Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No.5
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Dezembro/2005
Cultivo do Feijão Irrigado na Região Noroeste de Minas Gerais
Eliane Dias Quintela

Introdução e Importância Econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de Sementes
Plantio e Tratos Culturais
Irrigação
Manejo de Plantas Daninhas
Doenças e Métodos de Controle
Pragas e Métodos de Controle
Normas Gerais para o Uso de Agrotóxicos
Colheita
Pós-Colheita
Mercado e Comercialização
Coeficientes Técnicos, Custos, Rendimentos e Rentabilidade
Referências
Glossário
Autores

Expediente

Pragas e Métodos de Controle

Várias espécies de artrópodes e moluscos são associadas à cultura do feijoeiro e podem causar reduções significativas no rendimento da cultura. Dependendo da espécie da praga, da fase de desenvolvimento da cultura, da cultivar plantada e da época do plantio do feijoeiro, os danos causados por pragas podem chegar a 100%. Dentre as pragas encontradas nas lavouras de feijão no Brasil, as responsáveis pelas maiores perdas na produção são a cigarrinha-verde, as vaquinhas, a mosca-branca, os ácaros e os percevejos. Regionalmente, a larva-minadora, lesmas, larvas-de-crisomelídeos e tripes têm-se destacado como pragas importantes.
Apesar de o feijoeiro ser hospedeiro de várias espécies de pragas, observa-se, no campo, que: (1) o ataque de algumas dessas pragas é restrito à determinada fase de desenvolvimento da planta; (2) a simples presença da praga na lavoura não significa que esteja causando danos; (3) as pragas não ocorrem todas ao mesmo tempo na cultura; e (4) existem várias espécies de inimigos naturais das pragas, como os predadores, parasitóides e doenças, que normalmente mantêm a população de pragas em equilíbrio. Fica claro, portanto, que a decisão de controlar ou não as pragas deve ser feita após a amostragem da lavoura, observando-se os níveis de controle específico para cada espécie de praga. Dessa forma, o número de pulverizações de inseticidas é reduzido significativamente com diminuição do custo total de produção. A diminuição da pressão imposta pelos inseticidas nas populações das pragas, contribui também para retardar o aparecimento de formas resistentes aos produtos químicos, aumentando sua vida útil. Além disso, nas áreas em que se realiza o manejo de pragas observa-se aumento da atuação de inimigos naturais sobre as pragas-chaves devido ao menor impacto dos produtos químicos sobre os inimigos naturais e pela manutenção de maior número de hospedeiros. Assim, evita-se também a ressurgência de pragas e o surgimento de pragas secundárias ou novas pragas.
Para facilitar o entendimento sobre a identificação e o manejo das pragas, decidiu-se por agrupá-las em categorias:

Pragas das sementes, plântulas e raízes
Pragas desfolhadoras
Pragas sugadoras e raspadoras
Pragas das hastes e axilas
Pragas das vagens
Pragas dos grãos armazenados

Os aspectos bioecológicos e os inseticidas e acaricidas registrados para as principais pragas do feijoeiro são detalhados em:

Amostragem das pragas, níveis de controle e produtos registrados

Pragas das sementes, plântulas e raízes
As pragas de hábitos subterrâneos, por serem difíceis de controlar e pela escassez de informações sobre a biologia, o comportamento e as suas interações com o meio ambiente, estão sendo consideradas pragas-chaves no sistema de produção de grãos, principalmente em plantio direto (PD). A técnica de PD, por dispensar o preparo do solo - perturbando o mínimo possível a estrutura física e biológica do solo, e mantendo praticamente intacta a cobertura morta composta de resíduos de colheitas anteriores, a palhada - favorece o aparecimento de pragas subterrâneas, como as lesmas, larva-das-sementes, lagarta-rosca, gorgulho-do-solo, larva-alfinete, larva-arame e corós. Lavouras de feijão plantadas após a colheita da soja ou milho também têm sido danificadas pela lagarta-do-cartucho-do-milho e pela lagarta-da-soja.
A ocorrência de populações subterrâneas em nível de praga está relacionada à presença de plantas hospedeiras, normalmente plantas daninhas, pouco antes da semeadura. Pode-se diminuir a incidência de pragas de solo eliminando-se as plantas hospedeiras - daninhas, soja, milho, etc. - no mínimo três semanas antes da semeadura. Esse procedimento diminui a oviposição das mariposas nessas áreas, evitando-se, assim, a presença de lagartas grandes, terceiro instar, que causam maiores danos na fase inicial de desenvolvimento do feijoeiro.
Em áreas de incidência de pragas de solo, deve-se fazer a amostragem do solo antes do plantio do feijoeiro. Geralmente são efetuadas 15 amostras de solo - 1 m de largura x 1 m de comprimento x 5 cm de profundidade - em 100 ha. Se for observada mais de uma lagarta com mais de 1,5 cm - elasmo, rosca, lagarta-do-cartucho, corós ou gorgulho-do-solo - por metro quadrado, deve-se: esperar que a maioria das lagartas empupem, o que geralmente ocorre em 10 dias; fazer tratamento de sementes (Tabela 1); e aumentar o estande de plantas. Com essas medidas, pode-se evitar que danos significativos ocorram na cultura.

