Embrapa Milho e Sorgo
Sistema de Produção, 1
ISSN 1679-012X Versão Eletrônica - 7 ª edição
Set./2011
Cultivo do Milho
Jason de Oliveira Duarte
João Carlos Garcia
Rubens Augusto de Miranda

Sumário

Apresentação
Economia da produção
Zoneamento agrícola
Clima e solo
Ecofisiologia
Manejo de solos
Fertilidade de solos
Cultivares
Plantio
Irrigação
Plantas daninhas
Doenças
Pragas
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

Autores
Expediente

Mercado e comercialização

Produção

A produção de milho no Brasil, juntamente com a de soja, contribui com cerca de 80% da produção de grãos no Brasil. A diferença entre as duas culturas está no fato de que a soja tem liquidez imediata, dadas as suas característica de commodity no mercado internacional, enquanto o milho tem sua produção voltada para o abastecimento interno, embora recentemente a exportação do milho venha sendo realizada em quantidades expressivas e contribuindo para maior sustentação dos preços internos do milho. Apesar disto, o milho tem evoluído como cultura comercial apresentando, nas últimas décadas, taxas de crescimento da produção de 3,0% ao ano e da área cultivada de 0,4% ao ano.

A Fig. 1 apresenta a média de quatro anos, 2007 a 2010, da produção brasileira de milho por estado. Observa-se que o Estado do Paraná, com mais de 13 milhões de toneladas, é o maior produtor de milho do país. Nas faixas de 1 a 5 milhões de toneladas e de 5 a 10 milhões de toneladas, com exceção do Rio de Janeiro e Espírito Santo, está a grande parte dos estados do Centro-Sul do Brasil. Bahia, Ceará, Sergipe, Maranhão e Pará têm se constituído em nova fronteira para a produção de milho em escala comercial, principalmente, nas áreas de cerrado, nos três primeiros, e sul do estado no último, aonde essa cultura vem sendo impulsionada pela expansão da soja. No Ceará, a expansão do cultivo de milho se deve-se ao aumento da demanda por este produto, que foi impulsionada pelo crescimento da produção de aves no estado e no vizinho Pernambuco. Nos outros estados, a produção o de milho é marginal, sendo caracterizada por cultivos familiares para consumo no estabelecimento.


Fonte: IBGE.
Figura 1. Média de quatro anos, 2007 a 2010, da produção brasileira de milho por estado.

Os Gráficos 1 a 3 retratam a produção de milho por estado na safra 2009/2010. No Gráfico 1, de barras, estão retratadas as produções estaduais obtidas nas lavouras da primeira safra (safra de verão) e da segunda safra (safra inverno ou safrinha). O Paraná teve a maior produção no ano 2010 na safra verão, seguido de Minas Gerais. No que se refere à safra de inverno, a maior produção pertenceu ao Mato Grosso, seguido do Paraná.

Os Gráficos 2 e 3 apresentam a participação relativa dos estados na produção de milho da safra verão e da safra inverno. O Estado do Mato Grosso produz 35% da produção nacional de milho na safra de inverno, entretanto possui uma participação insignificante na produção da safra verão. A baixa produção do milho na safra verão no Mato Grosso decorre do fato de que a cultura do milho é rotacionada com a soja no estado. Assim, a soja é plantada na safra verão e o milho é plantado na safra de inverno. Os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul possuem grande participação na produção da safra verão, mas são irrelevantes na safrinha.


Fonte: CONAB.
Gráfico 1.Ranking da produção estadual de milho no Brasil, 2010 em milhões de toneladas.
Fonte: CONAB.
Gráfico 2.Ranking da produção estadual de milho no Brasil, safra verão 2009/2010 em milhões de toneladas.

Verifica-se no Gráfico 2 que 90% da produção de milho em grão no Brasil, na safra verão de 2009/2010, foi produzida em 9 (nove) estados, sendo apenas Bahia o único estado fora da região Centro-Sul. Em relação à safrinha, a produção é ainda mais concentrada. No Gráfico 3 observa-se que 95% da produção foi produzida por 5 (cinco) estados.


Fonte: CONAB.
Gráfico 3.Ranking da produção estadual de milho no Brasil, safra inverno 2010 em milhões de toneladas.

