A propagação desta espécie pode se dar através
de sementes (propagação sexuada) ou por enxertia ou estaquia
(propagação assexuada). A forma mais utilizada de propagação
do mirtilo é a estaquia. Mirtilo do tipo highbush é, geralmente,
multiplicado por enraizamento de estacas lenhosas, retiradas
durante o período de repouso hibernal. Estas são preparadas
em estacas de 15 a 20 cm ou podem ser retiradas e conservadas
em câmara fria e, posteriormente, preparadas e colocadas em
canteiros (Figura 23 e 24) com leito aquecido. A temperatura
do substrato deve ser de 18 a 21 ºC. |
Foto: Luis
E. C. Antunes 
Fig. 1 Estaqueamento de estacas lenhosas de
mirtilo. |
Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
2 Inicio de brotação de estacas lenhosas
de mirtilo |
Para as cultivares do grupo rabbiteye, mais indicadas
às condições do Rio Grande do Sul, os melhores
resultados são obtidos com estacas herbáceas (Santos
e Raseira, 2002). Por ser retiradas da planta em estado mais
tenro (herbáceo), o ambiente de enraizamento tem que
possuir controle de temperatura e, principalmente, da umidade
relativa. Assim, a estrutura normalmente utilizada é
a casa plástica (ou de vegetação) com sistema
de nebulização intermitente (mist), o qual é
acionado em intervalos de 10 minutos por 30 segundos ininterruptos.
À medida que as raízes adventícias v ao
se formando este intervalo entre o acionamento do sistema pode
ser aumentado.
As estacas herbáceas podem ser retiradas durante todo
o ciclo vegetativo, embora maior porcentagem de enraizamento
seja obtida quando são preparadas na primavera. As plantas
matrizes devem apresentar bom estado fitossanitário e
representarem fielmente a variedade que as originou. O estado
nutricional da planta matriz também é fator importante
para o sucesso da propagação, uma vez que plantas
com deficiência mineral produzem material vegetal de má
qualidade.
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Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
3 Aspecto das estacas herbáceas de mirtilo, tipo rabbiteye,
com apenas as duas folhas superiores (Santos e Raseira, 2002). |
Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
4 Detalhe das estacas em substrato constituído por
areia de granulometria media(Santos e Raseira, 2002). |
Retirado os lançamentos da estação de crescimento,
os ramos ou varas devem ser mantidos com a base em água,
para evitar que se desidratem. Para serem submetidos ao processo
de enraizamento, os ramos devem ser preparados em estacas de
10 a 15 cm de comprimento. Deve-se manter de duas a três
folhas superiores e eliminar as folhas basais (Figura 25 e 26).
A permanência das folhas superiores é importantíssima,
uma vez que estas serão uma das fontes reguladoras de
crescimento, como as auxinas, facilitadores da formação
de raízes adventícias da estaca (Figura 27)
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Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
5 Estacas enraizadas, sendo apenas as três primeiras
da esquerda para a direita, aptas a serem transplantadas para
saquinhos ou recipientes individuais contendo solo e areia.
(Santos e Raseira, 2002). |
Recomenda-se a realização de lesão na base da estaca, uma vez
que esta irá expor o lenho à ação do regulador de crescimento.
Após a preparação das estacas, estas devem ter sua base mergulhada
numa solução alcoólica de ácido indolbutirico (IBA) ou ácido
naftalenoacético (ANA). O uso do regulador de crescimento na
base das estacas, antes do plantio, facilita o enraizamento.
As concentrações podem variar de espécies para espécie e de
variedade para variedade, assim como entre as marcas comerciais,
mas geralmente utilizam-se 2.500 ppm, por 10 segundos. Após,
as estacas devem ser enterradas, em um terço do seu comprimento,
em substrato que possa ser facilmente drenado. É importante
que o ambiente e a parte superior da estaca sejam mantidos úmidos,
através das nebulização, mas o substrato não pode estar demasiadamente
encharcado. O substrato normalmente utilizado é composto por
areia grossa de rio. Tem-se a opção de colocar, no fundo da
caixa, brita, para facilitar a drenagem. Outros materiais podem
ser utilizados, como serragem decomposta, perlita, vermiculita
e mistura entre eles, entre outros matérias. Esta fase é uma
das mais críticas do processo de propagação. Dos 30 a 45 após
a estaquia, inicia o desenvolvimento das raízes adventícias.
