Embrapa Pecuária Sul
Sistema de Produção, 2
ISSN 1679-3641 Versão Eletrônica
Agosto/2008
Sistema de Criação de Ovinos nos Ambientes Ecológicos do Sul do Rio Grande Do Sul
Tairo Teixeira

Sumário

Apresentação
Introdução
Importância sócio-econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Descrição do ecossistema
Raças
Instalaš§es
Alimentação
Reprodução
Manejo produtivo
Saúde
Preparo para o mercado
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências

Expediente

Raças
 
 
 

Neste capítulo são caracterizadas algumas das principais raças criadas, em termos numérico, no ecossistema elegido. Outras raças de ovinos lanados podem ser encontradas no norte do Estado, porém a sua expressão em termos de produção de rebanho comercial, não é ainda significativa.


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Raça Merino Australiano

Origem: O Merino Espanhol é considerado um dos ovinos domésticos mais antigos de todos os conhecidos e é descendente de um ovino selvagem primitivo natural da Ásia Menor, o Ovis arkal. A partir do século XVIII, o Merino Espanhol foi o tronco de origem das numerosas raças Merinas desenvolvidas em diversos países:

Merino Electoral (na Alemanha), Merino Negrette (na Austria-Hungria), Merino Rambouillet (na França), Merino Vermont, Delaine e Rambouillet Americano (na América do Norte), Merino Argentino (na Argentina), Merino Uruguaio (no Uruguai) e finalmente o Merino Australiano (na Austrália). Em 1794, foram introduzidos, na Austrália, 26 Merinos Espanhóis provenientes da Colônia do Cabo (África do Sul). Os magníficos resultados obtidos com estes primeiros Merinos fomentou a importação, em maior escala, de Merinos Negrette e Electoral e, em menor escala, o Rambouillet e posteriormente o Merino Vermont (excessivamente enrugado). Admite-se que na formação do atual Merino Australiano, participaram: Merino Espanhol 25%, Merino Vermont 40%, Merino Electoral e Negrette 30% e Merino Rambouillet 5%.

Aspecto geral: É um animal imponente, de aspecto nobre. Bom desenvolvimento corporal. Constituição robusta. Conformação angulosa. Denota grande volume de lã. Raça especializada na produção de lã fina, apresenta um equilíbrio zootécnico orientado 80% para a produção de lã fina e 20% para a carne.

Aptidões:

  • Produtora de lã fina por excelência.
  • Lã de grande qualidade e valor industrial.
  • Elevado grau de rusticidade e adaptabilidade em regiões pobres e de clima desfavorável.
  • Longeva, produzindo economicamente até idades avançadas.
  • Não se adapta bem em campos úmidos e baixos.
  • Os cordeiros são bastante vulneráveis ao nascerem, têm pouca cobertura de lã e muito pouco tecido adiposo.
  • Os machos são do tipo médio e forte e, quando bem alimentados, podem produzir capões pesados.

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Raça Ideal

Origem: O Ideal é originário da Austrália, onde é também conhecido pelo nome de Polwarth. Desde algum tempo já eram conhecidos e muito apreciados os cruzamentos alternativos entre Merinos, Lincoln e Leicester. Com a finalidade de obter um ovino que mantivesse sempre 3/4 de sangue Merino, com as aptidões desejadas, um grupo de ovinocultores australianos decidiu fixar pela seleção e consangŘinidade o tipo desejado, utilizando cruzamentos entre Merino e Lincoln, ambos puros de pedigrée. É considerada, como data de formação da raça Ideal, o ano de 1880.

Aspecto geral: O Ideal é uma raça orientada mais no sentido da produção de lã, portanto com mais ênfase para os caracteres laneiros; o seu equilíbrio zootécnico é orientado 70% para a produção de lã e 30% para a carne. É um ovino de porte médio, bem constituído, denotando vivacidade e vigor, ostentando um velo volumoso. A sua conformação é bem equilibrada e denota bem suas aptidões de rusticidade e produção de lã fina.

Aptidões:

  • Raça rústica e prolífica.
  • Produz bem no sistema extensivo.
  • Lã de grande qualidade e valor industrial.
  • Em boas condições de alimentação, produz um bom cordeiro para o abate e bom capão.

