Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistemas de Produção, 7
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da mandioca na região centro sul do Brasil
Chigeru Fukuda
Auro Akira Otsubo

Início

Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Mudas e sementes
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Solos
Preparo do solo
Adubação
Amostragem de Terra

Calagem
Adubação
Contribuição da micorriza arbuscular no crescimento da mandioca
Conservação do solo


Como o principal produto da mandioca são as raízes, ela necessita de solos profundos e friáveis (soltos), sendo ideais os solos arenosos ou de textura média, por possibilitarem um fácil crescimento das raízes, pela boa drenagem e pela facilidade de colheita. Os solos muito argilosos devem ser evitados, pois são mais compactos, dificultando o crescimento das raízes, apresentam maior risco de encharcamento e de apodrecimento das raízes e dificultam a colheita, principalmente se ela coincide com a época seca. Os terrenos de baixada, com topografia plana e sujeitos a encharcamentos periódicos, são também inadequados para o cultivo da mandioca, por provocarem um pequeno desenvolvimento das plantas e o apodrecimento das raízes. É importante observar o solo em profundidade, pois a presença de uma camada argilosa ou compactada imediatamente abaixo da camada arável pode limitar o crescimento das raízes, além de prejudicar a drenagem e a aeração do solo.

Com relação à topografia, deve-se buscar terrenos planos ou levemente ondulados, com declividade de até 5%, podendo ir até 10%. Em ambos os casos, deve-se utilizar práticas conservacionistas do solo, pois os plantios de mandioca estão sujeitos a acentuadas perdas de solo e água por erosão.

A faixa favorável de pH é de 5,5 a 7, sendo 6,5 o ideal, embora a mandioca seja menos afetada pela acidez do solo do que outras culturas. Ela produz muito bem em solos de alta fertilidade, embora rendimentos satisfatórios sejam obtidos em solos degradados fisicamente e com baixos teores de nutrientes, onde a maioria dos cultivos tropicais não produziria satisfatoriamente. Os solos de cerrado, desde que melhorados por calagem e adubações, oferecem condições ótimas ao cultivo da mandioca.

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Preparo do solo

Além do controle do mato, o preparo do solo visa melhorar as suas condições físicas para a brotação das manivas e crescimento das raízes e, conseqüentemente, das partes vegetativas, pelo aumento da aeração e infiltração de água e redução da resistência do solo ao crescimento radicular.

Se for necessário desmatamento e destoca para a instalação do mandiocal, quando feitos mecanicamente, deve-se evitar muita movimentação da camada superficial do solo, pela desestruturação que causa compactação, além de remover a matéria orgânica; quando feitos manualmente, no caso de áreas para pequenos plantios, esses problemas são mínimos. Em ambos os casos, deve-se deixar faixas de vegetação natural na área, bem como efetuar o enleiramento em nível ("cortando" as águas) dos restos vegetais que não apresentem valor econômico e que não justifiquem a sua retirada do terreno desmatado.

O preparo do solo deve ser o mínimo possível, apenas o suficiente para a instalação da cultura e para o bom desenvolvimento do sistema radicular, e sempre executado em curvas de nível, orientação esta que também deve ser seguida no plantio. A aração deve ser na profundidade de 40 cm e, 30 dias depois, executadas duas gradagens em sentido cruzado, a segunda em curva de nível, deixando-se o solo bem destorroado para ser sulcado e plantado. Nos plantios em fileiras duplas pode-se executar o preparo do solo apenas nas linhas duplas de plantio. No caso de pequenos produtores, o preparo do solo manual restringe-se à limpeza da área, coveamento e plantio.

Vale lembrar que o solo deve ser revolvido o mínimo possível: deve-se prepará-lo de modo que não fique nem muito úmido, nem muito seco, com umidade suficiente para não levantar poeira nem aderir aos implementos. Além disso, devem ser alternardos o tipo de implemento (por exemplo, arado de discos, arado de aiveca etc.) e a profundidade de trabalho, usando-se máquinas e implementos o menos pesado possível, e deve-se acompanhar as curvas de nível do terreno, deixando-se o máximo de resíduos vegetais na superfície.

