Embrapa Pecuária Sul
Sistema de Produção, 2
ISSN 1679-3641 Versão Eletrônica
Agosto/2008
Sistema de Criação de Ovinos nos Ambientes Ecológicos do Sul do Rio Grande Do Sul
Flávio Augusto Menezes Echevarria
Alfredo da Cunha Pinheiro
Luiz Alberto O. Ribeiro

Sumário

Apresentação
Introdução
Importância sócio-econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Descrição do ecossistema
Raças
Instalações
Alimentação
Reprodução
Manejo produtivo
Saúde
Preparo para o mercado
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências

Expediente

Saúde


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Verminose ovina

As condições climáticas da região caracterizam-se por possuir quatro estações com precipitação pluviométrica (1200-1300 mm/ ano) mais ou menos bem distribuída durante o ano, mas com alta evaporação durante o verão e ocasionalmente longos períodos de seca. A temperatura média normal varia entre um máximo de 30,50C para janeiro e uma mínima de 8,10C para julho. Este tipo de clima favorece muitos dos nematódeos gastrintestinais de ovinos e principalmente, o Haemonchus contortus que causa surtos de doença. Levantamentos epidemiológicos realizados confirmam que o H. contortus é a espécie mais importante em ovinos e surtos de haemonchose ocorrem desde a metade do verão até a metade do inverno. As condições mais favoráveis para o desenvolvimento do H. contortus ocorrem durante o outono, quando as temperaturas mínimas estão acima de 100C e há um bom equilíbrio entre precipitação e evaporação. Como a média das temperaturas mínimas desce somente um pouco abaixo dos 100C durante o inverno, um número suficiente de larvas infectantes pode estar ainda presente na pastagem e produzir infecções clínicas em junho/julho. Um elevado número de formas inibidas de H. contortus não tem sido detectado, mas essas poucas larvas associadas à população parasitária em estádio adulto, albergada pelos hospedeiros ovinos, são responsáveis pela contaminação de primavera, quando as condições climáticas são mais favoráveis para o desenvolvimento e sobrevivência das larvas infectantes. Como conseqüência deste aumento de larvas infectantes na pastagem, os maiores picos ocorrem no final do verão e outono quando a haemonchose é normalmente detectada.

Os cordeiros podem infectar-se quando ainda estão com suas mães na primavera, mas é após o desmame (dez/jan), época em que se expõem a um maior desafio, e as perdas ocorrem durante o primeiro outono. Os ovinos adultos não desenvolvem uma boa imunidade ao H. contortus e também podem sofrer a forma aguda da enfermidade no outono. Outros nematódeos importantes são:

Ostertagia spp. (principalmente O.circumcincta) e Trichostrongylus axei no abomaso e T.colubriformis e Nematodirus spathiger no intestino delgado. Os maiores números de Ostertagia spp. são encontrados durante o inverno, enquanto os picos de T. axei e T.colubriformis são detectados normalmente entre o outono e a primavera. N.spathiger ocorre em meados do outono e novamente na primavera, coincidindo com a época de parição; encontram-se em pequenos números e a sua importância patogênica não está definida.

Outros nematódeos gastrintestinais como Strongyloides papillosus, Cooperia spp., Moniezia expansa, Oesophagostomum columbainum, O. venulosum e Trichuris ovis ocorrem em pequenos números assim como os parasitos pulmonares Muellerius capillaris e Dictyocaulus filari; estes não são normalmente considerados como patogênicos. Alguns destes helmintos como D.filaria, M.capillaris e O.columbianum desapareceram de muitas propriedades e, apesar da causa deste declínio não ser conhecida, o uso de anti-helmínticos eficientes de largo-espectro talvez possa ser um fator importante.

