Embrapa Pecuária Sul
Sistema de Produção, 2
ISSN 1679-3641 Versão Eletrônica
Agosto/2008
Sistema de Criação de Ovinos nos Ambientes Ecológicos do Sul do Rio Grande Do Sul
Clara Marineli Silveira Luiz Vaz
Ricardo Gonçalves Kalil
Arturo Selaive-Villarroel

Sumário

Apresentação
Introdução
Importância sócio-econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Descrição do ecossistema
Raças
Instalações
Alimentação
Reprodução
Manejo produtivo
Saúde
Preparo para o mercado
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências

Expediente

Manejo produtivo

A produção ovina no Rio Grande do Sul segue o esquema tradicional, baseado no conhecimento prático dos produtores, adquirido através dos anos, com deficiente controle do rebanho e pouca aplicação de tecnologias, o que causa a baixa produtividade. Uma produção eficiente está baseada na aplicação de critérios técnicos, alguns considerados básicos e outros avançados.

Os critérios básicos de produção podem ser agrupados em:

  • Tipo de produto a ser produzido, pela definição dos objetivos, raça a ser criada e número de animais em função do tamanho da área (o que eu quero produzir, com qual raça e em que espaço);

  • Práticas de manejo adequadas ao sistema de produção escolhido pelo produtor, avaliando sempre, as características de clima e mercado de cada região.

Escolha da raça

As características das principais raças presentes no Rio Grande do Sul estão descritas na página 39, conforme ARCO (2002). Dependendo do tipo de exploração comercial, é importante conhecer quais as raças mais adaptadas e produtivas e qual a forma mais eficiente para sua utilização, seja como raça pura ou em cruzamentos, levando-se também em conta a interação existente entre o animal e o seu ambiente de criação.

Número e categoria de animais

A produção ovina depende do desenvolvimento e manutenção da população animal que pode ser explorada com vantagens econômicas em uma determinada área. Dois fatores influem neste sentido: o número de animais e a produção individual deles. Esses fatores dependem da quantidade de forragens disponíveis no campo e da continuidade da mesma durante as quatro estações do ano, ou da necessidade de suplementação em épocas de carência alimentar.

Para isto, é necessário conhecimento do "suporte ou capacidade" de pastejo dos potreiros, o que implica em determinar o tipo de solo e a superfície de pastejo útil dos potreiros (área útil não inclui o espaço ocupado pelas invasoras, córregos, açudes, benfeitorias, etc).

Num sentido prático, o número de animais a ser mantido num potreiro, independente de espécie ou categoria, pode ser expressada por "unidade animal" (U.A.), sendo que 1 U.A. corresponde a um bovino adulto, de aproximadamente 450 kg de peso vivo ou a cinco ovelhas de cria. No Rio Grande do Sul a lotação média, em campos com pastagem natural, é de 1,5 a 2 ovinos e 0,5 a 0,8 bovinos por hectare, os quais ocupam juntos aproximadamente 55,5% da área estadual, conforme Coimbra e Selaive Villarroel (1979).

O mais importante para o produtor é conhecer a lotação ótima do seu rebanho, ou seja, o máximo retorno econômico em relação ao número de animais mantidos na área de exploração. Nas condições atuais de criação, em que o ovino é mantido em pastagem natural, geralmente junto com bovinos, dois aspectos devem ser considerados na determinação da lotação animal:

  • A pastagem natural apresenta marcada variação estacional na sua produção de forragem, e, em função disto, a lotação animal a ser estimada deve variar segundo a época do ano. Neste sentido, deve-se ainda considerar as exigências nutricionais dos animais, segundo as condições fisiológicas, por exemplo: prenhez, lactação, etc;

  • A relação ovino/outras espécies, ou seja o número de ovinos em relação às outras espécies de criação, depende da importância econômica que representa cada uma dessas espécies na pecuária nacional. No Rio Grande do Sul, onde os ovinos são mantidos sob criação extensiva, junto com bovinos de corte, a relação média ovino/bovino é de 1,6:1 (SECRETARIA DA AGRICULTURA, 1975).