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Raça Corriedale

Origem: O Corriedale originou-se na Nova Zelândia, onde eram comuns os cruzamentos alternativos entre ovinos Merinos, Romney Marsh, Lincoln e Border Leicester, com a finalidade de produzirem animais com boa produção de lã de finura média, com comprimento de mecha e de carcaças de bom peso e qualidade. Em 1879, o ovinocultor James Little, em seu estabelecimento denominado "Corriedale", na Nova Zelândia, com a finalidade de produzir um ovino de dupla aptidão, carne e lã, escolheu 4.000 ovelhas puras "Merinas" e as acasalou com 100 carneiros puros Lincoln. Da produção destes acasalamentos, James Little selecionou 1.000 ovelhas e 20 machos e acasalou-os. Na produção assim obtida ele fez uma rigorosa seleção, apartando somente os animais cujos caracteres correspondiam plenamente a um ovino de dupla aptidão, num equilíbrio de 50% carne e 50% lã. Através de consangŘinidade e seleção fixou o tipo zootécnico e racial que havia programado. Outros criadores, visando os mesmos objetivos de James Little, fizeram cruzamentos do Merino com Leicester e Border Leicester. Admite-se que o atual Corriedale, além de Merino e Lincoln, possue pequeníssima percentagem de sangue Leicester e Border Leicester. O Corriedale foi oficialmente reconhecido como raça pura em 1911, quando foi criado o Flock Book pela "The Corriedale Sheep Society".

Aspecto geral: O ovino Corriedale tem que ter bom porte e deve dar a impressão de um animal de grande vigor e ótima constituição, que se manifesta em sua conformação, própria para a produção de carne e lã. Deve ostentar um andar ágil e de grande vitalidade, o que lhe confere uma boa capacidade de deslocamento. Sendo um ovino de duplo propósito, com um equilíbrio zootécnico orientado 50% para a produção de lã e 50% para a produção de carne, deve ser um animal muito equilibrado, apresentando um esqueleto bem constituído e um velo pesado, extenso e de boa qualidade.

Aptidões:

  • Raça rústica e prolífica.
  • Produz bem no sistema extensivo.
  • Lã de boa qualidade e valor industrial.
  • Em boas condições de alimentação produz um bom cordeiro para o abate e bom capão.

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Raça Romney Marsh

Origem: Raça de origem Inglesa, também conhecida pelo nome de Kent, condado onde foi criada desde a antigŘidade, sem infusão de sangue estranho. Os antecessores desta raça já eram criados na época das Cruzadas, vivendo sempre isolados das demais raças inglesas, tendo havido apenas uma tentativa de melhorá-Ia com a introdução de sangue Leicester, cujo resultado não agradou, sendo o procedimento logo abandonado. Há dois séculos os ovinos desta raça eram animais grandes, de inferior qualidade, tinham a cabeça grande, pescoço fino e comprido, membros longos e finos, velo escasso e lã muito grosseira. O melhoramento da raça foi um processo demorado, no qual foi empregado sistematicamente o método de seleção visando a obtenção de um ovino para carne, descuidando da produção de lã. Levado para a Nova Zelândia, o Romney foi orientado para o duplo propósito, melhorando a sua aptidão laneira, resultando na formação de uma raça produtora de carne 60% e lã grossa e longa 40%. Na formação do Romney Marsh, além do método de seleção, foi também usada consangŘinidade. Em 1897 foi criado o primeiro registro genealógico da raça "Kent or Romney Marsh Sheep Breeder Association"; entretanto documentos antiqŘíssimos mantidos na Biblioteca da Catedral de Canterbury, fazem referência a rebanhos existentes no ano de 1275, no "Priorato de Christchurch".

Aspecto geral: O Romney Marsh deve ter o aspecto geral de um animal compacto, vigoroso e bem implantado, denotando vivacidade e nobreza racial. Sendo uma raça desenvolvida e aperfeiçoada mais para a produção de carne, deve ser grande, com boa carcaça, possuindo membros fortes e vigorosos. É uma raça de duplo propósito, apresentando um equilíbrio zootécnico orientado 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã grossa. A conformação carniceira e a constituição robusta são, portanto, os principais atríbutos que o ovino Romney Marsh deve ostentar.

