Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No.5
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Dezembro/2005
Cultivo do Feijão Irrigado na Região Noroeste de Minas Gerais
Alcido Elenor Wander

Introdução e Importância Econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de Sementes
Plantio e Tratos Culturais
Irrigação
Manejo de Plantas Daninhas
Doenças e Métodos de Controle

Pragas e Métodos de Controle
Normas Gerais para o Uso de Agrotóxicos
Colheita
Pós-Colheita

Mercado e Comercialização
Coeficientes Técnicos, Custos, Rendimentos e Rentabilidade
Referências
Glossário
Autores

Expediente

Introdução e Importância Econômica
Introdução
Importância econômica

Introdução

Os grãos de feijão representam uma importante fonte protéica na dieta humana dos países em desenvolvimento das regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, o feijão é um dos componentes básicos da dieta alimentar da população e importante fonte de proteína para as classes economicamente menos favorecidas.
As Américas respondem por 43,2% do consumo mundial, seguidas da Ásia (34,5%), África (18,5%), Europa (3,7%) e Oceania (0,1%). Os países em desenvolvimento são responsáveis por 86,7% do consumo mundial. No Brasil, o consumo per capita de feijão, na década de 70, era de 18,5 kg-1 hab-1 ano-1; já em 2002 baixou para 16,3 kg-1 hab-1 ano-1.
O feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) é a espécie mais cultivada entre as demais do gênero Phaseolus. Considerando todos os gêneros e espécies de feijão englobados nas estatísticas da FAO, publicadas em 2005, a produção mundial de feijão situou-se em torno de 18,7 milhões de toneladas, ocupando uma área de 26,9 milhões de hectares. Os países em desenvolvimento respondem por 89,2% da produção mundial e, entre os continentes, a Ásia é o maior produtor mundial, com 45,7%, seguida das Américas (36,7%), África (13,9%), Europa (3,4%) e Oceania (0,2%). Cerca de 66% da produção mundial foi oriunda de apenas sete países, sendo o Brasil o maior produtor, responder por 16,3% da produção mundial (Tabela 1).

 
Tabela 1. Produção de feijão no mundo em 2004.
País
Produção (t)
Participação na produção mundial (%)
Participação acumulada (%)
Brasil
3.054.049
16,3
16,3
Índia
3.000.000
16,1
32,4
China
2.009.000
10,7
43,1
Myanmar
1.650.000
8,8
51,9
México
1.400.160
7,5
59,4
Estados Unidos
847.900
4,5
63,9
Uganda
535.000
2,9
66,8
Outros 110 países
6.203.157
33,2
100,0
Total mundial
18.699.266
100,0
-
Fonte: Base da dados FAOSTAT (2005).

Importância econômica

Historicamente, o feijão é cultivado no Brasil por pequenos produtores descapitalizados, com baixo uso de insumos externos, e voltado sobretudo para a subsistência das famílias. Não obstante essa tradição, tem-se verificado, nos últimos 20 anos, crescente interesse de produtores de outras classes econômicas, que vêm adotando tecnologias avançadas, tais como irrigação, controle fitossanitário e colheita mecanizada, em cultivos de feijão em grande escala, os quais, com maior aporte de insumos no processo produtivo, chegam a alcançar produtividades superiores a 3.000 kg ha-1.

