Embrapa Algodão
Sistemas de Produção,  4 - 2a. edição
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Set/2006

Cultivo da Mamona

Rosa Maria Mendes Freire

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Características do óleo
Clima e solo
Adubação
Cultivares
Plantio
Sistema de cultivo e espaçamento
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita
Beneficiamento
Sub-produto: torta
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Características do óleo

O teor de óleo das sementes de mamona pode variar de 35 a 55% (VIEIRA et al., 1998), mas a maior parte das cultivares plantadas comercialmente no Brasil possuem teor de óleo variando entre 45% e 50% (FREIRE et al., 2006). Cerca de 90% do óleo é composto por triglicerídio, principalmente da ricinoleína, que é o componente do ácido ricinoléico, cuja fórmula molecular é (C17H32OHCOOH). O ácido ricinoléico tem ligação insaturada e pertence ao grupo dos hidroxiácidos e se caracteriza por seu alto peso molecular (298) e baixo ponto de fusão (5oC). O grupo hidroxila presente na ricinoleína confere, ao óleo de mamona, a propriedade exclusiva de solubilidade em álcool (WEISS, 1983; MOSHKIN, 1986).

A principal razão para a grande demanda mundial pelo óleo de mamona são suas formas de utilização, como hidrogenado, desidratado e oxidado; base dos mais diversos produtos industriais.

As principais reações químicas do óleo de mamona, em ordem de importância mundial, segundo ICOA (2005) são: pirólise para produção do Nylon, hidrogenação, desidratação, fusão cáustica para produção do ácido sebácico, ácido unidecilênico e heptaldeído (ambos subprodutos da pirólise), sulfonação, alcoxilação, oxidação/polimerização, esterificação, dimerização (da desidratação) e outras.

Atualmente, uma das reações químicas do óleo de mamona de maior destaque, é a de produção do BIODIESEL, que é um derivado de óleo da mamona ou outro óleo qualquer, com propriedades similares ao diesel (do petróleo). É produzido por reação de 1 molécula de óleo + 3 de álcool (etanol ou metanol) produzindo 3 moléculas de biodiesel + 1 de glicerina, reação do método mais usado, a transesterificação alcalina; entretanto, conforme a Petrobrás, há outras metodologias, como: esterificação ácida, craqueamento termocatalítico, hidrotratamento-rota semente-Petrobrás 2001 (H-BIO-Petrobrás-2006) e transesterificação “in situ”.

O óleo bruto é de coloração palha-claro que, ao ser refinado, fica quase incolor, com odor característico. É solúvel em solventes, como etanol, metanol, éter, clorofórmio e no ácido acético glacial. Segundo Ribeiro Filho (1966) sua solubilidade no álcool, com cerca de 44ºCartier, possibilita o uso do álcool como combustível, sem causar ressecamento nos motores a explosão. As características físico-químicas e a composição em ácidos graxos do óleo de mamona podem ser observadas nas Tabelas 1 e 2.

O principal ácido graxo da mamona é o ácido ricinoléico (12-hidroxi-9-octadecenóico) formado pela adição de uma hidroxila (OH) ao 12º carbono do ácido oléico, o que lhe confere atributo particular de comportamento e aplicações, bem como versatilidade nas reações químicas, possibilitando, assim, a geração de uma grande variedade de produtos, desde cosméticos a lubrificantes de motores a jato. A quantidade total de ácidos graxos insaturados, incluindo o ricinoléico, responde por cerca de 97% ou mais. Ácidos graxos saturados constam nas sementes, na concentração de 2,3 a 3,6%. Ocorre, também, uma notável correlação negativa entre a quantidade de ácido ricinoléico e o conteúdo de óleo das sementes.

Inúmeros produtos derivados do óleo de mamona, podem ser obtidos, alguns são citados a seguir: tintas, vernizes, óleo secativo, solventes, nylon, lubrificantes, fluidos hidráulicos, plastificantes, graxas especiais, espumas, cosméticos, resinas alquídicas, ceras, emulsificantes, próteses (FREIRE et al., 2006).

Existem vários métodos de extração de óleos vegetais, que misturam processos mecânicos e químicos, o método mais antigo e menos eficiente, é o de prensagem mecânica (ou pressão descontínua); o de pressão contínua ou o “expeller”; o de extração por solventes; o associado expeller-solvente, que possibilita a obtenção de tortas de melhor qualidade protéica, devido ao menor tempo de exposição à temperatura elevada e a apresentar teor de óleo menor ou igual a 1%. Na Figura 1 é apresentado um fluxograma do processo de extração do óleo da mamona.

A medição do teor de óleo na semente de mamona pode ser feita por gravimetria (RANDALL, 1974, AOCS, 1976) ou por Ressonância Magnética Nuclear (OXFORD, 1995).



Tabela 1. Especificações internacionais do óleo de mamona.

Especificações

British Standard
First Quality*

U.S. Nº 1

A.O.C.S.

Índice de acidez

4 máx.

3 máx

4 máx.

Índice de saponificação

177-187

179-185

176-187

Índice de iodo-Wijs

82-90

82-88

81-91

Índice de R-M

-

-

abaixo de 0,5

Índice de Polenske

-

-

abaixo de 0,5

Índice de acetila

140 mín.

-

144-150

Índice de hidroxila #

156

-

161-169

Insaponificáveis (%)

1,0 máx.

0,5 máx.

abaixo  de 1

Índice de refração, 20ºC

1,477-1,481

-

1,473-1,477

Índice de refração, 40ºC

-

-

1,466-1,473

Gravidade específica a 15,5/15,5ºC

0,958-0,969

0,961-0,963

0,958-0,968

Viscosidade a 25ºC **

-

U ±1/2

-

Cor

2,2Y-0,3R máx.§

3 máx. @

-

Temperatura crítica da solução em etanol

abaixo de 0ºC

-

-


Fonte: Weiss, 1983b
* BSS Indiano e BSS Brasileiro, conforme as especificações  ** Gardner-Holdt        @ Gardner.
# Índice de hidroxila correspondendo ao acetílico dado.
§ Medido em 1, na célula, escala de cor de Lovibond 

Nota: Graus de especificações comumente reconhecidos internacionalmente, primeiros graus normalmente, sendo produzidos por pressagem a frio e outros graus extraídos de torta prensada  e resíduos similares




Tabela 2. Variação do teor de ácidos graxos no óleo de mamona.

Ácidos Graxos

(%)

Ácido ricinoléico

84-91

Ácido oléico

3,1-5,9

Ácido linoléico

2,9-6,5

Ácido esteárico

1,4-2,1

Ácido palmítico

0,9-1,5

Fonte: Moshkin, 1986, modificado pelo autor



Fig. 1. Fluxograma do processo de extração do óleo de mamona

 

Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610.

Topo da Página