Embrapa Milho e Sorgo
Sistemas de Produção, 1
ISSN 1679-012 Versão Eletrônica - 2ª Edição Dez./2006
Cultivo do Milho

Carlos Roberto Casela
Alexandre da Silva Ferreira
Fernando Tavares Fernandes
Nicécio F. J. A. Pinto

Sumário

Apresentação
Economia da produção
Zoneamento agrícola
Clima e solo
Ecofisiologia
Manejo de solos
Fertilidade de solos
Cultivares
Plantio
Irrigação
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Expediente

 

Doenças

Doenças Foliares

Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis)

Importância e Distribuição: A doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás em Rio Verde, Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente a doença está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%.

Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por manchas de coloração cinza, retangulares a irregulares com as lesões desenvolvendo-se paralelas às nervuras. Pode ocorrer acamamento em ataques mais severos da doença (Fig. 1).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 1 Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e C. sorghi f. sp.. maydis)

Epidemiologia: A disseminação ocorre através de esporos e restos de cultura levados pelo vento e respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte local e fonte para outra áreas.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Evitar a permanência de restos da cultura de milho em áreas em que a doença ocorreu com alta severidade, para reduzir o potencial de inóculo. Realizar rotação com culturas como soja, sorgo, girassol, algodão e outras, uma vez que o milho é o único hospedeiro da Cercospora zeae-maydis. Para evitar o aumento do potencial de inóculo da Cercospora zeae-maydis deve - se evitar o plantio de milho após milho. Plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época de plantio. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnica para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho, favoráveis ao desenvolvimento desse patógeno, principalmente a relação nitrogênio/potássio. Para que essas medidas sejam eficientes recomenda-se a sua aplicação regional (em macro - regiões) para evitar que a doença volte a se manifestar a partir de inóculo trazido pelo vento de lavouras vizinhas infectadas.

Mancha de phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis)

Importância e Distribuição: A doença apresenta ampla distribuição no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores a 60% em determinadas situações.

Sintomas: As lesões iniciais apresentam um aspecto de encharcamento (anasarca), tornando-se necróticas com coloração palha de formato circular a oval com 0,3 a 2cm de diâmetro. Há coalescência de lesões em ataques mais severos (Fig. 2).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 2 Mancha branca (Pantoae ananas)

Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14ºC são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases inciais da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo.

Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14ºC são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases inciais da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo.

Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.)

Importância e Distribuição Geográfica: No Brasil, foram já determinados danos de 44,6%, à produção de milho pelas ferrugens branca e polissora, sendo a maior parte atribuída a P. polysora e parte a Physopella zeae. A doença está distribuída por toda a região Centro-Oeste, Noroeste de Minas Gerais, São Paulo e parte do Paraná.

Sintomas: Pústulas circulares a ovais, marron claras, distribuídas na face superior das folhas e, com muito menor abundância na face inferior da folha (Fig. 3).

Foto: Carlos Roberto Casela
Fig. 3 Ferrugem Polissora (Puccinia polysora Underw.)

Epidemiologia: A ocorrência da doença é dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700m. Altitudes acima de 1200m são desfavoráveis ao desenvolvimento da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética.

Ferrugem Comum (Puccinia sorghi)

Importância e Distribuição: No Brasil a doença tem ampla distribuição com severidade moderada, tendo maior severidade nos estados da região Sul.

Sintomas: As pústulas são formadas na parte área da planta e são mais abundantes nas folhas. Em contraste com a ferrugem polissora, as pústulas são formadas em ambas as superfícies da folha, apresentam formato circular a alongado e se rompem rapidamente (Fig. 4).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 4 Ferrugem Comum (Puccinia sorghi)

Epidemiologia:
Temperaturas baixas (16 a 230ºC) e alta umidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimento da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética.

Epidemiologia: Temperaturas baixas (16 a 230ºC) e alta umidade relativa (100%) favorecem o desenvolvimento da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares com resistência genética.

Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)

Importância e Distribuição:No Brasil, encontra-se distribuída no Centro - Oeste, e Sudeste (Norte de São Paulo) . O problema é maior em plantios contínuos de milho, principalmente áreas de pivot.

