Aspectos morfológicos das abelhas Apis
mellifera
As abelhas, como os demais insetos, apresentam um esqueleto externo
chamado exoesqueleto. Constituído de quitina, o exoesqueleto fornece
proteção para os órgãos internos e sustentação para os músculos,
além de proteger o inseto contra a perda de água. O corpo é dividido
em três partes: cabeça, tórax
e abdome (Fig. 3). A seguir, serão descritas
resumidamente cada uma dessas partes, destacando-se aquelas que
apresentam maior importância para o desempenho das diversas atividades
das abelhas.

Figura 3. Aspectos da morfologia externa de
operária de Apis mellifera.
Ilustração: Eduardo A.
Bezerra e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de Snodgrass, 1956.
Cabeça
Na cabeça, estão localizados os olhos - simples e compostos - as
antenas, o aparelho bucal (Fig. 4) e, internamente, as glândulas.
Os olhos compostos são dois grandes olhos localizados na parte lateral
da cabeça. São formados por estruturas menores denominadas omatídeos,
cujo número varia de acordo com a casta, sendo bem mais numerosos nos
zangões do que em operárias e rainhas (Dade,
1994). Possuem função de percepção de luz, cores e movimentos.
As abelhas não conseguem perceber a cor vermelha, mas podem perceber
ultravioleta, azul-violeta, azul, verde, amarelo e laranja (Nogueira Couto & Couto, 2002).

Figura 4.
Aspectos da morfologia externa da cabeça de operária de Apis
mellifera.
Ilustração: Eduardo Aguiar
e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de Dade, 1994.
Os olhos simples ou ocelos
são estruturas menores, em número de três, localizadas na região
frontal da cabeça formando um triângulo. Não formam imagens. Têm
como função detectar a intensidade luminosa.
As antenas, em número de duas, são localizadas na parte frontal
mediana da cabeça. Nas antenas encontram-se estruturas para o
olfato, tato e audição. O olfato é realizado por meio das cavidades
olfativas, que existem em número bastante superior nos zangões, quando
comparados com as operárias e rainhas. Isso se deve à necessidade que os zangões
têm de perceber o odor da rainha durante o vôo nupcial.
A presença de pêlos sensoriais na cabeça serve para a
percepção das correntes de ar e protegem contra a poeira e água.
O aparelho bucal é composto por duas mandíbulas e a língua ou
glossa. As mandíbulas são estruturas fortes, utilizadas
para cortar e manipular cera, própolis e pólen. Servem também para
alimentar as larvas, limpar os favos, retirar abelhas mortas do interior
da colmeia e na
defesa. A língua é uma peça bastante flexível, coberta de pêlos,
utilizada na coleta e transferência de alimento, na desidratação do
néctar e na evaporação da água quando se torna necessário controlar
a temperatura da colmeia.
No interior da cabeça, encontra-se as glândulas hipofaringeanas,
que têm por função a produção da geléia real, as glândulas
salivares que podem estar envolvidas no processamento do alimento e as
glândulas mandibulares que estão relacionadas à produção de geléia
real e feromônio de alarme (Fig. 5) (Nogueira Couto &
Couto, 2002).

Figura 5. Aspectos da
anatomia interna de operária de Apis mellifera.
Ilustração: Eduardo Aguiar e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de
Camargo, 1972.
Tórax
No tórax destacam-se os órgãos locomotores - pernas e asas (Fig. 3) -
e a presença de grande quantidade de pêlos, que possuem importante
função na fixação dos grãos de pólen quando as abelhas entram em
contato com as flores (Nogueira Couto &
Couto, 2002).
As abelhas, como os demais insetos, apresentam três pares de pernas. As
pernas posteriores das operárias são adaptadas para o transporte de
pólen e resinas. Para isso, possuem cavidades chamadas corbículas, nas
quais são depositadas as cargas de pólen ou resinas para serem
transportadas até a colmeia. Além da função de locomoção, as
pernas auxiliam também na manipulação da cera e própolis, na limpeza
das antenas, das asas e do corpo e no agrupamento das abelhas quando formam
"cachos".
As abelhas possuem dois pares de asas de estrutura membranosa que
possibilitam o vôo a uma velocidade média de 24 km/h (Nogueira Couto & Couto, 2002).
No tórax, também são encontrados espiráculos, que são órgãos de
respiração, o esôfago, que é parte do sistema digestivo (Meyer & Wiese, 1985) e glândulas
salivares envolvidas no processamento do alimento.
Abdome
O abdome é formado por segmentos unidos por membranas bastante
flexíveis que facilitam o movimento do mesmo. Nesta parte do corpo,
encontram-se órgãos do aparelho digestivo, circulatório, reprodutor,
excretor, órgãos de defesa e glândulas produtoras de cera (Fig. 5).
No aparelho digestivo, destaca-se o papo ou vesícula nectarífera, que
é o órgão responsável pelo transporte de água e néctar e auxilia
na formação do mel. O papo possui grande capacidade de expansão e
ocupa quase toda a cavidade abdominal quando está cheio. O seu
conteúdo pode ser regurgitado pela contração da musculatura (Nogueira Couto & Couto, 2002).
Existem quatro glândulas produtoras de cera (ceríferas), localizadas
na parte ventral do abdome das abelhas operárias. A cera secretada
pelas glândulas se solidifica em contato com o ar, formando escamas ou
placas que são retiradas e manipuladas para a construção dos favos
com auxílio das pernas e das mandíbulas.
No final do abdome, encontra-se o órgão de defesa das abelhas - o
ferrão - presente apenas nas operárias e rainhas. O ferrão é
constituído por um estilete usado na perfuração e duas lancetas que
possuem farpas que prendem o ferrão na superfície ferroada,
dificultando sua retirada. O ferrão é ligado a uma pequena bolsa onde
o veneno fica armazenado. Essas estruturas são movidas por músculos
que auxiliam na introdução do ferrão e injeção do veneno. As
contrações musculares da bolsa de veneno permitem que o veneno
continue sendo injetado mesmo depois da saída da abelha. Desse modo,
quanto mais depressa o ferrão for removido, menor será a quantidade de
veneno injetada. Recomenda-se que o ferrão seja removido pela base,
utilizando-se uma lâmina ou a própria unha, evitando-se pressioná-lo
com os dedos para não injetar uma maior quantidade de veneno. Como, na
maioria das vezes, o ferrão fica preso na superfície picada, quando a
abelha tenta voar ou sair do local após a ferroada, ocorre uma ruptura
de seu abdome e conseqüente morte. Na rainha, as farpas do ferrão são
menos desenvolvidas que nas operárias e a musculatura ligada ao ferrão
é bem forte para que a rainha não o perca após utilizá-lo.
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