Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistemas de Produção, 2
ISSN 1678-197X Versão Eletrônica
Nov/2007
Sistema de produção da mangaba para os tabuleiros costeiros e baixadas litorâneas
Autores

Sumário

Introdução
Clima
Solos
Propagação
Plantio
Tratos culturais
Nutrição e adubação
Pragas
Doenças
Colheita e pós-colheita
Coeficientes técnicos

Referências
Expediente

Plantio

A mangabeira poderá ser plantada no sistema solteiro, em consórcio com culturas perenes e de ciclo curto ou mesmo utilizada no enriquecimento da vegetação nativa, da qual faz parte.

 

Solteiro

Nesse sistama de plantio, recomenda-se que se utilize os espaçamentos 7 x 6m ou 7 x 7m, o que corresponde a populações de 238 e 204 plantas por hectare, respectivamente. Esses espaçamentos parecem adequados ao porte da mangabeira que, sendo de pé franco (não enxertada), chega a atingir 5 a 10 metros de altura e um diâmetro de copa em torno de sete metros.

 

Consorciado

Embora não existam dados de pesquisa, verifica-se na prática que até o terceiro ano após o plantio é possível o cultivo de plantas de ciclo curto e porte baixo entre as linhas de plantas. É importante que as culturas intercalares situem-se no mínimo a um metro e meio de distância da projeção da copa da mangabeira. Dessa maneira, à medida que a mangabeira for crescendo, a faixa de cultivo das culturas intercalares diminuirá. Poderão ser utilizadas culturas como a melancia, abóbora, feijão, leguminosas para adubação verde e outras, desde que sejam tomadas as precauções para evitar a competição por luz, água e nutrientes.
Outra forma de consórcio é com o coqueiro, no qual se plantam as mangabeiras na mesma linha de cultivo dos coqueiros, observando o espaçamento de 10m x 10m em quadrado, para o coqueiro gigante, e 9m x 9m em quadrado, para o coqueiro anão.
É importante que tanto as mangabeiras quanto as culturas consorciadas recebam os tratos de acordo com as suas necessidades, para que não ocorram prejuízos mútuos.

Fotos: Raul Dantas Vieira Neto

 

Fig.1. Plantio consorciado.

 

Em meio à vegetação nativa

A mangabeira poderá ser utilizada na recuperação de áreas degradadas ou até mesmo para o enriquecimento da vegetação nativa da qual a mesma faz parte, permitindo o manejo sustentável desta vegetação. Nesta modalidade de plantio, poderá ser feita a limpa em faixas com largura em torno de 1,5m, distanciadas 10m entre si; as mangabeiras deverão ser plantadas nessas faixas. Outra forma seria o plantio de mangabeiras de forma aleatória, em locais onde existam falhas de vegetação; em ambos os casos, estas deverão ser posicionadas de maneira tal que recebam insolação durante a maior parte do dia. As faixas de plantio deverão preferencialmente ser abertas no sentido leste-oeste. As áreas em torno das plantas deverão ser mantidas livres de plantas daninhas, por meio de limpas em faixas ou coroamento.

Foto: Raul Dantas Vieira Neto

 

Fig. 2. Plantio em meio à vegetação.

 

Implantação do mangabeiral

Em primeiro lugar, realiza-se o preparo do solo através da aração e gradagem. Em seguida executa-se a marcação e a abertura das covas de plantio, que deverão ter as dimensões de 30 x 30 x 30cm. Se o terreno for muito arenoso (neossolo quartzarênico), recomenda-se que pelo menos 1/5 da terra de enchimento da cova seja constituída de terra preta ou outro material com bom teor de argila; isso ajuda a planta a atingir melhor desenvolvimento inicial, principalmente por proporcionar ao substrato uma maior retenção de água. Nesse caso, a terra preta ou argila deverá ser bem misturada ao restante do solo que encherá a cova. Após o preparo do substrato, a cova, deverá ser fechada, tendo o seu local demarcado por meio de piquete.
Deve-se evitar utilizar esterco bovino na cova de plantio; em testes realizados, verificou-se que em sua presença as plantas apresentaram menor altura, menor diâmetro de caule, menor produção de matéria seca e maior mortandade de plantas, tendo esta variado de 45% a 66%.
O plantio no local definitivo deverá ser realizado quando as mudas tiverem entre 20cm e 30cm de altura, ou seja, com no mínimo 10 pares de folhas. Deverá ser feito em dia nublado, ou no fim da tarde, estando o solo ou pelo menos a terra da cova com um bom teor de umidade, para facilitar o pegamento das mudas. No momento do plantio, as covas deverão ser reabertas o suficiente para a colocação das mudas. Retira-se o saco plástico para permitir o desenvolvimento normal das raízes, tendo-se o cuidado de não danificar o torrão. A profundidade de plantio deverá ser ajustada, de forma que a superfície superior do torrão fique 5cm acima do nível normal do solo em solos areno-argilosos e ao nível do solo, em solos arenosos. Em seguida a muda é firmada, chegando terra ao torrão, compactando-a suavemente.
O plantio pode ser realizado em diferentes épocas do ano, a depender de alguns aspectos que deverão ser previamente analisados. Plantando no início das chuvas, o produtor deverá estar inicialmente preparado para a ocorrência de veranico período sem chuvas -, que pode durar de 15 dias a 30 dias; nesse período, possivelmente será necessário molhar as plantas de 2 a 4 vezes, para permitir a sobrevivência e o pegamento. Após esse período, as chuvas retomam o seu ritmo normal, devendo então o produtor ficar atento para o possível surgimento de doenças fúngicas, que deverão ser combatidas, sob o risco de perda do sistema foliar e morte das plantas. As plantas que chegarem no final do inverno em boas condições, tendo atingido em torno de 50 cm a 60cm de altura, estarão aptas a suportar o período seco.

Tem-se verificado sucesso em plantios realizados no período seco, durante as chuvas de verão ou mesmo nos últimos meses do período chuvoso. Nesses casos, eventualmente será necessária a utilização de irrigação, ou pelo menos de molhação com quantidade mínima de água, geralmente 3 litros a 4 litros, de 5 dias em 5 dias, se não houver chuvas no período. Plantando-se nos períodos de menor pluviosidade, evita-se o desfolhamento e morte de plantas ocasionados principalmente por doenças foliares, além de o desenvolvimento das plantas ser maior em condições de menor umidade relativa do ar e maior temperatura.
 
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