Propagação
por enxertia
Escolha
e obtenção do porta-enxerto
Semeadura
do porta-enxerto
Plantas
matrizes
Enxertia
Borbulhia
em T invertido
Garfagem
de fenda cheia
Na propagação de qualquer espécie vegetal,
incluindo a mangueira, a muda é a base do futuro pomar e
deve ser de boa procedência. Visando a implantação
de pomares comerciais e produtivos torna-se fundamental a utilização
de mudas com qualidade fisiológica, morfológica e
fitossanitária. A produção de mudas da mangueira
pode ser feita por sementes ou pelo método da enxertia.
A produção de mudas por sementes é um método
simples e barato que origina plantas vigorosas, com sistema radicular
pivotante e com maior longevidade. Geralmente é utilizado
em programas de melhoramento genético visando à obtenção
de novas variedades e na formação de bancos de germoplasma
(BAGs). Também é utilizado na propagação
de cultivares poliembriônicas e, principalmente, na obtenção
de porta-enxertos. Apresenta algumas desvantagens em relação
ao método da enxertia, como a variabilidade genética
em decorrência da segregação; formação
de plantas vigorosas e com porte elevado, dificultando as práticas
culturais; e juvenilidade, ou seja, o ciclo de produção
da planta é mais tardio, ocorrendo 5 a 6 anos após
o plantio.
A produção de mudas pelo método da enxertia
apresenta custos mais elevados e necessita de mão de obra
tecnificada em relação ao método de sementes.
Entretanto, as plantas são mais precoces e apresentam baixo
vigor, formando pomares uniformes, facilitando-se, assim, as operações
relacionadas ao manejo, tratos culturais e a colheita.
A enxertia é um método utilizado para a produção
de mudas de qualidade e constitui na união de duas porções
de tecido vegetal de cultivares diferentes, de uma mesma espécie
ou gênero, dando origem a uma nova planta. Essa união
deve ser entre os tecidos cambiais das duas plantas (enxerto ou
cavaleiro/garfo e porta-enxerto ou cavalo). O enxerto é sempre
representado por uma parte da planta que se pretende propagar e é responsável
pela formação da parte aérea da planta, enquanto
o porta enxerto é o que recebe o enxerto, sendo responsável
pelo sistema radicular, e geralmente é uma planta jovem,
com ótimo crescimento, proveniente de sementes ou de estacas,
vigoroso e resistente a pragas e doenças.
| Escolha
e obtenção do porta-enxerto |
|
A escolha e a obtenção do porta-enxerto utilizado
depende da disponibilidade de sementes. Geralmente, os viveiristas
coletam os frutos das cultivares mais comuns da região,
sem considerarem as características principais da planta
matriz como vigor, condições nutricionais e fitossanitárias,
idade, etc.
As cultivares poliembriônicas originam duas ou mais plantas
de uma única semente e devem ser utilizadas para o fornecimento
de sementes, pois produzem mudas de maior vigor, garantindo a mesma
qualidade da planta-mãe e, portanto, maior uniformidade
no pomar.
As cultivares mais utilizadas como porta enxertos são
a "Espada" e "Coquinho". A "Coquinho" apresenta
germinação mais rápida, porém, a "Espada",
por causa das características de vigor, atinge mais precocemente
o ponto de enxertia e apresenta tolerância à seca
da mangueira, tendo grande aceitação entre os viveiristas.
Entretanto, o produtor ou viveirista poderá escolher entre
uma ou outra dependendo da sementes disponíveis na sua propriedade.
As sementes devem ser retiradas de frutos maduros, sadios, livres
de doenças e pragas, lavadas e colocadas para secar em jornal,
em local ventilado e à sombra, por um período de
3 a 5 dias. Em seguida, deve-se fazer a retirada do tegumento externo
(endocarpo) que envolve a amêndoa, com o auxilio da tesoura
de poda ou canivete. Essa técnica favorece ao maior índice
de germinação (90% a 95%), com maior rapidez e a
obtenção de plantas bem formadas, vigorosas e prontas
para serem enxertadas em menor espaço de tempo. Em consequências
das perdas que ocorrem durante a obtenção do porta-enxerto
e na enxertia, faz-se a semeadura de 40% a 50% a mais de sementes,
em relação a quantidade de mudas que serão
produzidas.