Os cordeiros, categoria mais sensível aos efeitos do parasitismo, normalmente são desmamados em dez/jan. A pesquisa recomenda o uso de drogas com proteção residual contra Haemonchus (p. ex. disofenol ou closantel) nesse momento, e novamente, oito semanas mais tarde (geralmente em março), com o objetivo de reduzir a contaminação de verão das pastagens; isto efetivamente elimina o aparecimento de haemonchose durante o outono. A necessidade da segunda medicação poderá ser avaliada por exame de fezes. Integrado a estes tratamentos, o uso de pastagens com baixo risco parasitário, isto é, aquelas pastejadas por bovinos adultos pelo mínimo durante três meses antes da época de desmame, também tem sido recomendado. Após a dosificação de março, tem sido aconselhado aos produtores a utilização dos serviços parasitológicos prestados pelas cooperativas de lãs, sindicatos rurais ou técnicos particulares para monitorar mensalmente as contagens de ovos nas fezes (opg). Neste sistema, 8% a 10% dos animais são coletados mensalmente para opg e cultura de larvas e quando as contagens ultrapassam 500 opg, o tratamento é então recomendado (Tabela 1).

Tabela 1. Controle de verminose integrado para ovinos desmamados em dezembro/janeiro e criados extensivamente no RS

S

O

N

D

J

F

M

A

M

J

J

A

Pastejo só c/ bovinos adultos

Pastejo misto: ovinos desmamados e bovinos adultos

Pastejo c/ bovinos adultos

x

x

Animais acompanhados mensalmente por exame de fezes

Fonte:Embrapa Pecuária Sul, 2003
x = Produto c/ poder residual contra H. contortus
• = Produto de largo espectro

Este sistema de duas medicações estratégicas, associadas com coleta mensal de fezes para exame (ovos e cultura), foi testado durante quatro anos e demonstrou ser eficiente no controle do parasitismo gastrintestinal de ovinos jovens, os mais sensíveis. Em alguns anos, os ovinos necessitaram apenas duas medicações estratégicas (anos mais secos), enquanto em anos mais úmidos, mais uma ou duas medicações foram necessárias. Além dos benefícios pela economia de tratamentos, houve também ganhos de produção pelos incrementos do ganho de peso, pela melhor qualidade da lã e principalmente pela redução da idade de acasalamento para fêmeas, que foi reduzido de 30 para 18 meses. A Fig.1 mostra um exemplo desses ganhos de peso.

Fonte:Embrapa Pecuária Sul, 2003
Fig. 1. Evolução do peso vivo de borregas Corriedale desmamadas em pastagens descontaminadas e submetidas ao controle da verminose através do acompanhamento do número de ovos por grama de fezes.

Em relação aos animais adultos, principalmente as ovelhas de cria, recomenda-se a utilização das coletas mensais de fezes para opg e cultura para permitir uma eficiente recomendação de anti-helmínticos. Nas situações em que isto não possa ser feito, um número mínimo de três medicações anti-helmínticas deverá ser administrado: por ocasião do desmame, no pré-acasalamento e no pré-parto. As ovelhas são responsáveis pela alta contaminação das pastagens por ocasião da parição, contribuindo, desta maneira, para um alto grau de infecção dos cordeiros. Por esta razão, a medicação pré-parto deve ser associada a uma troca de potreiro (área de baixo risco parasitário) para realmente expressar o seu efeito. Este manejo pode eliminar a necessidade da dosificação à assinalação.

Algumas normas de manejo podem ter influência no grau de parasitismo dos rebanhos e, dentre elas, pode-se salientar a lotação e relação climática. O número de animais por unidade de área tem influência significativa no nível de contaminação das pastagens. Uma lotação animal elevada predispõe ao aparecimento de surtos de verminose; nesta situação, a vigilância deve ser redobrada.

Outro fator a ser levado em consideração é o índice pluviométrico; verões com altas precipitações favorecem o aparecimento de surtos de verminose, requerendo, portanto, um maior número de dosificações anti-helmínticas. Por outro lado, nos períodos secos ocorre uma maior mortalidade dos estádios de vida livre, sendo recomendável a aplicação tática de anti-helmínticos para a redução da contaminação das pastagens.

No sul do Brasil, os altos níveis de contaminação das pastagens com larvas de trichostrongilídeos durante o outono, têm levado alguns produtores a administrar um excessivo número de tratamentos aos cordeiros durante o primeiro ano de vida desses animais. Alguns chegam a medicar os cordeiros a cada 20 dias durante o outono e daí em diante uma vez por mês. Embora esta política tenha sido eficiente no controle do parasitismo e, conseqüentemente, provido benefícios econômicos imediatos, ela precipitou o aparecimento da resistência anti-helmíntica.

