As mudas, antes de serem transplantadas para o campo, devem sofrer
um processo de aclimatização (Figura 38), pois ventos e o sol direto
podem provocar queimaduras nas mesmas. Se o transplante for realizado
no verão, para as condições do Rio Grande do Sul, haverá necessidade
de complementação de água no solo, na forma de irrigação, uma vez
que neste a maior estiagem no Estado. Por este motivo, pode-se optar
por plantar as mudas no campo, quando estas tiverem um ano e meio,
no período de inverno, ou seja, junho e agosto, época de chuvas no
Sul.
Foto:
Luis E. C. Antunes
Fig. 1 Mudas de mirtilo com um ano de idade
de 'Briteblue', já aclimatizadas. |
Satisfeitas as exigências quanto à localização,
clima e solo da área do pomar, e de posse de mudas de alta
qualidade, podemos proceder a implantação do pomar.
Deve-se dar preferência a mudas vigorosas e bem enraizadas
(Figura 39). Após a correção da fertilidade
do solo em toda a área, de acordo com as recomendações
para a cultura, devem ser abertas covas para plantio da muda, as
quais devem ter no mínimo 30 x 30 x 30 cm. De acordo com
a topografia da área, o pomar poderá ser implantado
em camalhões dispostos em curvas com declividade variando
de 0,6 a 0,8 % ou em linhas reta, se a declividade assim o permitir.
Foto: Luis E. C. Antunes
Fig. 2 Aspecto de uma muda de mirtilo vigorosa
e com equilíbrio entre o sistema radicular e parte aérea. |
Em função da polinização
entomófila ser extremamente importante para a frutificação
efetiva do mirtilo, áreas sujeitas à incidência
de ventos devem ser evitadas. Se esta condição não
pode ser atendida na propriedade, devem ser plantadas espécies
de porte alto para formação de quebra-ventos no perímetro
do pomar (Figura 40).
Foto:
César B. Gomes
Fig. 3 Pomar de mirtilo plantado em linhas retas
sobre camalhão, e sob proteção de quebra-vento |
O espaçamento para mirtilo varia de 3 a 4 metros entre as linhas
de plantio e de 1 a 1,5 metro entre as plantas, variações estas
em função da topografia, do tipo de terreno, do regime pluvial,
da disponibilidade e do tipo de maquinário e do hábito de crescimento
da cultivar a ser plantada (Figura 41).
Fotos: Luis E. C. Antunes
Fig. 4 Porte de plantas de mirtilo, Clímax e Powderblue.
(Embrapa EECascata). |
Ao retirar a muda dos sacos plásticos, deve-se tomar o cuidado
de não desfazer o torrão; entretanto, devem ser retiradas as raízes
excedentes (poda de raízes) e fazer uma leve descompactação do torrão,
para facilitar a emissão de novas raízes e a rápida colonização
do solo. Nos dois primeiros anos, após o plantio da muda, se constrói
a estrutura produtiva da planta. Nesse período, busca-se a formação
de brotações vigorosas e de ramos (hastes lenhosas) suficiente para
suportar as produções futuras. A planta de mirtilo possui uma fase
juvenil extremamente curta, apresentando produção de flores e frutos
desde a fase de muda. Entretanto, toda flor ou fruto, na planta
jovem, devem ser eliminados, em detrimento das brotações, visando
fortalecer os ramos em formação (Figura 42).
Foto: Luis E. C.
Antunes
Fig. 5 Eliminação de flores em plantas com idade
inferior a 3 anos (). |
O principio da poda de mirtilo consiste em equilibrar a parte área
da planta, com o desenvolvimento das raízes e a produção de frutos.
Grande quantidade de ramos resultará em grande produção de frutos,
mas de qualidade inferior, e a médio prazo os ramos assim formados
perderão a capacidade de emitir folhas, tornando-se débeis. Ramos
fortes darão boas produções; ramos finos e mal formados, não produzirão
frutos de qualidade. Portanto, a poda tem a função de redistribuir
a carga da planta, visando regularizar a produção e também favorecer
a emissão de brotações vigorosas. A poda também deve objetivar abertura
do centro da planta. As plantas do tipo "rabbiteye" necessitam de
menos poda que as do grupo "highbush", uma vez que são vigorosas
e suportam grandes cargas de frutos (Santos e Raseira, 2002); entretanto,
intervenções devem ser realizadas. Na poda de formação devem-se
eliminar as ramificações finas e débeis abaixo dos 30 cm de altura
da copa. Priorizam-se três a quatro ramos mais vigorosos na 1ª estação.
No inverno seguinte esses ramos são podados a 40-50 cm de altura,
para formação de 3 a 4 pernadas (ramos primários). Sobre estas se
concentrará a produção do ano seguinte. Os ramos primários podem
permanecer por até 6 anos, quando serão substituídos. Formada a
estrutura da plantas, nos anos seguintes, a poda consiste em remover
ramos doentes, fracos ou inseridos muito baixo nas hastes principais,
Hastes muito altas podem ser cortadas em até 1/3 do seu tamanho.
Ramos fracos devem ser despontados até um bom ramo lateral jovem.
O número de hastes deve ser entre quatro e seis, sendo uma ou duas
para substituição e as demais para produção. Após os dois primeiros
anos de formação da estrutura da planta, inicia a fase de produção
comercial dos frutos. As intervenções de poda serão realizadas no
inverno (poda seca) e no verão (poda verde). Na poda de inverno
prioriza-se a eliminação de galhos secos e de ramos mal localizados,
principalmente aqueles que se desenvolvem para o interior da copa
(Figura 43). Diferente de outras espécies, como por exemplo, o pessegueiro,
não se deve despontar os ramos da planta nesta fase, uma vez que
as gemas de flor se concentram nas ultimas seis a oito gemas terminais.
Fotos: Luis E. C.
Antunes
Fig.
6 Plantas de mirtilo no período de dormência vegetativa,
aptas a poda seca ou de inverno. |
Nestas gemas há formação apenas de flores, sendo que gemas vegetativas
estão concentradas abaixo destas. Durante a formação dos frutos,
há também o desenvolvimento destas gemas (Figura 44). Na poda de
verão, após a colheita, são eliminados os ramos que produziram frutos,
pois os mesmos tendem a secar, e também são selecionadas as brotações
mais vigorosas desenvolvidas durante a fase de crescimento (Figura
45 e 48). Portanto, faz-se uma poda de limpeza, de raleio de ramos
e de varas oriundas de gemas das raízes ou da base do tronco das
plantas, cuja finalidade é o arejamento da planta e fortalecimento
de ramificações para próxima safra.
Foto:
Luis E. C. Antunes
Fig. 7 Gemas apicais em flor e gemas da base do ramo
em inicio de desenvolvimento vegetativo |
Ramos envelhecidos, com mais de 5 anos, devem ser eliminados totalmente,
a partir da base ou logo acima de uma brotação vigorosa. Durante
o desenvolvimento da planta devem se formar, a partir de lançamentos
novos, estruturas que irão substituir os ramos mais velhos.
Fotos:
Luis E. C. Antunes
Fig. 8 Planta com ramificações velhas e mal localizadas
(Embrapa EECascata).
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Foto:
Luis E. C. Antunes
Fig. 9 Condução de plantas de 'Bluebelle'
com revigoramento de lançamentos (Embrapa EECascata).
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Foto: César B. Gomes
Fig. 10 Ramo terminal em produção.
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Foto: César B. Gomes
Fig. 11 Eliminação do ramo de produção em
pós-colheita, acima de um ramo vigoroso da estação de crescimento
vigente. |
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