Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 5
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Sistema de Produção do Morango

João Luiz Silva Vendruscolo
Claire Tondo Vendruscolo


Sumário
Início
 
Produção de mudas
Características básicas das principais cultivares de morango plantadas no Brasil
Implantação da cultura
Práticas culturais
Nutrição, calagem e adubação
Doenças do morangueiro
Pragas do morangueiro
Nematóides fitoparasistas do morangueiro
Cultivo protegido
Irrigação e fertirrigação
Meio ambiente e segurança alimentar
Colheita e pós-colheita
Seleção e classificação
Conservação de morango para a elaboração de produtos industrializados 
Coeficientes técnicos para a cultura do morangueiro
Referências
Autores
 
Expediente 
Conservação de morango para a elaboração de produtos industrializados

A conservação do morango por longos períodos, com propriedades semelhantes às da fruta fresca, ainda é um desafio tecnológico a ser vencido. Nenhum método economicamente viável preserva a qualidade da fruta fresca, o que resulta na perda de suas características peculiares de textura, aroma, cor e sabor.

Também por sua composição química complexa, todos os produtos processados de morango, geléias e sucos, por exemplo, mesmo elaborados e embalados com alta tecnologia, têm vida-de-prateleira relativamente curta, com perdas expressivas de cor e sabor. A perda de qualidade é diretamente proporcional ao tempo e temperatura elevados ao qual o produto é exposto no processamento e durante seu período de comercialização. Portanto, para que o industrial tenha produtos que preservem suas características de qualidade, torna-se necessário que o produto tenha um giro rápido no mercado, sendo reposto continuamente durante o ano nas prateleiras. Desse fato conclui-se grande parte da safra deve ser armazenada para posterior processamento.

A busca por produtos mais próximos do natural e com alto grau de saudabilidade tem levado os fabricantes a abandonarem métodos altamente artificiais de conservação e processamento, como a adição de conservantes tipo sulfitos, benzoatos e sorbatos. Da mesma forma, a adição de corantes e aromas artificiais tem sido banida.

Do exposto, conclui-se que alguma forma de conservação deve ser utilizada anteriormente a industrialização, não sendo recomendável elaborar produtos apenas na safra, os quais poderão perder sua qualidade na cadeia de comercialização, se expostos por tempos prolongados. Da mesma forma, existe a dificuldade das empresas processarem altas quantidades desta fruta apenas no período de safra, em virtude da alta escala de produção exigida.

O congelamento do morango, para uso posterior é o método de conservação mais utilizado atualmente, uma vez que o congelamento bem conduzido preserva a cor e sabor, afetando unicamente a textura. Entretanto, para algumas finalidades ainda se pratica a conservação por aditivos químicos e, também a pasteurização em recipientes herméticos.

Métodos de conservação do morango para processamento

Congelamento

A grande vantagem do morango congelado é que ele é um produto de grande flexibilidade para a comercialização. Desta forma o processador pode suprir os tipos, tamanhos e graus de qualidade que atendam às especificações de fabricantes de iogurtes, sorvetes, geléias, de recheios e coberturas para a indústria de panificação, além dos fabricantes de sucos e néctares. Como desvantagem temos o custo do congelamento, estocagem e transporte congelado.

Deve-se atentar que quanto mais rápido o congelamento, menores danos serão provocados na sua estrutura celular, preservando melhor sua textura, sabor e cor.

Geralmente o produto é congelado de duas formas: congelamento individual e em bloco.

Congelamento individual

Como o próprio nome indica neste tipo de congelamento o morango é congelado individualmente, ficando íntegros e separados uns dos outros após a embalagem. Os equipamentos mais utilizados para este fim serão descritos a seguir.

Túnel tipo IQF (Congelamento Rápido Individual)

É utilizado para produtos mais nobres quando a industria quer elaborar produtos que contenham morangos inteiros, ou pedaços com textura pouco alterada, como alguns tipos de sorvetes e iogurtes, coberturas de tortas, etc. Para a obtenção deste tipo de produto geralmente utiliza-se congeladores contínuos com leito fluidizado. O princípio de funcionamento deste equipamento se baseia em um túnel com uma esteira perfurada que passa no seu interior, sobre a qual flutuam os morangos, impulsionados pelo ar frio, forçado por baixo da esteira. De maneira geral dependendo do tamanho do morango e da temperatura do ar, o tempo de congelamento varia entre 3 a 8 minutos. A refrigeração é do tipo mecânico, com o ar refriado em torno -30 a - 40oC. Este equipamento tem custo elevado, é muito versátil, servindo para várias pequenas frutas: cerejas, framboesas, amora, etc, além de vegetais diversos como: brócolis, milho em grão, ervilha, etc.. Portanto, o investimento só terá retorno se utilizado durante todo ano e com produtos de alto valor agregado. O equipamento é altamente compacto e de grande produção, uma vez que é alimentado continuamente por uma camada espessa de morangos, dispensando a colocação individual de morangos sobre a esteira.

