Embrapa Meio-Norte
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-8818 Versão Eletrônica
Jan/2003
Cultivo de Feijão-Caupi
Autores

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos e Adubação
Cultivares
Produção de sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais e manejo de plantas daninhas
Doenças e métodos de controle
Pragas
Colheita, beneficiamento e acondicionamento
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Solos e Adubação

Amostragem do solo, Correção da acidez do solo, Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Cálcio, Magnésio, Enxofre, Micronutrientes, Recomendação de adubação, Observações técnicas adicionais

O feijão-caupi pode ser cultivado em quase todos os tipos de solos, merecendo destaque os Latossolos Amarelos, Latossolos Vermelho-Amarelos, Argissolos Vermelho-Amarelos e Neossolos Flúvicos. De um modo geral, desenvolve-se em solos com regular teor de matéria orgânica, soltos, leves e profundos, arejados e dotados de média a alta fertilidade. Entretanto, outros solos como Latossolos e Neossolos Quartzarenicos com baixa fertilidade podem ser utilizados, mediante aplicações de fertilizantes químicos e/ou orgânicos.


Amostragem do solo

A amostragem deve seguir critérios que assegurem confiança de representatividade em número ideal de amostras. Para colher uma boa amostra, recomenda-se:

  • Subdividir as áreas em unidades homogêneas; nessa subdivisão considerar os tipos de solo, a topografia, a vegetação e o histórico utilizado (uso de corretivos ou adubações).
  • Retirar uma amostra composta de áreas aparentemente uniformes. O número de amostras simples (subamostras), que deverá formar uma amostra composta, deve ser de 15 a 20.
  • Fazer amostragem ao acaso em zigue-zague, verificando o grupo de homogeneidade da área. As diversas subamostras devem ser colocadas em um recipiente limpo e misturadas, separando-se então, cerca de 500g para serem enviadas ao laboratório. Para culturas anuais, como o feijão-caupi, a profundidade de coleta é a da camada arável, ou seja, de 0-20 cm.
  • Identificar a amostra de solo com uma etiqueta contendo os nomes do município, do proprietário, da propriedade, da cultura a ser plantada e o número da amostra.


Correção da acidez do solo

As recomendações para correção de acidez devem ser feitas com base em resultados de análise química do solo. A tendência atual na recomendação de calagem é dar mais ênfase a percentagem de saturação de alumínio no solo do que seu teor isoladamente.

Recomenda-se calagem para a cultura de feijão-caupi, quando esta percentagem de saturação de alumínio for igual ou maior do que 20%.

A quantidade de corretivo, com base no teor de alumínio e cálcio + magnésio trocáveis, pode ser calculada utilizando-se as seguintes fórmulas:

  • Dose de calcário (t/ha) = (0,2 x Al3+) + 20 - [(Ca2+ + Mg2+)]
    quando o Ca2+ + Mg2+ for < que 20 mmolc.dm-3 de TFSA. .............(1)

  • Dose de calcário (t/ha) = 0,2 x Al3+
    quando o Ca2+ + Mg2 for > que 20 mmolc.dm-3 de TFSA. ...............(2)

Outro critério para o cálculo da necessidade de calagem é pela elevação da saturação de bases a um nível desejado. No caso do feijão-caupi, a elevação da saturação de base em 50% é feita utilizando-se a fórmula:

  • Dose de calcário (t/ha) = (V2 - V1)T/PRNT x f x 10-1

    onde:

    T = mmolc.dm3+ de H+ + Al3+ + K+ + Ca2+ + Mg2+ + Na+
    V1 = S/T x 100 sendo S = mmolc.dm-3de K+ + Ca2+ + Mg2+ + Na+
    V2 = 50%
    PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário
    f = fator de profundidade, 1 para calagem até 20 cm e 1,5 para calagem até 30 cm.

Na calagem são empregados, geralmente, calcários que podem ser calcíticos ou dolomíticos, o último, pelo teor de magnésio que contém, deve ser usado sempre que possível.

O calcário deve ser aplicado pelo menos dois meses antes da semeadura para que se obtenham os efeitos esperados. Contudo, essa é uma orientação geral, pois a reação do calcário está diretamente condicionada à umidade do solo e às características do corretivo. Caso o calcário possua um PRNT diferente de 100%, é necessário corrigir a quantidade recomendada nas fórmulas 1 e 2, citadas anteriormente, utilizando-se a seguinte fórmula:

Dose a aplicar (t/ha) = dose recomendada (t/ha)/ PRNT do calcário x 100.


Nitrogênio

Elemento altamente móvel na planta e, por isso, os primeiros sintomas de deficiência surgem nas folhas mais velhas, em forma de clorose uniforme homogênea, amarelo-esverdeada, passando a amarelo-esbranquiçada, que se estende às folhas novas, com a intensificação dos sintomas. O número de folhas, a área foliar e o crescimento das plantas são reduzidos, dando lugar a um desfolhamento prematuro.

O feijão-caupi absorve, para seu desenvolvimento completo, uma quantidade superior a 100 kg de N/ha. Considerada como planta de boa capacidade noduladora e eficiente sistema de fixação, o caupi dispensa a adubação nitrogenada. Culturas desenvolvidas em áreas recém-desmatadas, arenosas ou com teor de matéria orgânica menor que 10 g/kg, geralmente apresentam deficiência de nitrogênio. Nessas condições, recomenda-se a aplicação de 20 kg de N/ha, em cobertura, aos 15 dias após a fase de emergência das plantas.

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