Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 02
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Criação de Gado Leiteiro na Zona Bragantina
Jonas Bastos da Veiga
Elyzabeth da Cruz Cardoso
Sumário
Início

Apresentação
Importância potencial e limitações
Aspectos agroecológicos
Composição e melhoramento genético do rebanho
Manejo reprodutivo
Manejo sanitário
Instalações zootécnicas
Formação e manutenção de pastagem
Manejo de pastagem
Formação e utilização de capineira
Formação e utilização de banco de proteína
Suplementação concentrada
Suplementação mineral
Qualidade do leite
Custos de produção e análise financeira
Cadeia produtiva do leite
Referências
Glossário
Autores
Expediente
  Suplementação mineral
 

Introdução

Uma das mais importantes limitações nutricionais do gado leiteiro nas regiões tropicais é a deficiência de minerais, uma vez que as forrageiras, geralmente, não atendem as exigências dos animais. O conteúdo de mineral da forragem depende de vários fatores, como solo, clima e espécie forrageira e sua maturidade.

A maioria dos solos da região é de média a baixa fertilidade, com elevada quantidade de alumínio (Al) e de ferro (Fe), favorecendo a formação de compostos insolúveis para a planta e exacerbando a deficiência do P. A reposição dos nutrientes exportados pelos produtos animais ao solo, por intermédio da adubação é pouco comum na região, o que ocasiona um decréscimo gradativo do conteúdo de minerais na pastagem.

A suplementação mineral na pequena e média produção é extremamente precária, principalmente por falta de informação (Veiga et al., 1996). A correção das deficiências minerais, pela suplementação no cocho, à vontade, é bastante eficiente.

Verificou-se que na Microrregião de Castanhal, o custo da mistura mineral no mercado influencia a escolha do produto a ser utilizado. Além disso, a maioria dos criadores desconhece os fundamentos básicos da nutrição mineral, especialmente relacionados à suplementação do cálcio, elemento crítico na alimentação de vacas leiteiras (Maneschy, 2002).

Importância dos nutrientes minerais

Embora compondo apenas cerca de 5% do corpo de um animal, os nutrientes minerais contribuem com grande parte do esqueleto (80% a 85%) e compõem a estrutura dos músculos, sendo indispensáveis ao bom funcionamento do organismo (McDowell, 1992). Os desequilíbrios dos minerais na dieta animal podem ocorrer tanto pela deficiência como pelo excesso.

Sintomas da deficiência mineral

Como se trata de um grande número de elementos que desempenham as mais variadas e complexas funções no organismo, os sintomas causados pelos desequilíbrios minerais da dieta não são específicos. Esses sintomas podem ser confundidos com aqueles causados por deficiência de energia e proteína (alimentação deficiente qualitativa e quantitativamente) ou por problemas de saúde (parasitismo, doenças infecciosas ou ingestão de plantas tóxicas).

Os principais sintomas gerais que indicam a ocorrência de deficiências minerais no rebanho são, conforme Veiga et al. (1996) e Veiga & Lau (1998):

Apetite depravado - Os animais comem terra, pano e plástico; roem e ingerem ossos, madeira e casca de árvores; lambem uns aos outros; apresentam avidez por sal de cozinha.

Redução do apetite - Mesmo em pastagens com plena disponibilidade de forragem e de boa qualidade, os animais apresentam baixo consumo, mostrando o ventre sempre vazio (afundado).

Aspecto fraco ou doentio - Os animais ficam magros, com dorso arqueado, pêlos arrepiados e sem brilho, lesões na pele e dificuldade de locomoção.

Anomalias dos ossos - Os ossos longos se tornam curvos e as extremidades dilatadas.

Fraturas espontâneas - Freqüentemente, ocorrem quebraduras ósseas, sobretudo quando os animais são manejados, evidenciando fraqueza do esqueleto.

Anomalias da pele - Despigmentação e perda de pêlo, e desordem da pele, como ressecamento e descamação.

Baixo crescimento e produtividade - O crescimento dos animais jovens é retardado, o ganho de peso é baixo ou negativo (perda de peso) e a produção leiteira é prejudicada.

Baixa fertilidade - Rebanhos com carência mineral apresentam uma reduzida fertilidade das vacas, em face da ocorrência de cios irregulares ou ausentes, abortamento e retenção placentária, resultando em baixa produção de bezerros.