No Brasil, a maioria dos relatos de resistência anti-helmíntica são originários do estado do Rio Grande do Sul. Em um levantamento realizado neste Estado, foram examinados 182 rebanhos. Baseado no teste de redução de opg e cultura de larvas, foi detectado que 90% dos rebanhos apresentavam resistência aos benzimidazóis, 84% ao levamisole, 13% às ivermectinas, 20% ao closantel e 73% para a combinação benzimidazole/levamisole.

Estes fatores biológicos, associados às necessidades econômicas de a cada ano se buscar reduzir os custos de produção sem perda da produtividade e às exigências do público consumidor, mais informado, que começa a questionar o problema de resíduos químicos, nos levam diretamente à busca da utilização racional dos produtos ora existentes, do desenvolvimento de vacinas e/ou produtos biológicos e da utilização de normas de manejo que reduzam a necessidade de tratamentos anti-helmínticos.

Uma das alternativas que poderia ser empregada para reduzir o número de medicações anti-helmínticas, seria o uso de restevas agrícolas (áreas disponíveis para pastejo após a colheita de uma cultura agrícola). No RS, foi demonstrado que restevas agrícolas ressemeadas com gramíneas e submetidas a pastejo, apresentam baixo risco parasitário para o pastejo de ruminantes, principalmente os mais jovens e sensíveis ao parasitismo (Tabela 2).

Tabela 2. Uso de restevas agrícolas para reduzir riscos de parasitismo em ruminantes*.

Espécie

Número de helmintos

OPG

Abomaso

Int. Delgado

Ovinos

1

0

0

0

2

0

0

0

3

0

0

0

4

0

0

0

Bovinos

1

0

20**

0

2

0

0

0

3

0

0

0

4

0

0

0

Fonte: *Echevarria et al., 1993;
**C. punctata

Os produtores muitas vezes são resistentes ao uso de programas alternativos de controle integrado, apesar dos benefícios que possam ser obtidos. Contudo, se a resistência anti-helmíntica se tornar um grande problema dentro da exploração pecuária e se os consumidores aprenderem a demandar por produtos com menores quantidades e/ou livres de resíduos químicos, então isso poderá influenciar os criadores a adotar estratégias alternativas como as acima descritas. Opções de controle biológico, seleção de animais resistentes aos efeitos do parasitismo e desenvolvimento de vacinas moleculares, ainda em fase inicial de pesquisa, deverão demorar alguns anos para estarem disponíveis aos ovinocultores. Enquanto não tivermos melhores alternativas, o produtor e o técnico de campo também precisarão, necessariamente, do apoio laboratorial para poder controlar a verminose gastrintestinal, principalmente frente à alta prevalência de resistência anti¬helmíntica nos rebanhos ovinos.

Fasciolose

Em algumas regiões do RS, pode-se encontrar a presença de Fasciola hepática. Conforme as condições ambientais e/ou climáticas, não é raro o aparecimento de sintomas clínicos de fasciolose e, em conseqüência, perdas de peso vivo e até mortalidade podem ser observadas.

A confirmação da presença do parasito pode ser feito por exame de fezes e/ou pela necropsia. Neste caso, pode-se detectar os parasitos nos canais hepáticos.

Nos casos agudos, o produto de eleição é o triclabendazole por possuir ação em formas adultas e imaturas. Os demais produtos, como nitroxinil e closantel, só atuam em formas com mais de 8 semanas, enquanto albendazole e clorsulon só atuam em formas adultas.

Sarna e piolho

Estes parasitos são de notificação obrigatória junto à Secretaria de Agricultura e deverão ser controlados conforme as normas oficiais.

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Controle de doenças de ovinos

Problemas relacionados com o período reprodutivo

a) Epididimite: é uma doença venérea crônica do carneiro, caracterizada pelo aumento de volume e consistência do epidídimo e atrofia dos testículos. A doença é causada pela Brucella ovis e é endêmica em carneiros no RS. Os prejuízos econômicos causados pela doença estão associados à diminuição da fertilidade e da vid.a reprodutiva de carneiros, levando a períodos de parição prolongados e, ocasionalmente, abortos. O diagnóstico é feito pelo exame dos testículos, que mostram-se moles e atrofiados, verificando-se aumento do volume da cauda e cabeça do epidídimo. O teste sorológico mostrará presença de anticorpos contra B. ovis, e a cultura do sêmen mostrará presença desse organismo.

