Embrapa Semiárido
Sistemas de Produção, 2 - 2ª edição
ISSN 1807-0027 Versão Eletrônica
Ago/2010
Cultivo da Mangueira
José Eudes de Morais Oliveira
Beatriz Aguiar Jordão Paranhos
Andréa Nunes Moreira

Sumário

Apresentação
Socioeconomia
Clima
Manejo de solo
Nutrição, calagem e adubação
Cultivares
Propagação
Plantio
Manejo da floração
Manejo de podas
Irrigação
Manejo de invasoras
Doenças
Pragas
Normas de uso de denfensivos
Colheita e pós-colheita
Mercado
Custos e rentabilidade
Referências
Glossário

Expediente

Pragas

Moscas-das-frutas

Ácaros

Tripes

Cochonilhas

Microlepidópteros da inflorescência – Pleuroprucha asthenaria (Lepidóptera: Geometridae) e Cryptoblabes gnidiella (Lepdoptera: Pyralidae)

A mangueira (Mangifera indica L.) é uma importante fruteira de valor comercial para muitas regiões do mundo, principalmente as tropicais. Seu cultivo passou a ser uma alternativa frutícola para os perímetros irrigados do Semiárido brasileiro, onde plantios empresariais têm sido implantados. Por causa de diversos problemas, dentre os quais destacam-se os relacionados aos de ordem fitossanitária, a cultura da mangueira deve ter o merecido destaque baseado nas necessidades urgentes de métodos eficazes de detecção e controle dos artrópodes indesejáveis, sempre sustentados por requisitos de ordem econômica, ecológica e social.

Moscas-das-frutas

As moscas-das-frutas fazem parte de um grupo de pragas responsáveis por grandes prejuízos econômicos na cultura da mangueira, não só pelos danos diretos que causam à produção, como também, pelas barreiras quarentenárias impostas pelos países importadores. A presença de C. capitata (espécie de mosca-das-frutas de importância quarentenária para países que importam fruta in natura) e de Anastrepha fraterculus e Anastrepha obliqua são as mais frequentes no País.

Ceratitis capitata

O adulto de C. capitata mede de 4 mm a 5 mm de comprimento e de 10 mm a 12 mm de envergadura; tem coloração predominantemente amarela escuro, olhos castanhos-violáceos, tórax preto na face superior, com desenhos simétricos brancos; abdomen amarelo escuro com duas listras transversais acinzentadas amarelas. A fêmea coloca de 1 a 10 ovos por fruto já amarelado, introduzindo seu ovipositor dentro da casca. As fêmeas podem viver até 10 meses e colocar até 800 ovos. A larva de C. capitata tem o hábito de dobrar o corpo e saltar para deixar o seu meio. A pupa é marrom, na forma de barril. O ciclo total médio é de 31 dias. Normalmente, os frutos atacados pelas larvas de moscas-das-frutas amadurecem e caem das plantas antes do tempo.

Anastrepha spp.

Os adultos de Anastrepha obliqua e A. fraterculus medem cerca de 6,5 mm de comprimento, possuem coloração amarela, tórax marrom e asas com faixa sombreada em forma de S que vai desde a base até a extremidade da asa e outra em forma de V invertido na borda posterior da asa.

A biologia é muito semelhante a da C. capitata, porém, as fêmeas possuem ovipositores maiores e podem colocar de 1 a 3 ovos em frutos “de vez” ou verdes. A fêmea inicia a oviposição de 7 a 30 dias de idade, prolongando-se por 46 a 62 dias, colocando em média 408 ovos durante sua vida reprodutiva. O ciclo total é em média de 30 dias.

Plantas hospedeiras

As moscas-das-frutas infestam a maioria das frutas que possuem polpa carnosa. Destacam-se como as mais preferidas, as seguintes frutíferas: manga, cajá, cajá-mirim, siriguela, goiaba, guabiroba, jaboticaba, jambo, pitanga, carambola, laranja, tangerina, abiu e sapoti.