Larva-das-sementes, Delia pratura (Diptera: Anthomiidae)
Importância e distribuição - Danos ao feijoeiro devido ao ataque desse inseto têm sido observados nas Regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil. Os cultivos do feijoeiro em plantio direto têm favorecido a ocorrência dessa praga, pois os adultos preferem depositar os ovos em solos com maior quantidade de matéria orgânica e restos culturais.
Danos - Quando a germinação das plantas atrasa - seja devido à semeadura profunda, à camada compactada na superfície do solo, ao baixo vigor da semente ou à baixa temperatura de solo, chuvas intensas, etc. - pode ocorrer o desenvolvimento de microorganismos necrotróficos que produzem odor característico que atraem as fêmeas para ovipositarem. As larvas penetram nas sementes, perfuram o cotilédone e destroem, parcial ou totalmente, o embrião, provocando redução na população de plantas. As larvas podem alimentar-se também no interior do hipocótilo em plantas recém-emergidas, ocorrendo podridão dos tecidos, doença bacteriana denominada Erwinia caratovora. Quando o ataque ocorre nessa fase, a planta murcha e morre. Essa bactéria persiste nas larvas até o estágio do adulto, sendo transmitida pelas moscas através das posturas. As larvas podem também alimentar-se de raízes mais desenvolvidas. O dano das larvas nas folhas primárias variam de pequenos furos a completa destruição do ponto de crescimento.
Manejo - Plantios mais rasos e em solos mais quentes podem reduzir o período de emergência das plantas e diminuir o período de suscetibilidade à larva-das-sementes.

Lagartas-cortadeiras - Lagarta-rosca, Agrotis ipsilon; lagarta-do-cartucho-do-milho, Spodoptera frugiperda; Lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae)
Importância e distribuição - As lagartas-cortadeiras podem causar maiores danos na fase de germinação e de início de desenvolvimento da planta. Após essa fase, o feijoeiro tolera melhor os danos por lagartas. Lavouras de feijão plantadas após colheita da soja ou milho têm sido danificadas pela lagarta-do-cartucho-do-milho e a lagarta-da-soja. Os danos causados pela lagarta-do-cartucho são confundidos com os da lagarta-rosca devido à semelhança entre as duas lagartas e ao modo que causam danos ao feijoeiro. A lagarta-rosca prefere locais mais úmidos, e sua incidência tem aumentado em áreas sob plantio direto, ocorrendo na maioria das regiões produtoras de feijão.
Danos - As lagartas cortam as plântulas rente ao solo e podem consumir sementes. O dano causado pelo inseto será maior se houver população elevada de lagartas grandes, provenientes de plantas hospedeiras, na fase de germinação das plantas. Em plantas mais desenvolvidas, as larvas raspam o caule na altura do solo. As plantas mais desenvolvidas podem tolerar o dano por mais tempo, porém murcham e podem sofrer tombamento pelo vento.
Manejo - Podem ser utilizadas iscas atrativas preparadas pela mistura de 3 L de melaço ou 1 kg de açúcar mais 25 kg de farelo de trigo ou soja e 1 kg de triclorfon.

Lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus (Lepidoptera: Pyralidae)
Importância e distribuição - Das pragas que atacam as plântulas do feijoeiro, a mais importante é a lagarta-elasmo. Encontrada na maioria das regiões produtoras de feijão do Brasil, essa lagarta ataca um grande número de plantas, principalmente as gramíneas, e sua ocorrência está condicionada a períodos de estiagem no início de desenvolvimento da cultura.
Danos - A lagarta perfura o caule próximo à superfície do solo, o colo, ou logo abaixo e faz galerias ascendentes no xilema provocando o amarelecimento, a murcha e a morte das plantas. Quando as plantas são atacadas na fase inicial de desenvolvimento, o dano é maior. Plantas com mais de 20 dias raramente são atacadas. As larvas do primeiro e segundo instares têm pouca capacidade de perfurar o caule. Também consomem sementes e raízes e, na ausência de plantas, podem completar a fase consumindo vegetais mortos. O ataque normalmente ocorre em padrões irregulares e quando as plantas estão com 10-12 cm de altura com duas folhas.
Manejo - A ocorrência da elasmo está condicionada a períodos de estiagem no início de desenvolvimento da cultura. Plantas com mais de 20 dias raramente são atacadas pela lagarta-elasmo, e os ataques normalmente ocorrem em padrões irregulares. A incorporação dos restos culturais e a irrigação abundante são práticas que podem diminuir a incidência da lagarta. Algumas espécies de Braconidae, Ichneumonidae e Tachinidae têm sido identificadas como parasitóides das lagartas; entretanto, a eficácia desses inimigos naturais sobre as lagartas ainda não foi avaliada. Os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae aplicados no solo têm se mostrado virulentos a larvas de elasmo.

Gorgulho-do-solo, Teratopactus nodicollis (Coleoptera: Curculionidae) Importância e distribuição - Algumas lavouras de feijão têm sido prejudicadas pelo gorgulho-do-solo no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.
Danos - As larvas são encontradas em grande número no início do seu desenvolvimento; porém, no final da fase larval, devido ao canibalismo, são encontrados alguns indivíduos isolados. A maioria das larvas localiza-se até 6 cm de profundidade do solo, e muitas são observadas próximas à superfície do solo, nos primeiros 2 cm. As larvas alimentam-se dos nódulos em leguminosas, da radícula e hipocótilo das plantas, e, nesse caso, as plantas morrem antes da germinação, havendo falhas na linha de plantio. As larvas podem consumir várias plantas, causando maior dano na fase de germinação e no início de desenvolvimento vegetativo.
Na linha de plantio, os sintomas de dano são caracterizados pela murcha, secamento e morte das plantas, e o ataque ocorre normalmente em reboleiras. Em plantas no estágio de folhas primárias (V2), a larva causa um dano típico, caracterizado pelo corte transversal da extremidade da raiz principal. Algumas plantas conseguem emitir raízes laterais para compensar a perda da raiz principal, mas, em geral, a morte da planta ocorre em estágio mais adiantado de desenvolvimento, quando a necessidade de absorção de água e nutrientes pela planta é maior. Em plantas mais desenvolvidas, as larvas alimentam-se do córtex das raízes, não havendo desenvolvimento de raízes laterais nas áreas danificadas. Em algumas plantas, as raízes são totalmente danificadas, com sintomas de alimentação externa, restando somente uma das partes laterais da raiz principal.
Manejo - O gorgulho-do-solo tem vários inimigos naturais, tais como: os fungos Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana, Paecilomyces farinosus e Aspergillus achraceous; os nematóides Neoaplectana carpocapsae e Heterorhabditis sp.; os parasitóides Microctonus sp., Tetrastichus haitiensis, Brachyufens osborni, Trichogrammatidae; e os predadores - aranhas, formigas subterrâneas e o ácaro Blattisocius keegani.
O nível de controle para pragas de solo que reduzem o estande de plantas é de 10% de plantas atacadas, ou duas plantas cortadas, ou com sintomas de murcha em 2 m de linha de feijoeiro. Se o nível de controle for atingido, deve-se fazer pulverizações com inseticidas dirigidas para a base da planta.