Baixa resistência a doenças - Animais deficientes em minerais são menos resistentes (mais susceptíveis) a doenças e se ressentem mais dos ataques de parasitas internos (vermes).

Na Tabela 22, são relacionados os minerais considerados essenciais para as espécies domésticas de animais e as suas respectivas funções.

Formulação da mistura mineral

É possível se elaborar fórmulas especiais que atendam determinadas condições da pastagem ou do rebanho. Por exemplo, pastagens de solos arenosos ou de cerrado (ou seja, em solos fracos) exigem misturas mais concentradas que aquelas de solos mais férteis. De mesma forma, o gado de leite é mais exigente em termos de minerais que o gado de engorda.

Qualidade da mistura

A qualidade da mistura está diretamente relacionada à concentração dos minerais mais carentes e, principalmente, dos mais caros. Sendo assim, o que na verdade vai definir a qualidade da mistura na região é a proporção da fonte de fósforo, que é o componente mais caro e um dos que deve entrar em maior proporção na mistura. Tomando por base o fósforo, uma mistura considerada boa para a região deve conter de 7% a 10% daquele elemento, ou seja, 70 a 100 g de fósforo por quilograma do produto final.

O sal comum ou sal de cozinha, de custo relativamente baixo, é dosado na fórmula para cobrir as necessidades de sódio e cloro e, também, para servir como estimulador do consumo da mistura como um todo, já que a maioria dos ingredientes minerais é pouco palatável (de gosto não-agradável).

Os microelementos, por constituírem a fração menor e menos dispendiosa da mistura e, por muitas vezes, serem bastante deficientes nas pastagens regionais, devem ser dosados para suprir até 100% das exigências animais, independente da composição da forragem consumida.

Tabela 1. Macro e microelementos essenciais para as espécies domésticas e suas funções (McDowell, 1999).
Minerais
Funções principais
MACROELEMENTOS
Cálcio (Ca) Formação de ossos e dentes; excitação muscular, sobretudo cardíaca; coagulação sangüínea; integridade da membrana; transmissão nervosa; produção de leite.
Cloro (Cl) Manutenção da pressão osmótica e do equilíbrio ácido- básico; transmissão de impulsos nervosos; transporte ativo dos aminoácidos e da glicose em nível celular; principal ânion do suco gástrico como parte do ácido clorídrico, ativação da amilase intestinal.
Magnésio (Mg) Atividade neuromuscular e nervosa; transferência de energia; participação no crescimento ósseo; participação no metabolismo dos carboidratos; participação no metabolismo dos lipídeos.
Fósforo (P) Formação óssea e dentária; constituição da molécula de DNA e RNA, formação de fosfolipídios; formação da coluna; participando, assim, na transmissão dos impulsos nervosos; atividade enzimática, sobretudo como coenzima de vários complexos da vitamina B; fosforilação para a formação de ATP.
Potássio (K) Balanço osmótico e hídrico corporal; participação no
metabolismo protéico e dos carboidratos; integridade da
atividade muscular e nervosa.
Enxofre (S) Metabolismo e síntese protéica; metabolismo das gorduras
e dos carboidratos; síntese de vitaminas do complexo B.
  MICROELEMENTOS
Cobalto (Co) Função anti-anêmica, por ser componente da vitamina 612 e do ácido fólico; metabolismo da glicose; síntese da metionina.
Cobre (Cu) Ativador enzimático envolvendo o transporte e a transferência de oxigênio, metabolismo dos aminoácidos e do tecido conectivo.
lodo (l) Componente dos hormônios tireoidianos.
Ferro (Fe) Transporte de oxigênio e respiração celular.
Flúor (F) Proteção óssea e dentária.
Manganês (Mn) Integridade da matriz orgânica óssea; ativador enzimático, sobretudo no metabolismo dos aminoácidos e dos ácidos graxos.
Selênio (Se) Junto com a vitamina E, promove a proteção dos tecidos contra danos oxidativos; componente da enzima glutationa peroxidase; metabolismo dos aminoácidos sulfurados.
Zinco (Zn) Ativador enzimático, principalmente nos processos de
formação óssea, do metabolismo dos ácidos nucléicos, do
processo da visão, do sistema imunológico e do sistema
reprodutivo.
Fonte: McDowell, 1999

Adição de vermífugos e outros suplementos

De modo geral, não é aconselhável utilizar a mistura mineral como veículo para administração de remédios e aditivos alimentares, por várias razões. Por exemplo, os vermífugos necessitam ser aplicados em épocas definidas (início e fim da estação chuvosa e terço final da estação seca), enquanto a mistura mineral é fornecida de maneira contínua. Além disso, os vermes são combatidos com doses específicas, conforme o peso dos animais e não em dose qualquer.