Práticas de manejo

O esquema básico de produção ovina no Brasil é extensivo, com algumas variações entre as diferentes regiões do país, decorrentes das adaptações ao clima e mercado de cada região. Além de ser extensiva, a criação ovina é realizada com outras espécies animais, por exemplo, com bovinos e ou caprinos. Além disto, também é explorada com a agricultura e a fruticultura. Esta situação faz com que as técnicas empregadas na produção ovina sejam reduzidas e orientadas fundamentalmente a aspectos de manejo. Assim, faz-se necessário um ordenamento das principais práticas de manejo que intervêm no processo produtivo, visando obter o máximo de produtividade e rentabilidade. O importante é que o ordenamento das diversas práticas de manejo seja uma decisão tomada em função das necessidades dos animais e não por medidas convencionais (Tabela 1).

Tabela 1. Principais práticas de manejo para ovinos no Rio Grande do Sul.

Manejo

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Acasalamento

 

• 0

• 0

 

 

 

 

 

 

 

 

Desmame

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

• 0

Sinalação

 

 

 

 

 

 

 

• 0

 

 

 

Castração e Descole

 

 

 

 

• 0

 

 

• 0

 

 

 

Controle de Verminose

• 0

 

• 0

• 0

• 0

• 0

• 0

 

• 0

• 0

• 0

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Limpeza Pré-parto

 

 

 

 

• 0

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Controle de Casco

 

 

• 0

 

 

 

 

 

• 0

 

 

 

Esquila (tosquia)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

• 0

• 0

 

Seleção e Classificação

 

• 0

 

 

 

 

 

 

 

• 0

 

 

Banho: Sarna e Piolho

 

 

• 0

• 0

 

 

 

 

 

 

 

 

Vacina: Clostridioses

• 0

 

 

 

 

 

• 0

 

 

 

 

 

Vacina: Ectima Contagioso

 

 

 

 

 

 

 

• 0

• 0

 

 

 

Vacina: Manqueira (Pietin)

 

 

 

• 0

 

 

 

 

 

• 0

 

 

Fonte: Madeira, J.F.D. (1996)

Considerando que os requerimentos nutricionais dos animais e a disponibilidade dos pastos, que variam durante o ano, um bom esquema de manejo é aquele que faz coincidir os períodos críticos de necessidade alimentar dos animais, como a prenhez, a lactação e o crescimento, com os períodos de maior disponibilidade dos pastos. Todavia isto nem sempre é possível por depender das condições climáticas existentes no decorrer do ano. Segundo Coimbra e Selaive-Villarroel (1979), o manejo adequado do rebanho, permite melhorar os principais parâmetros que caracterizam uma produção deficiente, como:

  • Baixo número de cordeiros nascidos em relação ao número de ovelhas acasaladas;
  • Alta mortalidade dos cordeiros nascidos;
  • Pouco desenvolvimento dos cordeiros na fase de crescimento;
  • Baixa quantidade de lã produzida por animal;
  • Alta percentagem de lã de qualidade inferior.

Ao programar as atividades, o produtor deve ter claro os seguintes aspectos que incidem diretamente na sua produção: quando acasalar; quando sinalar e desmamar os cordeiros; quando tosquiar; quando dosificar, vacinar e banhar e quando selecionar os animais.

Acasalamento e práticas pós-parição

Constitui a fase inicial do processo reprodutivo das ovelhas. A reprodução é considerada a via mais rápida e econômica para aumentar a produção ovina. O maior número de cordeiros obtidos sem custo adicional de insumos e mão de obra, permite mais cordeiros para venda e maior possibilidade de substituição de animais menos produtivos. No acasalamento, devem ser considerados os seguintes aspectos:

a) Época: varia nas diversas regiões e segundo a raça dos animais. Todavia três aspectos essenciais devem ser considerados:

  • Deve corresponder à época de maior atividade sexual das ovelhas e produção de sêmen dos carneiros;

  • Nascimento dos cordeiros deve coincidir com um clima favorável para sua sobrevivência e com disponibilidade de forragem suficiente para assegurar uma boa lactação da ovelha;

  • Momento da venda dos produtos deve ser favorável com os preços de mercado e comercialização;