Lesmas, Sarasinula linguaeformis, Deroceru spp., Limax spp. e Phyllocaulis spp. (Stylomenatophora: Veronicellidae)
Importância e distribuição - A proliferação de lesmas em culturas anuais, como as leguminosas, tem aumentado de forma significativa em diferentes regiões do Brasil, principalmente em lavouras sob o sistema plantio direto. As lesmas são muito sensíveis à desidratação, e preferem ambientes úmidos e temperatura amena para desenvolverem-se - ambiente normalmente encontrado nos cultivos de plantio direto devido à maior cobertura do solo pela palhada. No feijoeiro, as lesmas têm sido observadas causando danos em cultivos irrigados no Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás e São Paulo.
Danos - O dano, na maioria das vezes, ocorre nas bordas da cultura, perto das áreas mais úmidas, e avança para o interior, especialmente se a vegetação e os restos de cultura oferecerem proteção para as lesmas durante o dia. Com a chegada do período seco e com a colheita do milho e da soja, as lesmas migram para as áreas de cultivo de feijão sob pivô central. Os danos ocasionados por lesmas jovens é aparente quando a folha inteira é consumida, restando somente o talo. Lesmas mais desenvolvidas consomem toda a folha e podem cortar as plantas rente ao solo, semelhante à lagarta-rosca. Plântulas inteiras são consumidas, podendo ser observado dano nas vagens.
Além de causar danos às plantas, as lesmas, em altos níveis populacionais, podem transmitir doenças. O nematóide Angiostrongylus costaricensis pode ser transmitido ao ser humano, principalmente em crianças, pelo muco produzido pela lesma, cuja doença é denominada angiostrongilose abdominal. Para evitar a transmissão do verme, não se deve tocar as lesmas ou entrar em contato com a secreção do muco.
Manejo - Para evitar que as larvas se multipliquem, o controle deve ser iniciado com as primeiras chuvas. A detecção da presença das lesmas, ou mesmo o controle na área de cultivo ou nas regiões circunvizinhas, antes do plantio, pode ser feito com armadilhas confeccionadas com sacos de aniagem. Esses sacos devem ser umedecidos e embebidos em diferentes substâncias que atraem as lesmas, como cerveja, leite, suco de folhagem de rabanete e melaço mais cerveja. Em pequenas áreas, a eliminação das lesmas à noite, fazendo uso de uma estaca de madeira pontiaguda, pode diminuir significativamente a população, uma vez que elas saem nesse período para se alimentarem - a maior atividade de deslocamento dos moluscos em busca de alimento ocorre nas primeiras horas da noite. Nas áreas infestadas, a manutenção das bordas do campo livre de ervas daninhas e de restos culturais e a dessecação com antecedência são medidas que dificultam a sobrevivência das lesmas, pela redução do grau de umidade do ar, baixo teor de água na superfície do solo e pela falta de alimento. A drenagem dos campos também é recomendada. Iscas granulares à base de metaldeído são eficientes no controle de lesmas, mas não devem ser aplicadas quando o solo estiver seco, porque nessa condição a lesma não sai para alimentar. Pulverizações foliares com inseticidas não controlam bem as lesmas e os inseticidas granulares aplicados ao solo são menos eficientes que as iscas. O controle de lesmas deve ser realizado quando for observada 1 lesma/m2. Foram identificados vários inimigos naturais das lesmas como protozoários, platelmintos, nematelmintos e insetos.

Pragas desfolhadoras
Vários estudos têm indicado que o feijoeiro pode tolerar níveis consideráveis de desfolha, de 20% a 66%, sem que ocorra perda na produção. Ainda, a capacidade do feijoeiro de se recuperar após a desfolha é variável em função da época de desenvolvimento em que for submetido ao dano. No caso de insetos desfolhadores que não têm níveis de controle determinados devem-se observar os níveis de desfolha tolerados para o feijoeiro: 50% de desfolha em folhas primárias; 30% de desfolha no estádio vegetativo; e 15% de desfolha na fase reprodutiva, formação de vagens e florescimento. Em relação aos níveis de controle estabelecidos para cada praga desfolhadora e aos níveis de desfolha tolerados pela planta, deve-se utilizar aquele que for atingido primeiro.