Sintomas: Pústulas brancas ou amareladas, em pequenos grupos, de 0,3 a 1,0mm de comprimento na superfície superior da folha, paralelamente às nervuras (Fig. 5).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 5 Ferrugem Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)

Epidemiologia: Os uredosporos são o inóculo primário e secundário, sendo transportados pelo vento ou em material infectado. Não são conhecidos hospedeiros intermediários de P. zeae. A doença é favorecida por condições de alta temperatura (22-340ºC), alta umidade relativa e baixas altitudes. Por ser um patógeno de menor exigência em termos de umidade o problema tende a ser a maior na safrinha.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Os plantios contínuos tendem a agravar o problema causados pelas ferrugens em geral. Recomenda-se a alternância de genótipos e a interrupção no plantio durante um certo período para que ocorra a morte dos uredosporos.

Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

Importância e Distribuição: No Brasil o problema tem sido maior em plantios de safrinha. As perdas podem atingir a 50% em ataques antes do período de floração.
Sintomas: Os sintomas característicos são lesões alongadas, elípticas de coloração cinza ou marrom e comprimento variável entre 2,5 a 15cm. A doença ocorre inicialmente nas folhas inferiores (Fig. 6).

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Carlos Roberto Casela
Fig. 6 Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

Epidemiologia: O patógeno sobrevive em folhas e colmos infectados. A disseminação ocorre pelo transporte de conídios pelo vento a longas distâncias. Temperaturas moderadas (18-270ºC) são favoráveis à doença bem como a presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto.

Manejo da Doença: O controle da doença é feito através do plantio de cultivares com resistência genética. A rotação de culturas é também uma prática recomendada para o manejo desta doença.

Helmintosporiose (Bipolaris maydis )

Importância e Distribuição: Esta doença encontra-se bem distribuída no Brasil, porém com severidade baixa a média.

Sintomas: A Raça 0 produz lesões alongadas, delimitadas pelas nervuras com margens castanhas com forma e tamanho variáveis. O patógeno ataca apenas as folhas. A Raça T produz lesões de coloração marron de formato elíptico, margens amareladas ou cloróticas (Fig. 7)

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 7 Helmintosporiose (Bipolaris maydis)

Epidemiologia: A sobrevivência ocorre em restos culturais infectados e grãos. Os conídios: são transportados pelo vento e por respingos de chuva. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 22 a 30ºC. A doença é favorecida por alta umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de seca e dias de muito sol entre dias chuvosos são desfavoráveis à doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.

Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora)

Importância e Distribuição: Esta doença está presente nos Estados de: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso e na região Sul do país. Apesar de amplamente distribuída, a doença tem ocorrido com baixa severidade até o momento.

Sintomas: As lesões são alongadas, grandes, semelhantes as de H. turcicum. Diferem desta por apresentar, em algum local da lesão, pequeno círculo visível contra a luz (ponto de infecção). Podem alcançar até 10 cm de comprimento (Fig. 8).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 8 Mancha Foliar de Diplodia (Diplodia macrospora)

Epidemiologia: A disseminação ocorre através dos esporos e os restos de cultura levados pelo vento e por respingos de chuva. Os esporos e os restos de cultura levados pelo vento. Os restos de cultura são fonte local e fonte de disseminação da doença para outra áreas.

Manejo da doença: plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.

Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola)

Importância e Distribuição: O aumento desta doença está associado ao cultivo mínimo e ao plantio direto e também pela não utilização da rotação de cultura. A doença está presente nos estados de GO, MG, MT, MS, SP, PR e SC.

Sintomas: Na fase foliar, a doença caracteriza-se pela presença de lesões de formas variadas, sendo às vezes difícil o seu diagnóstico. Nas nervuras, é comum a presença de lesões elípticas com frutificações (acérvulos do patógeno) (Fig. 9).

Foto:
Carlos Roberto Casela
Fig. 9 Antracnose do Milho (Colletotrichum graminicola)

Epidemiologia: A taxa de aumento da doença é uma função da quantidade inicial de inóculo presente nos restos de cultura, o que indica a importância do plantio direto e plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Um outro fator a influir na quantidade de doença é a taxa de reprodução do patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça do patógeno presente.

Manejo da doença: Plantio de cultivares resistentes. A rotação de cultura é essencial para a redução do potencial de inóculo presente nos restos de cultura.

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