Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 11
ISSN 1806-9207 - Versão Eletrônica
Novembro/2007
Sistema de Produção da Mamona
Marcos Silveira Wrege

Apresentação
Introdução e importância econômica

Necessidades climáticas

Ambiente edáfico para a mamoneira

Correção do solo e adubação
Botânica
Cultivares

Estabelecimento da lavoura

Práticas culturais
Manejo integrado de doenças
Principais pragas da mamona e seu manejo
Manejo de plantas daninhas
Colheita

Secagem

Produção de sementes de mamona

Co-produtos da mamona
Torta de mamona
Aspectos econômicos da mamona
Sistemas de produção e coeficientes técnicos da mamona no RS
Referências
Glossário

Expediente 

Necessidades climáticas


Radiação solar


A mamona é considerada uma planta de dias longos, embora se adapte bem às regiões com fotoperíodos curtos, desde que não sejam inferiores a nove horas. Seu melhor desenvolvimento ocorre em áreas com boa insolação, com pelo menos 12 horas de sol por dia. Dias longos favorecem a formação de flores femininas, enquanto os curtos favorecem as masculinas.


Temperatura


A mamona (Ricinus communis L.) é uma espécie de origem tropical, proveniente do Leste da África. Ocorre em todo o Brasil, sendo adaptada aos mais diversos locais.
A temperatura ideal para o desenvolvimento da cultura é de 20ºC a 30ºC e a temperatura ótima é de 23ºC. Temperaturas altas na fase de floração, maiores que 40ºC, podem provocar a senescência das flores, prejudicando a produção de frutos. Nesta situação, também ocorre a reversão sexual das flores, aumentando a quantidade das masculinas e diminuindo a de femininas, reduzindo a quantidade de óleo. Por outro lado, temperaturas médias do ar inferiores a 10ºC podem inviabilizar o pólen, impedindo, também, a produção de sementes.
Na região Sul do Brasil, como nas demais regiões do País, é viável o cultivo da mamona, desde que a semeadura seja feita nos períodos livres de geada. Não é recomendada sua semeadura em zonas com altitudes maiores que 1000 metros, pois o risco de geadas é maior e não há tempo suficiente para a espécie completar o ciclo, que é de, no mínimo, 120 dias. Nas zonas com menos de 1000 metros, a mamona encontra condições ótimas para o desenvolvimento, no período do ano em que as temperaturas do ar são mais elevadas, devendo-se, contudo, evitar as baixadas, onde se formam bolsões de ar frio. As encostas de matas ou os quebra-ventos muito fechados favorecem, também, o aprisionamento de ar frio, impedindo-o de escoar para as zonas mais baixas (Figura 1). Os quebra-ventos bem conduzidos, cujos ramos mais baixos são cortados, permitem o escoamento do ar frio, impedindo que a geada cause danos maiores (Figura 2), diminuindo, inclusive, a ocorrência da geada negra, causada por ventos fortes nos dias muito frios.
A melhor face de exposição é a norte, onde a planta recebe maior radiação e são menos comuns as geadas tardias de primavera.
As melhores épocas de semeadura ocorrem quando o risco de geada é menor (Figura 3), iniciando-se, no Rio Grande do Sul, em 11 de setembro no Vale do Uruguai, indo até 21 de outubro nas regiões de maior altitude. O final da época de semeadura também é limitado pelo risco de geadas no final do ciclo, devendo ocorrer, no máximo, até 31 de dezembro. Para algumas regiões (onde as primeiras geadas do ano ocorrem mais cedo), a data final deve ser 20 de dezembro.

Foto: Marcos Wrege

Fig. 1 Cultura da mamona implantada próxima à mata densa.

Foto: Marcos Wrege

Fig. 2 Quebra-vento com árvores bem espaçadas.

Foto: Marcos Wrege

Fig. 3 Datas prováveis de início e final de semeadura da mamona com baixo risco de geadas no Estado do Rio Grande do Sul.


Necessidades hídricas

A mamona é considerada tolerante à seca, provavelmente devido ao sistema radicular bem desenvolvido. Não é recomendada sua semeadura em solos rasos, onde o rendimento é limitado. O período de maior demanda de água fica compreendido entre a brotação e a floração, em que são requeridos, pelo menos, 400 mm (Távora, 1982). A falta de água, nessa última fase, pode comprometer a formação de frutos.
A mamona pode atingir rendimento superior a 1500 kg.ha-1 em zonas com precipitação pluvial acumulada maior que 700 mm (Beltrão e Silva, 1999; Weiss, 1983). No semi-árido do Nordeste, tem-se alcançado produtividades de 500 kg.ha-1, sem uso de irrigação. A zona mais crítica no Rio Grande do Sul é a Fronteira Oeste, onde os riscos de déficit hídrico chegam a 80%, quando se consideram déficits de até 20 mm. O risco é menor na Metade Norte do Estado.
Nas épocas recomendadas para semeadura, quanto mais cedo esta for efetuada, maior a probabilidade de haver água disponível no solo. À medida em que se atrasa a semeadura, a partir do início do período recomendado, menor a probabilidade de haver água disponível para a cultura, podendo reduzir a produtividade, embora a planta apresente tolerância à seca.
Na fase compreendida entre a floração e a maturação dos frutos, a umidade relativa do ar deve ser baixa, caso contrário, pode favorecer o desenvolvimento de doenças, principalmente se a condição de umidade elevada estiver associada a temperaturas baixas, favorecendo a ocorrência do mofo-cinzento (Botrytis ricini).
A colheita não deve ser feita em um período chuvoso, pois se a chuva for intensa, pode provocar queda de frutos maduros.

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