O controle da epididimite é baseado na identificação, isolamento e eliminação de animais soropositivos. Recomenda-se a criação em separado de carneiros jovens e adultos, o exame clínico e sorológico periódico após período de monta e evitar a entrada de carneiros sem exame.

b) Aborto: a ocorrência de aborto em ovinos é normalmente baixa, situando-se entre 1 % a 2%. Os agentes infecciosos podem causar infertilidade, mumificação de fetos ou nascimento de cordeiros fracos. Os problemas mais sérios ocorrem quando um rebanho sensível é infectado, seguindo-se, então, "tempestades de aborto". As causas mais comuns de aborto em ovinos são: Chlamydiose (19%), Toxoplasmose (16%), Vibriose (4%) e Salmonelose (1.6%). A Chlamydiose tem sido pouco referida em ovinos no Brasil. Essa doença caracteriza-se pelo aparecimento de fetos mortos 2-3 semanas antes da parição. Os cordeiros não mostram sinal de autólise, observando-se às vezes acúmulo de líquido sanguinolento no abdome. A placenta revela crostas duras no tecido intercotiledonar. O diagnóstico é feito pelos achados de necropsia e pela demonstração de corpúsculos em impressões dos cotilédones, corados pelo Ziehl-Neelsen. O controle é obtido pelo isolamento dos animais que abortam. Tratamento com [Terramicina LA] e vacinação antes da cobertura. Ovelhas que abortam terão parição normal no próximo ano.

A Toxoplasmose em ovinos depende do momento da gestação em que o animal foi infectado pelo Toxoplasma gondíi. Se a infeção ocorrer no início da gestação, teremos reabsorção fetal. Quando o contato com o agente acontecer entre 50-120 dias de gestação, observa-se parição precoce, feto mumificado, ou nascimento de cordeiros fracos com crescimento retardado. Caso a infeção aconteça no final da gestação, teremos nascimento de cordeiros normais, mas infectados. As lesões típicas são presença de fetos mumificados e placenta hemorrágica com pontos brancos nos cotilédones. O diagnóstico poderá ser feito pelo exame histopatológico da placenta e tecidos fetais e, pela inoculação do material em camundongos. O exame soro lógico poderá também auxiliar no diagnóstico. O controle da doença inclui a eliminação de gatos, exposição das ovelhas a ambiente contaminado antes do encarneiramento e vacinação. A vacina para essa enfermidade não está disponível no Brasil.

c) Toxemia da gestação: é uma doença do final da gestação, caracterizada por anorexia, sintomas nervosos, prostação e eventualmente morte. Ela é determinada por alimentação inadequada durante a prenhez que leva à hipoglicemia, à cetose e à acidose metabólica. A enfermidade ocorre com mais freqüência em ovelhas com prenhez gemelar ou tripla.

A toxemia de gestação é comum em rebanhos comerciais no RS. O diagnóstico é feito pela apresentação, no final da gestação, em baixo estado nutricional, submetidas a estresse e pelos sintomas de cegueira, incoordenação motora, cetonúria e hipoglicemia. A prevenção e controle da doença devem ser feitos pela oferta de suplementação alimentar no final da gestação, avaliação da condição corporal (CC) das ovelhas, sendo que a CC desejável é 2,5 e evitar o estresse. O diagnóstico de gestação por ultra-sonografia pode indicar as ovelhas com parto gemelar ou triplo, portanto mais susceptíveis à enfermidade. Para o tratamento é recomendado Dexametazona (8-16mg) e propilenoglicol ou glicerol (200 ml/oral 4 x dia) e, em casos graves, cesariana.

Doenças de recém-nascidos

a) Mortalidade perinatal de cordeiros (MPC): a MPC é definida como as perdas de cordeiros que ocorrem imediatamente antes, durante e dentro de sete dias após a parição. A perda perinatal em rebanhos gaúchos pode chegar a 25% em anos com invernos rigorosos. Dados observados em quatro rebanhos ovinos comerciais do RS mostraram uma baixa taxa de desmame (59%) e uma alta taxa de mortalidade de cordeiros de 30%. Em um dos rebanhos observados, a MPC foi de somente 4%. O bom manejo aplicado nesse rebanho elevou a taxa de desmame de cordeiro para 90%.