Vaquinhas, Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata (Coleoptera: Chrysomelidae)
Importância e distribuição - As vaquinhas, Diabrotica speciosa e Cerotoma arcuata, têm sido constatadas na maioria da regiões produtoras de feijão, e podem causar danos severos ao feijoeiro, especialmente quando ocorrem altas populações no início de desenvolvimento da cultura.
Danos - Os adultos das vaquinhas causam desfolha durante todo o ciclo da cultura, reduzindo a área fotossintética. Os danos mais significativos são verificados no estágio de plântula, pois podem consumir o broto apical, se ocorrerem altas populações de insetos e não houver área foliar disponível, causando a morte da planta. Em outros estágios, o dano é menor. Os adultos podem alimentar-se de flores e vagens, quando a incidência de adultos for alta na fase reprodutiva da planta. As larvas alimentam-se das raízes, nódulos e sementes em germinação, fazendo perfurações no local de alimentação. Quando as larvas alimentam-se das sementes, as folhas cotiledonares podem apresentar perfurações semelhantes às causadas pelos adultos. Se o dano na raiz for severo, as plantas atrofiam e ocorre um amarelecimento das folhas basais.
Manejo - O nível de controle para as vaquinhas é de 20 insetos por pano de batida ou em 2 m de linha. As espécies de vaquinhas C. arcuata e D. speciosa são naturalmente parasitadas por Celatoria bosqi (Diptera: Tachnidae). Foram registrados índices consideráveis de parasitismo de C. bosqi sobre C. arcuata com até 32,2% dos adultos parasitados no mês de março. Os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae infectam naturalmente larvas e adultos de D. speciosa e Cerotoma sp no campo.

Larva-minadora, Liriomyza huidobrensis (Diptera: Agromyzidae)
Importância e distribuição - A larva-minadora tem sido observada nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná e Distrito Federal. A infestação dessa larva normalmente está limitada às folhas primárias, devido à ação de inimigos naturais, parasitóides e predadores. Tem-se tornado em problema sério nas áreas em que seus parasitóides são eliminados, mas, na maioria das vezes, não é preciso utilizar inseticidas para o seu controle.
Danos - Os adultos alimentam-se da exsudação das folhas, mediante a punctura realizada pelas fêmeas pelo ovipositor. As larvas abrem galerias serpenteadas entre a epiderme superior e inferior das folhas, formando lesões esbranquiçadas, podendo penetrar nas nervuras. Quando a população de larvas na folha é alta, há redução significativa da área fotossintética, o que pode causar murcha e queda prematura das folhas.
Manejo - O nível de controle para a larva-minadora é de uma a duas larvas vivas por folha trifoliolada. Na amostragem da larva-minadora, não devem ser consideradas as folhas primárias pois, quando o dano pela larva aparece nas folhas primárias, o feijoeiro já emitiu a primeira e a segunda folha trifoliolada e não é necessário controlá-la, pois o feijoeiro não precisará das folhas primárias para a produção. Normalmente, o ataque da larva-minadora fica restrito a folhas primárias devido à atuação de inimigos naturais. No feijoeiro, em qualquer época de plantio, observam-se infestações pela mosca-minadora apenas nas folhas cotiledonares e em pouquíssimos folíolos de folhas definitivas, baixeiras, pois o índice de parasitismo de suas larvas por Opius sp. (Hymenoptera: Braconidae) chega a ser de 100%.

Lagarta-das-folhas, Omiodes indicata (Lepidoptera: Pyralidae) e Urbanus proteus (Lepidoptera: Hesperiidae)
Importância e distribuição -A lagarta-enroladeira-das-folhas tem causado danos consideráveis ao feijoeiro devido ao seu difícil controle. Em algumas lavouras de feijão nos Estados de Goiás e São Paulo tem-se observado desfolha total das plantas por essa lagarta. A Urbanus proteus, conhecida como lagarta-cabeça-de-fósforo, pode causar prejuízo ao feijoeiro esporadicamente.
Danos - As lagartas de U. proteus dobram as margens das folhas do feijoeiro, reduzindo a área fotossintética. Devido à baixa capacidade reprodutiva, essa lagarta raramente ocorre em populações capazes de causar danos ao feijoeiro. A lagarta-enroladeira-das-folhas, Omiodes indicata, raspa o parênquima foliar, rendilhando os folíolos que se tornam secos. Nos últimos estágios larvais, entrelaçam várias folhas, formando uma massa de folhas, que são parcialmente consumidas. Em ataques intensos, reduzem a área foliar significativamente, deixando somente as nervuras.
Manejo - As lagartas-das-folhas, devido ao hábito de enrolar e unir várias folhas, ficam protegidas dos inseticidas, tornando o controle mais difícil. A observação das lagartas nos primeiros estágios larvais, antes de enrolarem as folhas, é importante para assegurar maior eficiência dos inseticidas.

Pragas sugadoras e raspadoras

Cigarrinha-verde, Empoasca kraemeri (Homoptera: Cicadellidae)
Importância e distribuição - A cigarrinha-verde ocorre na maioria das regiões produtoras de feijão no Brasil, mas a época de incidência é variável nas diversas regiões, devido a sua preferência por clima seco e quente.
Danos - O dano é causado pelas ninfas e adultos que se alimentam do floema da planta, sugando a seiva, e podem provocar amarelecimento, seguido de secamento, nas margens das folhas e reduzir severamente o rendimento. Os sintomas dos danos causados pela cigarrinha também se caracterizam pela curvatura das bordas foliares para baixo. O dano é mais severo quando ocorrem altas populações da cigarrinha-verde no início do crescimento do feijão ou durante o florescimento. Nesses casos, o inseto pode acarretar perdas acima de 60%.
Manejo - O nível de controle para a cigarrinha-verde no feijoeiro é de 40 ninfas por pano ou em 2 m de linha. Dentre os inimigos naturais da cigarrinha-verde são conhecidos os parasitóides de ovos Anagrus flaviolus e Aphelinoidea plutella, o predador Eriopis conexa e os fungos entomopatogênicos Hirsutella guyana, Entomophaga australiensis e Zoophthora radicans. Sob alta umidade, o fungo Z. radicans dissemina rapidamente a população do inseto, podendo atingir níveis acima de 50% de infecção em condições de campo.