Túnel com Nitrogênio ou Gás Carbônico

Também é um método altamente eficiente de congelamento, gerando produtos de alta qualidade. Apesar do custo do equipamento ser baixo, resulta em produto de custo elevado, portanto só deve ser utilizado quando se tem alta agregação de valor. O princípio de funcionamento é baseado na expansão desses gases dentro de um túnel, onde os morangos são colocados separados sobre uma esteira. Também existe uma versão onde o congelamento se dá por batelada em uma câmara fechada. O alto custo é provocado pela perda do gás o qual não é recuperado. Geralmente é utilizado para safras curtas.

Túnel estático com ar forçado

São os túneis mais convencionais e conhecidos, usados principalmente para o congelamento de carnes e peixes. Também resulta em bons produtos se as temperaturas do ar suficientemente baixas para frutas (-27 a -35oC) e a velocidade do ar na faixa dos 3 a 5 m/s. Neste tipo de equipamento, o ar frio é forçado por potentes ventiladores e circula entre as bandejas construídas com tela perfurada onde são colocados os morangos. As bandejas são dispostas em carrinhos do tipo prateleira. Deve-se atentar que no congelamento individual com ar forçado, mesmo do tipo IQF, o fruto sofre uma perda por desidratação da ordem de 4-6%.

Congelamento em bloco

Neste caso, os morangos são embalados em sacos plásticos e, após, colocados em bandejas retangulares, tomando a forma desta. Observa-se aqui que os morangos são prensados pelo peso das camadas, liberando suco, perdendo o formato e formando uma massa contínua chamada de bloco. O tamanho e formato do bloco depedem da embalagem final onde será colocado o bloco congelado. Esta embalagem final geralmente é de papelão (papel cartonado). Desaconselha-se colocar diretamente o saco plástico na caixa de papelão para levar ao congelamento. O papelão (ou qualquer outra embalagem não metálica) forma uma barreira isolante signigicativa reduzindo a troca de calor, aumentado o tempo de congelamento. Da mesma forma, quanto maior a espessura do bloco, maior será o tempo de congelamento. Os equipamentos mais utilizados para este fim serão descritos a seguir. Outras formas de apresentação deste tipo de produto é na forma de fatias e cubos.

Túnel estático com ar forçado

Este tipo de equipamento já foi descrito quando se tratou de morango congelado individual. No caso de blocos deve-se atentar para não fazer pilhas. O ideal é que se disponha de prateleiras onde o bloco recebe o frio de todos os lados. Neste caso dependendo da potência do equipamento e da espessura bloco e tipo de empilhamento, pode-se levar dias para completar o congelamento. De maneira geral o produto é congelado na sua superfície no tempo de 24-36 horas e torna-se sólido em 3-4 dias.

Congelamento em Câmara de Armazenamento

Como o próprio nome diz Câmaras de Armazenamento devem ser empregadas apenas para a manutenção dos produtos congelados ao longo da cadeia de frio. Nesse tipo de câmara a temperatura de armazenamento para o morango deverá ser abaixo de -18oC dependo do tempo em que se pretende armazenar. Como tem o propósito de apenar manter o produto congelado, sua potência de congelamento é baixa, assim como a velocidade do ar. Portanto é contra indicada para se fazer o congelamento. Apesar desses inconvenientes, isto ainda é praticado, quando não há opções por equipamentos mais indicados. Normalmente os produtos apresentam baixa qualidade devido ao elevado tempo para o congelamento, podendo ainda apresentar sérios danos ao produto, como deterioração por microorganismos e fermentações.