  • No Rio Grande do Sul, a época mais adequada é o outono, independente de raça.

b) Duração: 45 dias é considerado um período satisfatório para a época adequada. Nas borregas este espaço de tempo pode ser aumentado para 60 dias. Neste período de tempo, as ovelhas têm duas oportunidades para serem servidas, pois apresentam cio a cada 17 dias e o período de parição fica suficientemente concentrado para produzir uma produção de cordeiros com idade uniforme, permitindo, assim, um controle e manejo adequado na parição das ovelhas.

c) Alimentação: ovelhas com boa condição corporal ao acasalamento apresentam maior taxa de concepção e maior taxa de ovulação e, conseqüentemente, maior número de cordeiros nascidos. No caso de borregas, o peso mínimo para serem acasaladas, independente de sua idade, é aproximadamente 40 kg para as raças produtoras de lã.

d) Número de carneiros a usar: não existe uma recomendação específica que possa ser aplicada em todas as propriedades. Entretanto, 2% a 3% de carneiros em relação à quantidade de ovelhas é o suficiente, segundo Selaive-Villarroel (1980). Na determinação do número de reprodutores a ser usado, deve-se considerar diversos fatores, como: tamanho, topografia e alimentação disponível do potreiro de acasalamento, número de ovelhas no potreiro e idade dos animais. Em linhas gerais, potreiros grandes, com poucas ovelhas, necessitam de maior número de caneiros do que num potreiro pequeno, com igualou maior número de ovelhas. Assim, por exemplo, para um rebanho de 300 ovelhas acasaladas num potreiro de 100 ha, seis carneiros (2%), podem ser suficientes. O mesmo rebanho pode precisar de 7 a 9 carneiros (3%), se o acasalamento for em potreiros de 200 a 300 ha. Quando possível, recomenda-se acasalar as borregas em potreiros separados e com maior número de carneiros. O mais importante é o uso de carneiros clinicamente sadios e de fertilidade comprovada. Neste sentido, deve-se fazer um exame de fertilidade dos reprodutores, ao redor de 8 semanas antes do seu uso, após o qual deverão ser everminados e mantidos em potreiros com boas condições alimentares, água de boa qualidade e sombra. Outro aspecto importante, é quanto à condição corporal do macho, pois os carneiros mais eficientes para realização da monta, não devem ser magros nem demasiadamente gordos.

e) Sinalação:consiste na marcação para identificação dos Cordeiros podendo ser por tatuagem, brincos ou cortes nas orelhas.

É uma prática que envolve outras operações como: castração dos machos, corte de cauda e vacinações. Embora não exista uma data fixa para sinalar os cordeiros, é aconselhável fazê-lo entre duas e quatro semanas de idade. Este é o momento oportuno para contabilizar o número de cordeiros produzidos e efetuar a dosificação pós parição das ovelhas.

A sinalação deve ser feita em dias de baixa temperatura, logo pela manhã, para evitar o aparecimento de bicheiras. Prepare-se o rebanho de véspera, em mangueiras limpas e com material adequado, conservado durante o uso em recipientes com desinfetante.

Após a sinalação, deixar os cordeiros com as mães em repouso, num potreiro próximo, retomando à origem ao final do dia.

Quando existir problemas de bicheira (miíase), adiar as operações que envolvem cortes até uma época mais propícia. Os principais métodos de castração e corte de cauda são o emprego de faca e anéis de borracha. O corte de cauda pode ser auxiliado com "burdizzo", ou com lâmina de ferro quente. Não se tem evidência de qual método poderia ser o mais indicado nas condições do RS.

f) Desmame: é a separação do cordeiro da ovelha. Pesquisas realizadas pela Embrapa Pecuária Sul, onde foi avaliado o desenvolvimento corporal e a produção de lã posterior de cordeiros desmamados com diferentes idades, desde 8 até 24 semanas, não se observaram diferenças significativas entre os grupos de cordeiros, após 6 meses de idade. Todavia, para o Rio Grande do Sul, recomenda-se efetuar o desmame dos cordeiros mantidos em pastagem natural, entre 12 e 14 semanas de idade, conforme Selaive-Villarroel (1978). Na decisão de quando desmamar, deve-se considerar que mais importante que a idade é a condição corporal que os cordeiros apresentam ao desmame e a qualidade de pastagem a eles destinada. Os cordeiros desmamados devem ser colocados no melhor potreiro disponível, com pastagem não muito alta, boas aguadas e cercas, de preferência junto com algumas ovelhas de consumo ou descarte, evitando a movimentação deles após o desmame.

