Embrapa Arroz e Feijão
Sistemas de Produção, No.6
ISSN 1679-8869 Versão eletrônica
Dezembro/2005
Cultivo do Feijão da Primeira e Segunda Safras na Região Sul de Minas Gerais
Messias José Bastos de Andrade

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Calagem e Adubação

A acidez do solo pode trazer conseqüências desastrosas para a lavoura do feijoeiro, tais como teores tóxicos de alumínio e manganês, além de deficiências de macronutrientes -principalmente cálcio, magnésio, fósforo, nitrogênio e enxofre - e baixa atividade biológica no solo, resultando em pequeno crescimento das raízes e da parte aérea.
Quando adequadamente empregada, a calagem promove modificação no ambiente radicular e pode elevar o pH para uma faixa que oferece melhores condições para o desenvolvimento do feijoeiro, normalmente pH 5,8 a 6,2.

Métodos para estimar a necessidade de calagem
Adubação com macronutrientes
Adubação com micronutrientes


Métodos para estimar a necessidade de calagem
Para estimar a necessidade de calagem (NC), em Minas Gerais são usados o método da neutralização da acidez trocável e da elevação dos teores de cálcio e magnésio trocáveis e o método da saturação por bases. Quando bem empregados, ambos os métodos estimam valores de NC adequados para a cultura do feijoeiro.
É oportuno esclarecer que, independentemente do método empregado, o valor calculado de NC refere-se à quantidade de calcário com PRNT 100% a ser incorporado em 1 hectare, a 20 cm de profundidade, devendo-se fazer as devidas correções de acordo com a qualidade do calcário e a profundidade efetivamente utilizadas.



Adubação com macronutrientes
Em Minas Gerais, as recomendações oficiais de adubação com macronutrientes para a cultura do feijoeiro consideram quatro níveis de tecnologia (NT). O NT1 inclui as lavouras para as quais são feitas calagem, adubação mineral e capina mecânica, as sementes são catadas manualmente, os rendimentos de grão, inferiores a 1.200 kg ha-1. O NT2 abrange as lavouras em que se utilizam sementes fiscalizadas e tratadas, fazem controle fitossanitário, empregam populações próximas a 240 mil plantas ha-1 e apresentam rendimentos de grãos de 1.200 kg a 1.800 kg ha-1. As lavouras contempladas no NT3 têm rendimentos variando de 1.800 kg a 2.500 kg ha-1 e utilizam herbicidas e irrigação. No NT4 estão as lavouras com rendimentos superiores a 2.500 kg ha-1 e que se utilizam de um bom manejo de irrigação e de doses maiores de fertilizantes.
Em todos os níveis tecnológicos as doses recomendadas de fósforo e potássio são aplicadas integralmente no plantio, enquanto a dose de nitrogênio é aplicada parte no plantio e parte em cobertura, conforme recomendação apresentada na Tabela 1, a qual deve ser utilizada com os resultados da análise de amostra do solo em mãos.
Para que a adubação nitrogenada em cobertura seja eficiente, o solo deve estar úmido e, sempre que possível, o adubo nitrogenado deve ser incorporado, principalmente no caso de se tratar de fonte uréia.
Nos níveis tecnológicos NT1 e NT2, a adubação nitrogenada em cobertura deve ser realizada de uma única vez, no período de 25 a 30 dias após a emergência (DAE), em filete lateral às plantas. Nos níveis NT3 e NT4 a cobertura nitrogenada deve ser parcelada, metade aos 20 DAE e metade aos 30 DAE, podendo ser aplicada também via água de irrigação - que, nesse caso, facilitará a incorporação.
É importante lembrar que, em se tratando do sistema plantio direto, poderá haver, nos primeiros anos, uma maior demanda por nitrogênio, o que deverá ser melhor avaliado por um engenheiro agrônomo.
Em solos com baixos teores de magnésio e/ou enxofre é recomendável aplicar 20 kg ha-1 desses nutrientes.


Tabela 1. Recomendação de adubação da cultura do feijoeiro com macronutrientes.
Nível tecnológ.
N plantio
P no solo
K no solo
N cobertura
Baixo Médio Bom Baixo Médio Bom
------ dose de P2O5 ----- -------- dose de K20 --------
NT1
20
70
50
30
30
20
20
20
NT2
20
80
60
40
30
20
20
30
NT3
30
90
70
50
40
30
20
40
NT4
40
110
90
70
50
40
20
60

Adubação com micronutrientes
Com relação aos micronutrientes, existem recomendações generalizadas para o boro, o zinco e o molibdênio.
Constatando-se deficiências de boro e/ou zinco, sugere-se a aplicação de 1 kg ha-1 de boro e de 2 kg a 4 kg ha-1 de zinco na mistura de adubos no plantio.
No caso do molibdênio, a aplicação foliar, na dose de 60 g ha-1, tem-se mostrado mais eficiente. Nesse caso, tanto o molibdato de sódio como o de amônio podem ser usados como fonte de molibdênio, mesmo que a calda a ser aplicada inclua defensivos usuais da cultura. A melhor época de aplicação foliar de molibdênio coincide com a da adubação nitrogenada em cobertura. Faz-se oportuno ressaltar que no sul de Minas Gerais, quando o solo apresenta pH acima de 5,7-5,8, não são esperados efeitos benéficos da adubação molíbdica pois, nessa situação, os teores nativos de molibdênio disponíveis no solo são, geralmente, suficientes para se obterem boas produções de feijão.

 

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