As sementes de manga perdem o poder germinativo rapidamente e
dessa forma, o período que se estende desde a colheita do
fruto, retirada da semente até a semeadura, não deverá ultrapassar
mais de 15 dias.
| Semeadura
do porta-enxerto |
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A semeadura pode ser feita em recipientes (sacos plásticos
de polietileno pretos), com dimensões de 35 cm a 40 cm de
altura, 17 cm a 25 cm de largura e 0,12 mm a 0,15 mm de espessura.
Esses recipientes devem conter pequenos furos nas laterais e na
base, para melhor escoamento do excesso de água e maior
arejamento das raízes. O substrato utilizado deve ser uma
mistura de solo (terra de barranco) e esterco curtido (3:1 v/v),
além da adição de 3 kg de superfosfato simples
e 500 g de cloreto de potássio por m3 da mistura. Quando
fizer o uso de solo argiloso, adicionar uma parte de areia na mistura
(Figura 1).
| Fotos: Bastos,
D. C. |
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| Fig. 1. Porta
enxertos semeados em sacos plásticos, prontos para enxertia. |
A semeadura também pode ser feita diretamente em canteiros
(sementeira), com 10 m a 20 m de comprimento, 1,20 m de largura
e 0,15 m de altura, com a incorporação no solo de
5 kg a 10 kg de esterco curtido, 100 g de superfosfato simples
e 50 g de cloreto de potássio por m2 de sementeira. Os sulcos
devem ter 5 cm de profundidade, distanciados entre si de 20 cm.
As sementes são colocadas a uma distância de 3 cm
uma da outra, com a sua face ventral voltada para baixo e cobertas
com uma camada de terra.
Os tratos culturais realizados na sementeira são os usualmente
recomendados, constituindo-se de irrigações, adubações,
capinas e controle fitossanitário, que são os mesmos
realizados na semeadura em recipientes.
Após 50 a 75 dias da semeadura, quando os porta-enxertos
apresentarem 25 cm de altura, realiza-se a repicagem para o viveiro,
com espaçamento de 80 cm a 120 cm nas entrelinhas e 40 cm
entre as plantas. Nos sulcos com 20 cm a 30 cm de profundidade,
deve-se aplicar esterco curtido (1 L a 2 L), 100 g de superfosfato
simples e 25 g de cloreto de potássio por metro linear.
É fundamental a instalação de um sistema
de irrigação. Os tratos culturais são aqueles
usualmente utilizados na condução de viveiros e semelhantes
aos relacionados para a sementeira.
A planta matriz fornecedora do material propagativo (garfos e
borbulhas) destaca-se entre os principais fatores que influenciam
na produção dos frutos nos pomares comerciais. O
material propagativo é retirado de plantas matrizes sadias
e que apresentem boas condições nutricionais e fitossanitárias.
Deste modo, o produtor de mudas deverá ter plantas matrizes
tanto para o fornecimento de material para a formação
do porta-enxerto, como também para o enxerto.
Os garfos ou ponteiros devem ser retirados de ramos maduros (6
a 8 meses de idade) e terminais da cultivar que se deseja propagar,
ter formato arredondado, coloração variando entre
verde a verde acinzentado e possuir gemas apicais entumescidas
e sadias. Recomenda-se que entre 5 a 10 dias antes de sua utilização,
realize-se a retirada da porção terminal do ramo
que fornecerá as borbulhas, eliminando-se a gema apical.