Mosca-branca, Bemisia tabaci biótipos A e B (Homoptera: Aleyrodidae)
Importância e distribuição - Entre as pragas que ocorrem no feijoeiro, as moscas-brancas Bemisia tabaci biótipos A e B causam enormes prejuízos, principalmente pela transmissão do Vírus do Mosaico Dourado do Feijoeiro (VMDF), estando presentes na maioria das regiões produtoras de feijão. Estima-se que 1 milhão de hectares, plantados tradicionalmente com feijão, são perdidos na América Latina, principalmente no verão, quando a população do vetor, Bemisia tabaci, é alta.
Danos - O dano direto, causado pela sucção da seiva da planta, não danifica as plantas do feijoeiro, e o inseto torna-se importante em épocas e regiões onde ocorre a transmissão do vírus. Os danos indiretos são causados pela transmissão do vírus do mosaico dourado e são proporcionais à cultivar plantada, à porcentagem de infecção pelo vírus e ao estádio de desenvolvimento da planta na época da incidência da doença. Os danos indiretos podem atingir 100% quando ocorrem altas populações da mosca-branca no início de desenvolvimento da planta do feijão. A mosca-branca pode ocorrer durante todo o desenvolvimento da cultura, entretanto tem preferência por plantas mais jovens e a população tende a diminuir com o crescimento do feijoeiro. No caso do VMDF, os danos são mais significativos quanto mais jovem a planta for infectada. Após o florescimento, as perdas devido ao vírus são reduzidas.
Os sintomas do mosaico dourado podem variar dependendo da cultivar e do estádio de desenvolvimento das plantas na ocasião da infecção. Em condições de campo, os primeiros sintomas nas folhas aparecem dos 14 aos 17 dias do plantio. Contudo, os sintomas nítidos da doença são observados quando as plantas têm três a quatro folhas trifoliadas, de 25 a 30 dias. As folhas do feijoeiro ficam com a coloração amarelo intensa, típica de mosaico dourado brilhante. Os sintomas iniciam-se nas folhas mais novas, com um salpicamento amarelo vivo, atingindo posteriormente toda a planta. As folhas jovens podem enrolar-se ligeiramente ou apresentar rugosidade bem definida e, em geral, há pouca redução no tamanho das folhas. As plantas infectadas precocemente, até os 20 dias de idade, podem sofrer grande redução no porte, ter vagens deformadas, sementes descoloridas e deformadas e o peso reduzido.
Manejo - Pelo fato de a mosca-branca ser transmissora do VMDF, não existe nível de controle estabelecido para essa praga, e o seu manejo deve ser realizado de acordo com a época de plantio do feijoeiro. Em áreas com histórico de alta incidência do mosaico dourado e no plantio do feijão da "seca", de janeiro a abril, desde que a mosca-branca esteja presente na área amostrada, seu controle deve ser feito desde o plantio até o estágio de florescimento, com tratamento de sementes e complementado com pulverizações semanais. Normalmente, quatro ou cinco pulverizações são suficientes. O período que vai da germinação até o florescimento é a fase em que a planta é mais suscetível ao VMDF e, conseqüentemente, quando são observadas as maiores perdas na produção. Após o florescimento do feijoeiro, não há necessidade de fazer o controle da mosca-branca, pois os danos causados pelo VMDF são pouco significativos, não justificando o controle do vetor. No plantio das "águas", de agosto a dezembro, e de "inverno", de maio a agosto, recomenda-se somente o tratamento de sementes, não havendo necessidade de pulverizações, pois a incidência da mosca-branca e do VMDF é menos intensa. Nessas épocas de plantio, as populações da mosca-branca geralmente são menores, pois não há cultivos de soja e algodão, que favorecem a multiplicação dessa praga, ou as lavouras não estão no final de ciclo. A semeadura em épocas menos propícias à disseminação do vírus, isto é, quando a população do vetor é mais baixa, é uma prática cultural importantíssima para o controle do VMDF. A definição de épocas de plantio e/ou a regionalização da época de semeadura do feijoeiro têm reduzido significativamente as perdas devidas à transmissão do VMDF pela mosca-branca.
As joaninhas Cycloneda sanguinea, Coleomegilla maculata, Eriopis connexa e uma espécie de Chrysoperla têm sido observadas predando ninfas e adultos de B. tabaci em campos de feijão. No campo, também tem sido verificada a ocorrência de parasitismo em ninfas de B. tabaci por microhimenopteros, principalmente em plantas daninhas hospedeiras da mosca-branca. Ao avaliar o parasitismo de Encarsia sp. em B. tabaci, em casa de vegetação e no campo, foram encontrados 85,4% e 45,7% de insetos parasitados, respectivamente. Em certas condições, alguns dos controles naturais mais efetivos da mosca-branca são os fungos entomopatogênicos, sendo Paecilomyces fumosoroseus, Verticillium lecanii e Ashersonia spp os mais comumente encontrados em Bemisia e outras espécies de mosca-branca.


Tripes, Thrips palmi, Caliothrips brasiliensis, Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae)
Importância e distribuição - Várias espécies de tripes ocorrem na cultura do feijoeiro, havendo atualmente uma predominância para o Thrips palmi. No Brasil, desde a data de sua primeira coleta no Estado de São Paulo, em 1992, o T. palmi vem causando dano em várias hortícolas, incluindo o feijoeiro. Sua rápida dispersão e o seu estabelecimento foram favorecidos pelas suas características biológicas e resistência a um grande número de produtos químicos. As condições favoráveis ao desenvolvimento dos tripes são temperaturas elevadas e baixa umidade.
Danos - Os danos por espécies de tripes são decorrentes da alimentação das ninfas e adultos nas folhas e flores. As folhas inicialmente apresentam pontos brancos na face superior. Pontos prateados surgem na superfície inferior das folhas, resultantes da entrada de ar nos tecidos dos quais os tripes se alimentaram. Com o tempo, os tecidos mortos necrosam, ficam bronzeados ou ressecam e tornam-se quebradiços. Brotos foliares e botões florais, quando atacados, tendem a atrofiar. Se a população de tripes for alta, pode ocorrer também queda prematura dos botões florais e vagens.
Manejo - É importante amostrar os tripes nos 15 primeiros dias de florescimento, pois são as flores que irão formar as vagens produtivas. Após duas semanas, a maioria das flores do feijoeiro são abortadas naturalmente, e não há necessidade de controlar os tripes nas flores. O nível de controle dos tripes é de 100 tripes nas folhas em 1 m e de três tripes por flor.