A adição de uréia ao sal mineral poderia ser admitida em condições bastante restritas, onde fosse possível um cuidadoso controle do consumo, para evitar risco de intoxicação do gado, inclusive obedecendo a um período bastante rígido de adaptação. Em face desses problemas, não se aconselha adicionar uréia ao sal mineral.

No mercado local, existem alguns concentrados minerais enriquecidos com as vitaminas A, D e E, vendidos a preços bastante elevados. Do ponto de vista nutricional, o complemento dessas vitaminas, nas condições regionais de forragem verde e luz solar, disponíveis durante o ano inteiro, não parece se justificar na prática.

Requerimentos minerais do animal

Vários fatores determinam a quantidade de minerais exigida pelos animais, como tipo de exploração (gado de cria, de corte ou de leite), nível de produção, idade, teor e forma química dos elementos nos ingredientes, inter-relações com outros minerais, consumo da mistura mineral, raça e adaptação animal (McDowell et al. 1983). Apesar das pastagens apresentarem um menor teor de minerais durante a estação seca (verão), tem sido observado que deficiências minerais específicas são mais severas na estação chuvosa (inverno), quando o ganho de peso é estimulado pela boa disponibilidade de proteína e energia, elevando os requerimentos minerais.

Uma vez que o rebanho leiteiro da Zona Bragantina é composto por animais resultantes do cruzamento de gado holandês com vários tipos de gado zebuado, são consideradas as exigências de minerais e os níveis tóxicos, sugeridas pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA (NRC), para bovinos de corte (Tabela 2).

Tabela 2. Requerimentos e concentração máxima tolerável de minerais para o gado leiteiro da Zona Bragantina1.

Elemento mineral

Unidade

Crescimento e terminação

Vacas

Máxima tolerável

Gestação

Lactacão

Cálcio (Ca)

%

0,19 - 0,73

0,22 - 0,38

0,43 - 0,77

_

Cloro (Cl)

%

-

-

-

-

Cromo (Cr)

mg/kg

-

-

-

1 .000,00

Cobalto (Co)

mg//kg

0,10

0,10

0,10

10,00

Cobre (Cu)

mg/kg

10,00

10,00

10,00

100,00

lodo (I)

mg/kg

0,50

0,50

0,50

50,00

Ferro (Fe)

mg/kg

50,00

50,00

50,00

1 .000,00

Magnésio (Mg)

%

0,10

0,12

0,20

0,40

Manganês (Mn)

mg/kg

20,00

40,00

40,00

1 .000,00

Molibdênio (Mo)

mg/kg

-

-

-

5,00

Níquel (Ni)

mg/kg

-

-

-

50,00

Fósforo (P)

%

0,12 - 0,34

0,16 - 0,24

0,25 - 0,48

-

Potássio (K)

%

0,60

0,60

0,70

3,00

Selênio (Se)

mg/kg

0,10

0,10

0,10

2,00

Sódio (Na)

%

0,06 - 0,08

0,06 - 0,08

0,10

-

Enxofre (S)

%

0,15

0,15

0,15

0,40

Zinco (Zn)

mg/kg

30,00

30,00

30,00

500,00

1 Baseado na tabela de requerimento de gado de corte
Fonte: National...(1996).

Disponibilidade biológica das

fontes de minerais

Compostos inorgânicos, de origem geológica ou industrial, são comumente utilizados para confecção das misturas minerais, a fim de suplementar os minerais deficientes na pastagem. Existe uma grande variedade de compostos inorgânicos para essa finalidade e a proporção do composto a ser utilizado depende da biodisponibilidade do elemento. Esse índice, também conhecido como disponibilidade biológica ou valor biológico, é definido como a percentagem do elemento presente no composto que é absorvida pelo animal (Tabela 3).