Aptidões:

  • Produtor de carne e lã, com maior ênfase econômica para a carne. Extremamente rústico, suportando bem as condições de campos úmidos. Em criação extensiva, os capões chegam a atingir 80 a 90 Kg.
  • Os cordeiros são bastante precoces, de rebanho bem definidos, chegam a produzir de 28 a 30 Kg aos 5 meses de idade e a campo.

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Raça Hampshire Down

Origem: A raça Hampshire Down teve como berço os condados de Wilts, Hants e Dorset, no sul da Inglaterra, região bastante fértil e levemente ondulada, conhecida popularmente como West Downs. Os seus ancestrais eram ovinos primitivos que pertenciam a duas raças: Wiltshire e Berkshire Knots. Os Wiltshire eram grandes, com cara e patas sem lã e com chifres recurvados para trás, e os Berkshire Knots possuíam a cara e as patas negras. Ambas apresentavam animais de corpo estreito, com pernas longas, prolíficos e rústicos, mas com pouca cobertura muscular. Procurando melhorar a aptidão carniceira destes ovinos, os criadores aperfeiçoaram o sistema de alimentação e iniciaram os cruzamentos com a raça Southdown, que foi introduzida nos rebanhos Wiltshire e Berkshire no início do século XIX. A partir de 1845, o conceito de precocidade, qualidade e engorde modificou o sistema de criação, iniciando o aperfeiçoamento desta raça, cujo principal cultor na época foi Mr. Wm. Humphries, que conseguiu fixar um tipo bastante uniforme mediante o emprego de consangŘinidade. Em 1889, foi criada na Inglaterra a "Hampshire Down Sheep Breeders Association", com sede em Salisbury, e, em 1890, editou-se o primeiro Flock Book do Hampshire Down.

Aspecto geral: Ovino de tamanho grande, conformação harmoniosa e constituição robusta, compacto e musculoso, evidenciando, à primeira vista, grande definição racial e sua especialização como produtor de carne.

Aptidões:

  • Raça especializada na produção de carne.
  • De boa capacidade de adaptação aos diferentes meios e regimes de criação.
  • Precoce, pois os cordeiros bem alimentados atingem 35 Kg de peso vivo aos 3 ou 4 meses, com rendimentos de carcaça de 45 a 50% e com pesos de 14 a 18 Kg.
  • Carcaça de boa qualidade.
  • Boa fertilidade e prolífica, atingindo índices de nascimento de 140%.
  • Muito indicada ainda para cruzamentos industriais.

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Raça Texel

Origem: A raça Texel é originária da ilha de mesmo nome, na Holanda, cujo solo é, em sua maioria, arenoso, sendo em parte acima e em parte abaixo do nível do mar (polder). A vegetação era muito pobre e os antigos ovinos aí existentes eram de pouco desenvolvimento, tardios, pequenos, não eram prolíficos, de velo leve e lã de mediana qualidade, entretanto, a sua carne era magra e saborosa. Em fins do século XIX e início do século XX, a ovinocultura da ilha começou a sofrer modificações. Graças ao emprego cada vez maior de adubação nos solos da ilha, o que veio a proporcionar melhores pastagens, a alimentação dos ovinos melhorou muito. Por esta mesma época, os criadores passaram a cruzar as antigas ovelhas locais com carneiros de raças inglesas. Segundo a tradição oral da região, provavelmente foram utilizados reprodutores Leicester, Border Leicester e Lincoln, sendo que também é provável que tenham feito algum uso de carneiros Southdow, Hampshire e Wensleydale. Entretanto, de todas as raças utilizadas, parece que a Lincoln é a que mais influenciou na formação do Texel. Depois de certo tempo de experiência de cruzamentos, os criadores voltaram a utilizar os reprodutores puros da antiga raça da ilha. Graças ao melhoramento da alimentação e mais especialmente ao trabalho bem orientado de um grupo de ovinocultores, que entre outros procedimentos empregaram um bem adequado método de seleção, surgiu na ilha uma nova raça Texel, tal como a conhecemos atualmente.