C. Capitata possui mais de 200 hospedeiros, sendo considerada como  uma espécie polífaga, caracterizada por utilizar como alimento várias famílias de plantas. As espécies de Anastrepha possui número de hospedeiros que varia de acordo com a espécie, sendo mais ou menos específicas.

Danos

As larvas se alimentam da polpa dos frutos hospedeiros, danificando-os além de facilitar a entrada de pragas secundárias e de patógenos, reduzindo a produtividade e a qualidade dos frutos, deixando-os impróprios tanto para o consumo in natura e industrialização.

Monitoramento

Armadilha McPhail - É o tipo de armadilha mais utilizada em escala comercial, podendo ser de plástico ou de vidro. Modelos alternativos de armadilhas podem ser confeccionados com embalagens plásticas descartáveis, do tipo frasco de soro, garrafas de água mineral e outros recipientes. Entretanto, o modelo padrão deve ser utilizado em pomares destinados à exportação de frutos frescos.

Como atrativo alimentar, utiliza-se hidrolisado de proteína enzimático a 5%, estabilizado com bórax (pH entre 8,5 e 9), o que evita a decomposição do atrativo. Em cada armadilha são colocados 520 mL de solução (20 mL de hidrolizado de proteína e 500 mL de água).

As inspeções devem ocorrer em intervalos semanais. Na revisão, deve-se retirar a armadilha, esvaziando o seu conteúdo em um coletor (peneira fina), onde as moscas ficarão retidas. Os insetos coletados nas armadilhas são lavados com água e levados ao laboratório para a triagem das moscas-das-frutas, de acordo com o gênero. A solução velha, que é retirada da armadilha, não deve ser jogada no solo, pois poderá exercer atratividade às moscas, prejudicando a eficiência da armadilha McPhail presente no local.

Armadilha Jackson - Utilizada para a coleta de adultos de C. capitata. É confeccionada em papelão parafinado de cor branca, com a base plana contendo adesivo na parte interna e inferior da armadilha, para a captura das moscas. Para atrair machos de C. capitata, utiliza-se o paraferomônio Trimedlure. É recomendado que o atrativo seja substituído a cada 3 ou 4 semanas e o cartão adesivo a cada 15 dias, pois como o Trimedilure é volátil, se esgota com o tempo, perdendo o poder de atração e as cartelas se tornam inúteis com a poeira que vai grudando em sua superfície.

As inspeções devem ser realizadas a cada duas semanas, quando os cartões adesivos são substituídos e levados ao laboratório para a contagem de machos de C. capitata.

Localização e densidade das armadilhas

Para os dois tipos de armadilhas, McPhail e Jackson, se utiliza a densidade de 1 armadilha/5ha. A armadilha deverá ser colocada na planta, em local protegido do sol e do vento, a uma altura entre 1,80 m e 2 m acima do nível do solo ou no terço médio da altura da planta.

Nível de Ação

Após a identificação e a quantificação das moscas-das-frutas, efetua-se o cálculo do número de moscas capturadas por armadilha/dia, pela fórmula:

Onde: M= quantidade de moscas capturadas; A= número de armadilhas do pomar, e D= número de dias de exposição da armadilha. O MAD máximo exigido para exportação de mangas aos EUA é 1, e o nível de controle 0,5.

Controle

O controle químico é feito com isca tóxica (1 L de hidrolisado de proteína + inseticida + 100 L de água). Deve-se aspergir a isca num volume de 100 mL a 200 mL da calda/metro quadrado de copa da árvore, em ruas alternadas, repetindo-se a aplicação a cada 15 dias, até 30 dias antes da colheita. Todos os produtos químicos devem ser prescritos por um responsável técnico habilitado e a compra do produto deve ser efetuada mediante receituário agronômico. Recomenda-se sempre consultar a lista de produtos registrados e recomendados para cultura da mangueira (http://agrofit.agricultura.gov.br/primeira_pagina/extranet/AGROFIT.htm). Este mesmo procedimento deve ser adotado para as demais pragas.