Tabela 3. Percentual de minerais em fontes usadas em suplementos minerais e sua biodisponibilidade relativa.
Elemento Fonte % do elemento na fonte Biodisponibilidade
Cálcio Farinha de osso autoclavada
Fosfato de rocha desfluorizado
Carbonato de cálcio
Fosfato mole
Calcário calcítico
Calcário dolomítico
Fosfato monocálcico
Fosfato tricálcico
Fosfato bicálcico
Sulfato de cálcio
29 (23-37)
29,2 (19,9-35,7)
40,0
18,0
38,5
22,3
16,2
31,0-34,0
23,2
20,0
Alta
Intermediária
Intermediária
Baixa
Intermediária
Intermediária
Alta
-
Alta
Baixa
Fósforo Fosfato de rocha desfluorizado Fosfato de cálcio
Fosfato bicálcico
Fosfato tricálcico
Ácido fosfórico
Fosfato de sódio
Fosfato de potássio
Fosfato mole
13,1 (8,7-21,0)
18,6-21,0
18,5
18,0
23,0-25,0
21,0-25,0
22,8
9,0
Intermediária
Alta
Alta
-
Alta
Alta
-
Baixa
Enxofre Sulfato de cálcio (gesso)
Sulfato de potássio
Sulfato de magnésio e potássio Sulfato de sódio
Sulfato de sódio anidro
Flor de enxofre
Sulfato de amônio
12,0-20,1
28,0
22,0
10,0
22,0
96,0
24,0
Baixa
Alta
Alta
Intermediária
-
Baixa
Alta
Potássio Cloreto de potássio
Sulfato de potássio
Sulfato de magnésio e potássio
50,0
41,0
18,0
Alta
Alta
Alta
Cobalto Carbonato de cobalto
Sulfato de cobalto
Cloreto de cobalto
46,0-55,0
21,0
24,7
-
-
-
Cobre Sulfato de cobre
Carbonato de cobre
Cloreto de cobre
Oxido de cobre
25,0
53,0
37,2
80,0
Alta
Intermediária Intermediária
Baixa
Ferro Nitrato de cobre
Oxido de ferro
Carbonato de ferro
Sulfato de ferro
33,9
46,0-60,0
36,0-42,0
20,0-30,0
Intermediária
Não-disponível
Baixa
Alta
lodo lodato de cálcio
lodato de potássio estabilizado lodeto de cobre
Etilenodiamino dihidroiodeto
63,5
69,0
66,6
80,0
Alta
Alta
Alta
Alta
Manganês Sulfato de manganês
Oxido de manganês
27,0
52,0-62,0,0
Alta Intermediária
Selênio Selenato de sódio Selenito de sódio 40,0 45,6 Alta Alta
Zinco Carbonato de zinco
Cloreto de zinco
Sulfato de zinco
Oxido de zinco
52,0
48,0
22,0-36,0
46,0-73,0
Alta
Intermediária
Alta
Alta
Fonte: McDowell (1999).

Utilização de minerais "orgânicos" ou quelatos

O valor biológico da mistura mineral pode aumentar bastante quando os microelementos são administrados na forma de um complexo orgânico ou de quelatos, proteinatos e polissacarídeos. Algumas pesquisas têm mostrado certa vantagem desses produtos, em relação às respectivas formas minerais. Porém, a efetiva utilização desses compostos, na prática, vai depender da sua economicidade.

Misturas múltiplas

Além das misturas minerais tradicionais, existem no mercado misturas minerais múltiplas (sal proteinado), que são suplementos minerais, contêm uma fonte protéica (ou uréia), uma energética, e vitaminas.

Essas misturas podem ser utilizadas durante o período de lactação, quando as necessidades minerais, protéicas e energéticas são maiores, ou durante o período seco, quando a disponibilidade de alimento é reduzida e de baixa qualidade nutricional.

Todos os tipos de misturas minerais, múltiplas ou não, exigem cuidados. As misturas que contêm uréia exigem uma adaptação do animal com a mistura, para se evitar um processo de intoxicação. As demais misturas, sobretudo as múltiplas, requerem atenção especial no processo de armazenamento, evitando-se a umidade excessiva, a chuva e o sol.

Avaliação de misturas (fórmulas) minerais

Visando subsidiar os produtores na avaliação qualitativa e quantitativa dos suplementos minerais disponíveis no mercado, as empresas fabricantes, por lei, são obrigadas a exibirem nas embalagens dos produtos a garantia de concentração dos elementos constituintes das misturas. Isso é feito em termos de grama (g) para os macroelementos, e miligrama (mg) para os microelementos, por quilograma (kg) do produto comercializado. A apresentação do teor de flúor também é exigida, pela toxicidade desse elemento, servindo para avaliar a qualidade da fonte de fósforo usada.

