Embrapa Meio-Norte
Sistema de Produção, 3
ISSN 1678-8818 Versão Eletrônica
Jul/2003
Produção de Mel
Autores
Início

Introdução e Histórico
Raças de Abelhas Apis mellifera
Importância econômica
Mel
Morfologia e Biologia das Abelhas Apis mellifera
Organização Social e Desenvolvimento
Equipamentos
Instalações
Povoamento da Colmeia
Manejo produtivo das colmeias
Alimentação
Doenças e Inimigos Naturais
Substituição de Rainhas
Colheita
Extração e Processamento do Mel
Comercialização
Referências bibliográficas
Glossário


Expediente

Equipamentos
Martelo de Marceneiro,Arame ,Esticador de Arame,Carretilha de Apicultor
Incrustador Elétrico de Cera,Limpador de Canaleta,Fumigador
Formão de Apicultor,Vassoura (espanador),Vestimentas,Colmeia

A prática apícola requer alguns utensílios especiais, tanto para o preparo das colmeias, como para o manejo em si, sendo de suma importância o emprego correto desses itens pelo apicultor, para que se possam garantir a produção racional dos diversos produtos apícolas e a segurança de quem está manejando as colmeias, assim como das próprias abelhas. 

Topo da página

Martelo de Marceneiro e Alicate 

Ferramentas muito utilizadas pelo apicultor na manutenção das colmeias (Fig. 11 A e B) e principalmente na atividade de "aramar" os quadros (colocação do arame nos quadros para sustentação da placa de cera alveolada).


Figura 11. Alguns dos apetrechos utilizados pelo apicultor para o preparo das colmeias: (A) martelo de marceneiro, (B) alicate, (C) aram, (D) esticador de arame,  (E) quadro de melgueira.

Topo da página

Arame 

Arame utilizado para formação de uma base de sustentação e fixação da placa de cera alveolada. Deve ter espessura tal que permita leve tensionamento sem o seu rompimento, mas que não seja grosso demais, o que iria dificultar a fixação da cera. Normalmente se usa o arame nº 22 ou nº 24. Recomenda-se a utilização do arame de aço inóx, mais resistente e de maior durabilidade que o arame comum de metal (Fig. 11 C).

Topo da página

Esticador de Arame

Trata-se de um suporte de metal, onde o quadro é encaixado, com a finalidade de esticar o arame. Ferramentas como alicates (corte ou de bico) também podem auxiliar nesse procedimento ou mesmo realizá-lo plenamente, embora sem a mesma eficiência e praticidade do esticador (Fig. 11 D e Fig. 12).


Figura 12. Esticador de arame (A) e o quadro de melgueira (B).

Topo da página

Carretilha de Apicultor 

Equipamento utilizado para fixação da cera no arame. É constituída de uma peça com empunhadura de madeira e parte de metal, com uma roda dentada na extremidade (Fig. 13).


Figura 13. Carretilha do apicultor.

Incrustador Elétrico de Cera 

Aparelho utilizado também para a fixação da cera no quadro, por meio do leve aquecimento do arame. É constituído de um suporte onde é fixada uma resistência (chuveiro) e fios para a condução da corrente elétrica, os quais possuem na extremidade dois terminais de fixação no arame (Fig 14).


Figura 14. Incrustador elétrico de cera.

Topo da página

Limpador de Canaleta 

Utensílio de metal com extremidade curvada, usado para raspar a cera velha da canaleta do quadro, para incrustação de nova placa de cera. Outros equipamentos podem ser utilizados para a mesma finalidade, como facas, canivetes, etc., que podem ser úteis ao apicultor em outras situações (corte de placa de cera, de favo para captura de enxames, etc.).

Topo da página

Fumigador 

Equipamento constituído de tampa, fole, fornalha, grelha e bico de pato (Fig. 15). Tem a função de produzir fumaça, sendo essencial para um manejo seguro. O fumigador que hoje é utilizado pelos apicultores brasileiros foi desenvolvido aqui mesmo no Brasil, a partir do modelo anteriormente utilizado, de dimensões menores, após o processo de africanização que as abelhas sofreram no País.  O modelo brasileiro por apresentar maior capacidade de armazenamento da matéria-prima a ser queimada, propicia a produção de fumaça por períodos mais longos, sem a necessidade freqüente de abastecimento (Fig. 15 e 16). O desenvolvimento desse fumigador, juntamente com outras técnicas de manejo foram fundamentais para a continuidade da apicultura no Brasil, pois viabilizou o manejo das abelhas africanizadas.


Figura 15. Partes que compõem um fumigador: (A) tampa, (B) fole, (C) fornalha, (D) grelha, (E) bico de pato.


Figura 16. Fumigador montado.

Topo da página

Formão de Apicultor 

Utensílio de metal, com formato de espátula (aproximadamente com 20,0 cm de comprimento e 3,0 cm de largura) e uma das extremidades com leve curvatura (Fig. 17 A). É utilizado pelo apicultor para auxiliá-lo na abertura da caixa (desgrudando a tampa), remoção dos quadros, limpeza da colmeia, raspagem da própolis de peças da colmeia (tampa, fundo, etc.), remoção de traças, etc.


Figura 17. Formão do apicultor (A) e vassoura ou espanador (B).

Topo da página

Vassoura ou espanador apícola 

O espanador é uma pequena vassoura de mão utilizada para remover as abelhas dos favos ou de outros locais sem machucá-las (Fig. 17 B). Devem ser fabricadas de cerdas sintéticas (cores claras de preferência), pois as cerdas naturais têm odor muito forte, irritando as abelhas.