Aspecto geral: Ovino de tamanho médio, tendendo para grande, muito compacto, com massas musculares volumosas e arredondadas, constituição robusta, evidenciando vigor, vivacidade e uma aptidão predominantemente carniceira. Atualmente é considerada uma raça de carne e lã, pois, a par de uma carcaça de ótima qualidade e peso, produz ainda apreciável quantidade de lã.

Aptidões:

  • Rústica, produzindo bem no sistema extensivo e semi-intensivo.
  • Produz um ótima carcaça, com gordura muito reduzida.
  • Precoce, pois em condições de pastagens, entre os 30 e 90 dias de idade, os cordeiros machos têm ganhos de peso médio diário de 300g e as fêmeas de 275gramas. Aos 70 dias de idade, os machos bem formados atingem 27 Kg e as fêmeas, 23 Kg.
  • Prolífica, pois atinge índices de nascimento de 160%, tendo atingido na França índices de 190 até 200%.
  • Os carneiros atingem pesos de 110 a 120 Kg e as fêmeas adultas 80 a 90 Kg e, já tendo ultrapassado tais pesos, os carneiros tratados já atingiram 160 Kg e as ovelhas também tratadas, já atingiram mais de 100 Kg.

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Raça Ile de France

Origem: O berço da raça é a França, na região da bacia parisiense, denominada Ile de France. A partir de 1816, técnicos franceses iniciaram cruzamentos de ovelhas Merino Rambouillet com reprodutores New Leicester (Dishley), importados da Inglaterra. O objetivo era obter um ovino que reunisse a qualidade laneira do Merino com a aptidão carniceira do New Leicester. Os cruzamentos foram dirigidos por August Yvart, Inspetor Geral do Estado e professor da Escola Nacional de Veterinária de Alfort; daí a raça ser também conhecida inicialmente por raça de Alfort. Em 1875 participou da Exposição de Paris sob a denominação de Dishley-Merino. Em 1920 a raça recebeu uma infusão de sangue Merino Cotentin, com a finalidade de eliminar pigmentos escuros da pele do focinho. Em 1° de fevereiro de 1922, foi criado o Flock Book, sendo que a raça veio a receber a denominação definitiva em 23 de fevereiro de 1923, quando da fundação do Sindicato dos Criadores da Raça Ile de France, em consideração ao nome da região de origem.

Aspecto geral: É um ovino de grande formato, constituição robusta e conformação harmoniosa, típica do animal produtor de carne. Atualmente é considerada uma raça de duplo propósito, com um equilíbrio zootécnico orientado 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã.

Aptidões:

  • Produz uma carcaça pesada e de muita qualidade.
  • Muito precoce.
  • Os cordeiros têm muito bom ganho de peso: aos 70 dias pesam 23,2 Kg. Dos 10 aos 30 dias de idade, têm ganho de peso diário médio de 242g e, dos 30 aos 70 dias, têm ganho diário médio de 287g.
  • As ovelhas pesam cerca de 80 Kg e os carneiros atingem pesos de 110 a 160 Kg.
  • Muito prolífica, atingindo médias de nascimentos de 160%.
  • Produz cordeiros em diferentes épocas do ano.

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Raça Suffolk

Origem: Oriunda dos condados de Norfolk, Cambridge, Essex e Suffolk, no sudoeste da Inglaterra, foi formada a partir do cruzamento de carneiros Southdown com ovelhas selvagens de Norfolk. Estes ovinos nativos caracterizavam-se por terem os membros pretos, serem ambos os sexos aspados. Eram muito rústicos, ativos, de velo leve e conformação defeituosa, de esqueleto forte e membros compridos, mas muito prolíficos e, desde a antigŘidade, eram muito apreciados pelo sabor de sua carne. A influência da raça Southdown, usada desde 1800 até 1850, determinou o desaparecimento dos chifres, melhorou a conformação e precocidade, sendo fixado o tipo por cruzamento e seleção. Desde o ano de 1810 foi considerada como raça, denominando-se primeiramente como Southdown Norfolk. Em 1859, a Associação de Agricultura admitiu exemplares para concorrerem nas exposições agrícolas e, em 1886, foi fundada a Sociedade de Criadores de Ovinos Suffolk (Suffolk Sheep Society) cuja sede é no condado de Suffolk.

