Embrapa Algodão
Sistemas de Produção,  4 - 2a. edição
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Set/2006

Cultivo da Mamona

Autores

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Características do óleo
Clima e solo
Adubação
Cultivares
Plantio
Sistema de cultivo e espaçamento
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita
Beneficiamento
Sub-produto: torta
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Doenças

Mofo-Cinzento

É a principal doença da mamoneira, sendo particularmente destrutiva quando o período de floração ou frutificação de uma cultivar suscetível coincide com condições climáticas ótimas ao desenvolvimento da doença (alta umidade e temperatura em torno de 25 C). O agente etiológico do mofo-cinzento da mamoneira é o fungo Amphobotrys ricini, que afeta a planta em qualquer estágio de seu desenvolvimento, causando, inicialmente, pequenas manchas de coloração azulada, principalmente sobre inflorescências e cachos (Fig. 1). Em condições climáticas favoráveis, o fungo se desenvolve sobre os tecidos da planta e, em contato com algumas de suas partes, produz novos pontos de infecção; com o tempo, porém, as novas inflorescências ou frutos em desenvolvimento afetados apodrecem e adquirem tonalidade escura e, ao serem tocados, liberam esporos em grande quantidade. O patógeno afeta o teor de óleo e a qualidade das sementes e a sua dispersão ocorre pelo vento, insetos e sementes contaminadas. O ciclo primário da doença ocorre em poucas cápsulas do primeiro cacho. A partir dessas infecções, o fungo se multiplica gerando o inóculo para os demais ciclos. As estratégias de manejo devem ser implementadas visando ao retardamento do início da epidemia e/ou a redução da taxa de progresso da doença; para tanto, a escolha de cultivares com maior nível de resistência genética, eliminação de mamoneiras voluntárias (hospedeiras do patógeno) e uso de fungicidas podem ser empregados. A última tática é recomendada quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento do patógeno e os níveis de infecção são baixos, de preferência antes que ocorra a sua esporulação.

 

Murcha-de-Fusarium

A murcha-de-fusarium, dependendo das condições edafoclimáticas, da densidade de inóculo do patógeno no solo e do nível de resistência da cultivar, poderá causar sérios danos à cultura da mamoneira. Fusarium oxysporum f. ricini, agente etiológico da doença, é um fungo habitante do solo, que vive saprofiticamente em restos de cultura e pode sobreviver na forma de clamidósporos. Os sintomas da doença são a perda de turgescência, áreas irregulares de coloração amarela na superfície foliar, que se tornam necrosadas, podendo induzir à queda de folhas (Fig. 2). Um sintoma típico da doença é o escurecimento dos vasos da planta. A dispersão de F. oxysporum f. sp. ricini ocorre por meio do transporte de partículas de solo contaminado. Em função do agente causal da doença ser transmitido por sementes, é aconselhável o tratamento das sementes com o intuito de eliminar ou reduzir o inóculo associado às sementes, evitando-se, desta forma, a introdução do patógeno em áreas isentas; recomenda-se também a rotação de culturas e a eliminação dos restos culturais para reduzir a densidade de inóculo do patógeno no solo.

 

Mancha Foliar Bacteriana

O agente etiológico desta doença é a bactéria Xanthomonas campestris pv. ricini, cujos sintomas na planta de mamoneira são caracterizados por pequenas manchas nas folhas. Inicialmente apresenta aspecto aquoso e coloração verde-escura a castanha- escura; as lesões foliares podem coalescer, causando necrose em extensas áreas da folha, resultando no desfolhamento prematuro da planta (Fig. 3). Temperaturas e umidade relativa elevadas são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. A dispersão do patógeno acontece principalmente pela água, vento e sementes contaminadas. Recomenda-se, no manejo, a utilização de sementes sadias provenientes de campos isentos da doença e o uso de cultivares resistentes.