Observa-se na Fig. 2 que os níveis de produtividade média por estados são melhores na região Centro-Sul do Brasil. Os estados da região Centro-Oeste merecem destaque, pois obtiveram produtividades médias altas, no patamar dos estados da região sul, mesmo com a predominância da safra de inverno na produção. Estes estados têm se caracterizado por produzir milho em áreas grandes, com o uso de tecnologias modernas e sementes de alta qualidade e potencialidade, o que favorece ao crescimento da produtividade desses estados. Outro fator que tem impulsionado o crescimento de milho na região Centro-Oeste, e em especial no Estado de Goiás, é a ampliação do parque industrial (principalmente o dedicado à criação e ao processamento de carnes de aves e suínos), em direção à região de cerrado, que utiliza milho como insumo. Por outro lado, o uso da cultura de milho no sistema de cultivo de plantio direto também tem favorecido os níveis de produção e produtividade nesta região.


Fonte: CONAB.
Figura 2.Distribuição da produtividade média de milho no Brasil, média de 4 anos (2007-2010).

A segunda safra de milho foi introduzida pelos agricultores com o objetivo de se ter mais uma opção de cultivo para o período de inverno. Em alguns estados ela se tornou tão importante que substituiu quase completamente o cultivo do trigo. Dois fatores foram importantes para que isto acontecesse. O primeiro está relacionado às necessidades técnicas de rotação de cultura com soja, e de produção de cobertura morta para o solo no sistema de plantio direto, assim, o milho safrinha, na maioria das vezes, passou a ser plantado em sucessão à soja, logo após a colheita desta. O segundo diz respeito à crescente pressão de demanda por milho, principalmente no período de "entressafra", causando, consequentemente, elevação dos preços destes grãos no período.

Com o aumento da importância da soja no mercado internacional, esta passou a disputar com o milho, áreas para cultivo de verão, levando mais produtores a optarem pelo cultivo da soja no verão e do milho na segunda safra. Na Gráfico 4, pode-se observar a evolução da produção de milho no Brasil a partir da safra 1989-1990. Nota-se que no início dos anos noventa passou a existir uma diferença entre o total produzido na primeira safra e o total produzido em cada ano no Brasil. Esta diferença é a quantidade produzida na segunda safra, e como pode ser visto no gráfico, tem crescido sistematicamente desde que se começou a se ter estatísticas sobre esta forma/época de cultivo de milho.


Fonte: CONAB.
Gráfico 4.Evolução da produção de milho no Brasil na primeira safra e total, 1989 a 2010.

No Gráfico 5 tem-se representada a evolução da área plantada com milho para o mesmo período citado acima. O comportamento de aumento de uso de área com milho na segunda safra também pode ser constatado. Observa-se no gráfico que a segunda safra tem sido responsável pela manutenção de médias de áreas em torno de 12 a 14 milhões de hectares cultivados com milho. Se não fosse isso, a área usada com cultivo de milho já poderia estar abaixo de níveis de 10 milhões de hectares desde 1998, conforme pode-se ver na linha que diferencia a área utilizada na primeira safra no gráfico. Assim, a safrinha tem deixado de ser uma prática marginal no cultivo de milho para consolidar a sua produção em patamares próximos aos da safra de verão.


Fonte: CONAB.
Gráfico 5.Evolução da área plantada com milho no Brasil na primeira safra e total, 1989 a 2010.

Na Fig. 3 é retratada a produção de milho dos estados na segunda safra. O estado do Mato Grosso aparece como o maior produtor, passando a ser seguido pelo Estado do Paraná e pelos estados do Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás. Isto caracteriza bem as informações acima com respeito ao cultivo do milho em sucessão à soja e a sua importância para o sistema de Plantio Direto. Na região Centro-Oeste, onde está localizada 48,4% da região do cerrado brasileiro, o cultivo da soja teve uma expansão muito rápida, no que diz respeito ao uso de áreas, aumento da produção e produtividade das lavouras. Com isso aumentou-se a necessidade de ter uma cultura para rotação, e o milho é esta cultura por excelência. Por outro lado, dadas as características dos solos desta região, o uso de sistema de Plantio Direto teve rápido crescimento, por aumentar a proteção destes solos e, consequentemente, a qualidades dos indicadores deste solos, melhorando o desempenho dos mesmos quanto ao aumento da produtividade das lavouras. Com respeito à produção nos estados de Minas Gerais e Bahia, elas estão restritas a regiões mais próximas às características de Cerrado, isto é, a oeste de ambos estados.