A MPC tem uma etiologia complexa que envolve a ação e interação de muitas variáveis, tais como clima, fatores genéticos, nutricionais, predadores, infeções, habilidade materna e hipotermia.

A temperatura normal de um cordeiro ao nascer situa-se ao redor de 39°C. A termoneutralidade em cordeiros é atingida quando a temperatura ambiental é de 28°C, na ausência de ventos. Dias frios, ventosos e úmidos, comuns de ocorrer durante o período de parição, fazem com que a perda de calor pelo cordeiro seja superior a sua capacidade de produção, levando-o à hipotermia. Cordeiros pequenos são mais suscetíveis à ação do frio, porque relativamente eles tem maior área de superfície para perder calor e menor reservas de energia para termogênese. A hipotermia que ocorre nas primeiras seis horas de vida do cordeiro é chamada de primária. O cordeiro mostra temperatura retal entre 37° e 39°C e deve-se à situação climática de extremo frio. Em tais condições, a quantidade de calor que é retirada do cordeiro, é superior a sua capacidade de produção.

Uma outra forma de hipotermia, chamada de secundária, ocorre após as 12h de vida do cordeiro. É caracterizada clinicamente por temperatura retal inferior a 37°C e hipoglicemia (inferior a 4 mm). Esse tipo de hipotermia pode ocorrer por falta de habilidade materna, agalaxia ou anormalidade do úbere. No lado do cordeiro, ele sugeriu que lesões no SNC causadas por partos prolongados poderiam reprimir o reflexo mamário.

Predação causada por mamíferos selvagens (sorros, graxains, raposas, cães vadios) ou por aves de rapina (corvos e caranchos) podem ser causas menores de perda de cordeiros.

Uma série de microrganismos podem estar associados com MPC. Esses agentes causam ,basicamente, placentite que leva ao aborto ou nascimento de cordeiros fracos. Entre os organismos envolvidos são citados Listéria sp, Yersinia sp, Pasteurella sp, Chlamydia sp, Brucella sp, Campylobacter tetus, Toxoplasma gondii e Salmonella sp. Essas infeções seriam responsáveis por 3,2% das mortes de cordeiros. Carências minerais de cobre e lodo têm sido citadas em outros países.

O aspecto multifatorial da MPC torna bastante difícil estabelecer um programa comum para todas as propriedades. Os fatores que levam à mortalidade de cordeiros, variam tanto de um local para outro e mesmo dentro de uma propriedade, havendo ainda variações anuais. Portanto, qualquer orientação para o controle da MPC deve considerar as particularidades locais do rebanho. As recomendações gerais de controle deverão levar em conta:

  • Diagnóstico das causas, doenças, predadores, lesões no úbere etc.

  • Promover o máximo contato ovelha/cordeiro nas 12h pós parto. Se for fornecido aquecimento e alimento aos cordeiros após nascimento, poderemos ter 100% de sobrevivência.

  • Considerar fatores econômicos que indicarão quanto o proprietário está disposto a gastar no atendimento aos cordeiros.

Medidas de prevenção

a) Nutrição: no terço final da gestação ocorre aproximadamente 70% do crescimento fetal. Isso acarreta uma necessidade energética de 1.5 MJ/kg feto/dia. Estima-se que uma ovelha com prenhez simples, necessita duas vezes mais alimento que uma ovelha vazia. A necessidade alimentar de ovelhas com gêmeos ou triplos é estimada em 2.5 a 3 vezes a de uma ovelha vazia. O uso da ultra-sonografia permite identificar as ovelhas com prenhez múltiplas e assim ajustar o nível nutricional. Uma forma prática de avaliar a situação nutricional do rebanho é fazer a avaliação da Condição Corporal (CC). Esta deverá ser realizada 4 a 8 semanas antes da parição, sendo 2.5 a CC mínima nesse período.

b) Esquila e limpeza do úbere: certas raças de ovinos têm os olhos e o úbere tapados, que necessitam ser esquilados para facilitar a visão e o acesso dos cordeiros aos tetos.

