Embrapa Mandioca e Fruticultura
Sistemas de Produção, 12
ISSN 1678-8796 Versão eletrônica
Jan/2003
Cultivo da Mandioca para a Região Semi-Árida
Alfredo Augusto Cunha Alves
Alineaurea Florentino Silva

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Plantas Daninhas
 

Manejo de plantas daninhas

As plantas daninhas concorrem com a cultura da mandioca principalmente por água e nutrientes, podendo causar perdas de até 90% na produtividade, dependendo do tempo de convivência e da quantidade de mato. O controle de plantas daninhas representa a maior parcela dos custos de produção (cerca de 35% do total). O período crítico de competição das plantas daninhas com a mandioca compreende os primeiros quatro a cinco meses do seu ciclo, exigindo nessa fase cerca de 100 dias livre da interferência do mato, a partir de 20 a 30 dias após sua brotação, para se obter boa produção, dispensando daí em diante as limpas até à colheita.

Cada região e ecossistema tem sua peculiaridade quanto às plantas daninhas predominantes, ainda que existam muitas delas comuns às diversas regiões mandioqueiras do Brasil. Na Tabela 4 são apresentadas as plantas daninhas de maior ocorrência na cultura da mandioca.

  • Controle cultural

Consiste em criar condições para que a mandioca se estabeleça o mais rápido possível, proporcionando-lhe vantagem competitiva com as invasoras na disputa por água e nutrientes. Para isso é importante um bom preparo do solo, manivas de boa qualidade, escolha da variedade adaptada ao ecossistema, densidade de plantio adequada, rotação de culturas e uso de coberturas verdes. A rotação de culturas é um meio cultural que previne o surgimento de altas populações de certas plantas daninhas adaptáveis a determinada cultura; quando a mandioca é cultivada ano após ano na mesma área, a associação plantas daninhas-cultura tende a aumentar, sendo maior sua interferência sobre a cultura. O uso de coberturas vegetais como o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), que inibem determinadas invasoras, é também importante na redução da população das plantas daninhas, além de melhorar as condições do solo.

  • Controle mecânico

O controle mecânico é realizado por meio de práticas de eliminação do mato, como arranquio manual, capina manual, roçagem e cultivo mecanizado usando cultivadores tracionados por animais ou trator. O custo de duas limpas à enxada, para manter a cultura livre de competição por aproximadamente 100 dias (período crítico de interferência), está em torno de 18% do custo total de produção.

  • Controle químico

Consiste no uso de herbicidas, que são produtos químicos aplicados em pré e pós-emergência do mato para seu controle, substituindo o controle mecânico. A maioria dos herbicidas utilizados em mandioca são de pré-emergência total (antes da germinação do mato e da brotação da cultura) e aplicados logo após o plantio ou, no máximo, cinco dias depois. A escolha do herbicida depende do seu custo e das espécies de plantas daninhas presentes na área. Uma aplicação da mistura de tanque de diuron + alachlor representa 8,5% do custo total de produção e substitui aproximadamente duas limpas à enxada; essa mistura é de grande eficácia no controle de mono e dicotiledôneas em várias regiões do Brasil. Na Tabela 5 são apresentados os principais herbicidas pré e pós-emergentes recomendados para o controle do mato em mandioca. As doses mais elevadas são para solos com teor de matéria orgânica superior a 1,5 % e/ou infestação muito alta do mato.

Tabela 4. Plantas daninhas que ocorrem na cultura da mandioca.

 

Famílias

 

Nomes científicos

 

Nomes populares

 

Compositae

 

Acanthospermum australe

 

Carrapicho rasteiro

   

Acanthospermum hispidum

 

Carrapicho-de-carneiro

   

Eupatorium ballataefolium

 

Eupatorio

   

Eupatorium laevigatum

 

Eupatorio

   

Blainvillea rhomboidea

 

Picão grande

   

Centratheum punctatum

 

Perpétua

   

Ageratum conyzoides

 

Mentrasto

   

Bidens pilosa

 

Picão preto

   

Sonchus oleraceus

 

Serralha

   

Emilia sonchifolia

 

Falsa serralha

   

Tagetes minuta

 

Cravo de defunto

   

Galinsoga parviflora

 

Picão branco

   

Galinsoga ciliata

 

Picão branco, fazendeiro

 

Gramineae

 

Brachiaria plantaginea

 

Capim marmelada

   

Rhynchelytrum repens

 

Capim favorito

   

Pennisetum setosum

 

Capim oferecido

   

Leptocloa filiformis

 

Capim mimoso

   

Echinochloa colonum

 

Capim coloninho

   

Digitaria horizontalis

 

Capim colchão

   

Setaria vulpiseta

 

Capim rabo-de-raposa

   

Eleusine indica

 

Capim pé-de-galinha

 

Leguminosae

 

Senna occidentalis

 

Fedegoso

 

Malvaceae

 

Sida spinosa

 

Guanxuma, malva

   

Sida rhombifolia

 

Guanxuma, relógio

   

Sida cordifolia

 

Malva branca

 

Rubiaceae

 

Borreria verticillata

 

Vassourinha de botão

   

Mitracarpus hirtu

 

Poaia da praia

   

Diodia teres

 

Mata pasto

   

Richardia brasiliensis

 

Poaia branca

   

Borreria alata

 

Erva quente

   

Richardia scabra

 

Poaia do cerrado

 

Euphorbiaceae

 

Croton lobatus

 

Café bravo

   

Euphorbia heterophylla

 

Amendoim bravo

   

Phyllanthus tenellus

 

Quebra-pedra

 

Euphorbiaceae

 

Euphorbia pilulifera

 

Erva-de-santa-luzia

   

Euphorbia prostata

 

Quebra-pedra rasteiro

   

Euphorbia brasiliensis

 

Leiteira

 

Convolvulaceae

Ipomoea sp.

