Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No 5
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Dezembro/2005
Cultivo do Feijão Irrigado na Região Noroeste de Minas Gerais
Silvando Carlos da Silva
Agostinho Dirceu Didonet

Introdução e Importância Econômica
Clima
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Cultivares
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Clima

Na agricultura moderna, os incrementos nos rendimentos e a redução dos custos e dos riscos de insucesso dependem, cada vez mais, do uso criterioso dos recursos financeiros. Neste processo, para obter maior rentabilidade, o agricultor deve tomar decisões de acordo com os fatores de produção disponíveis e a probabilidade de risco que envolvem a sua atividade. Dentre os principais fatores que influenciam a produção agrícola destacam-se as condições climáticas, que são praticamente incontroláveis. Vários são os exemplos de quebras de safras no Brasil e no mundo, com enormes prejuízos à agricultura e à sociedade, devido a ocorrência de adversidades climáticas (chuva, seca, geada, granizo, entre outros). Assim, para que qualquer empreendimento agrícola seja revestido de sucesso, as respostas interativas entre clima-planta precisam ser adequadamente quantificadas e monitoradas. Para tanto, é de suma importância conhecer os elementos climáticos, definidos como grandezas que quantificam o clima, ao longo dos anos, tais como a radiação solar, a temperatura do ar, a precipitação pluvial, o fotoperíodo, dentre outras.
Considerando especificamente o caso do feijão irrigado no noroeste de Minas Gerais, os principais elementos climáticos que mais influenciam a produção são a temperatura do ar e a radiação solar.

Temperatura do ar
Radiação solar
Condições climáticas para o noroeste mineiro

Temperatura do ar
A temperatura do ar pode ser considerada o elemento climático que mais exerce influência sobre a porcentagem de vingamento de vagens, e, de maneira geral, faz referência sobre o efeito prejudicial das altas temperaturas sobre o florescimento e a frutificação do feijoeiro.
Com relação à germinação do feijoeiro, os valores de temperatura em torno de 28°C são tidos como ótimos.
É sabido que o rendimento de grãos do feijoeiro é bastante afetado quando a temperatura do ar, na floração, apresenta valores acima de 35°C. Da mesma forma, temperaturas do ar abaixo de 12°C podem provocar, dependendo da intensidade, abortamento de flores, concorrendo para um decréscimo no rendimento do feijoeiro. Ademais, lavouras instaladas em áreas que apresentam umidade relativa e temperatura do ar acima de 70% e 35°C, respectivamente, chegam a ser dizimadas pela ocorrência de várias doenças.
Para que o feijoeiro possa atingir seu rendimento potencial é necessário que a temperatura do ar apresente valores mínimo, ótimo e máximo de 12°C, 21°C e 29°C, respectivamente. Contudo, cabe lembrar que regiões que apresentam valores de temperaturas do ar noturnas altos provocam maiores prejuízos ao rendimento do feijoeiro.

Radiação solar
A radiação solar atinge a superfície terrestre de duas formas, direta e difusa. O acúmulo destes dois componentes denomina-se radiação global. A quantidade e a intensidade da radiação difusa dependem, basicamente, da latitude, altitude, declinação solar e da quantidade de nuvens.

O aproveitamento da radiação solar pela planta depende da sua capacidade de interceptar e utilizar a luz, ou seja, a capacidade fotossintética. Por sua vez, a taxa fotossintética de uma cultura depende da distribuição da radiação solar nas diferentes camadas de folhas e do total absorvido em cada camada. O total de radiação solar interceptado e, eventualmente, absorvido por uma camada de folhas está diretamente relacionado ao ângulo foliar, à declinação solar, à distribuição espectral da radiação e à estruturação das folhas no dossel. Desta forma, estudos agrometeorológicos sobre radiação solar em uma comunidade vegetal devem considerar não apenas o processo fotossintético como também a estrutura do dossel. A cultura do feijoeiro quando exposta à baixa quantidade de radiação solar apresenta decréscimo no índice de área foliar, concorrendo para uma menor área de interceptação de energia e interferindo no metabolismo fisiológico da planta. Por outro lado, em condições de alta radiação solar, os índices foliares serão maiores, o que não significa que haverá aumento no rendimento da cultura, pois a produção de grãos está diretamente relacionada à eficiência fotossintética da cultivar.
A radiação solar influencia significativamente as taxas de fotossíntese das plantas. O valor de saturação de radiação solar varia com a idade e o tipo da planta. De uma forma geral, regiões que apresentam valores de radiação solar entre 150 W e 250 W m-2 podem ser consideradas como ideais para o desenvolvimento do feijoeiro. Em condições de radiação solar acima de 400 W m-2, a taxa de fotossíntese é praticamente constante.

Condições climáticas para o noroeste mineiro
No caso específico da região noroeste mineira, a radiação solar não é limitante ao cultivo do feijoeiro irrigado no inverno, pois os valores deste elemento climático apresentam-se acima dos exigidos pela planta.
O noroeste de Minas Gerais (Figura 1) compreende os seguintes municípios: Arinos, Bonfinópolis de Minas, Brasilândia de Minas, Buritis, Formoso, Guarda-Mor, João Pinheiro, Lagamar, Natalândia, Paracatu, Presidente Olegário, Unaí e Vazante, cujas coordenadas geográficas são apresentadas na Tabela 1.
O clima da região está condicionado, fundamentalmente, pelos valores das altitudes acima de 500 m e latitude entre 14o e 18oS, resultando em temperaturas do ar relativamente apropriadas para o feijoeiro com irrigação, no período de abril a setembro (Figura 2).
Com valores de temperatura do ar que atendem às exigências da planta e com a umidade relativa do ar apresentando decréscimos, o rendimento do feijoeiro nesta região deve, seguramente, atingir patamares elevados. Além disto, é possível assegurar que, com estas condições climáticas, o produto gerado será de boa qualidade.

 


Fig. 1. Localização geográfica da região noroeste do Estado de Minas Gerais.

 
Tabela 1. Coordenadas geográficas dos municípios que compõem a região noroeste de Minas Gerais.
Município
Latitude (Grau)
Longitude (Grau)
Altitude (m)
Arinos
15,91694
46,10000
509
Bonfinópolis de Minas
16,56750
45,98444
651
Brasilândia de Minas
17,00139
46,00111
530
Buritis
15,61778
46,41778
538
Formoso
14,93556
46,21806
839
Guarda-Mor
17,76806
47,08444
616
João Pinheiro
17,73417
46,16694
765
Lagamar
18,16722
46,80194
836
Natalândia
16,50139
46,48500
550
Paracatu
17,21667
46,86917
687
Presidente Olegário
18,41778
46,41806
947
Unaí
16,35194
46,90056
575
Vazante
17,98417
46,90222
680
 

Fig. 2. Comportamento térmico, média mensal, da região noroeste de Minas Gerais, resultante de dados médios dos municípios Arinos, Buritis, Formoso, Paracatu, Unaí e João Pinheiro. Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia.


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