Conservação da polpa de morango por métodos químicos

A preservação de polpas por meio de aditivos químicos é um processo bastante prático, simples e com custos relativamente baixos de operação e armazenamento. Entretanto tem sofrido restrições comerciais em virtude das tendências modernas de consumo, em que os aditivos químicos tem sido banidos em nome da saudabilidade dos alimentos. Este tipo de produto foi muito usado no passado, para a fabricação de geléias e doces de morango, quando o congelamento era pouco acessível comercialmente. Também, pela qualidade inferior ao do produto congelado, o seu mercado está em queda. Os principais aditivos utilizados são o ácido benzóico e o ácido sórbico, geralmente na forma de sais de sódio e potássio, que são mais solúveis. Os limites legais para estes conservantes, no produto final são de 0,1% sobre o peso e todos os aditivos devem obrigatóriamente serem declarados no rótulo. O benzoato de sódio apresenta maior atividade contra bactérias e leveduras, enquanto que o sorbato de potássio apresenta maior atividade sobre os fungos.

Outro aditivo para a conservação de polpas é o dióxido de enxofre (SO2), geralmente na forma de sais (metabissulfitos) As doses para a conservação são elevadas, na faixa de 2000-3000 ppm. Estes têm a vantagem de serem evaporados quando o produto é aquecido. Como maior desvantagem é sua evaporação durante o armazenamento e descoloração da cor vermelha do morango. O SO2 é permitido na dose de 200 ppm para geléias, segundo a legislação brasileira. Entretanto, a tendência é restringir cada vez mais sua utilização, uma vez que pode desencadear ataques alérgicos e asmáticos em pessoas susceptíveis.

Conservação de polpas morango pelo uso do calor

Como polpa de morango subentende-se que os morangos foram submetidos a passagem por uma despolpadeira que os tornaram uma massa homogênea, perdendo completamente a forma inicial. De maneira geral o comercio de polpas deste produto é restrito, uma vez que pedaços, cubos, fatias e morangos inteiros são mais valorizados, exceto para sucos, por que aumentam a textura e proporcionam ao consumidor maior prazer na mastigação,
O processamento térmico foi o primeiro método usando na conservação do morango. Mesmo causando alterações de sabor e cor ainda é praticado para diversas finalidades. Um grande segmento da indústria utiliza este tipo de produto para fabricação de sorvetes, recheios de doces, iogurtes, e miniminizam as alterações de cor e sabor, por meio de agentes flavorizantes e corantes. Os processos mais conhecidos são:

Pasteurização em recipientes metálicos

A polpa ou morangos são levados a fervura em tachos abertos, posteriormente envazados em latas de 3 a 20 Kg. Após a recravação ou solda da tampa, são pasteurizadas em banho-maria com temperatura proxima da ebulição. Deve-se praticar o resfriamento imediato após o processo para evitar o sobrecozimento do produto. É um processo simples, muito utilizado no passado, porém ainda praticado. Ocasionalmente adiciona-se açúcar, dependendo do mercado. Através de um trocador de calor com um tempo de retenção de 60 segundos a 93-95oC. Imediatamente é envazada em embalagens metálicas, rapidamente fechadas. Após inverte-se a embalagem por alguns minutos (3-5) para esterilizar o topo da embalagem. O resfriamento imediato é fundamental para a preservação da qualidade. As embalagem podem variar de tamanho, chegando a tambores de 200 kg. Deve-se ressaltar que embalagens deste porte necessitam de resfriamento com agitação. Existem aparatos especiais para praticar este tipo de resfriamento, nos quais os tambores giram, na posição horizontal dentro de um tanque de água

Enchimento Asséptico

O processo é semelhante ao acima descrito. Entretanto, o resfriamento é efetuado no mesmo equipamento, em trocadores de calor que trabalham em condições assepticas. Também a embalagem e as condições de enchimento têm condições assépticas. Os produtos gerados apresentam boa qualidade, porém inferior ao congelamento. É um equipamento que exige elevada inversão de capital e deve ser utilizado continuamente no ano para justificar o investimento. Atualmente as embalagens são do tipo 'bolsa", de material plástico reforçado com alumínio que comportam até 1 tonelada. Outra forma de armazenamento em larga escala é praticada direcionando o produto para tanques assépticos de alta capacidade.

Preparo do morango para o processamento

O fluxograma a seguir mostra as etapas necessárias para o preparo da matéria prima.. Algumas etapas são de extrema importância para gerar produtos de alta qualidade e com bom rendimento. Os principais defeitos dos morangos que chegam às fábricas são: 1- danos mecânicos provocados por embalgens com altas camadas do produto e transporte inadequado em estradas em péssimas condições, 2- Produto amolecido, além do ponto de maturação, devido a demora no recolhimento no campo e no processamento, 3- Incidência de fungos como Botrytis e Penicillium, 4- Excesso de terra e areia aderidos ao produto.