 

Podridão do Tronco

Esta doença ocorre em vários países do mundo. No Brasil, foi constatada recentemente na Bahia, sendo considerada a principal doença da mamoneira nesse Estado; seu agente etiológico é o fungo Macrophomina phaseolina, responsável por causar doenças em mais de 300 culturas de importância econômica. Os sintomas da podridão do tronco da mamoneira são: amarelecimento das folhas e murcha da planta, assemelhando-se, externamente, à murcha causada por Fusarium oxysporum f. sp. ricini, com necrose parcial ou total da raiz; com o decorrer do tempo, a podridão evolui da raiz em direção ao caule, tornando-o parcial ou totalmente enegrecido (Fig. 4). Baixa umidade do solo e alta temperatura são as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. A fonte primária de inóculo no solo é constituída pelos esclerócios, os quais sobrevivem por longo tempo em restos de cultura, germinando e infectando novas populações de plantas, quando as condições são favoráveis.

 

Podridão-do-Caule ou Podridão-dos-Ramos

Esta doença é causada pelo fungo Lasiodplodia theobromae, que ocorre principalmente em tecidos injuriados de plantas submetidas a algum tipo de estresse. No Brasil, a podridão do caule e dos ramos da mamoneira foi constatada, pela primeira vez, na região de Irecê, Estado da Bahia. Seus sintomas são caracterizados sobretudo por necrose dos tecidos, que evolui para a podridão, seca e morte do caule e/ou dos ramos; sobre a superfície do tecido afetado podem ser encontrados picnídios do fungo (Fig. 5). O estado nutricional da planta e as condições climáticas, principalmente estresses por deficiência hídrica, são, possivelmente, os principais fatores responsáveis pela predisposição da planta à doença.

 

Mancha-de-Cercospora

A mancha-de-cercospora é causada pelo fungo Cercospora ricinella, cujos sintomas na planta de mamoneira são caracterizados por manchas foliares de formato arredondado, com o centro claro e bordas de cor castanha (Fig. 6). A doença é favorecida por condições de alta umidade relativa. Sobre a área do tecido foliar necrosado, normalmente são produzidos esporos do fungo, os quais são dispersos pela água da chuva, vento e insetos. O fungo também pode ser disperso por meio de sementes.

 

Mancha-de-Alternaria

A mancha-de-alternária, causada pelo fungo Alternaria ricini, tem ocorrido de forma generalizada nas regiões produtoras de mamona no Brasil, porém não é de grande importância econômica; entretanto, nos Estados Unidos e na Índia tem ocasionado perdas de até 85% na produção. Os sintomas da mancha-de-alternária nas folhas são lesões foliares de coloração parda, de formato irregular, podendo formar anéis concêntricos que podem coalescer com a evolução da doença e, em casos mais severos, causar a desfolha das plantas (Fig. 7); os frutos afetados tornam-se marrom-escuro e podem murchar, havendo necrose do pedicelo e má formação da semente, podendo também causar tombamento de plântulas. A doença é mais severa em condições de temperatura e umidade elevadas, em que ocorre intensa esporulação do patógeno sobre os tecidos do hospedeiro. O agente causal da mancha-de-alternária pode ser disperso no campo de cultivo por meio do vento, da chuva e de sementes contaminadas.

                          Foto: Nelson Dias Suassuna
                                Fig. 1. Sintomas do mofo cinzento.

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                    Foto: Fernando A. S. Batista
                          Fig. 2. Sintomas de murcha-de-fusarium.

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                       Foto: Nelson Dias Suassuna
                             Fig. 3. Sintomas da mancha foliar bacteriana.

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                        Foto: Waltemilton Vieira Cartaxo
                              Fig. 4. Sintomas da podridão-do-tronco.

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                                       Foto: Fernando A. S. Batista
                                            Fig. 5. Sintomas da podridão-dos-ramos.

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Foto: Fernando A. S. Batista
 Fig. 6. Sintomas de mancha-de-cercospora.

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Foto: Nelson Dias Suassuna
 Fig. 7. Sintomas de mancha-de-alternaria.


 

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