 

Corda-de-viola

     
 

Portulacaceae

 

Portulaca oleracea

 

Beldroega

 

Amaranthaceae

 

Amaranthus viridis

 

Caruru verde

   

Amaranthus spinosus

 

Caruru-de-espinho

   

Amaranthus hybridus

 

Caruru roxo

   

Alternanthera tenella

 

Apaga fogo

 

Commelinaceae

 

Commelina benghalensis

 

Trapoeraba, marianinha

   

Commelina difusa

 

Trapoeraba, marianinha

 

Cyperaceae

 

Cyperus rotundus

 

Tiririca roxa

   

Cyperus esculentus

 

Tiriricão, tiririca amarela

 

Molluginaceae

 

Mollugo verticillata

 

Cabelo de guia

 

  • Controle integrado

Consiste na integração dos métodos cultural, biológico, mecânico e químico, com o objetivo de aproveitar as vantagens de cada um deles e, assim, obter um resultado mais eficiente, redução dos custos e menor efeito sobre o meio ambiente. O uso de herbicidas nas linhas de plantio, combinado com o cultivador animal ou tratorizado nas entrelinhas da mandioca, tem proporcionado o mais baixo custo no controle do mato, em comparação com métodos mecânicos de controle. Para os pequenos produtores, onde o uso de herbicidas ainda é de difícil uso a curto prazo, a substituição do controle com enxada pelo cultivador a tração animal é uma excelente alternativa para redução dos custos das limpas e liberação de mão-de-obra familiar para outras atividades da propriedade. Ao usar o cultivador a tração animal ou qualquer implemento, deve-se ter o devido cuidado para não atingir as raízes em crescimento. Evitar passar o implemento próximo às plantas. O uso do feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) é uma boa opção para controlar plantas daninhas nas entrelinhas da mandioca plantada em fileiras duplas, por inibir o mato e melhorar o solo, permitindo também ao produtor fazer a rotação da cultura na mesma área; deve-se deixar uma distância de 0,80 m entre as plantas de cobertura e as linhas de mandioca, para evitar a competição com esta mandioca. Em virtude do alto custo das sementes das leguminosas, só justifica sua utilização quando a semente for produzida pelo produtor.

Calibração de pulverizadores costais

  • marcar 50 m na área onde será realizada a aplicação;

  • determinar a faixa de cobertura do bico ou bicos;

  • colocar uma quantidade conhecida de água no pulverizador;

  • bombear até obter a pressão de trabalho desejada;

  • procurar manter a pressão e realizar a aplicação a um passo normal;

  • determinar por diferença a quantidade de água gasta;

  • repetir pelo menos três vezes o mesmo processo e obter uma média;

  • calcular a vazão por hectare pela fórmula:

                                                  Água gasta em litros x 10.000 m2
           Vazão (litros por hectare) = ---------------------------------
                                                             Área aplicada m

Exemplo:

  • distância percorrida: 50 m;
  • faixa de aplicação: 0,80 m;
  • gasto de água: 1,6 litros;
  • área aplicada: 50 m x 0,80 m = 40 m2;
  • vazão (litros por hectare):

Calibração de pulverizadores tratorizados

  • encher o tanque do pulverizador ou colocar uma quantidade de água conhecida;

  • regular a pressão entre 1,4 e 2,8 kg/cm2;

  • marcar 50 m na área a ser aplicada;

  • determinar o tempo gasto pelo trator para percorrer os 50 m. Repetir pelo menos três vezes a operação;

  • fixar a altura da barra para se obter uma cobertura uniforme e determinar a faixa de aplicação da mesma;

  • com o trator parado e com a mesma rotação de trabalho, medir a descarga do maior número possível de bicos para se determinar a descarga (vazão) média de cada bico no mesmo tempo que o trator gastou para percorrer os 50 m;

  • multiplicar a descarga média por bico pelo número de bicos da barra para se determinar a vazão da barra;

  • calcular a vazão por hectare pela fórmula:

                                 Descarga da barra em litros x 10.000 m2
  Vazão (litros/hectare) = -------------------------------------- ,
                                           Área coberta pela barra em m2

em que a área coberta pela barra significa o produto da faixa de aplicação alcançada vezes a distância percorrida, que no caso foi de 50 m.

Exemplo:

  • pressão: 2,8 kg/cm2;

  • tempo gasto para percorrer 50 m: 36 segundos;

  • descarga média por bico: 1,0 litro;

  • número de bicos: 20;

  • faixa de aplicação da barra: 10 m;

  • descarga total da barra: 1,0 litro x 20 = 20 litros;

  • área coberta pela barra: 50 m x 10 m = 500 m2;

  • vazão (litros/hectare):

                                       20 litros x 10.000 m2                                   
Vazão (litros/hectare) = ---------------------------- = 400 litros/ha.
                                            
500 m2      
                             

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