Embrapa Milho e Sorgo
Sistema de Produção, 3
ISSN 1679-012X Versão Eletrônica - 3 ª edição
Set./2011
Cultivo do Milheto
José Avelino Santos Rodrigues
Israel Alexandre Pereira Filho

Sumário

Apresentação
Importância econômica
Clima
Ecofisiologia
Fertilidade de solos
Cultivares
Plantio
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita e pós-colheita
Referências
Glossário

Autores

Expediente

Cultivares

No Brasil, existe demanda por cultivares de milheto para produção de grãos, forragem e biomassa e adaptados aos diversos sistemas de produção em uso. É necessário, para cobertura de solo, que a planta tenha bom rendimento de massa e que a mesma seja durável em relação à sua decomposição, à capacidade de extração de nutrientes e à insensibilidade ao fotoperiodismo. Para forragem, há demanda por cultivares adaptados para pastejo, corte verde, silagem e feno, sendo que o segmento de grãos demanda cultivares de alta produtividade e qualidade, porte baixo, precoces, uniformes e com grãos com alto nível de sanidade, textura de endosperma e cor compativeis com as exigências de mercado.

As cultivares existentes atualmente no mercado são em número reduzido e, na maioria das vezes, provenientes de outros países e de polinização aberta.

COMUM: A Secretaria da Agricultura e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no final dos anos 60, iniciaram um trabalho com milheto em que foram introduzidos diversos materiais da Georgia, USA, avaliados junto com uma variedade local denominada comum. Esta variedade foi introduzida por um padre italiano, no início dos anos 60, e por isto ficou conhecida também como pasto italiano, que apresenta porte entre 1 e 1,60m, desenvolvimento desuniforme e panículas de tamanho variado de 12 a 25cm. Esta variedade é somente utilizada para cobertura do solo em áreas de plantio direto. Apresenta media de 13,9% de proteína bruta e 60,18% de digestibilidade in vitro.

IPA-BULK 1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco lançada em 1977. Desenvolvida com aptidão para produção de forragem na mesorregião do Agreste de Pernambuco, a variedade foi avaliada em Chapada do Araripe e em Serra Talhada, em dois espaçamentos (1 e 0,50m), apresentou altura de plantas variando de 1,8 a 2,33m e produção de grãos variando de 710 a 1.510 kg.ha-1.

SYNTHETIC-1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. Composto adaptado para produção de grãos no sertão de Pernambuco. Essa cultivar foi avaliada em Chapada do Araripe e Serra Talhada em dois espaçamentos (1 e 0,50m), apresentou altura de plantas variando de 1,28 a 1,35m e produção de grãos variando de 950 a 1.650kg.ha-1.

BN-1 e BN-2: Em Bandeirantes-MS, em 1981 iniciou-se um trabalho de seleção massal fenotípica com o intuito de melhorar características em cultivares locais, resultando no lançamento de duas variedades (em 1986, a variedade BN-1 e em 1991 a variedade BN-2).

BN-1: A variedade apresenta porte de 1,7 a 2,3m, com desenvolvimento muito uniforme e panículas grandes (50cm ou mais).

BN-2: Variedade sintética oriunda de diversas introduções da África. Tem ciclo tardio, hábito ereto, porte de 1,4 a 2,2m, panícula grande (20 a 35cm), boa produção de sementes, grande perfilhamento e apresenta boa tolerancia à acidez de solo. A produção média é de 45t.ha-1 de massa verde quando semeada em fevereiro e, quando semeada em março, produz cerca de 37t.ha-1 de massa verde. É muito sensível ao carvão. O pastejo ocorre aos 45-50 dias após emergência, sendo também indicada para plantios tardios ou safrinha. A Tabela 1 mostra a análise química e bromatológica da varieade descrita.

Tabela 1. Análise química e bromatológica da variedade BN-2.
Constituintes
Folha
Colmo
Matéria seca(%)
95,30
95,50
Matéria orgânica(%)
87,70
88,20
Nitrogênio(%)
3,42
1,42
Proteína bruta (%)
21,40
8,90
FDN (%)
62,50
67,90
Digestibilidade in situ (%)
71,50
62,00
Cálcio (%)
0,53
0,13
Magnésio (%)
0,49
0,42
Fósforo (%)
0,267
0,214
Potássio (%)
3,18
3,11
Enxofre (%)
0,189
0,145
Sódio (ppm)
70,00
49,00
Ferro (ppm)
376,00
99,20
Manganês (ppm)
98,50
56,70
Zinco (ppm)
26,60
33,80
Cobre (ppm)
15,60
5,70
Fonte : Bonamigo (1999).