c) Abrigos: a maioria dos pesquisadores é da opinião que abrigos, ao diminuírem a velocidade do vento, levam a uma redução da perda de calor pelo cordeiro, aumentando a chance de sobrevivência.

d) Hipotermia primária: ocorre nas primeiras 6h de vida quando o cordeiro mostra temperatura retal entre 37°-39°C. O tratamento seria abrigo, aquecimento e leite em mamadeira ou sonda estomacal (50 ml/kg 3 x dia).

e) Hipotermia secundária: ocorre após 12h de vida do cordeiro os quais mostram-se depressivos e com hipoglicemia. A temperatura reta I estará abaixo de 37°C. O tratamento seria injeção intra-peritonial de 10 ml/kg de glicose a 20%, seguida de aquecimento do cordeiro e administração de colostro por tubo estomacal (50 ml/kg 3 x dia).

Doenças de cordeiros

a) Diarréias: uma série de organismos podem causar diarréia em cordeiros.
A Colibacilose é causada por amostras patogênicas de Escherichia coli, possuidoras do antígeno K99 que favorece sua aderência à parede intestinal (ETEC). A doença ataca cordeiros de menos de uma semana que mostram diarréia, desidratação, fraqueza e mortalidade de 75%. O diagnóstico é feito pelo isolamento de E. coli (ETEC) em quantidades anormais (> 10 bact. formadoras de colônias/g fezes. A "Boca-D'água" é uma outra forma clínica de colibacilose que ataca cordeiros entre 12-72h de vida. Eles mostram depressão, boca fria e excesso de salivação. A doença ocorre em cordeiros que receberam doses insuficientes ou retardadas de colostro e ingeriram E. coli;. Esta se multiplica rapidamente no intestino. A motilidade intestinal reduzida em cordeiros recém-nascidos facilita a multiplicação desse organismo.

A Salmonelose causa enterite esporádica em cordeiros. Os surtos são associados com aborto, febre, diarréia e mortalidade alta. As espécies mais comuns são a S. dublin e S. typhimuriun. O diagnóstico está baseado na cultura de Salmonella do intestino, fígado e baço.

Rotavirus tem sido isolado em 25% de cordeiros com diarréia. O vírus, aparentemente, destrói as células das vilosidades do 10, levando à atrofia e à diarréia por má absorção. A doença ataca cordeiros na primeira semana de vida e dura somente alguns dias. O diagnóstico é feito pela detecção do Rota-virus em teste de ELlSA nas fezes.

No tratamento das diarréias a antibióticoterapia tem pouco valor. Deve-se tomar cuidados como aquecer os cordeiros, repor a volemia por fluidoterapia e administração de protetor de mucosa . O controle inclui vacinação contra a Salmonelose, Colibacilose e Rotavirus, boa higiene nos potreiros de parição e desinfeção do umbigo dos cordeiros com iodo. Em casos de "Boca D'água", o tratamento inclui a administração oral de antibióticos (ampicilina, neomicina, trivetrin) e quando há retenção de mecânio, lavagem com óleo mineral e água morna. A prevenção é feita aumentando-se os cuidados com higiene, e a ingestão de colostro (materno ou artificial ProLam) nas primeiras 6h de vida do cordeiro.

b) Ectima: é uma zoonose vírica contagiosa causada por um Parapox vírus. A doença ataca principalmente ovinos e caprinos jovens, cursando com lesões (crostas) ao redor da boca, na coroa do casco, na vulva e no prepúcio. Cordeiros com lesões nas comissuras labiais têm dificuldade para mamar, com conseqüente perda de peso e morte. O diagnóstico é feito pelas lesões e pelo aparecimento sazonal, após a parição. O tratamento consiste na aplicação de "spray" de Terramicina nas lesses, assim como Zovirax em animais de alto valor. O controle inclui o uso de vacina viva, recomendando-se sua aplicação somente em propriedades com histórico anterior da doença. Cordeiros podem ser vacinados nos primeiros dias de vida. Trabalhos recentes sugerem que a imunidade conferida pela vacina não ultrapassa o período de um ano.

c) Tétano: é uma neurointoxicação aguda, caracterizada por espasmos musculares e causada por uma bactéria não invasiva do solo, o Clostridium tetani. Ferimentos profundos ou feridas que criem condições de anaerobiose são as formas comuns da entrada da bactéria. Encontrando condições de anaerobiose, o crescimento bacteriano leva à produção de toxina que potencializa os estímulos sensoriais, levando a um estado de contração muscular constante. A morte ocorre por asfixia devido à paralisia dos músculos envolvidos na respiração.