Aspecto geral: O Suffolk é um ovino de grande desenvolvimento corporal, de constituição robusta e de conformação tipicamente carniceira. O seu corpo é comprido e musculoso, as extremidades desprovidas de lã e revestidas de pêlos negros e brilhantes. A postura de sua cabeça e formato das orelhas, fazem do Suffolk um ovino inconfundível. Logo à primeira vista, o Suffolk impõe a sua condição de raça carniceira.

Aptidões:

  • Grande capacidade de adaptações a diferentes climas.
  • Rústica, mas necessita de boa alimentação.
  • Muito precoce.
  • Muito prolífica, com índices de nascimento de até 165%. Parto fácil, principalmente por causa do formato longo e estreito da cabeça dos cordeiros ao nascerem.
  • Cordeiros com grandes ganhos de peso ao dia, até 450 gramas.
  • Ótimo rendimento de carcaça (50 a 60%).
  • Carcaça de ótima conformação e com pouca gordura externa.
  • Os carneiros têm uma libido muito forte.
  • As ovelhas têm muita aptidão materna.
  • Os cordeiros nascem inteiramente pretos e vão branqueando até os 4 a 5 meses de idade.
  • Os machos adultos atingem e ultrapassam facilmente os 150 Kg. A lã tem muita resistência, o que a torna apta para a fabricação de carpetes, estofados e forrações.

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Raça Karakul

Origem: O Karakul pertence ao grupo de ovinos de cola (cauda) larga, adiposa, constituído por grande número de raças espalhadas pela ásia Menor, estendendo-se pelo sul da ásia até a índia e mesmo até a China. Considera-se como sua região de origem, as estepes e semi-desertos de Bukhara, hoje parte de Usbequistão, e as regiões no norte do Irã e do Afeganistão, onde já existia há 1.000 anos. A finalidade do Karakul é a produção de peles. É do cordeiro Karakul, abatido nos três primeiros dias de vida, que se obtêm a nobre pele conhecida por Astrakan, que é o nome de uma cidade do Mar Cáspio, onde os franceses adquiriam suas peles. Os primeiros exemplares que chegaram à América do Sul, foi através da Argentina em 1914, sendo que em 1931, foram importados para o Rio Grande do Sul pelo Dr. Joaquim Francisco de Assis Brasil.

Aspecto geral: É um ovino de tamanho médio, relativamente pouco pesado, vigoroso, de conformação muito angulosa, corpo períforme. O traseiro mais alto e volumoso que o dianteiro, ostentando uma cola muito grossa. Quando adulto, tem corpo coberto de pêlos compridos e entremeados com lã mais curta e a cabeça e membros cobertos de pêlos curtos e brilhantes. É uma raça especializada na produção de peles de cordeiros, conhecidas mundialmente pela denominação de "Astrakan".

Aptidões:

  • Rústica, adaptando-se a diferentes climas, com exceção dos muito peleteira.
  • Conforme o cordeiro seja abatido até os 3 dias de vida ou nonato, a pele recebe a denominação de Astrakan ou Breitschwanz, sendo esta última muito mais rara e cara.
  • A sua carne, que é praticamente isenta de gordura, é muito saborosa.
  • A cola, que é muito gorda, e constitui-se numa reserva destinada a suprir o animal nos períodos de carência alimentar. É um alimento muito apreciado por certos povos.

