferem de outros organismos parasitas, em que adultos e suas progênies são parasitas e vários indivíduos de diferentes gerações podem ocorrer no mesmo hospedeiro, normalmente não matando este. No caso dos parasitoides, apenas as larvas são parasitas, sendo os adultos de vida livre (VINSON e IWANTSH, 1980).

Parasitoides atacam e se desenvolvem em todas as fases do hospedeiro (ovo, larva ou ninfa, pupa e adulto) e seu relacionamento com o hospedeiro varia de monófago a polífago. Pode se desenvolver dentro do hospedeiro e assim ser chamado de endo-parasitoide ou pode se desenvolver fora, somente com as peças bucais inseridas no corpo do hospedeiro, sendo chamado de ectoparasitoide. Quando uma única larva completa seu desenvolvimento em um determinado hospedeiro, a espécie é denominada endoparasita solitário e quando várias larvas se desenvolvem em um único hospedeiro denomina-se endoparasita gregário (GODFRAY, 1994).

Principais espécies de hemípteros predadores utilizados em florestas

Os principais hemípteros predadores utilizados no controle de pragas florestais são: Podisus connexivus Bergroth, 1891, Podisus nigrolimbatus Spínola, 1852, Podisus sculptus Distant, 1889, Supputius cincticeps Stal, 1860, Alcaeorrhynchus grandis e Montina confusa (ZANÚNCIO et al., 1993).
Estes predadores podem ser mantidos em criações de laboratório e liberados em campo no início do surto da praga, evitando que esta alcance níveis de danos econômicos.

Fatores que afetam o sucesso do controle biológico

A interação entre o parasitoide e a praga envolve vários processos e fatores dos quais depende o sucesso ou não do parasitismo. Dentre eles, a localização do habitat do hospedeiro, localização do hospedeiro, aceitação do hospedeiro e por fim a susceptibilidade do hospedeiro e suas defesas químicas ou físicas (VINSON e IWANTSH, 1980).

Além da interação com o hospedeiro, o parasitóide enfrenta a competição, pois a maioria deles necessita do corpo inteiro do hospedeiro para se desenvolver e, no caso de espécies solitárias, apenas um exemplar emerge do hospedeiro, mesmo que este tenha sido parasitado por mais de um indivíduo da mesma espécie ou de espécie diferente. Neste caso, o mais adaptado elimina os demais. Esta eliminação pode ocorrer por ataque físico, ou por supressão fisiológica causada por toxinas, competição por oxigênio ou nutrientes. Por outro lado, a susceptibilidade do hospedeiro depende da presença ou ausência de toxinas, inócuas a este, mas tóxicas ao parasitoide. Assim, um hospedeiro pode ficar imune a certo parasitoide se alimentado em determinada planta, como exemplo o Microbracon gelecheae, que morre quando seu hospedeiro se alimenta em tabaco, antes de ser parasitado (VINSON e IWANTSH, 1980).

Podem ocorrer interações com outros organismos, como por exemplo, o hospedeiro pode ser infectado por doenças e estas afetarem também o parasitoide, ou mesmo o hospedeiro morrer antes que este complete o seu desenvolvimento. As condições ambientais também podem afetar o desempenho do parasitoide de maneira favorável. Por exemplo, um hospedeiro pode ser susceptível em um ambiente (temperaturas altas) e não susceptível ao mesmo parasitoide em temperaturas baixas. Além de afetar a sobrevivência, as condições ambientais podem afetar a biologia do inseto, alterando o tamanho, o tempo de desenvolvimento, a fecundidade, a longevidade e até a proporção sexual (VINSON e IWANTSH, 1980).


Embrapa. Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610.
Topo da página