Ácaro-branco, Polyphagotarsonemus latus (Acarina: Tarsonemidae), e Ácaro rajado, Tetranhychus urticae (Acarina: Tetranychidae)
Importância e distribuição - A ocorrência do ácaro-branco, Polyphagotarsonemus latus, tem aumentado significativamente no feijoeiro, principalmente nos plantios de inverno e da seca. Já o ácaro-rajado, Tetranhychus urticae, tem sido observado no plantio de inverno, em áreas onde se plantou anteriormente o algodão ou sorgo.
Danos - Inicialmente, o ataque do ácaro-branco ocorre em reboleiras, sendo visível nas folhas do ponteiro, que ficam com as bordas dos folíolos enroladas para cima e de coloração verde-escura brilhante. Posteriormente, a face inferior do folíolo torna-se bronzeada, pela morte dos tecidos, e as folhas ficam ressecadas e quebradiças. Em altas infestações, o ácaro-branco ataca as vagens, que ficam prateadas, e, posteriormente, bronzeadas e retorcidas Os adultos e ninfas do ácaro-rajado escarificam o tecido vegetal e alimentam-se da seiva que é extravasada, ocorrendo o aparecimento de pontos brancos na face superior das folhas e, posteriormente, necrose.
Manejo - Para os ácaros, branco e rajado, o nível de controle é de quatro plantas com sintoma ou presença dos ácaros em 2 m de linha. As amostragens determinam o momento de entrada dos ácaros nas lavouras, e o controle pode ser realizado somente nas reboleiras. A maioria dos acaricidas mata somente as ninfas dos ácaros, sendo necessário repetir a pulverização com acaricida três ou quatro dias após a primeira pulverização.

Pragas das hastes e axilas

Broca-das-axilas, Epinotia aporema (Lepidoptera: Olethreutidae)
Importância e distribuição - A broca-das-axilas ocorre esporadicamente no feijoeiro, e é mais comum nas regiões onde se planta soja.
Danos - O ataque geralmente inicia-se pelo ponteiro das plantas. As larvas penetram no caule, pelas axilas dos brotos terminais do feijoeiro, e formam uma galeria descendente, onde ficam abrigadas. Unem os folíolos com uma teia e alimentam-se do caule ou dos ramos da planta, podendo causar sua quebra e favorecer a entrada de patógenos. No broto atacado, a larva pode alimentar-se do tecido foliar, causando o desenvolvimento anormal ou a sua morte. O inseto também pode alimentar-se das flores e vagens do feijoeiro.
Manejo - O nível de controle para a broca-das-axilas é de 25% a 30% de plantas com ponteiros atacados.

Tamanduá-da-soja ou bicudo-da-soja, Sternechus subsignatus (Coleoptera: Curculionidae)
Importância e distribuição - O hospedeiro preferencial desse inseto são as leguminosas como a soja, feijoeiro, lablabe e guandu. No feijoeiro tem causado dano nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia e na Região Sul do Brasil.
Danos - Os adultos atacam os pecíolos e a haste principal, desfiando os tecidos ao redor da haste. As larvas desenvolvem-se no interior das hastes, abrindo galerias em seu interior, que podem provocar a quebra e, muitas vezes, a morte das plantas. Se o ataque ocorrer no início do estágio vegetativo, há a morte da planta e diminuição da população de plantas, o que pode vir a acarretar a perda total da área infestada. Em plantas mais desenvolvidas, se o desenvolvimento da galha ocorrer na haste principal, a planta pode se quebrar pela ação do vento ou das chuvas.
Manejo - Para o tamanduá-da-soja, a integração de medidas de controle, como rotação de culturas, planta-armadilha para oviposição, controle mecânico e/ou químico na bordadura, época de semeadura e preparo do solo, é fundamental para o controle duradouro e eficaz da praga. Os adultos do tamanduá-da-soja, assim que emergem, necessitam alimentar-se de leguminosas para desenvolver os músculos de vôo. Assim, a rotação com milho, sorgo ou girassol força o inseto a sair caminhando da lavoura em busca de alimento. A rotação deve ser acompanhada da semeadura de uma borda, de 5-10 cm, com planta-armadilha, soja ou feijão, onde os adultos deverão ser controlados para evitar a disseminação da praga.


Pragas das vagens

Percevejos-dos-grãos, Neomegalotomus parvus (Hemiptera: Alydidae), Nezara viridula, Piezodorus guildini e Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae)
Importância e distribuição
- A incidência da espécie Neomegalotomus parvus tem aumentado significativamente nas lavouras de feijão dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Infestações de percevejos comuns à lavoura de soja, como o Nezara viridula, Piezodorus guildini e Euchistus heros, também têm aumentado de intensidade a cada ano na cultura do feijão.
Danos - Os percevejos possuem alta capacidade de causar danos e, mesmo em baixas populações, causam danos significativos às vagens, alimentando-se diretamente dos grãos desde o início de formação de vagens. Os grãos atacados ficam menores, enrugados, chochos e mais escuros. Além dos danos diretos no produto final, os percevejos prejudicam também a qualidade das sementes, reduzindo o poder germinativo e transmitindo a mancha de levedura provocada pelo fungo Nematospora corylli, o que causa depreciação acentuada quanto à classificação comercial do produto. No Rio Grande do Sul, infestações naturais de Nezara viridula, além de reduzirem o poder germinativo das sementes, provocaram perdas de cerca de 30% na produção. Já as perdas causadas por Piezodorus guildini são inferiores, atingindo 8,5% a 16% para populações de dois a quatro percevejos por três plantas, respectivamente.
Manejo - Para os percevejos, o nível de controle é de dois percevejos por batida de pano, e para o percevejo-manchador-de-grãos, Neomegalotomus parvus, de cinco percevejos em cinco passadas de rede entomológica.