Como perda obrigatória o morango tem apenas a retirada do pedicelo e das sépalas (cálice), que representam apenas entre 3-5% do peso. As grandes perdas são devido aos outros fatores acima citados.
Operação de grande importância é a lavagem. A simples imersão em tanques com água não é suficiente para garantir uma lavagem adequada. O ideal é que se tenha uma combinação de imersão com aspersão com água clorada (7-10ppm) lavador com vários estágios, para assegurar a completa remoção de sugidades e outros fungos e pragas (ex: ácaros) aderidos à superfície.

Morangos retocados para a retirada de defeitos geralmente vão para a fabricação de polpas e os inteiros para o congelamento individual ou em bloco.

Fluxograma de Processamento

FLUXOGRAMA

RECEPÇÃO
(Estocar no máximo por 24 horas)

RETIRAR O PEDICÉLO E SÉPALAS

SELECIONAR

LAVAR
(Imersão e aspersão de água clorada)

SELECIONAR E CLASSIFICAR

PRODUTOS
MORANGOS INTEIROS
CORTADOS EM PEDAÇOS
POLPAS


CONGELAMENTO OU PASTEURIZAÇÃO

Geléias de morango

De acordo com a legislação alimentar brasileira "Geléia é um produto obtido pela concentração da polpa ou suco de fruta com quantidades adequadas de açúcar, pectina e ácido até a concentração suficiente para que ocorra a geleificação após o resfriamento". Portanto para a manufatura de uma geléia são necessários quatro componentes básicos: 1. Frutas in natura ou congeladas,sucos ou polpas, 2. Pectina, 3. Ácido, 4. Açúcar.

Como o morango é uma fruta pobre em pectina e com média acidez, para a formação do gel é necessário adicionar estes compostos. Os ácidos mais utilizados são o ácido cítrico, tartárico e málico, devendo-se atentar para o grau de pureza dos mesmos. A pectina é um pó, geralmente extraída da casca da laranja e é especificada em SAG 100; 150; etc. Isto quer dizer 1 parte do produto geleifica 100 e 150 partes, respectivamente, de açúcar. Muitas vezes os fabricantes substituem parte do açúcar a ser adicionado (sacarose por glicose, geralmente na proporção de 20%. O motivo é que a glicose proporciona maior brilho ao produto e, também, reduz a doçura.

Com relação a quantidade de fruta na geléia, a legislação brasileira estabelece dois tipos: 1- Geléia Comum que deve ter 40 partes de fruta para 60 partes de açúcar. 2-Geléia Extra com 50 partes de fruta para 50 partes de açúcar.
Para se obter uma geléia de boa qualidade é fundamental que se conheça também a influência de cada componente na formação de geléia. O fluxograma seguinte mostra de forma geral a influência da pectina, do açúcar e do ácido (DESROSIER, 1970).

Observando-se o esquema de Desroiser, nota-se que dependendo da acidez do morango, seja pela cultivar ou estágio de maturação deve-se ajustar a quantidade de ácido a ser adicionado. Também o mesmo deve ser feito com a pectina a ser adicionada, quando se deseja que o produto seja mais ou menos geleificado, isto é, com maior ou menor espalhabilidade.

Ponto crucial e de dificil observação é o momento de retirar a geléia do aquecimento, com a certeza de que ela formará um gel. O refratômetro que mede a concentração dos sólidos em oBrix é a forma mais precisa, sendo utilizado no âmbito da indústria. Para pequenos produtores e donas de casa que não dispõem deste aparato, existem várias formas menos precisas, mas que com a prática frequente, pode torná-las um bom indicador. Uma delas é baseada na temperatura de ebulição da geléia no seu final. Outra forma é o refriamento e escorrimento sobre uma colher. Detalhes destas operações podem ser vistas em VENDRUSCOLO & VENDRUSCOLO, 2001.