Tosquia

É a colheita da lã. Na programação de uma tosquia eficiente, o produtor tem que considerar, entre outros, os seguintes aspectos: qual a melhor época para tosquiar as ovelhas? Interessa esquilar os cordeiros?

a) Ovelhas: podem ser tosquiadas em três épocas diferentes, durante o ciclo de produção:

  • Antes do acasalamento (tosquia de outono);
  • Antes da parição (tosquia pré parto);
  • Antes ou durante o desmame dos cordeiros (tosquia de primavera-verão).

De uma maneira geral, pode-se dizer que a época de tosquia não influi significativamente na quantidade de lã produzida, mas tem efeito na qualidade do velo e no manejo do rebanho, principalmente para os cordeiros.

Das épocas consideradas, a tosquia pré-parto é a que apresenta maiores vantagens em termos de qualidade de velo e facilidade no manejo do rebanho. Essa prática não é empregada no Rio Grande do Sul, devido às condições climáticas no inverno, salvo raras exceções, pois a pesquisa mostra ser possível o uso de capas protetoras nos ovinos (pode ser feita com polipropileno ou com sacos de adubo), por duas a três semanas, após a tosquia.

b) Cordeiros: a tosquia dos cordeiros deve ser feita considerando a época das ovelhas.

Quando estas são tosquiadas antes do período de acasalamento ou do parto, os cordeiros podem ser esquilados, pela primeira vez, no ano seguinte, junto com as ovelhas (tosquia de primavera). É aconselhável esquilar os cordeiros após o desmame, geralmente com 4 a 5 meses de idade, pois existem evidências de que, com menos de 3 meses de idade, a tosquia dos cordeiros não apresenta vantagens com relação ao crescimento do animal, conforme Selaive-Villarroel et al. (1984) e Oliveira et. al. (1990).

Seleção

É um processo importante para aumentar os índices de produção do rebanho. A prática de seleção está orientada para dois objetivos:

  • Aumentar as médias de produção do rebanho durante a vida útil;
  • Aumentar a média de produção das futuras gerações.

Assim, a seleção compreende, por um lado, um processo de melhoramento genético e por outro, um processo de refugo ou eliminação.

A ênfase da seleção deve ser colocada nos animais jovens que serão incorporados no rebanho. Por outro lado, os rebanhos de cria devem ser revisados anualmente, visando eliminar aqueles que apresentam problemas decorrentes da vida útil. A prática corrente é a de selecionar as borregas pela sua performance (lã, peso corporal, etc) e após, anualmente, descartar aquelas que apresentem defeitos marcados na produção. Portanto, a meta dos produtores deve ser a retenção dos animais mais eficientes, para extinção gradual dos menos produtivos.

Comercialmente, os programas de seleção devem ser simples para atingir os seguintes objetivos:

  • Aumentar a eficiência produtiva;
  • Manter e melhorar a qualidade de produção;
  • Diminuir o custo.

Em rebanhos comerciais, os seguintes fatores devem ser considerados:

a) Melhoramento genético: É recomendável para a produção de cordeiros, melhores que suas mães, o uso de carneiros geneticamente superiores, oriundos de cabanhas que selecionam seus animais com base em dados de produção. Igualmente, as borregas que se incorporam ao rebanho, devem ser selecionadas considerando suas principais características produtivas, tais como: peso de velo sujo, nas raças produtoras de lã; peso corporal, nas raças aptidão carne.

b) Descarte: Visa a diminuir ou a eliminar os animais que apresentam problemas ou características indesejáveis que afetem negativamente sua produção. Deve ser feito anualmente para evitar a manutenção, por muito tempo, de animais pouco eficientes.