Colher os frutos maduros remanescentes nas árvores e coletar os que estão caídos no chão, os quais deverão ser colocados em uma vala de 50 cm a 70 cm de profundidade e cobertos com terra, ou então, picados ou triturados e usados na alimentação animal. É de importância fundamental o controle das moscas-das-frutas em plantas hospedeiras, cultivadas ou nativas, próximas aos plantios comerciais de mangueira, a fim de não serem focos de infestação da cultura comercial.

Entre os agentes de controle biológico (predadores, patógenos, nematoides, bactérias e parasitoides) de moscas-das-frutas, os parasitoides da família Braconidae ocupam lugar de destaque e são os mais utilizados em programas de controle biológico aplicado em várias partes do mundo. A espécie exótica Diachasmimorpha longicaudata (Hymenoptera: Braconidae) apresenta facilidade na criação massal, podendo ser criado tanto sobre C. capitata como em vários gêneros de Anastrepha ssp.

Outro método de controle é a técnica do inseto estéril (TIE) que consiste no uso de machos estéreis para copular com as fêmeas selvagens, da mesma espécie, presentes no campo. As fêmeas colocam ovos inviáveis que não se tornam larvas. Como a liberação é semanal, a população da mosca diminui a cada geração.

Ácaros

Microácaro da mangueiraAceria mangiferae (Acari: Eriophyidae)
Os ácaros, principalmente os eriofídeos, acham-se mundialmente disseminados nos pomares de mangueira. O microácaro Aceria mangiferae é a espécie mais prejudicial; habita as gemas florais e vegetativas e, no Vale do São Francisco, está presente de forma generalizada nos pomares de mangueira. Ocorre principalmente em época quente e seca e são ácaros pequenos, invisíveis a olho nu. O adulto mede cerca de 0,15 mm de comprimento, apresenta aspecto vermiforme e coloração branca. Em temperatura de 25 °C a 27 °C, seu ciclo de vida é completado em 15 dias.

Danos

Esse ácaro localiza-se nas brotações, causando a morte das gemas terminais e laterais e superbrotamento (Figura 1), dificultando o desenvolvimento das plantas novas que ficam raquíticas e de copa mal formada. Sua maior importância na mangueira é por ser vetor do fungo Fusarium spp., agente etiológico da malformação, uma séria doença da mangueira, que provoca drástica redução na produção.

O sintoma mais característico da malformação é a redução no comprimento do eixo primário e ramificações secundárias da panícula, dando à inflorescência a aparência de um cacho compacto. Frequentemente, a gema floral é transformada em gema vegetativa, aparecendo um grande número de pequenas folhas e ramos, caracterizados por redução nos internódios e por se apresentarem de forma compacta, dá à inflorescência o aspecto de “vassoura de bruxa”. Inflorescências malformadas, geralmente, não produzem frutos, e aquelas que o fazem, os perdem precocemente.

Foto: Castro, M. T. de.
Fig. 1. Superbrotamento vegetativo.

Monitoramento

Tendo em vista a dificuldade de visualização do ácaro a olho nu, a amostragem deve ser feita com base nos sintomas da presença do ácaro. Deve-se observar a presença da praga, em oito brotações, sendo duas em cada quadrante da planta.

Nível de ação

Ao se constatar, em média, 5% ou mais de ramos com superbrotamento vegetativo, o controle deverá ser iniciado.

Controle

O controle do microácaro pode ser feito com calda sulfocálcica (1 L de calda para 80 L de água). Devem ser realizadas duas aplicações, a primeira na pré-florada e a segunda, 15 dias após. Outras medidas de controle são: poda e queima de ramos e/ou inflorescências com sintomas de malformação; utilização, pelos viveiristas, de ramos sadios para formação de mudas por meio de enxertia; destruição de mudas com superbrotamento nos viveiros.