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Raça Border Leicester

Origem: O Border Leicester é uma variedade do Leicester de Dishley, formada em Northumberland e Condados do Sudeste da Escócia. A partir de 1755, o Zootécnista Robert Backewell, em seu estabelecimento situado em Dishley, passou a trabalhar no melhoramento do primitivo Leicester, utilizando intensivamente a seleção, consangŘinidade e alimentação adequada, transformandoČo em um ovino precoce, de maior tamanho e boa capacidade de engorde. As técnicas de melhoramento utilizadas por Robert Backewell fizeram do Border Leicester um animal de melhor porte, cabeça e pescoço mais bem implantados, corpo mais comprido, tórax mais desenvolvido e melhor arqueamento de costelas do que o Leicester de Dishley. Em 1898 formou-se a Society of Border Leicester Sheep Breeders, que mantém o registro genealógico, publicado desde 1899, e tem sua sede em Edinburgh, Escócia.

Aspecto geral: Ovino de grande porte, constituição robusta, muito ágil e levando a cabeça erguida, com um velo de exterior muito característico, deixando totalmente a descoberto a cabeça e os membros, dos joelhos e garrões para baixo. é uma raça de duplo propósito: carne e lã grossa c.om mechas longas e lustrosas. O equilíbrio zootécnico é de 60% carne e 40% lã grossa.

Aptidões:

  • Muito rústica e precoce.
  • Muito prolífica, com 110 a 130% de índices de nascimentos.
  • Fixa seus caracteres com muita potência hereditária, exercendo muita dominância genética sobre outros animais usados em cruzamentos industriais.
  • Produz muita carne e lã grossa, que é muito empregada para o fabrico de carpetes, estofamentos e forrações.
  • Muito indicada para cruzamentos industriais, onde colabora eficientemente com a sua prolificidade e aptidão materna.

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Raça Crioula

Origem: A Ovelha crioula é considerada uma raça local, com origem dos rebanhos introduzidos pelos jesuítas no Rio Grande do Sul, durante o século XVII e do cruzamento com outras raças importadas a partir da colonização portuguesa. Estudos conduzidos na Embrapa Pecuária Sul revelam parentesco desses ovinos com a raça hispânica Lacha, além de Romney Marsh e Corriedale. Assim, a ascendência da Ovelha Crioula teria como antecessor mais remoto o Urial ou carneiro selvagem do sudoeste asiático, que originou um ovino primitivo (Ovis aries palutris), que se estendeu pela Europa e Oriente Médio, dando origem ao Ovis aries pirenaicus, ancestral direto da raça Lacha. A Ovelha Crioula está classificada como raça rara e conserva traços dos ovinos primitivos que lhe deram origem. Em 1982 começou a ser preservada pela Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, RS. Foram identificadas quatro variedades dessa raça: Fronteira, localizada ao sul do estado do Rio Grande do Sul; Serrana ou Crioula Preta, no nordeste gaúcho e planalto catarinense; Crioula Zebura ou Ovelha de Presépio, ao sul do Paraná e Crioula Comum ou Ovelha Ordinária, localizada acima do Paraná. Atualmente, todas as variedades podem também ser encontradas nos estado de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. A ovelha Crioula representa uma enorme importância social nas comunidades onde outros animais da espécie não sobrevivem e contribui para a manutenção do homem no campo.

Aspecto geral: A ovelha Crioula tem como características a cara e as extremidades descobertas e o velo formado por mechas de aspecto cênico, de coloração variando do branco ao preto, incluindo tons intermediários. O velo se abre na linha dorso-lombar, caindo lateralmente ao corpo, como uma capa, o que contrasta com a escassa cobertura ventral. Possui tamanho médio, quando comparada às demais raças ovinas brasileiras. São animais ativos, com acentuado comportamento gregário e aguçado instinto de defesa, porém são de fácil manejo.

Aptidão:

  • Produção de lã para artesanato e tapeçaria industrial (carpet wool).
  • Carne magra, com maciez e sabor diferenciados.
  • Pele de qualidade industrial superior no que tange à resistência e suavidade.
  • Dada a variedade natural de cores e o acentuado comprimento de mecha, os pelegos têm demanda popular.
  • Sobressai-se na espécie quanto à resistência a endoparasitas e problemas podais, quando em condições adversas.
  • Tem puberdade precoce; as borregas aos sete, e os machos a partir dos quatro meses de idade, em condições naturais de criação.
  • Geralmente o número de cordeiros desmamados é alto, devido ao elevado vigor destes e à habilidade materna.
  • Destaca-se ainda pela longevidade.
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