O descarte pode ser realizado também, segundo a raça ou cruzamento, durante os manejos de tosquia, desmame ou antes do acasalamento. As principais causas de descarte são:

  • Defeitos corporais - como prognatismo, defeitos testiculares, do úbere ou nas patas;
  • Defeitos de lã - como presença de fibras pigmentadas ou meduladas, veios fora de finura, feltrados ou de cor amarela;
  • Ineficiência produtiva - como baixa produção de leite, ovelhas não gestantes após o acasalamento (vazias), abortos;
  • Idade - através do desgaste dentário e estado corporal.

Manejo sanitário

Entende-se por manejo sanitário um conjunto de medidas cuja finalidade é proporcionar aos animais ótimas condições de saúde.

O manejo sanitário é fundamental para os resultados econômicos, quando tratamos de qualquer atividade relacionada com animais, pois toda atividade depende do estado de higidez de cada um dos animais que compõem o rebanho. Esta prática pode ser dividida em dois procedimentos: os de caráter preventivo e os de caráter curativo.

Os principais mecanismos de manejo sanitário preventivo são as vacinas, as dosificações, os banhos e as normas de manejo. Contudo o método mais efetivo para um bom controle sanitário é o início da criação através de um rebanho sadio, evitando a entrada de animais doentes provenientes de outros estabelecimentos, além de manter um programa sanitário com orientação técnica.

Manejo sanitário preventivo

a) Vacinação: todo ovino requer uma ou duas vacinações por ano, dependendo de seu histórico de vacinação prévia ou da informação do produto comercial. Por sua vez, o período de vacinação varia segundo a doença, idade e categoria dos animais. As vacinas recomendadas para o Rio Grande do Sul encontram-se descritas abaixo:

Ovelhas

  • Vacina: Clostridioses
    - dose: 2/3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, base orelha, prega da virilha
    - época: 30 dias pré parto
    - freqüência: anual
  • Vacina: Foot-rot
    - dose: 3ml
    - via: intramuscular
    - local: pescoço, base orelha
    - época: pós desmama
    - freqüência: anual
  • Vacina: Febre aftosa
    - dose: 3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, atrás da paleta
    - época: mediante exigência

Cordeiros

  • Vacina: Ênterotoxemia
    - dose: 2/3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, axila
    - época: 60 dias de vida com reforço 30 dias após a primeira dose
    - freqüência: anual ou semestral
  • Vacina: Ectima contagiosa
    - dose: 1 gota
    - via: escarificação
    - local: virilha
    - época: sinalação. Só onde ocorre a doença
  • Vacina: Foot-rot
    - dose: 3ml
    - via: intramuscular
    - local: pescoço, base orelha
    - época: sinalação
    - freqüência: anual
  • Vacina: Febre aftosa
    - dose: 3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, atrás da paleta
    - época: mediante exigência
    - freqüência: anual

Carneiros

  • Vacina: Clostridioses
    - dose: 2/3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, base orelha, virilha
    - época: acompanha manejo do rebanho
    - freqüência: anual
  • Vacina: Foot-rot
    - dose: 3ml
    - via: intramuscular
    - local: pescoço, base orelha
    - época: acompanha manejo do rebanho
    - freqüência: anual
  • Vacina: Febre aftosa
    - dose: 3ml
    - via: sub-cutânea
    - local: pescoço, atrás da paleta
    - época: mediante exigência
    - freqüência: anual

As vacinas devem ser aplicadas via subcutânea, de preferência na tábua do pescoço, base da orelha e regiões sem lã, como a prega da virilha ou da axila, com agulhas curtas (10x15 para vacinas aquosas, 10x18 para vacinas oleosas), ou com agulhas maiores para uso intramuscular (15x15). As ovelhas prenhes devem ser vacinadas contra clostridioses (carbúnculo sintomático, enterotoxemia, gangrena gasosa e hepatite necrótica) um mês antes do parto, pois passará, via colostro, certa imunidade ao cordeiro que vai nascer. Revacinação anual.

b) Dosificação: a verminose pode ser considerada como um dos principais problemas que afetam os ovinos, sendo mais crítica nos animais em crescimento. Dependendo do grau de infecção, os parasitos provocam perdas pelo seu efeito negativo no peso corporal, no crescimento, qualidade da lã e mortalidade. Nos animais em crescimento pode, também, afetar sua produção futura. Quando se fala de problema de verminose, devemos considerar dois tipos de populações de parasitos: ovos e larvas na pastagem e larvas/parasitos adultos no animal.