Ácaro branco - Poliphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae)
O ácaro branco P. latus ataca mudas de mangueira em viveiros e no campo. Possui uma série de hospedeiros como as culturas do algodoeiro, feijoeiro, videira, mamoeiro, goiabeira, batatinha, citros, aboboreira, pimentão, pecã, pereira, chapéu-de praia, seringueira, mamoneira. As formas adultas não são visíveis a olho nu. A forma do corpo é elíptica na fêmea e mais ou menos hexagonal no macho. Os ovos são oblongos e pouco achatados, com pontuações brancas. As fêmeas fazem posturas isoladas, depositando, em média, de 25 a 30 ovos na superfície das folhas. Dependendo das condições climáticas, o ciclo pode se completar em 3 a 5 dias, sendo constituído das fases de ovo, larva, “pupa” e adulto.

Danos

São ácaros típicos de ponteiros, ocorrendo geralmente em mudas nas condições de viveiro. Atacam somente as partes novas da planta, infestando as folhas em formação, as quais tornam-se mais estreitas, com os bordos ligeiramente arqueados para baixo, havendo enrijecimento e queda de folhas novas e morte dos ponteiros.

Controle

Não há produto registrado para o seu controle.

Mosquinha da manga, mosca-da-panículaErosomyia mangiferae
Os adultos de E. mangiferae são muito pequenos, amarelados e com abdome acinzentado. As asas são largas e as pernas longas, arqueadas e denteadas. Os ovos são minúsculos, depositados nas flores mais novas e brotações, de coloração amarelo-claro, envoltos em material gelatinoso. A fase larval apresenta quatro estágios de desenvolvimento ou ínstares, diferenciados principalmente pelo tamanho. Inicialmente, a larva apresenta coloração creme-claro, chegando, nos últimos ínstares, a um amarelo intenso. A fase de pupa ocorre no solo.

Danos

Essa mosquinha ataca os tecidos tenros da planta, como brotações e folhas novas (Figura 2), panículas florais e frutos no estádio de “chumbinho”. Nas folhas novas, ocorrem inúmeras pontuações, contendo as larvas em seu interior. Essas pontuações tornam-se escuras e necrosadas, após a saída das larvas, podendo ser confundidas com manchas fúngicas. Nas brotações e no eixo da inflorescência, observam-se pequenos orifícios, através dos quais há formação de galerias que se tornam necrosadas, apresentando, posteriormente, uma exsudação, principalmente nas brotações. Em consequência do seu ataque ao eixo da inflorescência, pode haver perda total da panícula floral, podendo ainda danificar botões florais e provocar a queda de frutos na fase de “chumbinho”. A presença dessa praga no campo é de fácil visualização na planta, pois a panícula floral apresenta uma curvatura.

Fotos: Sade, C.
Fig. 2. Danos de Erosomyia mangiferae. a) em brotação e, b) em folhas.

Monitoramento

Brotações: observar a presença ou ausência da praga ou seus danos, em oito brotações, sendo duas em cada quadrante da planta.

Folhas novas: observar a presença da praga ou sintomas em folhas novas de oito ramos por planta, sendo duas em cada quadrante.

Ramos: observar a presença ou ausência da praga na haste de oito ramos por planta, sendo dois ramos por quadrante.

Inflorescências: observar a presença ou ausência da praga em quatro panículas por planta, sendo uma em cada quadrante.

Frutos: observar, até a fase de chumbinho, a presença da praga em um fruto por quadrante.

Nível de ação

Quando se constatar 5% ou mais de ramos infestados (na haste e/ou brotações e/ou folhas novas) e 2% de inflorescências e/ou frutos.

Controle

Remoção e destruição de panículas atacadas.