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Adubação

A mandioca absorve grandes quantidades de nutrientes e praticamente exporta tudo o que foi absorvido, quase nada retornando ao solo sob a forma de resíduos culturais: as raízes tuberosas são destinadas à produção de farinha, fécula e outros produtos, bem como para a alimentação humana e animal; a parte aérea (manivas e folhas), para novos plantios, alimentação humana e animal. Em média, para uma produção de 25 toneladas de raízes + parte aérea de mandioca por hectare são extraídos 123 kg de N, 27 kg de P, 146 kg de K, 46 kg de Ca e 20 kg de Mg; assim, a ordem decrescente de absorção de nutrientes é a seguinte: K > N > Ca > P > Mg.

Os sintomas de deficiência e de toxidez de nutrientes em mandioca são apresentados na Tabela 7.

Tabela 7. Sintomas de deficiência e de toxidez de nutrientes em mandioca.

Nutrientes
Sintomas de deficiência
N
crescimento reduzido da planta; em algumas cultivares ocorre amarelecimento uniforme e generalizado das folhas, iniciando nas folhas inferiores e atingindo toda a planta.
P
crescimento reduzido da planta, folhas pequenas, estreitas e com poucos lóbulos, hastes finas; em condições severas ocorre o amarelecimento das folhas inferiores, que se tornam flácidas e necróticas e caem; diferentemente da deficiência de N, as folhas superiores mantêm sua cor verde escura, mas podem ser pequenas e pendentes.
K
crescimento e vigor reduzido da planta, entrenós curtos, pecíolos curtos e folhas pequenas; em deficiência muito severa ocorrem manchas avermelhadas, amarelecimento e necrose dos ápices e bordas das folhas inferiores, que envelhecem prematuramente e caem; necrose e ranhuras finas nos pecíolos e na parte superior das hastes.
Ca

crescimento reduzido da planta; folhas superiores pequenas, com amarelecimento, queima  e deformação dos ápices foliares; escassa formação de raízes.

Mg
clorose inter-nerval marcante nas folhas inferiores, iniciando nos ápices ou bordas das folhas e avançando até o centro; em deficiência severa as margens foliares podem tornar-se necróticas; pequena redução na altura da planta.
S
amarelecimento uniforme das folhas superiores, similar ao produzido pela deficiência de N; algumas vezes são observados sintomas similares nas folhas inferiores.
B
altura reduzida da planta, entrenós e pecíolos curtos, folhas jovens verdes escuras, pequenas e disformes, com pecíolos curtos; manchas cinzas, marrons ou avermelhadas nas folhas completamente desenvolvidas; exsudação gomosa cor de café nas hastes e pecíolos; redução do desenvolvimento lateral da raiz.
Cu
deformação e clorose uniforme das folhas superiores; ápices foliares tornam-se necróticos e as margens das folhas dobram-se para cima ou para baixo; pecíolos largos e pendentes nas folhas completamente desenvolvidas; crescimento reduzido da raiz.
Fe
clorose uniforme das folhas superiores e dos pecíolos, os quais se tornam brancos em deficiência severa; inicialmente as nervuras e os pecíolos permanecem verdes, tornando-se de cor amarela-pálida, quase branca; crescimento reduzido da planta; folhas jovens pequenas, porém em formato normal.
Mn
clorose entre as nervuras nas folhas superiores ou intermediárias completamente expandidas; clorose uniforme em deficiência severa; crescimento reduzido da planta; folhas jovens pequenas, porém em formato normal.
Zn
manchas amarelas ou brancas entre as nervuras nas folhas jovens, as quais com o tempo tornam-se cloróticas, com lóbulos muito pequenos e estreitos, podendo crescer agrupadas em roseta; manchas necróticas nas folhas inferiores; crescimento reduzido da planta.
Nutrientes 
Sintomas de toxidez

Al

redução da altura da planta e do crescimento da raiz; amarelecimento entre as nervuras das folhas velhas sob condições severas.
B
manchas brancas ou marrons nas folhas velhas, especialmente ao longo dos bordos foliares, que posteriormente podem tornar-se necróticas.
Mn
amarelecimento das folhas velhas, com manchas pequenas escuras de cor marrom ou avermelhada ao longo das nervuras; as folhas tornam-se flácidas e pendentes e caem no solo.