As pastagens são infestadas, os animais são infectados. Os ovinos são contaminados ao ingerir pastagens infestadas por larvas. Porém o ideal é procurar medidas de controle, orientadas para manter as pastagens o mais descontaminadas possível. É fácil eliminar os parasitos no animal e muito difícil nas pastagens. Assim, as dosificações devem ser acompanhadas com normas de manejo, tanto do animal, como das pastagens. Conforme Pinheiro (1981), o objetivo principal de um controle parasitológico deve ser o de reduzir ou eliminar os efeitos adversos dos parasitos, através de métodos práticos e econômicos.

Os principais métodos de controle de verminose são as dosificações estratégicas e as dosificações baseadas no exame de fezes, sempre dando preferência aos princípios ativos mais eficazes para cada período do ano. As dosificações estratégicas são aquelas realizadas em períodos em que se espera um aumento significativo dos parasitos, por exemplo: antes do acasalamento, após o acasalamento, após um período de chuvas com temperatura elevada, ou para evitar ou reduzir a contaminação dos potreiros (ex: na incorporação de novos animais, na troca de potreiros, na entrada em pastagens cultivadas).

O controle dos parasitos internos através de exame de fezes, denominado de O.P.G. (ovos por grama de fezes), deve ser realizado com assistência técnica, através de exames periódicos, de preferência mensais, de amostras de fezes dos animais, requerendo-se amostras ao redor de 10% do rebanho.

No Rio Grande do Sul, as ovelhas recebem em média cinco dosificações por ano, sendo as épocas estratégicas mais recomendadas antes e após o acasalamento, antes e após a parição e ao desmame. Os cordeiros, por serem os mais susceptíveis à verminose, recebem um mínimo de oito dosificações até os 14 meses de idade. Recomenda-se a primeira dosificação com média de 10 semanas de vida e a segunda no momento do desmame, com aproximadamente 14 semanas de idade.

c) Banho: uma vez ao ano, os ovinos são banhados estrategicamente para controle de piolhos e sarna. Os rebanhos afetados devem ser banhados duas vezes seguidas, com intervalo de duas semanas. Neste caso, a eliminação dos parasitos externos deve constituir-se no objetivo principal na programação de qualquer tratamento.

O uso de boas técnicas, a correta preparação dos banhos e o controle permanente dos animais, são fatores essenciais num programa de erradicação. É fundamental banhar todos os animais ao mesmo tempo, sendo o ideal que a data coincida, aproximadamente, com a data do banho das propriedades vizinhas, de tal modo que a área toda possa ser considerada "limpa".

Embora a maioria dos produtores prefira banhar seus animais imediatamente após a tosquia, pela facilidade que apresenta no manejo geral da fazenda, teoricamente a melhor época para banhar os animais é 4 a 6 semanas após a tosquia. Deve-se considerar que, nesse tempo, as feridas decorrentes dos cortes durante a tosquia estão cicatrizadas, o que evita a possibilidade de contaminação durante o banho e também porque o conteúdo graxo que recobre a fibra de lã tende a secar, permitindo uma melhor penetração do inseticida. Este, junto ao maior comprimento da lã, faculta um maior tempo de proteção.

A maioria dos preparados comerciais apresenta um poder residual curto, ficando os animais protegidos por aproximadamente duas a três semanas após o banho, quando as lêndeas eclodem. Daí a necessidade de um segundo banho para combater um surto de piolheira.

Manejo sanitário curativo

Estão relacionadas as medidas a serem tomadas imediatamente à constatação do problema, tais como: traumatismos, doenças, infestações, deficiências nutricionais e intoxicações.

A miíase é um dos problemas que causam perdas econômicas na produção ovina. Após a aplicação de inseticidas, líquido ou aerossol, remover as larvas com auxílio de uma pinça e cobrir a ferida com uma pomada repelente. Repetir o curativo a cada 48 horas até a cura.

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