Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Sistema de Produção do Morango

Rufino Fernando Flores Cantillano

Sumário
Início
 
Produção de mudas
Características básicas das principais cultivares de morango plantadas no Brasil
Implantação da cultura
Práticas culturais
Nutrição, calagem e adubação
Doenças do morangueiro
Pragas do morangueiro
Nematóides fitoparasistas do morangueiro
Cultivo protegido
Irrigação e fertirrigação
Meio ambiente e segurança alimentar
Colheita e pós-colheita
Seleção e classificação
Conservação de morango para a elaboração de produtos industrializados 
Coeficientes técnicos para a cultura do morangueiro
Referências
Autores
 
Expediente 
Colheita e pós-colheita

Os morangos são frutos muito perecíveis, portanto as perdas pós-colheita podem alcançar níveis importantes, caso não sejam utilizadas técnicas corretas de colheita e pós-colheita. Estas perdas podem ser de caráter quantitativo e/ou qualitativo, o que implicará em prejuízos para o produtor, o comerciante e o consumidor.

Os morangos, enquanto cultivados em condições de campo, estão respirando e continuam a fazê-lo durante a fase de pós-colheita. De acordo com o modelo de respiração, as frutas podem ser divididas em: climatéricas e não climatéricas, o morango está no grupo das frutas não climatéricas nas quais ocorre uma diminuição gradual da respiração e não há produção de etileno endógeno.

Após colhidos, os frutos não podem ser abastecidos de nutrientes e água como quando estavam na planta, esse fato os tornam deterioráveis após a colheita. O sabor do morango é um dos mais importantes aspectos de qualidade exigidos pelo consumidor, sendo condicionado em parte pelo balanço açúcar/acidez do fruto.

A pré-classificação dos frutos durante a colheita é muito importante, devendo ser eliminada toda fruta deformada, danificada por fungos ou insetos ou muito madura.[Os processos de conservação dos frutos passam por: resfriamento rápido, armazenamento refrigerado, atmosfera modificada e tratamentos com co2, transporte em condições especiais].

A colheita começa aproximadamente aos 60/80 dias após o plantio das mudas, dependendo das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do método de produção de mudas e da cultivar, podendo-se prolongar por 4 a 6 meses, em função do fotoperíodo e disponibilidade de água. A época de colheita varia de agosto a dezembro em regiões mais frias, como o Sul do Brasil.

A colheita do morango é uma das operações mais delicadas e importantes de todo o ciclo da cultura. Os frutos do morangueiro são muito delicados e pouco resistentes, em virtude da epiderme delgada, grande percentagem de água e alto metabolismo, o que exige muitos cuidados durante a colheita. Se forem colhidos muito maduros, poderão chegar em decomposição e com podridões ao mercado; se forem colhidos ainda verdes, terão alta acidez, adstringência e ausência de aroma. Em ambos os casos, o produto chega ao mercado com baixo valor comercial.

A colheita realiza-se de forma manual, no ponto de colheita "maduro" para fins industriais, e de ½ maduro a ¾ maduro para comercialização "in natura". A cor é o parâmetro mais importante para definir o ponto de colheita dos morangos. De modo geral, o fruto deve ter no mínimo 50% a 75% da superfície de cor vermelho-brilhante, quando destinado para consumo fresco. O ponto de colheita pode variar também em função da distância do tempo de transporte, da temperatura ambiente, da cultivar e da finalidade do produto.

Dependendo das condições climáticas, a colheita pode ser realizada diariamente ou, no máximo, a cada 3 dias, para obter um ponto de maturação uniforme. Isso é importante, pois como o morango é um fruto de tipo "não climatérico", não ocorre amadurecimento nem melhoram as características organolépticas após a colheita. Quando colhido verde, permanecerá como tal, sem que aconteça a melhoria de sua qualidade comestível. Durante a colheita, devem ser evitados golpes, feridas ou outro tipo de injúria na fruta, pois provocam suscetibilidade ao ataque de microorganismos. Deve-se evitar colher a fruta nas horas de maior calor, deixar os frutos diretamente ao sol, ou colhe-los em dias chuvosos e com muito orvalho. É muito importante realizar a colheita nas horas mais frescas do dia. As cestas de colheita normalmente são feitas de taquara ou madeira, com uma ou mais divisões para pré-classificação, e devem ser forradas com papel limpo e apropriado. Os frutos para consumo in natura devem ser colhidos com cálices para auxiliar na conservação.

Na classificação é importante não misturar morangos com graus de maturação e tamanhos diferentes na mesma cumbuca ou em cumbucas diferentes na mesma caixa.

A embalagem adequada é importante para evitar danos físicos ao produto. Estas embalagens devem ser novas, limpas e não provocar alterações internas ou externas na fruta. As embalagens utilizadas variam conforme o mercado de destino, mas de modo geral usam-se caixetas (cumbucas) de madeira, papelão ou poliestireno expandido, caixas de plástico transparente com tampa ou uma embalagem com uma base de poliestireno e filme polimérico, com a capacidade 250-800 gr de frutos. Em alguns países o morango é transportado em "paletes", o qual consiste em uma base de madeira de dimensões determinadas, sobre a qual são colocadas as caixas com as cumbucas de morango no seu interior.

O resfriamento rápido ou pre-resfriamento consiste em retirar imediatamente o calor que a fruta traz do campo, antes de alcançar sua temperatura de conservação definitiva. Com isto, se reduz a taxa respiratória e se prolonga a conservação do produto. Em outros países produtores de morangos é uma prática essencial e quase obrigatória, mas de pouco uso no Brasil. O resfriamento por ar frio forçado é o método adequado para resfriar os morangos, porque além de ser uma forma rápida de resfriamento, evita a umidade sobre a fruta, que os morangos não toleram. Com um pré-resfriamento eficiente, a temperatura do morango poderia ser reduzida de mais o menos 25ºC para 5ºC, em duas ou três horas.

Em geral, o morango pode ser conservado à temperatura de 0ºC com 90-95% de umidade relativa durante 3-5 dias. È essencial que durante o transporte seja refrigerado pois assim pode-se manter a cadeia do frio. Em alguns países o "palete" é tratado com dióxido de carbono para auxiliar na conservação do morango. Esse método não é utilizado ainda no Brasil.

Muitos locais onde se comercializa o morango não oferecem condições adequadas de temperatura e manuseio das embalagens, ocasionando perdas significativas do produto. Os comerciantes e distribuidores deveriam ser orientados sobre os cuidados adicionais que devem ser tomados, ao trabalhar com um produto muito perecível, como é o morango, para manter uma qualidade aceitável até sua chegada à mesa do consumidor.

 

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