Embrapa Meio-Norte
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8818 Versão Eletrônica
Jan/2003
Cultivo de Feijão-Caupi
Autores

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos e Adubação
Cultivares
Produção de sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais e manejo de plantas daninhas
Doenças e métodos de controle
Pragas
Colheita, beneficiamento e acondicionamento
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Pragas subterrâneas
Paquinha, Broca-do-colo ou lagarta elasmo, Lagarta-rosca


Paquinha: Neocurtilla hexadactyla (Perty, 1832) (Orthoptera; Gryllotalpidae)

O adulto tem coloração acinzentada, medindo aproximadamente 30mm de comprimento (Fig. 17). Asas do tipo tégmina alcançando a metade do abdômen (Bastos, 1982). Pernas anteriores fossoriais e posteriores saltatórias.

Ninfas e adultos alimentam-se de raízes. As plantas recém emergidas, tenras, são mais prejudicadas devido estarem iniciando o desenvolvimento; aquelas mais desenvolvidas cujo sistema radicular se encontre mais resistente, suportam mais os danos provocados pelos insetos.


Figura 17. Adulto de paquinha Neocurtilla hexadactyla (Perty).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva

Os maiores estragos são verificados quando os solos apresentam-se úmidos. No Nordeste, a maioria das lavouras com feijão-caupi são plantadas em solos arenosos e no período chuvoso, favorecendo, portanto, o ataque da praga.

Em grandes áreas de plantio onde se observa a incidência freqüente de paquinha e de outras pragas subterrâneas, o seu controle pode ser preventivo, utilizando-se produtos no tratamento de sementes, incorporando-os ao solo ou no sulco de plantio.

Esses produtos por serem muito tóxicos devem ser aplicados com máquinas adequadas. No controle pós-plantio, as pulverizações devem ser dirigidas para o colo das plantas.

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Broca-do-colo ou lagarta elasmo:
Elasmopalpus lignosellus (Zeller, 1848) (Lepidoptera: Pyralidae)

O adulto mede cerca de 15 a 20 mm de envergadura, Fig. 18, com asas anteriores acinzentadas.

As fêmeas põem seus ovos na vegetação próxima a lavoura ou nas próprias plantas. Quando pequenas, as lagartas alimentam-se raspando o parênquima foliar.


Figura 18. Adulto da broca-do-colo ou lagarta elasmo: Elasmopalpus lignosellus (Zeller).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva

À medida que crescem, perfuram um orifício na planta ao nível do solo construindo aí uma galeria ascendente que vai aumentando de comprimento e largura com o crescimento da lagarta e o consumo de alimento.

As plantinhas atacadas apresentam inicialmente um murchamento discreto assemelhando-se a um sintoma de estresse hídrico. Posteriormente, tombam e secam completamente.

Assim que ataca a planta, a lagarta constrói um abrigo de teia e grãos de areia próximo ao orifício de entrada da planta, nele permanecendo quando não está dentro da galeria. São muito ágeis, quando tocadas pulam incessantemente por alguns segundos, sendo este comportamento uma forma de livrar-se dos inimigos naturais.

Completamente desenvolvida, a lagarta mede 15mm de comprimento, Fig. 19, de coloração cinza-azulada (Zucchi et al., 1993).


Figura 19. Lagarta da broca-do-colo: Elasmopalpus lignosellus (Zeller).
Foto: Paulo Henrique Soares da Silva

O ataque de E. lignosellus na cultura do feijão-caupi se dá normalmente em épocas de veranico e principalmente em solos de cerrados ou muito arenosos. Em condições irrigadas, a cultura é menos atacada. As plantas são sensíveis ao ataque até 30 dias após a germinação, quando então, o caule fica mais lenhoso, dificultando a penetração das lagartas.

Portanto, até 30 dias após a germinação deve-se manter vigilância constante pois cada planta atacada é uma planta morta, atingindo a população de plantas/ha e consequentemente a produção.

Produtos para tratamento de sementes ou aplicados no solo no sulco de semeadura protegem eficazmente as plantas após a germinação, entretanto, não se recomenda o tratamento preventivo dessa praga, uma vez que, se as condições climáticas forem favoráveis a cultura (sem veranico), dificilmente a população deste inseto chegará ao nível de dano econômico. Contudo, se no decorrer da condução da cultura ocorrer um ataque que mereça uma medida de controle, recomenda-se uma pulverização com o jato dirigido para o colo da planta.

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Lagarta-rosca: Agrotis ipsilon (Hufnagel, 1776) (Lepidoptera: Noctuidae)

Ataca as plantas na região do colo, seccionando-as. Permanece enterrada próximo às plantas atacadas durante o dia e a noite, sai para se alimentar, atacando outras plantas. Aquelas totalmente seccionadas tombam e murcham rapidamente. As mais desenvolvidas, quando atacadas pela lagarta, conseguem se recuperar, em parte, mas a produção é afetada. As plantas mais visadas pela lagarta-rosca são as que acabam de germinar. Alguns dias após a germinação, o caule começa a ficar mais lenhoso, oferecendo resistência ao ataque da praga.

A lagarta de A. ipsilon, mede em torno de 45mm, de coloração marrom-acinzentada e robusta. O adulto é uma mariposa que mede 40mm de envergadura, apresentando asas anteriores de coloração marrom e posteriores branca hialina com o bordo lateral acinzentado. (Zucchi et al., 1993).

O tratamento das sementes para o plantio ou a aplicação do produto no sulco de plantio é uma medida preventiva de controle da lagarta-rosca, prática essa que só deverá ser tomada caso exista necessidade de controle de outras pragas. Após a cultura instalada, caso exista um ataque que mereça uma medida de controle, aconselha-se uma pulverização dirigida para o colo da planta.

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