Elaboração de geléias de morango

FLUXOGRAMA

RETIRADA DO PEDICÉLO E SÉPALAS
(Manualmente com faca comum )

SELEÇÃO

Selecione os frutos em bom estado, retirando as frutas deterioradas, verdes

LAVAGEM

CORTAR OS MORANGOS OU DESINTEGRAR EM DESPOLPADEIRA
Escolher para a despolpadeira o diâmetro adequado da tela em que será passado o morango. Pese a matéria-prima a ser processada e efetue o cálculo da formulação

PROCESSAMENTO EM TACHO ABERTO COM CAMISA DE VAPOR

ENVAZE EM VIDROS

FECHAMENTO DOS VIDROS

RESFRIAR
(Resfriar rapidamente em água fria para evitar escurecimento)

ROTULAGEM


ARMAZENAMENTO/COMERCIALIZAÇÃO

O tempo máximo de armazenamento e comercialização não deve ser superior a 6 meses. Após este prazo o produto não apresenta mais uma coloração adequada, a cor tende ao marrom devido a degradação de antocianinas e outras reações de caramelização. Para se conservar a qualidade visual do produto recomenda-se que prazo de comercialização não seja superior a 3 meses

Formulação de geléias de morango

Procedimento

1-Coloca-se a polpa/morangos em pedaços ou inteiros em tacho

2-Adiciona-se mais ou menos 10% do total do açúcar

3-Adiciona-se a pectina, antes misturada com 5 a 10 vezes a quantidade de açúcar

4-Adiciona-se o restante do açúcar em 3 a 4 vezes e, por fim, a glicose

5-Adiciona-se o ácido após atingir o oBrix final e desligar o tacho

Formulação básica de geléias

> Tipo Extra
PESO DE FRUTA - 500 g de morangos
PESO DO AÇÚCAR - 500 g de açúcar
PESO DE PECTINA - 5 gramas (1% sobre o açúcar)
ÁCIDO CÍTRICO - 3,25 g (0,65% sobre o açúcar )
oBRIX FINAL = 62

> Tipo Comum
PESO DE FRUTA - 400 g de morangos
PESO DO AÇÚCAR - 600 g de sacarose.
PESO DE PECTINA - 6 gramas (1% sobre o açúcar)
ÁCIDO CÍTRICO - 4 g (0,65% sobre o açúcar )
oBRIX FINAL = 65

Cálculo do rendimento na fabricação de geléias

Vendruscolo (1989) propõe a seguinte fórmula para se calcular o rendimento obtido na fabricação de doces em pasta e geléias. De acordo com o autor, é possível fazer uma estimativa teórica com uma margem de erro máxima de 5%:

Onde:

PD : Quantidade de geléia ou doce a ser obtido em kg (rendimento final)

PA: Peso do açúcar a ser utilizado na formulação em kg (açúcar cristal)

PF: Peso da fruta, polpa ou suco usado na formulação em kg

BF: Teor de sólidos solúveis da fruta, polpa ou suco em graus Brix

BD: Concentração de sólidos solúveis desejada no doce acabado, em graus Brix

Exemplo de aplicação da fórmula acima:

Suponha-se que se deseja fabricar uma geléia de morango partindo de polpa com 7oBrix. Na formulação, deverão ser utilizados 90 kg de polpa e 110 kg de açúcar cristal, isto é: 45 partes de fruta para 55 partes de açúcar. Deseja-se que a geléia tenha 65 oBrix de concentração final.

Substituindo os valores na fórmula acima, obtém-se o valor de 179 kg de geléia com 65oBrix

Elaboração de suco de morango

Entende-se como suco de morango o líquido extraído do morango por processo de prensagem a frio, retirando-se a porção de sólidos em suspensão. O suco pode ser clarificado (translúcido) ou não clarificado (turvo). Este suco pode ainda ser concentrado e congelado para utilização na fabricação de outras bebidas como: licores, mistura com outros sucos e formulações diversas de refrescos à base de morango.

É um processo que exige elevados investimentos, apenas praticado por grandes empresas. Devido à sua complexidade e custo não será tratado aqui. De maneira geral a fruta é transformada em polpa e posteriormente tratada com enzimas pectolíticas que provocam a liberação do suco das células vegetais. Após a liquefação é feita uma prensagem a frio. O líquido extraído pode centrifugado ou decantado para retirar a polpa em suspensão sendo chamado de suco turvo.

Também pode ser tratado com coadjuvantes de clarificação como terras diatomáceas e enzimas que o deixa translúcido. Posteriormente é concentrado e congelado. Entre processos modernos de concentração, inclui-se a microfiltração à frio. Como o processo utiliza pouco calor e também se retira grande parte do material oxidável, este tipo de suco tem excelente sabor e boa estabilidade no armazenamento.

 

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