Embrapa Algodão
Sistemas de Produção, No. 6
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Dez/2006

Cultivo do Gergelim

Autores

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Calagem e adubação
Cultivares
Preparo do solo e plantio
Tratos culturais
Doenças
Pragas
Colheita
Composição química e usos
Comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Calagem e adubação

A correção do solo compreende o uso de calcário para corrigir a acidez do solo e o emprego de fertilizantes, a fim de elevar a fertilidade do solo a níveis adequados, conforme as exigências da cultura. As recomendações para correção de acidez e adubação devem ser feitas com base em resultados de análise química e física do solo.

Após a escolha da área, recomenda-se enviar, para análise laboratorial, uma amostra do solo a partir de sub-amostras, retiradas da camada arável que, normalmente é alterada, seja por arações e gradagens, ou pela adição de corretivos, fertilizantes e restos culturais.

Correção de acidez - Calagem:

No Brasil há predominância de solos ácidos. O emprego da calagem, via cálcio e carbonato, é importante para neutralização da acidez do solo; e além de fornecer os nutrientes Cálcio e Magnésio, também melhora o aproveitamento dos fertilizantes e dos elementos já existentes no solo por corrigir o pH (MANUAL INTERNACIONAL DE FERTILIDADE DO SOLO, 1998).

Para calagem, é recomendado dar maior ênfase à percentagem de saturação de alumínio do que seu teor isoladamente, porém, devem ser também levados em consideração os teores de Cálcio e Magnésio do solo. Em áreas já calcariadas, que serão aproveitadas com rotação de culturas, a amostragem, para fins de indicação de fertilizantes, pode ser feita logo após a maturação fisiológica da cultura anterior. Se houver necessidade de calagem em áreas onde se pretende produzir gergelim pela primeira vez, a amostra do solo tem que ser feita de modo a possibilitar que o calcário esteja incorporado pelo menos dois meses antes da semeadura do gergelim, para poder reagir e exercer seu papel de correção do solo. Para a correção da acidez, deve-se dar preferência ao uso de calcário dolomítico que possui de 25% a 30% de CaO e mais 12% de MgO. A aplicação pode ser feita manual ou mecânica, com bastante uniformidade na distribuição. Para os solos ácidos, tanto cauliníticos, quanto de cerrado, Oxissolos, recomenda-se o uso de gesso agrícola como complemento da calagem. No caso dos solos ácidos, a mistura de calcário mais o gesso aumenta a velocidade de percolação de bases e a correção da acidez das camadas profundas. Porém, em solos com baixos teor de potássio, não se recomenda o uso de gesso (BELTRÃO et al., 2001b).

Adubação:

Para que a planta possa externar todo seu potencial produtivo é necessário que o solo forneça nutrientes em quantidade adequada.

O gergelim extrai do solo, em termos relativos, quantidades elevadas de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K), que variam conforme a produção, o estado nutricional, a variedade utilizada e a parte da planta colhida. Em geral, a planta precisa de 50 – 14 – 60 kg/ha de N-P2O5–K2O para produzir 1.000 kg de sementes. O arranquio da cultura implica na perda de quase 97% dos nutrientes extraídos do solo pelas plantas. Desse total, os frutos contêm de 33% a 60% do NPK extraído (BASCONES & RITAS, 1961).

As plantas de gergelim absorvem pouco NPK até o trigésimo dia após o plantio. A partir dessa data, os requerimentos da planta por esses nutrientes crescem rapidamente alcançando a demanda máxima de Nitrogênio aos 74 dias, de Fósforo dos 60 aos 90 dias e de Potássio, depois dos 35 dias crescendo até o final do ciclo (FERREIRA, 2005 – dados não publicados).

Vários fatores influenciam na resposta à adubação, tais como: os tipos de fertilizantes, épocas e modo de aplicação, textura e teor de matéria orgânica do solo, entre outros.

Em relação aos principais macronutrientes, se a análise do solo evidenciar um teor de Fósforo assimilável menor que 10 mg/dm3 (10 ppm), teor de matéria orgânica inferior a 2,6% e teor de Potássio abaixo de 0,23 cmolc/dm3, há necessidade de correção com o uso de fertilizantes, cuja aplicação deve ser feita em função da mobilidade do nutriente no solo e da textura do solo. O Fósforo, cuja mobilidade no solo é mínima, deve ser aplicado de uma vez por ocasião do plantio; o Nitrogênio, cuja mobilidade é grande pode ser aplicado em duas vezes: metade após o desbaste e metade, 25 dias depois, e, de preferência usando como fonte o Sulfato de Amônio. Devido à elevada dinâmica do Nitrogênio, os fertilizantes devem ser usados em cobertura, em sulcos cobertos para reduzir as perdas por volatização, denitrificação e outros. O potássio, por possuir mobilidade intermediária, pode ser aplicado no plantio ou dividido junto com o Nitrogênio, dependendo da capacidade de lixiviação do solo (BELTRÃO et al., 2001b).

Uma forma eficiente e relativamente barata de se melhorar a qualidade do solo, em especial o teor de matéria orgânica, é fazer uso de adubação verde e da adição de adubos orgânicos. Além dos estercos, vários produtos podem ser utilizados como adubo orgânico: camas de galinha, palha, restos vegetais, composto e torta resultante da prensagem de sementes de oleaginosas.

 

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