Em ovinos surtos de Tétano são relacionados com castração e descole (em especial quando se usam anéis de borracha), mordidas de cães e banhos pós esquila. O diagnóstico é feito com base na presença de espasmos musculares, prolapso da terceira pálpebra e histórico recente de cirurgia ou traumatismo.

A prevenção e controle baseiam-se na limpeza e assepsia durante intervenções cirúrgicas a campo, e no uso de vacinas e antitoxinas. Ovinos deverão ser vacinados anualmente com vacinas contendo anatoxina tetânica. Animais primovacinados deverão receber uma segunda dose de vacina após 4 semanas. Ainda evitar o uso de anéis de borracha para castração e descole em propriedades onde ocorreram casos de tétano em anos anteriores. O tratamento inclui altas doses de penicilina (Lv e Lm.) associadas a relaxastes musculares (Clorpromazina 0.4 mg/kg Lv.), devendo o animal ser mantido hidratado e em local escuro e calmo.

d) Enterotoxemia: é o termo usado para descrever as doenças causadas pelas toxinas do Clostridium perfringens no intestino. Em nosso meio, casos de Enterotoxemia em ovinos têm sido associado com o C. perfringens tipo D. A doença aparece com mais freqüência em animais jovens, em excelente estado nutricional. A enterotoxemia é uma das principais causas de morte súbita em ovinos. Os sintomas comuns são ataxia, opistotono e convulsões. A necropsia mostra líquido coagulado no saco pericárdico, congestão da mucosa intestinal, rins autolizados (pulposo) e glicosúria.

O controle da enterotoxemia baseia-se na prevenção da doença pela vacinação. Ovinos adultos deverão ser vacinados e revacinados com um mês de intervalo, seguindo-se de revacinação anual. Animais em alto risco (p. ex. em pastagem artificial ou recebendo concentrado) deverão ser revacinados a cada 6 meses. Finalmente recomenda-se administrar dose de reforço em ovelhas prenhes duas semanas antes da parição. Cordeiros poderão ser vacinados após 8 semanas.

No Brasil, não existem vacinas específicas contra a Enterotoxemia. A proteção é obtida com o uso de vacinas da Clostridiose, que incluem em sua formulação o Cl. perfringens tipo D, e algumas, também o tipo B.

Doenças de ovinos adultos

a) Listeriose: é uma doença infecciosa, mas não contagiosa,caracterizada por paralisia facial, movimentos em círculo e aborto. A doença é causada pela Listeria monocytogenis, encontrada no solo e em silagem, podendo ocorrer em três formas clínicas: (1) encefalite, (2) placentite, levando ao aborto no terço final da gestação e, (3) septicemia gastrintestinal. A forma nervosa é a mais comum em ovinos.

A transmissão da Listeriose parece ocorrer pela ingestão de fenos em que a presença de oxigênio inibiu a produção de ácidos. Acredita-se que o agente penetre por soluções de continuidade, tais como, mudança de dentes, traumatismos na mucosa oral ou lesões desse epitélio causadas por viroses. No RS a doença é rara, sendo sua ocorrência descrita somente uma vez. Mais recentemente, foram relatados casos de ovinos criados em resteva de arroz que mostraram andar em círculo e paralisia facial, não tendo sido, entretanto, isolado o agente. O diagnóstico é feito baseado nos sintomas clínicos de paralisia facial e andar em círculo, na bacteriologia e histopatologia do cérebro.