A adubação da mandioca prevê a reposição dos principais nutrientes extraídos pela cultura como cálcio, magnésio, nitrogênio, fósforo e potássio. O cálcio e o magnésio são adicionados em quantidade suficiente com o calcário. Quanto ao nitrogênio, a mandioca tem apresentado respostas pequenas a sua aplicação, em solos com baixos teores de matéria orgânica, embora ele seja o segundo nutriente absorvido em maior quantidade pela planta. Possivelmente, esse fato deve-se à presença de bactérias diazotróficas, fixadoras de nitrogênio atmosférico, no solo da rizosfera, nas raízes absorventes, nas raízes tuberosas e nas manivas da mandioca.

Embora o fósforo não seja extraído em grandes quantidades pela mandioca, a resposta da cultura à adubação fosfatada tem sido significativa em solos da Região de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, com aumentos expressivos de produtividade. Deve-se salientar que os solos brasileiros em geral, e em particular os cultivados com mandioca, normalmente classificados como marginais, são pobres nesse nutriente.

O potássio é o nutriente extraído em maior quantidade pela mandioca, sendo que a resposta da cultura à adubação potássica tem sido baixa nos primeiros cultivos, acentuando-se nos cultivos subseqüentes. Os solos cultivados apresentam normalmente teores baixos a médios deste nutriente, que vai se esgotando com cultivos sucessivos na mesma área. Quanto aos micronutrientes, foram realizados poucos estudos com a cultura da mandioca.

A calagem e adubação em mandioca devem ser definidas em função da análise química do solo, realizada com antecedência, para que haja tempo suficiente para aquisição dos insumos e para sua aplicação. Com a utilização de calcário e fertilizantes, estima-se a obtenção de um rendimento médio de 20 toneladas de raízes por hectare, sendo que a média nacional é de cerca de 13 t/ha. Adicionalmente, deve-se salientar que a eficiência dos corretivos e fertilizantes utilizados, principalmente dos adubos fosfatados, é incrementada por processos biológicos naturais como a micorriza arbuscular.

As recomendações para correção e adubação para a cultura da mandioca são feitas com base na análise do solo.

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Amostragem de Terra

Amostra é uma porção ou parte de um todo ou universo, que contém suas características ou propriedades, e serve para representá-lo (Ferreira & Cruz, 1988). Amostragem é o processo de se escolher os elementos (partes) de uma amostra, conforme o acaso (amostragem a esmo) ou segundo um método racional. É o meio pelo qual se obtém a amostra a ser analisada e que representa o todo.

Do ponto de vista da fertilidade, pode-se dividir as amostras em:

Amostra simples ou sub amostra ou fatia: é uma pequena quantidade de terra retirada ao acaso em uma área ou gleba uniforme ou homogênea.

Amostra composta ou amostra: é a reunião de várias amostras simples colhidas ao acaso dentro de uma área ou gleba uniforme, devidamente misturadas, com o fim de representá-la.

A amostra composta, formada pela reunião e mistura de várias amostras simples, é que deve possuir as características da área amostrada e que, portanto, será enviada ao laboratório para análise.