Tripes

Selenothrips rubrocinctus

Trata-se de praga com ampla disseminação nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Como é um inseto polífago, além da mangueira, ataca abacateiro, cacaueiro, cajueiro, araçazeiro, cajazeira, caramboleira, jambeiro, videira, goiabeira, maracujá, coqueiro, algodoeiro, amendoeira-da-praia, cafeeiro, feijões, croton e roseira. O adulto mede cerca de 1,4 mm de comprimento, coloração geral preta e asas franjadas. Seu nome deriva do aspecto das formas jovens, que possuem coloração amarelada, com uma cinta ou faixa vermelha, ocupando, principalmente, o segundo e terceiro segmentos abdominais. As ninfas são ativas, mantendo-se agrupadas, e carregam, entre os pelos terminais do abdome, uma pequena bola de excremento líquido. O ciclo evolutivo completo é de cerca de 30 dias.

As formas jovem e adulta atacam folhas, inflorescências e frutos da mangueira. Nas folhas, o ataque ocorre principalmente na superfície inferior, próximo à nervura central, causando necrose e, posteriormente, queda. Em grandes infestações, os frutos são danificados (Figura 3). As partes danificadas apresentam, inicialmente, coloração prateada que pode evoluir para coloração ferruginosa, com pontos escuros, que são os excrementos secos, os quais indicam a presença dos tripes.

Frankliniella sp.

São insetos pequenos de 1,5 mm de comprimento, de coloração variável de amarelo a marrom escuro e asas franjadas. Tem reprodução sexuada e os ovos são colocados no parênquima das folhas, flores ou frutos. As ninfas se distinguem dos adultos por possuírem coloração mais clara e não apresentarem asas. Seu ciclo é de aproximadamente 15 dias. Alimentam-se principalmente de pétalas de flores e pólen. Ataques intensos podem provocar estragos na casca do fruto, caracterizado por manchas escuras e rachaduras decorrentes da perda de elasticidade.

Foto: Souza, E. A. de.
Fig. 3. Danos de tripes em fruto.

Monitoramento

A amostragem dos ramos deve ser feita do início da brotação até o início da floração, efetuando-se cinco vezes a batedura (em bandeja plástica branca) de oito ramos (brotações e/ou folhas novas) por planta, sendo dois em cada quadrante, para observar a presença de tripes; no caso das inflorescências e frutos, deve-se amostrar a partir do início da floração até a fase de “chumbinho”, efetuando-se cinco vezes a batedura de quatro panículas novas por planta (uma por quadrante), para contagem dos tripes. Da fase de “chumbinho” até 25 dias antes da colheita, observar a presença de tripes em quatro cachos por planta (um por quadrante).

Nível de ação

Ramos: 40 % ou mais de ramos infestados por tripes.

Inflorescências: 10% ou mais de inflorescência com 10 ou mais tripes.

Frutos: 10% de frutos infestados por tripes.

Controle

O controle biológico natural dos tripes é realizado por larvas de crisopídeos, coccinelídeos e pelos seguintes tripes: Scolothrips sexmaculatus, Scolothrips sp. e Franklinothrips vespiformis.

Cochonilhas

Várias espécies de cochonilhas são descritas atacando a parte aérea da mangueira. Dessas, a mais comum é a cochonilha branca (Aulacaspis tubercularis). Outras espécies, como Pseudaonidia trilobitiformis, Saissetia coffeae, Pinnaspis sp. e Pseudococus adonidum, infestam a mangueira.

Aulacaspis turbercularis

A fêmea de A. turbercularis caracteriza-se por possuir uma escama protetora de formato quase circular, um pouco convexa, de coloração branco-acinzentada opaca, medindo em torno de 2 mm de diâmetro. O macho possui escama branca, alongada, com as margens laterais quase paralelas, tem asas e consegue voar.

Pseudaonidia trilobitiformis

A fêmea da espécie P. trilobitiformis é recoberta por uma carapaça de coloração acinzentada e mede de 3 mm a 4 mm de diâmetro. A escama do macho é alongada, menor e mais achatada que a da fêmea.

