Embrapa Semiárido
Sistemas de Produção, 2 - 2ª edição
ISSN 1807-0027 Versão Eletrônica
Ago/2010
Cultivo da Mangueira
Maria Aparecida do Carmo Mouco

Sumário

Apresentação
Socioeconomia
Clima
Manejo de solo
Nutrição, calagem e adubação
Cultivares
Propagação
Plantio
Manejo da floração
Manejo de podas
Irrigação
Manejo de invasoras
Doenças
Pragas
Normas de uso de denfensivos
Colheita e pós-colheita
Mercado
Custos e rentabilidade
Referências
Glossário

Expediente

Plantio

Densidade de plantio

Abertura e adubação de cova

Plantio da muda e pintura do caule

Cobertura morta, tutoramento

Cuidados fitossanitários

Substituição de copa

A implantação de um pomar de mangueira deve ser feita em função de um projeto de exploração da propriedade, que inclui a utilização de estudos básicos, cujos procedimentos devem viabilizar o agronegócio. Assim, devem ser consideradas as características de clima e solo, além dos aspectos ligados ao perfil mercadológico da região, decidir sobre a variedade a ser plantada, fazer estimativa do custo de implantação, manutenção e rentabilidade. Várias são as etapas envolvidas na implantação de um pomar de manga e todas são importantes no processo produtivo.

A área onde será instalado o pomar deve ser selecionada considerando-se a topografia do terreno e as vias de acesso, que serão fatores de influência direta nas práticas agronômicas e no escoamento da produção. Em solos de areias quartzosas da região semiárida brasileira, faz-se apenas a limpeza da área por meio do destocamento e roçagem da vegetação, 3 a 4 meses antes do plantio, sem o uso da aração e da gradagem. Após a limpeza, deve-se coletar uma amostra representativa de solo, para avaliar a necessidade de calagem e adubação.

A área do pomar deve ser protegida contra os ventos fortes que podem comprometer o desenvolvimento adequado das plantas (copa), provocar a queda de flores e frutos e ainda afetar a qualidade da produção. A instalação de quebra-ventos deve ser feita durante os dois primeiros anos de formação do pomar. As espécies vegetais utilizadas devem ser escolhidas considerando a sua adaptação ao clima e ao solo, velocidade de crescimento, altura e longevidade da planta. No Semiárido brasileiro, onde o vento compromete o desenvolvimento das plantas, principalmente nos três primeiros anos, é comum o uso de capim-elefante, que apresenta desenvolvimento rápido, como também de diversas espécies de fruteiras como quebra-ventos, tais como bananeiras com 3 a 4 linhas de plantas instaladas entre talhões de plantio ou coqueiros nas margens laterais do pomar.

Densidade de plantio

Nos plantios com tecnologia de produção para exportação, como os do Semiárido brasileiro, onde a irrigação é obrigatória como também as técnicas de manejo da copa, como a poda e o uso de retardantes vegetais, altas densidades de plantio são comuns. Assim, são encontrados espaçamentos entrelinhas que variam desde 8 m até 6 m, pois espaçamentos menores nas ruas podem comprometer as práticas como pulverizações e colheita, combinados com espaçamentos dentro da linha que variam desde 5 m até 2 m (Figura 1). Na decisão do espaçamento deve-se considerar o vigor/ porte da cultivar a ser plantada, como também a necessidade de um manejo adequado, como as podas, nutrição e irrigação do pomar.

Após a definição do espaçamento, faz-se o alinhamento com um piquete no local onde serão abertas as covas. Em áreas com declive acentuado (> 5%), deve-se preparar curvas de nível, a fim de evitar problemas de erosão.

Fotos: Maria Aparecida Mouco.
Fig. 1. a, b) Diferentes densidades do pomar de mangueira "Tommy Atkins"; c) . Plantio em curva de nível na cv. Palmer.

Abertura e adubação de cova

Após a marcação, as covas com dimensões de 60 x 60 x 60 cm são abertas; a correção e a adubação devem ser baseadas na análise de solo e serem feitas, pelo menos, 15 dias antes do plantio da muda. No Semiárido nordestino, recomenda-se de 20 L a 30 L de esterco de curral (caprino ou bovino) por cova, 1 kg de superfosfato simples, 150 g de cloreto de potássio e 200 g de uma mistura de  micronutrientes. Na adubação da cova com esterco, deve ser mantida a relação 1 esterco: 10 solo, para que haja uma decomposição mais equilibrada.

Considerando as grandes exigências de cálcio pela cultura da mangueira, recomenda-se associar a calagem com a aplicação de gesso.

Plantio da muda e pintura do caule

É adequado o plantio das mudas enxertadas, sadias e com dois fluxos vegetativos no início da estação das chuvas, para facilitar um melhor estabelecimento da mesma no solo, embora sob condições irrigadas, essa operação possa ser realizada em qualquer época do ano. Para evitar rachaduras no caule, causadas pela incidência direta da radiação solar, que favorece a entrada de patógenos no caule, as mudas devem ser protegidas com uma pintura com tinta látex branca, diluída em água, na proporção de 1:1.

Cobertura morta, tutoramento

A utilização da cobertura morta, que pode ser de folhas de coqueiro, raspa de madeira, palha de arroz ou restos da roçagem feita entre as fileiras de plantio, tem o objetivo de proteger o solo, ao redor da planta, das altas temperaturas, além de evitar perdas excessivas de umidade. Recomenda-se, também, o uso de um tutor (pequeno poste de madeira) que servirá para conduzir o caule da planta verticalmente (Figura 2).