Fonte: CONAB.
Figura 3.Produção de milho safrinha no Brasil,2009/2010.

Destino da Produção

A produção brasileira de milho em grãos tem dois destinos. Primeiro, o consumo no estabelecimento rural, que refere-se àquela parcela do milho que é produzida e consumida no próprio estabelecimento, destinando-se ao consumo animal em sua maior parte e também ao consumo humano; segundo, à oferta do produto no mercado consumidor, onde se tem fluxos de comercialização direcionados para fábricas de rações, indústrias químicas, mercado de consumo in natura e exportações, quando é o caso.

Segundo dados do censo agropecuário de 1996 (IBGE, 1996), 24,93% da produção de milho é consumida na propriedade, sendo que 60,54% dos estabelecimentos realizam esta prática. Ainda são estocados no estabelecimentos 6,32% da produção em 6,63% dos estabelecimentos que produzem este grão. Não se pode afirmar que a produção estocada na propriedade é toda consumida internamente, nem que é toda comercializada, mas pode-se dizer que este milho estocado participam dos dois tipo de destino da produção. Por outro lado, 68,75% da produção de milho é comercializada, com fluxos direcionados às vendas para cooperativas, indústrias, intermediários e diretamente aos consumidores. Apenas 32,83% dos estabelecimentos comercializam sua produção (veja Tabela 1).

Tabela 1. Destino da Produção de Milho em Grãos. Censo Agropecuário do IBGE de 1996.

Destino da Produção

Produção

Número de Estabelecimentos

Produtividade

%

%

Kg/ha

Consumo no Estabelecimento

24,93

60,54

1.660

Estocada no Estabelecimento

6,32

6,63

2.166

Comercializada

68,75

32,13

2.914

       · Cooperativa

20,04

3,40

3.480

       · Indústria

13,41

0,71

3.817

       · Intermediário

31,50

24,80

2.469

       · Direto ao Consumidor

3,80

3,72

2.427

Fonte: Censo Agropecuário do IBGE de 1996.

Relacionando o tamanho das propriedades com o consumo nos estabelecimento agropecuários, o censo agropecuário de 1996, indicou que cerca de 67% das propriedades estão relacionadas com o consumo do milho internamente, 31,25% da produção de milho, sem a preocupação com o mercado; enquanto que 68,75% da produção de milho é destinada ao mercado, por diferentes meios. Pode-se concluir que a produção de milho não destinada ao mercado é realizada em pequenas áreas cultivadas, e, na sua maioria, destinada ao consumo de subsistência. Observa-se que neste tipo de propriedade encontram-se os menores índices de produtividade, 1660 kg/ha, entre os dados analisados, o que é um indicativo de baixo nível tecnológico.

Na análise de dados da produção de milho destinado ao mercado, alguns pontos devem ser destacados. Um deles é a importância do intermediário como agente de comercialização, que ainda é muito grande no mercado de milho. Conforme constatado no censo de 1996, os intermediários movimentavam a comercialização do maior volume de milho transacionável no mercado, 31,50 % da produção nacional, porém os estabelecimentos que usam este meio para venda das suas produções têm produtividade média baixa, quando comparada com os estabelecimentos que usam as cooperativas e indústrias para escoar suas produções (ver tabela). Além disso, destaca-se que em 56,78% da área cultivada com milho a produção é destinada ao mercado, revelando que a cultura comercial é feita em grandes áreas, mais tecnificadas, com produtividade média sem torno de 5.000 a 7.000 kg/ha, bem acima da média nacional, que foi 2.406 kg/ha no período analisado.

Apesar de o Brasil não ter tradição de exportador e importador de milho em grãos, sempre se pensou neste país com potencial para participar do mercado externo. Esse potencial tem se concretizado nos anos recentes, com as exportações brasileiras chegando à participação de 12%, segundo estimativas, do comércio mundial na safra 2010/2011; entretanto as importações ainda continuam pouco representativas(Tabela 2).

A exportação de milho passou a adquirir alguma importância somente nos últimos 10 anos, mais precisamente a partir de 2001. Apesar de algumas oscilações, nas últimas safras tem-se observado uma tendência de crescimento. Essa tendência deve permanecer nos próximos anos e alguns fatores explicam isso. Primeiramente, o aumento da produção mundial de milho não tem acompanhado o crescimento da demanda. Tal desequilíbrio tem feito os estoques globais de milho baixarem a níveis historicamente baixos, beirando os 15%. Esses estoques contrastam, e muito, com os 30% observados há apenas uma década.