Topo da página

Vestimentas 

O uso da vestimenta apícola pelo apicultor é condição essencial para uma prática segura. Composta de macacão, máscara, luva e bota, apresenta algumas características específicas (Fig. 19):

  • Macacão: Deve ser de cor clara (cores escuras podem irritar as abelhas), confeccionado com brim (grosso) ou materiais sintéticos (nylon, polyester, etc.). Pode ser inteiriço ou composto de duas peças (calça e jaleco), com elásticos nas extremidades (pernas e braços), tendo a máscara já acoplada ou não. Os modelos que têm a máscara separada necessitam de chapéu (de palha); outros mais modernos, dispensam o seu uso. Recomenda-se que o macacão esteja bem folgado, evitando o contato do tecido com a pele do apicultor. Atualmente, existem no mercado vários modelos que agregam inúmeras soluções que facilitam o manejo (áreas maiores de ventilação, local que permita a ingestão de líquidos, materiais mais resistentes, etc.).
  • Luva: Podendo ser confeccionada com diversos materiais (couro, napa ou mesmo borracha), deve, entretanto, ser capaz de evitar a inserção do ferrão na pele, principalmente porque as mãos do apicultor são áreas muito visadas pelas abelhas.
  • Bota: Deve ser de cor clara, de preferência cano alto, confeccionada em borracha ou couro.


Figura 19. Vestimenta apícola completa: (A) jaleco com máscara e calça, (B) luvas, (C) bota.

Topo da página

Colmeia 

As colmeias são as peças fundamentais na prática de uma apicultura racional. O desenvolvimento de peças móveis (tampas, fundos, quadros, etc.) permitiu a exploração dos produtos apícolas de forma contínua e racional, sem dano para as abelhas. Existem vários modelos de colmeias, entretanto, o apicultor deve padronizar seu apiário, evitando a utilização de diferentes modelos. Uma colmeia racional é subdividida em: tampa, sobrecaixa (melgueira ou sobreninho), ninho e fundo e os quadros (caixilhos). A manutenção das medidas padrões para cada modelo também é essencial.

Para a construção das colmeias, recomenda-se uso de madeiras de boa qualidade (cedro, aroeira, pau d'arco, etc.), que garantam uma maior vida-útil para a caixa. A madeira deve estar bem seca, evitando posterior deformação. A espessura da tábua pode variar, desde que sejam respeitadas as medidas internas das colmeias e externas dos quadros.

O produtor poderá optar por usar na parte superior da colmeia a melgueira ou o sobreninho. As caixas podem ser compradas ou feitas pelo apicultor e devem ser pintadas externamente com tinta de cor clara e de boa qualidade (látex), o que ajuda na conservação do material. Internamente, as colmeias não devem ser pintadas. O modelo indicado pela Confederação Brasileira de Apicultura como padrão de colmeia é o modelo Langstroth (Fig. 20 a Fig. 23). Esta colmeia idealizada por Lorenzo Lorin Langstroth, em 1852, baseada nas pesquisas que identificaram o "espaço abelha".

O espaço abelha é considerado uma das grandes descobertas da apicultura moderna e trata-se do espaço livre que deve haver entre as diversas partes da colmeia, ou seja, entre as laterais e os quadros, quadros e fundo, quadros e tampa e entre os quadros. Esse espaço deve ser de, no mínimo, 4,8 mm e, no máximo, 9,5 mm. Se menor, impede o livre transito das abelhas; se maior, será obstruído com própolis ou construção de favos. 

Na construção das colmeias, o espaço abelha deve ser rigorosamente respeitado.


Figura 20. Colmeia Langstroth vista de frente.


Figura 21. Partes da colmeia Langstroth: tampa (A), melgueira (B), ninho (C), fundo (D).


Figura 22. Colmeia Langstroth com destaque para o alvado.


Figura 23. Colmeia Langstroth aberta mostrando a disposição dos quadros dentro do ninho (A) e o alvado (B).


A prática apícola requer, ainda, outros utensílios e assessórios para as colmeias usados durante o transporte e manejo produtivo e de entressafra. 

  • Tela Excluidora: armação com borda de madeira e área interna de malha de metal ou plástico. Colocada entre o ninho e a sobrecaixa tem a finalidade de evitar o acesso da rainha nas sobrecaixas destinadas à produção de mel (Fig. 24 e 25).

Figura 24. Tela excluidora de rainha com malha de metal.

Figura 25. Tela excluidora de rainha com malha de plástico.
  • Tela Excluidora de Alvado: com a mesma estrutura da tela excluidora de ninho, apresenta dimensões adequadas para ser encaixada no alvado com a finalidade de evitar a saída da rainha (enxameação).
  • Tela de Transporte: utilizada para o transporte da colmeia, podendo ser de dois tipos: a tela de encaixe no alvado e a tela para substituição da tampa (Fig. 26). Esses assessórios permitem a ventilação da colmeias, sem que aja fuga das abelhas por meio tela de "nylon" ou de arame com malha de dimensões inferiores ao tamanho das abelhas (Fig. 26);


Figura 26. Tela de transporte para substituição da  tampa.

  • Redutor de Alvado: peça de madeira encaixada no alvado, de forma a reduzir o espaço livre. Pode ser utilizado em épocas de temperaturas mais baixas (facilita o trabalho das abelhas na termoregulação do ninho), períodos de entressafra (minimizando a possibilidade de saque por outras abelhas) e em enxames fracos (quantidade menor de abelhas), que têm mais dificuldade de defender a família;
  • Alimentadores: equipamentos utilizados para a alimentação artificial de abelhas, possuindo vários modelos que serão descritos posteriormente.
 

Copyright © 2002, Embrapa

Topo da página