Saissetia coffeae

A fêmea de S. coffeae possui corpo mais ou menos esférico, sendo as margens do corpo estreitas e achatadas. Mede cerca de 3,5 mm de comprimento por 2,7 mm de largura e 2 mm de altura. Sua coloração varia do pardo claro ao escuro. O dorso é liso, luzidio e de consistência dura. Sua reprodução é por partenogênese, ou seja, sem a participação do macho (Figura 4).

Fotos: Sade, C.
Fig. 4. Saissetia oleae em fruto de mangueira.

Pinnaspis sp.

Também conhecida por escama farinha, Pinnaspis sp. vive, geralmente, no tronco, hastes e folhas. É fácil a sua destruição, porque os machos formam aglomerações cujo aspecto é como se as partes atacadas da planta estivessem pintadas de branco. A escama da fêmea adulta é marrom-amarelada, quase transparente e mede cerca de 2 mm de comprimento.

Pseudococus adonidum

A fêmea apresenta o corpo recoberto por uma secreção branca, pulverulenta, formando apêndices laterais em número de 17 de cada lado e dois posteriores maiores; medem cerca de 5 mm de comprimento.

Danos

Os danos das cochonilhas não se restringem à sucção da seiva da planta, mas, também, à toxicidade da saliva. Provocam queda de folhas, secamento de ramos e aparecimento de fumagina. Pelo fato de atacar o fruto, provocando manchas e deformações, desqualificando-o para fins comerciais, A. tubercularis é considerada a espécie mais importante nos pomares destinados à exportação.

Monitoramento

Observar a presença ou ausência de cochonilhas vivas em cada quadrante da planta, em folhas de dois ramos das partes mediana e inferior da planta. Da fase de “chumbinho” até 25 dias antes da colheita, observar, ao acaso, a presença ou ausência de cochonilhas vivas em um fruto por planta, em cada quadrante.

Nível de ação

A. tubercularis: 10% ou mais de folhas infestadas e/ou presença de cochonilhas nos frutos. P. trilobitiformis: 50% ou mais de folhas infestadas. P. adonicum: presença de cochonilhas vivas nos frutos.

Microlepidópteros da inflorescência – Pleuroprucha asthenaria (Lepidóptera: Geometridae) e Cryptoblabes gnidiella (Lepdoptera: Pyralidae)

Pleuroprucha asthenaria

Os adultos de P. asthenaria medem cerca de 20 mm de envergadura, possuem coloração geral bege e asas com três linhas oblíquas de cor marrom. Os ovos são brancos, colocados na inflorescência, numa média de 352,7 ovos por fêmea, com período de incubação de 2,4 dias. As lagartas são do tipo 'mede palmo', apresentam coloração variando de verde-claro a marrom-escuro, podendo apresentar estrias transversais escuras. O período ovo-adulto médio é de 17,5 dias.

Cryptoblabes gnidiella

É uma mariposa de coloração cinza e suas lagartas, de coloração marrom, atingem até 10 mm de comprimento. Não há dados de sua biologia em mangueira. Em videira, a duração do ciclo ovo-adulto é de 36 dias. Nas inflorescências atacadas por C. gnidiella observa-se o aparecimento de teias e excrementos. Sua presença é maior nas inflorescências compactadas pelo uso do paclobutrazol ou infectada pelo fungo Fusarium spp.

Monitoramento

Efetuar ao acaso, a batedura (em bandeja plástica branca), de quatro panículas por planta (uma em cada quadrante), para observar a presença ou ausência de lagartas. As panículas compactas devem ser abertas para o monitoramento.

Nível de ação

Quando forem encontradas, em média, 10% ou mais de inflorescências com presença de lagartas.

Controle

Poda e queima das inflorescências com sintomas de malformação.

 
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