O cultivo dessa leguminosa é difundido em todo o território nacional, no sistema solteiro ou consorciado com outras culturas. Essa grande dispersão da produção tem dificultado a organização da cadeia produtiva, especialmente nas regiões onde predominam propriedades menores, quando estas não estão devidamente organizadas entre si.
No período de 1984 a 2004, a área de plantio de feijão no Brasil sofreu uma redução de cerca de 25%; a produção, contudo, aumentou em 16%, graças ao incremento de 54% na produtividade média. Não obstante esse aumento, a produção não é suficiente para atender ao mercado interno, cuja demanda teve um acréscimo de 31%, nesse mesmo período, devido, principalmente, ao aumento da população. Isto explica a razão pela qual o Brasil importa cerca de 100 mil toneladas de feijão por ano, mesmo produzindo 3 milhões de toneladas anualmente.
Apesar do pequeno volume de produção mundial de feijão, 15% são produzidos para exportação. Em 2003, cinco países foram responsáveis por 76,1% dessa exportação: China, 33,9%; Myanmar, 11,9%; Estados Unidos, 11,5%; Canadá, 11,1%; e Argentina, 7,8%; movimentando-se 841 milhões de dólares com a transação deste produto.
O sistema de comercialização é o mais variado possível, com predomínio de um pequeno grupo de atacadistas que concentra a distribuição da produção, gerando, muitas vezes, especulações quando ocorrem problemas na produção. Com a informatização, os produtores têm maior facilidade de acesso às informações de mercado, criando melhores possibilidades de comercialização do produto e, conseqüentemente, gerando maior renda.
Dependendo da região, o plantio de feijão no Brasil é feito ao longo do ano, em três épocas, de tal forma que, em qualquer mês, sempre haverá produção de feijão em algum ponto do país, o que contribui para o abastecimento interno e reduz a oscilação dos preços.
Em Minas Gerais, o feijão é cultivado em quase todo o Estado, com destaque para as regiões noroeste, norte e sul. Especialmente para a região noroeste, a cultura do feijão possui importância social e econômica destacável, representando uma importante fonte de renda para produtores e trabalhadores rurais, sobretudo nos anos em que os preços dos outros produtos cultivados estão baixos. Os principais municípios produtores da região noroeste mineira são Unaí, Paracatu, Buritis, João Pinheiro e Cabeceira Grande (Tabela 2).
Com pouco mais de 70 mil habitantes, o município de Unaí experimentou nos últimos 20 anos um desenvolvimento agrícola notável, que o transformou no principal produtor de feijão do Estado de Minas Gerais. O aumento da produtividade na região de Unaí é resultado de um conjunto de diversos fatores, como a maior variedade de cultivares, adoção de tecnologias e disposição dos agricultores. A região concentra grande número de pivôs centrais, já que o clima seco dificulta o cultivo. É oportuno mencionar que só em Unaí e Bonfinópolis existem mais de 23 mil pivôs centrais.
A colheita de feijão em Unaí é uma das atividades que mais mobilizam a mão-de-obra temporária agrícola do país. São aproximadamente 45 mil hectares distribuídos em 400 propriedades, das quais cerca de 30% são de grandes produtores, 40% de médios e 30% de pequenos. Apesar de a mecanização já ter chegado aos campos de feijão - todos os grandes produtores da região contam com esse recurso -, os trabalhadores continuam muito requisitados.

 
Tabela 2. Produção, área colhida e produtividade de feijão nos municípios da região noroeste do Estado de Minas, em 2004.
Município
Quantidade produzida
Área colhida
Produtividade
(kg ha-1)
(t)
(%)
(ha)
(%)
Arinos
840
0,59
600
0,82
1.400
Bonfinópolis de Minas
3.750
2,65
2.050
2,79
1.829
Brasilândia de Minas
1.578
1,12
610
0,83
2.587
Buritis
9.300
6,58
5.900
8,02
1.576
Cabeceira Grande
9.180
6,49
4.400
5,98
2.086
Dom Bosco
570
0,40
220
0,30
2.591
Formoso
4.506
3,19
2.650
3,60
1.700
Guarda-Mor
3.930
2,78
1.900
2,58
2.068
João Pinheiro
9.220
6,52
4.820
6,55
1.913
Lagamar
708
0,50
295
0,40
2.400
Lagoa Grande
1.965
1,39
950
1,29
2.068
Natalândia
228
0,16
95
0,13
2.400
Paracatu
17.520
12,40
6.800
9,24
2.576
Presidente Olegário
2.100
1,49
1.000
1,36
2.100
São Gonçalo do Abaeté
1.455
1,03
870
1,18
1.672
Unaí
66.600
47,12
37.000
50,27
1.800
Uruana de Minas
4.932
3,49
1.940
2,64
2.542
Varjão de Minas
1.435
1,02
950
1,29
1.511
Vazante
1.530
1,08
550
0,75
2.782
Total
141.347
100,00
73.600
100,00
Fonte: IBGE (2005).

A cultura do feijão caracteriza-se numa opção de rotação de culturas rentável para as áreas de cultivo irrigado da região noroeste do Estado de Minas Gerais. Segundo estudos recentes realizados no município de Unaí, pela Embrapa Arroz e Feijão, a relação benefício/custo atingiu 1,16, ou seja, os recursos aplicados à cultura renderam 16% durante o ciclo da cultura, rendimento este superior àquele obtido nas aplicações financeiras disponíveis no mercado. Para informações mais detalhadas sobre esse estudo veja o artigo "Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade".

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