Obtenção de áreas ou glebas uniformes

Os critérios para obtenção de áreas ou glebas uniformes são: topografia ou declividade, cobertura vegetal ou cultura, cor do solo, tipo do solo ou textura, drenagem e, ainda, histórico de calagem e adubação.

a) Topografia: a situação do terreno exerce efeito nas perdas e acúmulo de terra (erosão) e na drenagem, o que constitui em um elemento de uniformidade ou desuniformidade do solo. O topo do terreno, em função do tipo de vegetação, fica sujeita a perdas por erosão; a encosta ou rampa é ainda mais susceptível a essas perdas; e a baixada é onde pelo menos parte do material carregado é acumulado. Em vista destas diferenças, deve-se dividir a propriedade agrícola em áreas que tenham mais ou menos a mesma posição topográfica.

b) Cobertura vegetal ou cultura: deve-se padronizar o tipo de cobertura vegetal ou culturas que tenham sido cultivadas na área, uma vez que as diferentes espécies vegetais apresentam exigências de pH do solo e nutricionais diferentes uma das outras.

c) Cor do solo: existem vários tipos de coloração do solo, passando por várias tonalidades. A cor do solo é determinada basicamente, pelo material de origem combinado com teores de matéria orgânica e água, diferenciando um tipo de solo ao outro. Dessa forma, as áras devem ser separadas segundo a cor que apresentam.

d) Textura: consiste na separação do solo em arenoso, argiloso ou misto.

e) Drenagem: consiste em diferenciar áreas que apresentem teor de umidade elevada e constante (mal drenadas) daquelas secas (bem drenadas).

f) Histórico de calagem e adubação: deve-se conhecer os antecedentes de cultivo da propriedade para então diferenciar áreas que tenham recebido aplicação de corretivo e adubação diferentes (no espaço e no tempo) e demarcá-las.


Procedimento de coleta de terra em uma área uniforme

Após divididas as áreas uniformes e a identificação de cada gleba, será feita a coleta da amostra. O caminhamento dentro da gleba deverá ser em zigue-zague de forma a percorrer toda a área (Figura 4). Devem ser coletadas ao acaso porções de terra de, no mínimo, 12 a 20 locais diferentes, independente do tamanho da área. A terra de cada um desses locais, portanto, uma amostra simples, deverá se colocada em vasilhas limpas. Depois, quando se tiver na mesma vasilha as 12 a 20 amostras simples, deverá ser feita a homogeneização para se retirar a amostra composta e acondicionar em caixas ou sacos plásticos.

Figura 4. Caminhamento tipo zigue-zague em glebas uniformes para amostragem de solo.

Profundidade

A profundidade para a retirada de amostra para a indicação de correção da acidez do solo e da fertilidade para o cultivo da mandioca é de 0-20cm.

Utensílios para a amostragem

Para se proceder à coleta da terra, podem ser utilizadas várias ferramentas e recipientes: trado de rosca, trado holandês, trado calador, enxadão, pá reta, cavadeira, colher de pedreiro, lata, balde de plástico, caixinha de papelão, etc (Figura 5). Dentre os equipamentos para a retirada de solo, os mais recomendados são os trados pela uniformidade de profundidade e volume de solo amostrado.

Figura 5. Utensílios empregados na amostragem de terra para análise química. a - trado holandês; b - trado de rosca; c - trado de caneco; d - martelo de borracha; e - trado calador; f - pá reta; g - enxadão; h - balde de plástico; i - saco plástico.

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Calagem

No Brasil, de modo geral, não se tem conseguido aumentos acentuados na produção da mandioca pela aplicação de calcário, confirmando a tolerância da cultura à acidez do solo. No entanto, após vários cultivos na mesma área, a planta pode responder à aplicação de calcário. Outro ponto é que a correção da acidez permite aumentar a disponibilidade de nutrientes considerados essenciais às plantas, além de fornecer alguns deles, como o cálcio e magnésio (terceiro e quinto nutrientes mais absorvidos pela cultura).

O calcário deve ser aplicado antes da aração e com antecedência de 45-60 dias do plantio. De preferência usar calcário dolomítico que, além do cálcio, contém bons teores de magnésio.