Cabe ressaltar que para o Brasil se consolidar como importante ator no comércio mundial de milho é preciso que o país estabilize as oscilações da sua produção para tornar-se um fornecedor confiável e previsível ao mercado internacional.

Tabela 2. Participação do Brasil no mercado Mundial de Milho, 2007 a 2011.

Milho em Grão, com Casca
Participação do Brasil na Exportação e Importação Mundial


2007/2008

2008/2009

2009/2010

2010/2011

Comércio Mundial (mil ton)

98.286

83.963

92.950

91.695

Exportação Brasil

7.309

6.830

8.623

11.000

Participação Brasil (%)

7,44%

8,13%

9,28%

12,00%

IMPORTAÇÃO DO BRASIL

1.095

767

1.133

459

Participação Brasil (%)

1,11%

0,91%

1,22%

0,50%

Fonte: USDA, SECEX, ABIMILHO

Seguindo a tendência mundial a alimentação animal consome 70% do milho produzido, o Brasil tem nesse segmento o seu grande mercado de milho com variação de 70% a 80% da demanda interna.

No consumo de milho destinado ao consumo animal, estima-se que, para a safra 2009/2010,43,8% deste total foi direcionado ao setor avícola; 25% à suinocultura; 4,6% à pecuária, principalmente de leite, (a produção de leite é crescente em Goiás região onde há disponibilidade de matéria prima para ração na época seca do ano); e 2,1% é usado para fazer ração para os outros animais.

Como mencionado anteriormente, o mercado interno de milho está atrelado ao comportamento da produção animal. Pode ser observado na Tabela3, que o consumo de milho para essa finalidade variou de 62,9% em 2003/2004 para 75,5% em 2009/2010, com tendência de crescimento de 11,7% ao ano; enquanto, que a utilização do milho para fins industriais cresceu à taxa de apenas 1,2% ao ano. Esse segmento do mercado absorveu cerca de 10,9% da oferta nacional deste grão.

A indústria moageira se divide-se em dois grandes grupos. O grupo de moagem a úmido, que produzem subprodutos do milho com alto valor agregado e geralmente destinados a reprocessamento por parte de outra indústria, e o grupo de moagem a seco, que geram produtos de baixa elasticidade de renda, geralmente produtos destinado ao consumo humano. Destes dois grupos, o de moagem a seco é o que consome maior percentual de milho e que também gera maior número de subprodutos.

Tabela 3. Estimativa de Consumo de Milho por segmento no Brasil, 2003 a 2010

Segmento

Consumo

2003/04

2004/05

2005/06

2006/07

2007/08

2008/09

2009/10*

Avicultura

15.427,00

16.162,00

20.022,00

20.846,00

21.655,00

21.631,00

22.994,00

Suinocultura

8.471,00

8.852,00

11.097,00

12.429,00

12.972,00

12.668,00

13.169,00

Pecuária

1.911,00

2.198,00

2.479,00

2.374,00

2.427,00

2.406,00

2.414,00

Outros Animais

1.550,00

1.581,00

660

673,00

1.081,00

1.081,00

1.096,00

Consumo Industrial

4.152,00

4.256,00

4.159,00

4.369,00

4.888,00

4.728,00

4.812,00

Consumo Humano

1.530,00

1.568,00

700

705

760

756

756

Perdas/Sementes

1.660,00

1.429,00

310

432

476

458

453

Exportação

3.988,00

5.000,00

4.327,00

11.150,00

7.309,00

6.830,00

6.830,00

Outros

4.809,00

4.132,00

-

-

-

-

-

Total

43.498,00

45.178,00

43.754,00

52.978,00

51.568,00

50.558,00

52.523,00

Fonte: ABIMILHO, Safras & Mercado
*Estimativa 2010

Os Gráficos 6, 7 e 8 apresentam a evolução da produção de milho, aves e suínos, projeção de produção até 2020 e projeção de consumo de milho por estes setores até 2020. Observa-se que o frango está em expansão devido, principalmente, ao mercado externo deste produto com origem no Brasil ter perspectiva de crescimento. O mercado de suínos tem uma demanda latente, que se reflete nos gráficos, com crescimento bem inferior ao do frango, porém com perspectiva de se tornar uma demanda real no que diz respeito à substituição da carne bovina. De certo modo, o gráfico de suínos reflete uma demanda interna, que é bem pequena quando comparada com a demanda de frangos e carne bovina. Vale ressaltar que a carne suína é o tipo de carne mais consumido em nível mundial, tendo os países Nórdicos como os maiores demandadores. Se o país conquistar uma parte do mercado externo deste tipo de carne, isto iria favorecer não só os produtores de suínos, mas, também, os produtores de milho, principal insumo na produção de suínos.