BRS 1501- A Embrapa Milho e Sorgo, em 1999, lançou esta variedade, adaptada para produção de massa em sistemas de plantio direto. Adapta-se muito bem às condições que oferecem riscos de déficit hídrico e apresenta bom potencial de produção de grãos. É uma variedade de polinização aberta, originada por seleção massal de uma população americana. Possui ciclo médio, boa capacidade de perfilhamento e tem mostrado boa recuperação na rebrota (Tabela 2).

Tabela 2. Características da Variedade BRS 1501.

 

 

Florescimento

50 dias

Altura média de plantas 180 cm
Panícula  
Forma em forma de vela
Tipo compacta a semicompacta;
Tamanho 30 a 50 cm, com a presença de pequenas aristas
Grãos  
Forma obovalada

Cor

cinza

Endosperma parcialmente duro
Capacidade de perfilhamento Boa
Produção de massa verde 40 t.ha-¹ no emborrachamento
Produção de grãos 2,5t.ha-¹
Mateira seca ( na fase de enchimento de grãos) 15-20%
Teor de proteína no grão 12%
Regiões de recomendação Sudeste, Centro-Oeste e Sul
Fonte : Pereira Filho et al. (2003).

ENA 1: Criada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro a partir de três cultivares de origem africana (Souna III, HKP e Guerguera). Foi feita a seleção de genótipos visando à produção de palha e de grãos em solos de baixo teor de matéria orgânica, sem aplicação de fertilizantes e sem irrigação, obtendo-se, na quarta geração, a variedade. Em plantios efetuados na UFRRJ, sem adubação e na estação das águas, apresentou plantas de 2,6m de altura, espiguetas de 0,47m, ciclo de 82 dias com espiguetas visíveis aos 52 dias após o plantio, 32t.ha-1 de massa verde na floração, 7ton/ha de massa seca e 2,6toni/ha de grãos na maturação fisiológica. No plantio das secas, nas mesmas condições, apresentou plantas de 1,96m de altura, panículas de 0,50m, ciclo de 76 dias com panícula visível aos 46 dias após o plantio, 11,3t.ha-1 de massa verde na floração, 2,1t.ha-1 de massa seca e 8,1t.ha-1 de grãos na maturação fisiológica. É sensivel à ferrugem (Puccinia substriata).

ADR 300 e ADR 500 - O programa de melhoramento executado pela Sementes Adriana e Bonamigo Melhoramentos disponibilizou para o mercado estas duas variedades que, segundo o folheto divulgado, apresentam porte mais adequado e uniforme, maior resistência às doenças, principalmente à ferrugem, ciclos diferentes, grande produção de grãos e de massa verde. Os dois cultivares estão sendo recomendados para produção de massa e grãos, sendo que ADR 300 apresenta ciclo precoce e ADR 500 ciclo tardio (Tabela 3).

Tabela 3. Características técnicas dos cultivares ADR 300 e ADR 500.
Características
ADR 300
ADR 500
Altura média de plantas 189-230 cm 192-265 cm
Florescimento 45-50 dias 53-58 dias
Ciclo até colheita 92 dias 100 dias
Forma de panícula de vela de vela
Tipo de panícula compacto compacto
Tamanho da panícula 25 cm (media) 28 cm (media)
Grãos Boa qualidade Boa qualidade
Capacidade de perfilhamento Média Muito boa
Massa verde(ponto dessecação) 22 t.ha-¹ (plantio de inverno)
41t.ha-¹ (plantio de primavera)
30 t.ha-¹ (plantio de inverno)
29 t.ha-¹ (plantio de primavera)
Massa verde (3 cortes) 52 t.ha-¹ 29 t.ha-¹
Produtividade de grãos 2.300 kg.ha-¹ 1.500 kg.ha-¹
Peso médio de 1000 sementes 8,4 g 8,1 g
Reação ás doenças Muito boa sanidade Ótima sanidade
Região de adaptação Todo o Brasil Todo o Brasil
Características diferenciadoras Ótimo colmo
Difícil acamar
Grande produção de grãos
Muito boa tolerância à ferrugem
Ciclo mais longo
Muito bom perfilhamento
Fonte : Pereira Filho et al. (2003).