Foto: Mouco, M. A.
Fig. 2. Tutoramento, cobertura morta e espaçamento em pomar de mangueira "Tommy Atkins".

Cuidados fitossanitários

Nos pomares em formação, as formigas cortadeiras, ácaros, cochonilhas e tripes podem causar danos consideráveis. As medidas de controle devem ser planejadas antes mesmo do plantio. Deve-se também preservar o potencial de controle biológico existente, bem como favorecer a atuação de inimigos naturais, de maneira que, no campo, o controle biológico assuma importância cada vez maior no controle das pragas da cultura. Com alguns cuidados e a introdução de certas práticas, é possível melhorar a qualidade e o rendimento, sem alterar custos.

Entre os cuidados fitossanitários, é importante mencionar que durante a implantação do pomar pode ocorrer a incidência de doenças, em consequência de estresse hídrico à planta, decorrente do entupimento de microaspersores ou qualquer outro problema no manejo da irrigação, assim como podem aparecer mudas com “malformação vegetativa”; nesses dois casos é necessário um replantio, pois as mudas devem ser descartadas. No período das chuvas, deve-se ficar atento à incidência de doenças como a antracnose, cujo controle deve ser feito com pulverização de produtos à base de cobre.

Substituição de copa

É a operação que tem por finalidade o aproveitamento de plantas já formadas, com alteração da variedade copa. Seu emprego é indicado nos pomares de idade média e sadios. Com a sobre-enxertia é possível antecipar a primeira produção da nova cultivar, pois o porta-enxerto encontra-se perfeitamente estabelecido. A substituição da copa pode ser adequada em função de novas tendências de mercado ou não adaptação de determinada cultivar às condições da propriedade.

A sobre-enxertia pode ser efetuada no tronco ou em ramos secundários, e a decisão do tipo de enxertia é função das diferenças de diâmetro entre o cavalo e o enxerto. Os principais cuidados a serem tomados são: compatibilidade, métodos e técnicas de enxertia adequadas, época de enxertia e características dos ramos a serem usados.

Na amarração, para manter unido o cavaleiro ao cavalo, deve ser utilizada fita plástica, que é flexível e passível de ser estendida, evitando rachaduras à medida que a planta cresce. A época para um enxerto deve ser determinada pela necessidade/ intensidade de fluxo da seiva desde as raízes até os ramos dormentes recém-inseridos. Há vários métodos de enxertia disponíveis e deve-se adequar o método mais eficaz para cada ocasião. O método mais utilizado na enxertia em ramos secundários da mangueira é o da garfagem em fenda cheia, e o mais aconselhável às espécies de lenho duro. Na primeira etapa, a planta com a copa a ser substituída deve ser podada, mantendo-se, no primeiro momento, um ramo para se evitar um excesso de fluxo, que depois da emissão das novas brotações vegetativas, é também descartado (Figura 3a). Depois da emissão de dois novos fluxos vegetativos (Figura 3b), e quando a parte a ser podada se encontra lignificada, pode-se iniciar a enxertia dos garfos da cultivar copa escolhida. É importante a seleção de garfos maduros, em plantas sadias. Na Figura 3c é mostrado o início dos procedimentos da enxertia.

Fotos: Mouco, M. A.
Fig. 3. a) Poda de mangueira "Tommy Atkins" com a copa a ser substituída; b) novos ramos vegetativos onde serão enxertadas as estacas da nova cultivar; c) poda dos ramos para início da prática de enxertia. Petrolina, PE.

Depois da seleção das estacas da nova cultivar a ser enxertada, em plantas sadias, faz-se um corte nos ramos onde será inserida a estaca da nova cultivar, de forma que os tecidos vasculares fiquem em contato (Figura 4a); o local da enxertia é então amarrado (Figura 4b) envolvido com papel absorvente para evitar excesso de água no local e coberto com saco plástico para evitar desidratação da estaca (Figura 4c).

Fotos: Mouco, M. A.
Fig. 4. a) Enxertia de garfo de mangueira "Palmer"; b) ponto da enxertia envolvido com fita plástica; c) plantas "Tommy Atkins" já enxertadas com a nova copa de mangueira "Palmer". Petrolina, PE.

As novas brotações vegetativas devem ocorrer em 30 dias (Figura 5a), mas é dependente das condições climáticas, quando os novos brotos devem ser expostos. Normalmente é necessário um repasse para novos enxertos (Figura 5b), mas a diferença na maturidade dos novos ramos é eliminada em pouco tempo na formação da nova copa (Figura 5c).

Fotos: Mouco, M. A.
Fig. 5. a) Brotações de estacas enxertadas de mangueira "Palmer"; b) ramos com folhas expandidas e o repasse de novos enxertos; c) copa de mangueira "Palmer" sobre-enxertada em mangueira "Tommy Atkins". Petrolina, PE.

Na substituição de copa, pode acontecer que em algumas plantas a sobre-enxertia não seja efetuada ou até mesmo que em parte dos ramos em uma mesma planta não apresentem pegamento adequado. Assim, dentro de um pomar algumas plantas podem apresentar a copa da cultivar original ou, em uma mesma planta, ramos da copa original e outros da copa enxertada (Figura 6).

Fotos: Mouco, M. A.

Fig. 6. Plantas da cv. Kent e da cv. Tommy Atkins, e detalhe de ramo cv. Tommy Atkins, em copa de mangueira cv. Kent sobre-enxertada.

 
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