Fonte: UBA, IBGE e ABCS.
Gráfico 6.Comparação da evolução da produção de milho, suínos e frangos no Brasil no período de 1990 a 2009, em mil toneladas.




Fonte: AGE/Mapa com dados da Conab
Gráfico 7.Projeção da Produção Brasileira de Milho, Suínos e Frango em mil toneladas de 2010 a 2020




Fonte: AGE/Mapa com dados da Conab.
Gráfico 8. Projeção do Consumo Brasileiro de Milho Segundo Setores em mil toneladas 2010-2020



Evolução dos preços do milho

O Gráfico 9 apresenta o preço médio do milho no mercado brasileiro no período de 2001 a 2011. A forte pressão de demanda por milho no ano de 2000, causada pela baixa produção nas duas safras anteriores que, conjugada com informações que faltaria milho antes da colheita da safra 2000/2001, fez o preço da saca do milho subir alcançando índices nunca praticados no Brasil. Mas, no final do ano de 2000, cresceu a oferta de milho no mercado fazendo com que os preços começassem a diminuir no quarto trimestre daquele ano, principalmente, após início do plantio da safra seguinte. Tudo indica que esta oferta cresceu em virtude de pequenos produtores que armazenam milho na propriedade recorrerem ao mercado para escoar a produção, uma vez que os preços daquele ano eram atrativos. Este fato chama a atenção, porque este movimento não foi detectado, com rapidez, por nenhuma das instituições que analisaram o mercado e a produção de milho em grão nesse período, e resultou em uma safra recorde em 2000/2001. A consequência da safra recorde de 42 milhões de toneladas foi a queda dos preços a um patamar abaixo dos R$ 8 reais a saca em fevereiro de 2001.



Fonte: Agrolink.
Gráfico 9.Preço médio do milho no mercado brasileiro (2001-2011).

Uma conjunção de fatores fizeram os preços do milho não apenas se recuperarem em 2002, mas também atingirem recordes históricos no final de 2002. Como justificativa desse aumento acentuado, primeiramente tem-se que a produção da safra 2001/2002, 35,4 milhões de toneladas, foi 16,6% menor do que a obtida na safra recorde do ano anterior. Adicionalmente, ocorreu uma redução do volume produzido - o Brasil exportou no ano de 2002 quase 3 milhões de toneladas de milho -, diminuindo ainda mais a disponibilidade interna do produto. O estímulo à exportação, apesar da alta dos preços internos, deveu-se à recuperação dos preços do milho no mercado externo, potencializada pela desvalorização cambial no patamar de 60% no decorrer do ano. A nova safra recorde no ano seguinte, 48,3 milhões, fez os preços despencarem tão rapidamente quanto subiram.

Um novo ciclo de alta nos preços ocorreu nos anos de 2007 e 2008, atingindo patamares recordes no final de 2007 e início de 2008. Esse ciclo de alta começou com a demanda norte americana por milho para a produção de etanol e, posteriormente, um problema de oferta de trigo no mercado internacional fez com que o milho fosse utilizado como substituto da cultura. Com o aumento da demanda internacional por milho, o Brasil aumentou as suas exportações de forma acentuada, terminando o ano com um volume de vendas externas recorde, acima de 11 milhões de toneladas. Apesar de no primeiro semestre de 2007 os preços do milho terem diminuído, de maio a dezembro a valorização passou dos 70%. A produção recorde de 58 milhões de toneladas na safra de 2007/2008, seguida da diminuição das exportações, levaram à queda nos preços ao longo de 2008.

De 2010 em diante, os preços do milho estão passando por um momento de alta que já bateu os recordes de 2007/2008. Com a demanda global sem sinalização de queda espera-se que o preço do milho se mantenha alto no mercado internacional pelos próximos anos, e o mercado brasileiro deve acompanhar essa tendência.

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