ADR7010 é um híbrido de milheto, lançamento exclusivo da Sementes Adriana. Seus principais benefícios são o alto potencial genético para produção de grãos e massa e o baixo custo de implantação. Por isso, é também conhecido por duplo propósito: por produzir grãos e deixar boa palhada (Tabela 4). Suas características foram desenvolvidas especialmente para atender o setor de indústrias de rações, com produção entre 30 e 40 sacas de grãos por hectare, representando um ganho de 30% em relação às variedades ADR 300 e ADR 500. Mas, pela grande formação de palhada, também é muito utilizado para a silagem e para forrageira.Em 2007, a empresa lançou o híbrido ADR 7010, o primeiro do Brasil, também chamado de Super Grão, pois tem como finalidade a produção de grãos para indústria de ração. As Sementes Adriana lançaram posteriormente  mais dois híbridos, os  ADRs 7020 e 8010.   O primeiro, ADR 7020, tem duplo propósito, pode ser cultivado tanto para a produção de palha, como para grãos. Tem florescimento médio de 52 dias e cìclo de 100, é resistente ao acamamento e moderadamente resistente à ferrugem; produz de 30 a 45 sacos por hectare e, de 5 a 8 toneladas de palha. O ADR 8010 é granífero, de porte médio, com ciclo médio de 95 dias, resistente ao acamamento e com produção média de 30 a 45 sacos/ha. Apesar de produzir de 4 a 6 toneladas ha-1 de matéria seca, podendo ser utilizado para plantio direto, o propósito dessa cultivar é a produção de grãos. O ADR 7020, assim como o seu antecessor, ADR 7010, produz palhada de alta qualidade e disponibiliza muitos nutrientes à cultura subsequente, que será plantada posteriormente ao milheto. O sistema radicular profundo possibilita a reciclagem de nutrientes dispersos no solo e favorece o acúmulo de substâncias, como cálcio, potássio e nitrogênio, na camada superior

Dados recentes de pesquisas comprovam a eficiência da cultivar ADR 300 (SuperMassa) no combate aos nematoides de galha (Meloidogyne incógnita e Meloidogyne javanica), Pratylenchus brachyurus e Rotylenchulus reniformis.

Tabela 4. Características técnicas da cultivar ADR 7010, híbrido intervarietal de duplo propósito.

Características Técnicas

ADR7010

Florescimento

55 dias

Ciclo 100 dias
Altura 2,00 m
Tamanho da panícula 28 cm
Acamamento moderadamente resistente
Resistência à ferrugem moderadamente resistente
Produtividade de grãos a campo 30 a 40 sc ha-1
Produtividade de palhada (massa seca) 5 a 8 t ha-1
Fonte: www.interural.com. Acessado em 13 setembro de 2011.

ANM 17 é uma variedade milheto, produzido pela Agro Norte Pesquisa e Sementes, possui um ótimo perfilhamento, boa tolerância a doenças e permite vários corte. A variedade, conhecida como “aveia de verão”, é usada para alimentação de vacas leiteiras nos meses mais quentes do ano. O material é semeado no final do inverno, ou seja, a partir da segunda quinzena de setembro logo que as temperaturas do solo começam a aumentar e o risco de geadas se torna menor. “Nos primeiros períodos de semeadura sua germinação e crescimento são um pouco lentos, devido à temperatura do solo ainda estar baixa, fator que se normaliza nos próximos meses”.

Normalmente são gastos 20 quilos de sementes por hectare, dependo da forma como for feita a semeadura. A principal vantagem do ANM 17 é sua alta produção de massa verde, desenvolvimento rápido e agressivo. “Esse fator permite que sejam feitos no produto, vários cortes pelos animais, desde que as vacas leiteiras sejam manejadas em piquetes rotacionados”. O primeiro pastejo deve ser feito quando o milheto atinge a altura do joelho, o equivalente a cerca de 50 centímetros de altura, o que ocorre entre 35 e 45 dias. “Normalmente o repouso para reentrada dos animais ocorre de duas a três semanas, dependendo das condições físicas e químicas, ou seja, da fertilidade do solo” Além da cultivar descrita anteriormente a Agro Norte Pesquisas e Sementes desenvolveu também as cultivares ANSB Milheto MC e ANM 30 nas quais as característica técnicas estão apresentadas na tabela 5.

Tabela 5. Características técnicas das cultivares ANSB Milheto MC, ANM 17 e ANM 30.

Características

ANSB Milheto MC

ANM 17

ANM 30

Altura da planta (m)

1,97

2,18 – 2,94

1,83 – 2,42

Diâmetro do colmo (mm)

8,12

8,85

9,99

Capac. de perfilhamento

Baixa

Alta

Média

Sucep. ao acamamento

Baixa

Baixa

Baixa

Folha comp. lamina (cm)

65

63

69

Folha larg. lamina (cm)

3,34

3,23

3,53

Panícula diâmetro (cm)

28,2

34,9

39,4

Ciclo: emerg. ao floresc.

43 dias

51 dias

45 dias

Grão: peso hectolitro

8,38

9,81

9,15

Massa verde ponto dessec

36,75 t ha-1

42,59 t ha-1

42,50 t ha-1

Grãos

Boa qualidade

Boa qualidade

Boa qualidade

Pot. produtivo (kg ha-1)

2264 - 3484

783 - 1472

772 - 1750

Adaptação regional

Todo Brasil

Todo Brasil

Todo Brasil

Matéria seca (t ha-1)

8.750

18.122

16.800

Fonte: www.agronorte.com.br acessado em 13 setembro de 2011
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