No Estado de São Paulo e em Mato Grosso do Sul têm sido verificado sintomas de deficiência de magnésio e zinco. A correção de deficiência de magnésio pode ser corrigida pela aplicação de calcário. Porém, a calagem deve ser feita de maneira muito criteriosa, especialmente em solos pobres em zinco, pois a disponibilidade deste se agrava com essa operação. Por essa razão, mesmo que as análises de solo indiquem a necessidade de mais de 2t/ha de calcário, recomenda-se não ultrapassar essa quantidade. Em geral, uma saturação em bases de 50-60% é suficiente para a mandioca. Assim, a necessidade de calcário (NC) pode ser calculada pela seguinte fórmula:

NC = T(V2-V1)/100 x f

Onde:

T = capacidade de troca catiônica (e.mg/100cm3 de T.F.S.A.)
V2 = saturação em bases desejada (50 a 60%)
V1 = saturação em bases do solo
f = 100/PRNT

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Adubação

a) adubação nitrogenada - A mandioca responde bem à aplicação de adubos orgânicos (estercos, tortas, compostos, adubos verdes e outros), que devem ser preferidos como fonte de nitrogênio. Esses adubos devem ser aplicados na cova, sulco ou a lanço, no plantio ou com alguns dias de antecedência para que ocorra a sua fermentação, como acontece com a torta de mamona. A adubação mineral é recomendada na dose de 40 kg ha-1 de N, com uréia ou sulfato de amônio. Essa aplicação deve ser efetuada em cobertura ao redor da planta, no período de 30 a 60 dias após a brotação das manivas, com o solo úmido.

b) adubação fosfatada e potássica - A recomendação é efetuada de acordo com a disponibilidade de fósforo e potássio mostrados na análise do solo. O método de análise normalmente utilizado na rotina para determinação desses nutrientes é o método de Mehlich 1, e a interpretação dos resultados da análise para fósforo é efetuada de acordo com o teor de argila do solo, conforme sugerido na Tabela 8.

    Tabela 8. Interpretação dos resultados da disponibilidade de fósforo e potássio, extraídos pelo método de Mehlich-1.

    Classe de Disponibilidade
    Fósforo
    Potássio
    > 60
    41-60
    21-40
    < 20% argila
    ---------------------- mg/dm3 -----------------------
    Muito baixa
    0-1
    0-3
    0–5
    0–6
    -
    Baixa
    1.1-2
    3.1-6
    5.1–10
    6.1–12
    <25
    Média
    2.1-3
    6.1-8
    10.1–14
    12.1–18
    25–50
    Alta
    >3
    >8
    >14
    >18
    >50

Sistema Internacional de Unidades

Recentemente, os laboratórios de solos passaram a adotar o Sistema Internacional de Unidades para expressar os resultados das análises de solo e tecido foliar. Por essa razão, deve-se atentar para os fatores utilizados na conversão de valores entre as unidades tradicionais e as do Sistema Internacional, a fim de que não haja erros na interpretação dos resultados das análises (Tabela 9).

Tabela 9. Fatores de conversão usados para adequação dos valores das análises de solo e tecido vegetal, entre as unidades de medida tradicional e do Sistema Internacional.

A título de exemplo, caso os resultados da análise de solo sejam expressos, ainda, em meq 100cm-3, os valores devem ser multiplicados pelos fatores 1 ou 10, para transformação nas unidades cmolc dm-3 e mmolc dm-3, respectivamente. A conversão de um teor de K no solo expresso em meq 100cm-3 ou cmolc dm-3, para ppm ou mg dm-3, deve ser feita pela multiplicação do valor por 391. Na análise de tecido vegetal, resultados expressos em % ou ppm devem ser multiplicados por 10 e 1, respectivamente, para conversão em g kg-1 e mg kg-1. Os resultados de saturação por bases (V%) e por alumínio (m%) continuam expressos em percentagem (%), porém o cálculo da necessidade de calagem deve levar em consideração a unidade adotada:

Para a cultura da mandioca recomenda-se a adubação no sulco de plantio conforme as Tabelas 10 e 11. Nessa recomendação não está prevista a adubação corretiva e utiliza-se, portanto, uma adubação de manutenção maior no sulco de plantio. O superfosfato simples e o superfosfato triplo são os adubos fosfatados mais utilizados, sendo que o superfosfato simples tem a vantagem de conter também cerca de 12% de enxofre na sua composição, que será fornecido paralelamente como nutriente. Para adubação potássica utiliza-se o cloreto de potássio. Normalmente utilizam-se formulações que contenham o fósforo e o potássio para suprimento desses nutrientes, ajustando-se o volume aplicado para que forneça os nutrientes em quantidades próximas às recomendadas.

Tabela 10. Recomendação de adubação fosfatada e potássica no sulco de plantio, de acordo com a disponibilidade dos nutrientes pela análise (Mehlich-1) e, com o teor de argila do solo para o fósforo, utilizado para solos de cerrado.

Classe de Disponibilidade
P2O5 (kg ha-1)
K2O (kg ha-1)
> 60
41 – 60
21 -40
< 20 % argila
Muito baixa

100

80

70

60

-

Baixa

80

60

50

40

60

Média

60

40

30

30

40

Tabela 11. Recomendação de adubação fosfatada e potássica, no sulco de plantio, de acordo com a disponibilidade de nutrientes pela análise química de solo (resina), utilizadas para solos de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

P resina

K trocável – mmolc dm-3

mg dm-3

0-0,7

0,8-1,5

>1,5

N-P2O5-K2O (kg/ha)

0-6

0-80-60

0-80-40

0-80-20

7-15

0-60-60

0-60-40

0-60-20

16-40

0-40-60

0-40-40

0-40-20

>40

0-20-60

0-20-40

0-20-20

Em cobertura, pode-se aplicar de 0 a 40 kg/ha de N, aos 30-60 dias após brotação. Menores aplicações devem ser feitas no caso das plantas apresentarem-se bem verdes, em áreas recém desbravadas ou em pousio.
Adubações realizadas no segundo ciclo vegetativo não têm apresentado respostas satisfatórias

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Contribuição da micorriza arbuscular no crescimento da mandioca

Um aspecto importante para a nutrição da mandioca é a contribuição da micorriza arbuscular na eficiência das práticas agronômicas como a calagem e adubação, principalmente da adubação fosfatada. A micorriza é uma associação simbiótica natural entre fungos micorrízicos do solo e as raízes das plantas. O efeito benéfico da micorriza arbuscular ocorre particularmente nas plantas que apresentam um sistema radicular reduzido e pouco ramificado como a mandioca. As hifas externas do fungo podem extender-se no solo, funcionando como um sistema radicular adicional, e absorver nutrientes de um volume maior de solo transferindo-os para as raízes colonizadas. Isso é especialmente importante para a absorção de nutrientes com baixa mobilidade no solo como o fósforo. A mandioca é altamente dependente da micorriza arbuscular e apresenta alta colonização radicular por fungos micorrízicos arbusculares nativos, como por exemplo a espécie Glomus manihotis, que se desenvolve melhor em solos ácidos. A aparente baixa necessidade em fósforo da mandioca cultivada em campo pode ser devido à contribuição da micorriza na maior absorção desse nutriente.

Quando presentes no solo e na planta, os fungos micorrízicos arbusculares alteram a resposta da mandioca a calagem e adubação fosfatada, aumentando a eficiência desses insumos no crescimento das plantas. Esses fungos ocorrem naturalmente nos solos e tem sido demonstrado que a rotação de culturas favorece a sua multiplicação e estimula a formação da micorriza. Culturas anuais como feijão, milho e adubos verdes (mucuna, crotalaria, feijão de porco, guandu, girassol, milheto, mamona), assim como forrageiras (estilosantes, andropogon, braquiária) apresentam elevado grau de dependência micorrízica e, quando utilizadas em um sistema de rotação, elas aumentam a população dos fungos micorrízicos arbusculares e beneficiam os cultivos subseqüentes. Desse modo, o cultivo da mandioca de forma consorciada ou em rotação poderá aumentar a população de fungos micorrízicos arbusculares e, conseqüentemente, a eficiência dos insumos utilizados para correção da acidez e da fertilidade do solo.