Lagarta-das-vagens, Maruca vitrata (Lepidoptera: Pyraustidae), Etiella zinchenella (Lepidoptera: Phycitidae), Thecla jebus (Lepidoptera: Gelechidae)
Importância e distribuição
- Por não apresentarem ataques freqüentes em todos os anos, as lagartas-das-vagens eram consideradas pragas secundárias no feijoeiro; contudo, a ocorrência dessas lagartas tem aumentado nas lavouras de feijão das Regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil.
Danos - As lagartas alimentam-se das vagens e dos grãos, destruindo os grãos em formação. As perfurações nas vagens favorece a entrada de saprófitas e deprecia o produto final pela presença de excrementos e grãos danificados.
Manejo - O nível de controle para a lagarta das vagens é de 20 vagens atacadas em 2 m de linha.

Pragas dos grãos armazenados

Carunchos, Zabrotes subfasciatus e Acanthocelides obtectus (Coleoptera: Bruchidae)
Importância e distribuição - As duas espécies de carunchos são cosmopolitas, por ocorrerem em todos os países que cultivam o feijoeiro. Enquanto o caruncho Zabrotes subfasciatus ocorre nas regiões mais quentes dos trópicos, o Acanthoscelides obtectus é o caruncho do feijoeiro de maior importância nas regiões temperadas de clima ameno. A principal diferença entre as duas espécies é que a fêmea do caruncho Z. subfasciatus coloca os ovos aderidos firmemente as sementes e o A. obtectus coloca os ovos soltos entre os grãos. Além disso, A. obtectus pode iniciar o ataque antes da colheita do feijão, inserindo os ovos nas vagens, e Z. subfasciatus só infesta os grãos após a colheita, no armazenamento do feijão.
Danos - Os carunchos causam danos aos grãos devido às galerias feitas pelas larvas, chegando a destruir os cotilédones, reduzir o peso da semente e favorecer a entrada de microorganismos e ácaros. Além de provocarem o aquecimento dos grãos, os carunchos, como destroem o embrião, afetam a germinação da semente e, por causa da presença de insetos, ovos e excrementos, depreciam a qualidade comercial dos grãos.
Manejo - Para o controle desses coleópteros, além dos produtos químicos, existem várias alternativas, tais como: aplicação de irradiação e ultra-som; uso de areia, terra de formigueiro, pimenta do reino, óleos vegetais, gordura animal, argila, sílica, palha de feijão e cinza de madeira; e armazenamento hermético. Essas medidas são utilizadas por pequenos produtores e, na maioria dos casos, as informações são empíricas, necessitando de estudos antes de sua recomendação.
Entre os inseticidas químicos não-fumigantes, os mais utilizados para o controle dos carunchos são o deltametrina, pirifós metílico, diclorvós, fenitrotiom, malatiom e pirimifós-metílico (Tabela 1), e, entre os fumigantes, o brometo de metila, fosfina ou fosfeto de hidrogênio, cianeto de cálcio e tetracloro de carbono (Tabela 2).

Tabela 1. Inseticidas químicos concentrados emulsionável (CE) registrados para o controle de insetos em sementes armazenadas de feijão.
Tratamento
Inseticida
Formulação (CE)
Dosagem
Pulverização residual ou de superfície
Deltametrina 25 6-8 ml/L/m2
Malation 1.000 1,5 ml/L/m2
Pirimifos-metílico 500 1-2 ml/L/m2
Pulverização protetora Deltametrina 25 14-20 ml/L/m2
Diclorvós 500 20-40 ml/L/t
Fenitrotion 500 10-20 ml/L/t
Malation 1.000 20 ml/L/t
Pirifós-metílico 500 8-16 ml/L/t
Nebulização Deltametrina 25 1,5-2,0 ml/L/m3
Malation 1.000 2,0 ml/L/m3
 
Tabela 2. Expurgo de grãos de feijão armazenados.
Tipo de armazenagem
Produto: fosfina Ingred. ativo (%)
Temperatura ambiente
Tempo de expurgo (dias)
Dosagem

Comprimidos de 0,6 g
56
< 8
8
3 a 5 comprimidos/ tonelada de grão
8-12
5
 
12-15
4
 
15-25
3
 
>25
2
 
Granel Tabletes de 3,0 g
71
< 8
8
1 a 3 tabletes/ toneladas de grão
8-12
5
12-15
4
15-25
3
>25
2
Saco Comprimidos de 0,6 g
56
-
-
3 a 5 comprimidos/ 3 a 4 sacos de 60 kg
Tabletes de 3,0 g
71
-
-
1 a 3 tabletes/ 15 a 20 sacos de 60 kg
Fonte: adaptada de Embrapa (1987).

Amostragem das pragas, níveis de controle e produtos registrados
Para que o manejo integrado das pragas possa ser efetuado com eficiência é imprescindível o conhecimento das pragas do feijoeiro, seus danos e os inimigos naturais que podem ocorrer na lavoura. A amostragem dos inimigos naturais auxiliará o produtor na tomada de decisão quanto ao controle das pragas. O monitoramento, ou amostragem, dos elementos que compõem o ecossistema, por exemplo, as pragas, seus inimigos naturais e outros fatores que limitam a sua população, é fator determinante para o sucesso do manejo integrado de pragas. Assim, entende-se que um maior entendimento do ecossistema a ser manejado e dos processos naturais que limitam a população da praga nas diversas culturas que estão inseridas no ambiente de produção é um passo fundamental a ser dado em direção à sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola. Com a utilização dessa tecnologia, tem-se reduzido, em média, 60% a aplicação de inseticidas, com uma economia de 78% no custo de controle.

