Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistemas de Produção, 12
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Mandioca para a Região Semi-Árida
Alfredo Augusto Cunha Alves
Alineaurea Florentino Silva

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Adubação


A mandioca absorve grandes quantidades de nutrientes e praticamente exporta tudo o que foi absorvido, quase nada retornando ao solo sob a forma de resíduos culturais: as raízes tuberosas são destinadas à produção de farinha, fécula e outros produtos, bem como para a alimentação humana e animal; a parte aérea (manivas e folhas), para novos plantios, alimentação humana e animal. Em média, para uma produção de 25 toneladas de raízes + parte aérea de mandioca por hectare são extraídos 123 kg de N, 27 kg de P, 146 kg de K, 46 kg de Ca e 20 kg de Mg; assim, a ordem decrescente de absorção de nutrientes é a seguinte: 

K > N > Ca > P > Mg.

Sintomas de deficiência

Os sintomas de deficiência e de toxidez de nutrientes em mandioca são apresentados a seguir:

Deficiência de nitrogênio (N):

  • Crescimento reduzido da planta; em algumas cultivares ocorre amarelecimento uniforme e generalizado das folhas, iniciando nas folhas inferiores e atingindo toda a planta.

Deficiência de fósforo (P):

  • Crescimento reduzido da planta, folhas pequenas, estreitas e com poucos lóbulos, hastes finas; em condições severas ocorre o amarelecimento das folhas inferiores, que se tornam flácidas e necróticas e caem; diferentemente da deficiência de N, as folhas superiores mantêm sua cor verde escura, mas podem ser pequenas e pendentes.

Deficiência de potássio (K):

  • Crescimento e vigor reduzido da planta, entrenós curtos, pecíolos curtos e folhas pequenas; em deficiência muito severa ocorrem manchas avermelhadas, amarelecimento e necrose dos ápices e bordas das folhas inferiores, que envelhecem prematuramente e caem; necrose e ranhuras finas nos pecíolos e na parte superior das hastes.

Deficiência de cálcio (Ca):

  • Crescimento reduzido da planta; folhas superiores pequenas, com amarelecimento, queima e deformação dos ápices foliares; escassa formação de raízes.

Deficiência de magnésio (Mg):

  • Clorose inter-nerval marcante nas folhas inferiores, iniciando nos ápices ou bordas das folhas e avançando até o centro; em deficiência severa as margens foliares podem tornar-se necróticas; pequena redução na altura da planta.

Deficiência de enxofre (S):

  • Amarelecimento uniforme das folhas superiores, similar ao produzido pela deficiência de N; algumas vezes são observados sintomas similares nas folhas inferiores.

Deficiência de boro (B):

  • Altura reduzida da planta, entrenós e pecíolos curtos, folhas jovens verdes escuras, pequenas e disformes, com pecíolos curtos; manchas cinzas, marrons ou avermelhadas nas folhas completamente desenvolvidas; exsudação gomosa cor de café nas hastes e pecíolos; redução do desenvolvimento lateral da raiz.

Deficiência de cobre (Cu):

  • Deformação e clorose uniforme das folhas superiores; ápices foliares tornam-se necróticos e as margens das folhas dobram-se para cima ou para baixo; pecíolos largos e pendentes nas folhas completamente desenvolvidas; crescimento reduzido da raiz.

Deficiência de ferro (Fe):

  • Clorose uniforme das folhas superiores e dos pecíolos, os quais se tornam brancos em deficiência severa; inicialmente as nervuras e os pecíolos permanecem verdes, tornando-se de cor amarela-pálida, quase branca; crescimento reduzido da planta; folhas jovens pequenas, porém em formato normal.

Deficiência de manganês (Mn):

  • Clorose entre as nervuras nas folhas superiores ou intermediárias completamente expandidas; clorose uniforme em deficiência severa; crescimento reduzido da planta; folhas jovens pequenas, porém em formato normal.

Deficiência de zinco (Zn):

  • Manchas amarelas ou brancas entre as nervuras nas folhas jovens, as quais com o tempo tornam-se cloróticas, com lóbulos muito pequenos e estreitos, podendo crescer agrupadas em roseta; manchas necróticas nas folhas inferiores; crescimento reduzido da planta.

Toxidez de alumínio (Al):

  • Redução da altura da planta e do crescimento da raiz; amarelecimento entre as nervuras das folhas velhas sob condições severas.

Toxidez de boro (B):

  • Manchas brancas ou marrons nas folhas velhas, especialmente ao longo dos bordos foliares, que posteriormente podem tornar-se necróticas.

Toxidez de manganês (Mn):

  • Amarelecimento das folhas velhas, com manchas pequenas escuras de cor marrom ou avermelhada ao longo das nervuras; as folhas tornam-se flácidas e pendentes e caem no solo.

No Brasil, de modo geral, não se tem conseguido aumentos acentuados na produção da mandioca pela aplicação de calcário, mesmo em solos ácidos, confirmando a tolerância da cultura à acidez do solo. No entanto, após vários cultivos na mesma área, é possível que a planta responda à aplicação de calcário, principalmente como suprimento de cálcio e magnésio, terceiro e quinto nutrientes mais absorvidos pela cultura.