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Conservação do solo

Dois aspectos devem ser considerados na conservação do solo para o cultivo da mandioca: 1) o solo é pouco protegido contra a erosão, pois o crescimento inicial é muito lento e o espaçamento é amplo, fazendo com que demore a cobrir o solo para protegê-lo das chuvas e enxurradas; e 2) o solo tende ao esgotamento, pois quase tudo que produz (raízes, folhas e manivas) é exportado da área, para produção de farinha, na alimentação humana e animal e como sementes para novos plantios, sendo muito pouco retornando ao solo sob a forma de resíduos.

Primeiramente, deve-se fazer a análise do solo para aplicar o calcário e os adubos de acordo com as recomendações para a cultura, o que permitirá um melhor e um mais rápido desenvolvimento das plantas. O preparo do solo e o plantio devem ser feitos em nível ("cortando" as águas). Se o solo necessitar ficar algum tempo sem cultura nenhuma, aguardando a época de plantio mais adequada por exemplo, recomenda-se o semeio, nesse período, de alguma leguminosa como adubação verde, para incorporar matéria orgânica e nutrientes e melhorar a estrutura do solo. Para evitar ou reduzir o esgotamento dos nutrientes do solo, deve-se proceder a rotação da mandioca com outras culturas, principalmente com leguminosas. Quando a mandioca for plantada no sistema de fileiras duplas, utilizar adequadamente a prática de consórcio com culturas como feijão, milho, amendoim etc., pois dessa forma ocorrerá uma melhor cobertura do solo.

Em áreas inclinadas, o consórcio é recomendável para melhorar a cobertura do solo e evitar os efeitos erosivos das chuvas e enxurradas; o plantio de mandioca + milho é mais eficiente do que mandioca + feijão ou mandioca + algodão na proteção contra a erosão. Pode-se também optar pelo plantio em leirão ou camalhões e em nível, pelo excelente controle da erosão que proporciona.

Outras práticas conservacionistas recomendadas em áreas inclinadas são as seguintes:

a) combinar faixas de plantio de mandioca com faixas de outras culturas (milho, feijão, amendoim etc.), ajudando a melhorar a cobertura do solo e a protegê-lo contra a erosão;

b) enleirar em nível os restos culturais auxiliando a conter as águas e a reduzir os riscos de erosão;

c) sempre que houver disponibilidade de resíduos vegetais, cobrir o solo com vegetação morta, protegendo o solo contra a erosão, incorporando matéria orgânica e conservando por mais tempo a umidade do solo;

d) usar capinas alternadas, ou seja, capinar uma linha de mandioca e deixar a seguinte sem capinar, até chegar-se ao final da área, para que o solo não fique descoberto e desprotegido contra o escoamento das águas; depois de uma ou duas semanas, retorna-se capinando aquelas linhas que ficaram para trás; e

e) utilizar plantas de crescimento denso, como o capim vetiver, por exemplo, para formar linhas de vegetação cerrada que quebram a velocidade das águas, quando implantadas em curvas de nível no meio do plantio da mandioca.

As práticas conservacionistas mencionadas (preparo do solo e plantio em nível, rotação e consorciação, culturas em faixas e em nível, enleiramento em nível dos restos culturais, capinas alternadas etc.) são eficientes por si só em áreas com declividade de até 3%. Daí em diante, além de tais medidas, deve-se recorrer às práticas mecânicas de conservação do solo (terraços e canais escoadouros), que são mais onerosas que as anteriores e, por isso, somente utilizadas em condições extremas de riscos de erosão.

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