Metodologia para amostragem das pragas e os inimigos naturais
Os materiais necessários para realizar a amostragem de pragas do feijoeiro e os inimigos naturais são relacionados na Figura 1. As amostragens devem ser feitas semanalmente em diversos pontos da lavoura, lembrando que: em lavouras de até 5 ha devem ser realizadas quatro amostragens; nas de até 10 ha, seis amostragens; nas de até 30 ha, oito; e nas de até 100 ha, dez. O caminhamento na lavoura para amostragem das pragas deve ser feito de forma que represente o melhor possível a área total, sendo normalmente em ziguezague. Para lavouras maiores que 100 ha, é recomendável dividir a área em talhões menores. Se a diversidade e a população de inimigos naturais forem elevadas e a população da praga estiver próxima ao nível de controle, é aconselhável aguardar três a quatro dias e amostrar novamente o campo. Nesse caso, é possível que os inimigos naturais sozinhos mantenham a população da praga abaixo do nível de controle.

Formas de amostragem
Da emergência até o estágio de três e quatro folhas trifolioladas - Devem ser amostradas as plantas em 2 m de linha. Para tanto, marcam-se 2 m na linha de plantio, amostrando-se, para cada praga ou dano:

  • pragas de solo - anotar o número de plantas mortas;
  • vaquinhas, mosca-branca, cigarrinha-verde e inimigos naturais - amostrar as folhas nas partes superior e inferior;
  • ácaro-branco - verificar a presença de sintomas de ataque nas folhas da parte superior da planta.

Outras pragas e danos devem ser amostradas da seguinte forma:

  • desfolha - amostragem visual do nível de desfolha em área de raio igual a 5 m, centrada no ponto de amostragem;
  • larva-minadora - amostrar o número de larvas, com lupa de aumento, em dez folhas trifolioladas por ponto de amostragem, desconsiderando o ataque nas folhas primárias;
  • ripes - bater as plantas presentes em 1 m de linha, em placa branca, por ponto de amostragem;
  • lesmas - em locais de ataques, contar as lesmas em 1 m2 por ponto de amostragem.

Após o estágio de três e quatro folhas trifolioladas - As amostragens devem ser realizadas com o pano de batida branco, com 1 m de comprimento por 0,5 m de largura, com um suporte de cada lado. O pano deve ser inserido cuidadosamente entre duas filas de feijão, para não perturbar os insetos e os inimigos naturais presentes nas plantas. As plantas devem ser batidas vigorosamente sobre o pano para deslocar os insetos e os inimigos naturais. Na ficha de levantamento de campo, anotam-se os insetos caídos no pano. Nessa etapa, devem também ser anotados os níveis de desfolha, os números de tripes, lesmas, larvas-minadoras e a presença de sintoma de ataque do ácaro-branco, como descrito anteriormente.

No estágio de florescimento e de formação de vagens - As amostragens devem ser direcionadas para tripes, ácaro-branco, percevejos e lagartas-das-vagens. Deve-se inserir cuidadosamente o pano de batida entre as plantas e amostrar na seguinte ordem:

  • verificar a presença de sintomas de ataque de ácaro-branco nas folhas, na parte superior da planta, na área da batida do pano;
  • contar os percevejos que estão na parte superior da planta e mover cuidadosamente as plantas para observar os percevejos que estão nas partes mediana e inferior da planta;
  • após a amostragem dos percevejos, bater vigorosamente as plantas sobre o pano de batida e contar os insetos e os inimigos naturais caídos no pano;
  • amostrar visualmente as vagens quanto à presença de lagartas;
  • passar a rede entomológica, por cinco vezes, sobre as plantas para amostragem do percevejo-manchador-de-grãos, Neomegalotomus parvus.
  • próximo à área amostrada, amostrar visualmente os tripes nas flores, coletando 25 flores por ponto de amostragem.

Anotação dos resultados da amostragem
Os resultados das amostragens devem ser anotados nas fichas de amostragem para as pragas e inimigos naturais (Figura 1) e tripes nas flores (Figura 2).

Fig. 1. Levantramento de pragas do feijoeiro.

Fig. 2. Levantamento de tripes em flores de feijoeiro.

Tomada de decisão
Antes de definir o momento adequado para efetuar o controle com inseticidas é preciso conhecer os níveis de controle para as principais pragas do feijoeiro. Com o propósito de facilitar a consulta no campo, esses níveis foram inseridos na última coluna da ficha de amostragem para as pragas (Figura 1). Cabe ressaltar que esses níveis são amparados por uma boa margem de segurança, de forma que a sua utilização cuidadosa permitirá a aplicação de inseticidas somente quando houver necessidade, sem que ocorra perda na produção.

Escolha dos inseticidas
Se o nível para o controle da praga foi atingido, deve-se efetuar a pulverização escolhendo os inseticidas mais seletivos, conforme níveis de toxicidade estabelecidos para mamíferos e aves, peixes, abelhas e predadores.
Informações detalhadas sobre os inseticidas e acaricidas registrados para a cultura do feijoeiro são apresentadas na Tabela 7 da Circular técnica 46 - intitulada "Manejo integrado de pragas do feijoeiro" disponível em:
http://www.cnpaf.embrapa.br/publicacao/circulartecnica/circ_46.pdf

 

Informações Relacionadas
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Recomendações técnicas para o cultivo do feijoeiro.
Resultados obtidos na área pólo de feijão no período de 2002 a 2004.

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