Após 90 a 120 dias, faz-se o transplante das estacas enraizadas
para sacos plásticos contendo substrato apropriado (Figura 28,29,30
e 31). Vários são os substratos que poderiam ser utilizados,
mas especial atenção deve ser dada ao pH das misturas, uma vez
que o mirtilo é uma planta que se desenvolve melhor em solos
ácidos e suas mudas não são diferentes. Uma das alternativas
de substrato é uma mistura de 40% de solo, 40% de esterco bem
curtido e 20% de vermiculita ou casca de arroz carbonizada,
outra seria mistura 1:1:1 composta por solo (de preferência
ácido), areia e esterco curtido. |
Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
6 Retirada de estaca enraizada em substrato
composto por areia. |
Foto: Luis E. C. Antunes

Fig. 7 Transplante da estaca com o máximo de "torrão"
na volta das raízes.
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Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
8 Após a colocação da estaca enraizada completam-se
os sacos com substrato. |
Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
9 Leve compressão do solo para retirada de
bolhas de ar junto às raízes.
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Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig.
10 Ambiente protegido para o desenvolvimento
da muda. |
Foto: Luis E. C. Antunes
 Fig. 11 Tipo de estufim para o desenvolvimento inicial
das mudas de mirtilo. |
Deve-se atentar para o fato de que alguns tipos de compostos
adquiridos no comercio possuem pH acima de 7,0. Se a mistura
apresenta pH maior de que 6,5, pode-se adicionar 1,5 Kg de enxofre
elementar por tonelada de substrato misturando bem e incubando
a mistura por 180 dias, até a redução deste.
Os substratos preparados, independente da composição,
devem sofrer um processo de desinfestação,
para evitar contaminação do sistema radicular
por fungos ou nematóides, e inativar sementes de plantas
invasoras.
Transplantadas para sacos de solo as estacas enraizadas devem
permanecer em ambiente protegido (Figura 19 e 20), pois a proteção
da muda neste período é fundamental. Os sacos
plásticos devem ter de preferência maior comprimento
do que largura (15 x 10cm), de maneira a facilitar o desenvolvimento
radicular em profundidade e melhorar a qualidade da muda formada.
Este transplante geralmente é realizado no final de verão
e início de outono e o transplante definitivo para o
campo ocorrerá a partir do próximo verão,
quando as mudas terão, então, um ano de idade
(Figura 34 e 35).
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Foto: Luis E. C. Antunes
Fig. 12 Muda de um ano de mirtilo.
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Foto: Luis E. C. Antunes
Fig. 13 Muda com um ano de idade de 'Aliceblue'
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O produtor também pode adquirir mudas produzidas através
da cultura de tecidos vegetal. Com esta técnica, pode-se
produzir um número bastante grande de mudas a partir
de um único explante.
Estas mudas, normalmente, são comercializadas em tubetes
(Figura 36). Tais plantas não devem ser levadas diretamente
a campo, pois, além de novas, são muito tenras
e sensíveis às variações ambientais.
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Fotos: Luis E. C. Antunes
Fig. 14 Mudas de Georgiagem, oriundas da cultura
de tecidos vegetais. |
É recomendável que o produtor
repique estas mudas para sacolas ou vasos com maior capacidade,
com substrato adequado, para que a planta possa se desenvolver
rapidamente, formando um sistema radicular e parte área
equilibrada.
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Fotos: Luis E. C. Antunes
Fig. 15 Desenvolvimento de plantas de Georgiagem, com
4 meses de plantio, em 7 diferentes substratos. |
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