Esta prática facilitará o entumescimento das gemas
e, consequentemente, a precocidade de pegamento após a enxertia
(Figura 2).
| Foto: Bastos,
D. C. |
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| Fig. 2. Garfos
com gemas entumecidas prontas para serem utilizadas na enxertia. |
A enxertia, embora simples e de fácil execução,
só possibilita altos índices de pegamento quando
forem observados fatores como a compatibilidade entre porta-enxerto
e enxerto, as condições fisiológicas do porta
enxerto, do enxerto (garfo ou borbulha), relacionados com a época
de realização e a disponibilidade dos mesmos, as
condições climáticas (temperatura e umidade),
métodos utilizados, mão-de-obra especializada e práticas
de manejo antes e após a enxertia.
O método de borbulhia em "T" invertido tem como
principal vantagem a economia de material propagativo. Uma porção
terminal origina de 5 a 10 borbulhas (enxertos). O inconveniente
desse tipo de enxertia é a dificuldade de conseguir gemas
entumescidas que emitam brotações. Geralmente, utiliza-se
porta enxertos com 6 a 12 meses de idade e 1 cm de diâmetro,
fazendo-se um corte vertical de 3 cm a 5 cm em "T" invertido
no porta enxerto a uma altura de 15 cm a 20 cm do solo. Um segundo
corte (horizontal) é feito na base do porta-enxerto, ajustando-se
a seguir a gema e fazendo-se o amarrio com fita plástica.
(Figura 3).
| Fonte: Matos
(2000). |
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| Fig. 3. Enxertia
tipo borbulhia em T invertido. |
Após 20 dias da enxertia, a fita plástica é retirada
e a gema fica exposta, e se a borbulha apresentar aspecto verde
e com os tecidos unidos aos do porta-enxerto, é sinal de
que o pegamento do enxerto foi adequado.
Entre 40 a 45 dias após a enxertia a gema começa
a brotar, e faz-se o corte ou decapitação do porta-enxerto
a altura de 5 cm acima do ponto de enxertia. Quando ocorrer o segundo
fluxo vegetativo (5 a 7 meses após a enxertia), faz-se o
corte da parte restante do porta-enxerto rente a este ponto, e
amarra-se um tutor até a muda se desenvolver totalmente
e estar pronta para o plantio no campo. O período total
de produção da muda, desde a obtenção
do porta-enxerto até esta fase é de 10 a 12 meses.
A garfagem de fenda cheia (Figura 4) é um dos métodos
de enxertia mais utilizados na produção de mudas
da mangueira, por apresentar precocidade e altos índices
de pegamento, além de ser de fácil execução
quando comparados a outros tipos de enxertia.
| Foto: Bastos,
D. C. |
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| Fig. 4. Garfagem
de fenda cheia. |
Neste tipo de garfagem, tanto o porta enxerto como o garfo apresentam
diâmetro semelhante, em torno de 8 mm a 12 mm. Inicialmente,
faz-se a decapitação do porta enxerto, entre 10 cm
a 15 cm do solo. Em seguida, através de um corte vertical,
faz-se uma incisão ou fenda com 3 cm de profundidade. A
seguir, o garfo que possui de 10 cm a 15 cm de comprimento e com
sua base preparada em forma de bisel (cunha), também com
3 cm, é introduzido na fenda do porta enxerto, ajustando-se
os tecidos do câmbio pelo menos de um dos lados e fazendo-se
o amarrio da região de enxertia com fita plástica.
Para evitar o ressecamento dos tecidos, recomenda-se cobrir o garfo
com saco plástico transparente e amarrá-lo em sua
extremidade inferior, formando uma 'câmara úmida'
(Figura 5).
| Foto: Bastos,
D. C. |
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| Fig. 5. Câmara úmida
na região da enxertia tipo garfagem de fenda cheia. |
As operações de irrigação, adubação,
controle de plantas daninhas, controle fitossanitário e
desbrotas no porta-enxerto devem ser realizadas durante todo o
período de formação da muda.
O período total desde a semeadura do porta-enxerto até a
muda pronta para o plantio varia entre 6 a 8 meses. As mudas estão
prontas para serem levadas para o local definitivo de plantio após
3 a 4 meses da realização da enxertia, quanto atingirem
a altura de 50 cm a 70 cm (Figura 6).
| Foto: Mouco,
M. A. |
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| Fig. 6. Mudas
prontas para transplantio. |
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