Considerando-se a sua importância biológica e o seu elevado custo, o fósforo é um dos mais importantes critérios de comparação das misturas minerais. Para as condições das pastagens tropicais, consideram-se aceitáveis, em misturas prontas para uso, concentrações de fósforo entre 70 a 100 g por quilograma do produto. No entanto, quanto maior for a participação do sódio (Na) ou do cloreto de sódio (Na Cl) ou sal de cozinha, que expressam a parte mais barata das fórmulas, menor deverá ser o seu preço.

Com respeito aos outros elementos, especialmente os microelementos, deve-se ficar alerta com o seu potencial em atender as exigências diárias dos animais, o que vai depender, principalmente, do seu conteúdo, do conteúdo de sal de cozinha (cujo aumento restringe o consumo da mistura) e do tipo de fonte de fósforo e cálcio, das quais algumas inibem o consumo, como os fosfatos naturais.

Também, é exigida a relação de todas as fontes dos elementos minerais que constituem a fórmula comercializada. A utilização pelos animais das fontes de um mesmo elemento (ou seja, a sua biodisponibilidade) pode variar grandemente e afetar a qualidade da mistura.

No caso dos concentrados minerais, que exigem uma diluição geralmente no sal de cozinha antes de seu fornecimento, a concentração dos constituintes é base para a avaliação do custo do produto. Porém, a análise de seu potencial biológico só será possível após realizada a diluição recomendada pelo fabricante, quando então, os mesmos critérios usados para as misturas prontas deverão ser aplicados.

Fornecimento de minerais ao gado

As formulações minerais são calculadas visando ao suprimento diário das exigências minerais, geralmente por meio de uma mistura única e completa. Por isso, há necessidade dos animais terem acesso diário, à vontade, à mistura.

Consumo da mistura

Em rebanhos não-acostumados a receber sal mineral, o consumo da mistura nos primeiros dias é geralmente alto. Após os primeiros dias de ajuste, esse consumo se normaliza, ficando em função inversa da proporção de sal de cozinha, considerado como atrativo e regulador do consumo dos outros minerais. Como o apetite do animal por esse sal tem um limite, quanto maior a proporção do sal de cozinha, menor será o consumo da mistura. Por exemplo, numa mistura contendo 50% de sal de cozinha, a quantidade diária ingerida por um animal adulto, ficará entre 50 a 60 g, desde que a mistura não contenha farinha-de-ossos, ingrediente que tende a aumentar a ingestão.

Existe diferença nas necessidades de minerais do rebanho em razão da estação do ano. Dessa maneira, na estação seca, quando a alimentação é deficiente e a suplementação alimentar não é feita, pode-se restringir o fornecimento da mistura, para se evitar um baixo aproveitamento. Na estação chuvosa, quando há exuberância de forragem, os animais devem ter acesso aos minerais à vontade. A freqüência ideal de abastecimento dos cochos não deve ultrapassar 4 dias, para evitar o empedramento da mistura.

Cochos de sal

Como a chuva solubiliza parte dos componentes da mistura, os cochos devem ser devidamente cobertos. Também, devem ser em número suficiente e ter uma altura que facilite o acesso dos animais menores. As dimensões devem ser em razão do número de animais a ser suplementado, considerando-se um intervalo de abastecimento de, no máximo, 1 semana. A soma do comprimento de todos os cochos disponíveis deve ser suficiente para permitir o acesso simultâneo, de cerca de 10% dos animais, onde cada animal adulto requer um espaço de 40 a 50 cm de um dos lados do cocho. Dessa maneira, um lote de 200 animais requererá um cocho de 4 a 5 m de comprimento ou 2 cochos, cada um com 2 a 2,5 m. Dois modelos de cochos são mostrados na Fig. 1.

Ilustração: Jonas Veiga

Fig. 1. Detalhes de cochos cobertos: A - cocho sem proteção lateral, B - cocho com proteção lateral e C - seção lateral do compartimento.

A melhor localização dos cochos é determinada pelo hábito dos animais, procurando-se colocá-los nos locais de maior freqüência, para facilitar o consumo. O piso em torno dos cochos deve ser aterrado e compactado, para evitar a formação de atoleiros.

 
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