Embrapa Algodão
Sistemas de Produção,  4 - 2a. edição
ISSN 1678-8710 Versão Eletrônica
Set/2006

Cultivo da Mamona

Rosa Maria Mendes Freire
Márcia Barreto de Medeiros Nóbrega

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Características do óleo
Clima e solo
Adubação
Cultivares
Plantio
Sistema de cultivo e espaçamento
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita
Beneficiamento
Sub-produto: torta
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente


Sub-produto: torta

O principal co-produto da mamona é a torta, mas também pode se incluir a casca do fruto.

Na Tabela 1 encontram-se os teores de umidade (U), óleo (O), proteína (Pr), cinzas (Cz), nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) da torta de mamona, cultivar BRS Nordestina. A umidade encontrada (8,31%) é um valor considerado satisfatório, sendo favorável ao armazenamento. Verificou-se alto teor de proteína bruta (28,74%). 

O principal uso da torta de mamona desengordurada (farelo) é como adubo orgânico. Apesar de apresentar um alto teor de proteínas, não se recomenda seu uso  para ração animal, uma vez que ela apresenta três fatores antinutricionais, uma proteína tóxica denominada ricina, um conjunto de proteínas alergênicas conhecidas por CB-1A e um alcalóide de baixa toxidez chamado ricinina. Embora possa se obter valor significativamente maior, quando utilizada como alimento animal, este uso não tem sido possível, até o presente, devido à inexistência de tecnologia viável, em nível industrial, para o processo da destoxicação (SEVERINO, 2005).

Devido à limitação tecnológica de transformar a torta de mamona em ração animal, além de adubo orgânico, o produto possui importante atividade nematicida, podendo ser usado no controle de nematóides fitoparasitas, o que tem sido demonstrado por pesquisadores da área. Alguns estudos também demostram a rapidez com que a torta de mamona se mineraliza e, conseqüentemente, disponibiliza seus nutrientes. A  velocidade de mineralização da torta de mamona, medida pela respiração microbiana, é cerca de seis vezes mais rápida que a de esterco bovino e quatorze vezes mais rápida que a do bagaço de cana.

Na Tabela 2, observa-se a variação na composição dos macro e microelementos minerais, além de outras características de importância, existentes na torta da mamona.

Como ainda não existe um processo para destoxicação da torta de mamona que seja viável em nível industrial, mas em nível experimental sua destoxicação é facilmente obtida por tratamentos térmicos, como a autoclavagem. Uma torta de mamona destoxicada chamada Lex Protéico já foi comercializada no Brasil na década de 60 pela empresa SANBRA. No entanto o processo de produção foi suspenso pela dificuldade no controle da eficiência do processo de destoxicação, ocasionando a liberação de lotes do produto ainda tóxicos que podiam causar morte de animais (Severino, 2005).

Diversas pesquisas foram realizadas com o fornecimento de torta de mamona destoxicada para alimentação de animais, obtendo-se resultados satisfatórios como ração de ruminantes. No entanto, para a alimentação de monogástricos (aves, suínos, peixes, eqüinos etc) a torta de mamona não pode ser fornecida como única fonte de proteínas, pois apresenta carência em dois aminoácidos essenciais, Lisina e Triptofano, conforme apresentado na Tabela 3, em comparação com o farelo de soja.

Tabela 1. Composição química da torta de mamona, cultivar BRS Nordestina.

Componente

Porcentagem

Umidade

8,13

Oléo

13,10

Proteína

28,74

Cinza

12,11

Nitrogênio

4,60

Fósforo

3,00

Potássio

0,96

Fonte: Dados obtidos pelo Lab.de Química da Embrapa Algodão..


Tabela 2. Composição mineral e outras características da torta de mamona.

Macronutrientes (%)

 

Nitrogênio (N)

4 a 6

Fósforo (P2O5)

0,7 a 2,0

Potássio (K2O)

1,0 a 2,0

Cálcio (CaO)

0,5 a 1,8

Magnésio (MgO)

0,5 a 0,9

Micronutrientes (ppm)

Zinco (Zn)

100 a 141

Cobre (Cu)

70 a 80

Manganês (Mn)

55 a 400

Ferro (Fe)

1.000 a 1.400

Boro (B)

80 a 100

Outras Características

Umidade

10%

Índice de acidez (pH)

6,0

Matéria Orgânica

92%

Relação C/N

6:1 a 10:1

 

Tabela 3. Composição percentual em aminoácidos na torta de mamona destoxicada e no farelo de soja.

Aminoácido

Torta de Mamona

Farelo de Soja

Mamona em relação a soja

Arginina

3,505

2,563

+26,9%

Lisina

0,669

2,549

-281,0%

Metionina

0,633

0,663

-4,7%

Cistina

0,433

0,583

-34,6%

Triptofano

0,086

0,66

-667,4%

Histidina

0,564

0,785

-39,2%

Leucina

2,816

3,426

-21,7%

Isoleucina

1,89

1,947

-3,0%

Fenilalanina

1,775

2,005

-13,0%

Treonina

1,224

1,772

-44,8%

Valina

2,429

2,341

+3,6%

Fonte: Benesi (1979) citado por Freire et al. (2006).


 

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