Quanto à adubação, a mandioca tem apresentado respostas pequenas à aplicação de nitrogênio, mesmo em solos com baixos teores de matéria orgânica, embora ele seja o segundo nutriente mais absorvido pela planta. Possivelmente, esse fato deve-se à presença de bactérias diazotróficas, fixadoras de nitrogênio atmosférico, no solo da rizosfera, nas raízes absorventes, nas raízes tuberosas e nas manivas da mandioca. Em função disso, a adubação com nitrogênio não deve ser motivo de maiores preocupações. Embora o fósforo não seja extraído em grandes quantidades pela mandioca, maior importância adquire sua aplicação, pois os solos brasileiros em geral, e em particular os cultivados com mandioca, normalmente classificados como marginais, são pobres nesse nutriente. Por esta razão, é grande a resposta da cultura à adubação fosfatada. Quanto ao potássio, nutriente extraído em maior quantidade pela mandioca, como os solos cultivados normalmente apresentam teores baixos a médios deste nutriente e apresentam também baixa capacidade de renovar o potássio trocável do solo, o esgotamento do mesmo é atingido rapidamente, normalmente após dois a quatro cultivos repetidos na mesma área. Logo, embora a resposta à adubação potássica seja baixa nos primeiros cultivos numa área, após vários cultivos ela torna-se evidente.

A calagem e adubação em mandioca devem obrigatoriamente ser definidas em função da análise química do solo, realizada com antecedência de pelo menos 60 dias do plantio, para que haja tempo suficiente para aquisição dos insumos e sua aplicação. Com base na análise do solo são feitas as seguintes recomendações para a cultura:

  • calagem: calcular a necessidade de calcário dolomítico (NC), em toneladas por hectare (t/ha), empregando as fórmulas:

Utilizar a maior das quantidades de calcário determinadas pelas fórmulas. Aconselha-se o limite máximo de uma tonelada de calcário por hectare, ainda que tenham sido encontradas quantidades mais elevadas;

 
  • adubação: a Tabela 1 mostra as recomendações de adubos para a mandioca, com base no resultado da análise do solo:

Tabela 1.Recomendações de adubação para mandioca, com base na análise do solo.

Nutrientes

Épocas de aplicação

Plantio

Em cobertura, 30 a 60 dias após a brotação das manivas

 

------------------- N (kg/ha) -------------------

Nitrogênio: mineral ou orgânico

-

30

     

Fósforo no solo (Melich) – mg/dm³

----------------- P205 (kg/ha) ---- ------------

Até 3

60

-

4 a 6

40

-

7 a 10

20

-

     

Potássio no solo (Melich) – mg/dm³

----------------- K20 (kg/ha) ----------------

Até 20

40

-

21 a 40

30

-

41 a 60

20

-

  • épocas e modos de aplicação do calcário e dos adubos

  • 1) calcário - deve-se utilizar o calcário dolomítico, que contém cálcio e magnésio. Ele pode ser aplicado em qualquer época do ano, a lanço em toda a área, de modo uniforme, e incorporado até a profundidade de 20cm ou mais, sendo importante que anteceda de um a dois meses o plantio, para dar tempo de reagir no solo;

  •  2) adubação nitrogenada - a mandioca responde bem à aplicação de adubos orgânicos (estercos, tortas, compostos, adubos verdes e outros), que devem ser preferidos como fonte de nitrogênio; eles devem ser aplicados na cova, sulco ou a lanço, no plantio ou com alguns dias de antecedência para que ocorra a sua fermentação, como acontece com a torta de mamona. No caso da aplicação de uréia ou sulfato de amônio, a aplicação deve ser em cobertura ao redor da planta, 30 a 60 dias após a brotação das manivas, com o solo úmido; 

  • 3) adubação fosfatada – o superfosfato simples e o superfosfato triplo são os adubos fosfatados mais utilizados e devem ser aplicados no fundo da cova ou do sulco de plantio. O superfosfato simples tem a vantagem de também conter enxofre na sua composição; 

  • 4) adubação potássica – deve ser aplicada na cova ou sulco de plantio, juntamente com o fósforo. Os adubos potássicos mais utilizados são o cloreto de potássio e o sulfato de potássio. Em solos muito arenosos deve-se dividir o potássio em duas aplicações, sendo metade da dose no plantio e a outra metade em cobertura, junto com o nitrogênio; e 

  • 5) micronutrientes - poucos estudos foram realizados sobre micronutrientes em mandioca. Nos períodos de grandes estiagens, principalmente no litoral do Nordeste, tem-se observado sintomas de deficiências de zinco e de manganês, denominados de "chápeu-de-palha" e "amarelão". Para evitar possíveis prejuízos na produção, nos locais de ocorrência recomenda-se aplicar 4kg de zinco e 5kg de manganês por hectare (20kg de sulfato de zinco e 20kg de sulfato de manganês/ha), no solo, juntamente com o fósforo e o potássio. Nas lavouras com deficiências já manifestadas nas folhas deve-se pulverizar com uma solução contendo 2 a 4% dos produtos comerciais, ou seja, 2 a 4kg de sulfato de zinco e/ou de sulfato de manganês diluído em 100 litros de água.

 

Realizando-se a calagem e a adubação nas doses, épocas e modos de aplicação recomendados, estima-se um rendimento médio de 20 toneladas de raízes por hectare. Há que se ressaltar que a média nacional é de cerca de 13 t/ha.

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