Para prevenção da Listeriose, deve-se tomar cuidado na preparação da silagem que deverá ser produzida a partir de pastagens que não foram pastoreadas por ruminantes. Silagens com pH acima de 5 devem ser evitadas. Até o momento, não existem vacinas contra essa enfermidade. O organismo é um parasita intracelular e é pouco provável que vacinas inativadas ofereçam proteção. Após o aparecimento dos sintomas nervosos o prognóstico da doença é desfavorável contudo, a antibióticoterapia tem sido recomendada. A droga de eleição é a Oxytetraciclina ([Terramicina LA]) na dose de 20 mg/kg Lm. ou 5 mg/kg Lv.

b) Carbúnculo sintomático (CS) e gangrena gasosa (GG): o CS (Cl. chauvoei, Cl. Septicum) e a GG (Cl. septicum, Cl. chauvoei, Cl.perfringens tipo A, Cl. novyi, Cl. sordellii e Cl. sporogens) diferem pouco do ponto de vista do diagnóstico clínico e controle. Em ovinos, essas enfermidades são de aparecimento brusco, associadas a práticas de manejo tais como, esqui Ia, castração, descole e parto. Animais infectados mostram prostração, febre, dificuldade locomotora e crepitação subcutânea. A necropsia mostra edema subcutâneo e necrose muscular.

O diagnóstico é feito pelos sintomas, lesões à necropsia e isolamento de Clostridium sp dos músculos ou osso longo, associado a exame histopatógico dos tecidos necrosados.

A prevenção do CS e GG é feita pelo cuidado na desinfeção de cortes ou feridas. Deve-se dar atenção especial a limpeza e desinfeção de seringas e agulhas, pois estas têm sido incriminadas como causa de surtos a campo. A proteção contra essas duas enfermidades pode ser obtida vacinando ovinos com vacinas polivalentes. Animais primovacinados deverão receber dose de reforço após 30 dias. É recomendado também vacinar, anualmente, ovelhas no terço final da gestação, para que elas passem a imunidade aos cordeiros, via colostro.

c) Footrot (FR): é uma doença crônica necrosante da epiderme interdigital e matriz do casco. A doença cursa com manqueira em um ou mais cascos, que leva à perda de peso, diminuição da produção de lã e dificuldades reprodutivas em carneiros.

O agente etimológico do FR é o Dichelobacter nodosus encontrado na natureza somente em ovinos com Footrot. O agente tem sido identificado no RS e no Uruguai, mostrando uma variedade de sorotipos dos quais os mais prevalentes são os sorotipos A,B,D,E e F. O diagnóstico é feito pelo aspecto progressivo e crônico das lesões e pelo aparecimento de surtos associados a épocas chuvosas do ano. Surtos de FR podem ser evitados através de exame e apara dos cascos de todos os ovinos do rebanho, seguindo-se da passagem em pedilúvio com 5%-10% de formol ou 10% de Sulfato de Zn. Animais infectados deverão ser mantidos em potreiros separados, ou sacrificados. A apara dos cascos deverá ser feita em época seca do ano. No RS, recomenda-se os meses de dezembro e fevereiro, antecedendo, portanto, a época de encarneiramento.

A prevenção da doença pode ser feita pela vacinação do rebanho, antes do período favorável à transmissão da doença. A vacina é oleosa e deverá ser aplicada pela via intramuscular profunda na tábua do pescoço. Todo o rebanho deverá receber uma segunda dose da vacina 30 dias após a primeira vacinação. A vacina tem imunidade curta, não ultrapassando 4 meses (Ribeiro,1992b). Animais de alto valor zootécnico, com lesões crônicas, poderão ser tratados pela aplicação i.m. de 70 mg/kg de Estreptomicina associada a 70.000 ui/kg de Penicilina ou por [Terramicina LA].

d) Linfadenite Caseosa: é uma doença crônica contagiosa, caracterizada por aumento e supuração de linfonodos, e ocasionalmente, pulmões e baço. O agente etiológico é o Corynebacterium pseudotuberculosis isolado de cabras na Bahia e no RS. A doença é endêmica em ovinos no RS, tendo sido observada em 8% das ovelhas abatidas. O isolamento do C. pseudotuberculosis de ovinos no RS foi recentemente descrito. A presença da doença no rebanho é mantida pela alta concentração do organismo na descarga purulenta e pela capacidade que o agente tem de permanecer no ambiente. Aparentemente, a transmissão da enfermidade de um rebanho para outro se dá pela introdução de ovinos infectados.

O controle da doença inclui cuidados de desinfeção durante a esquila. O desenvolvimento de técnicas sorológicas (ELISA) para identificação de animais infectados será uma ferramenta importante para o controle.

e) Ceratoconjuntivite (CO): é uma enfermidade epizoótica, aguda e contagiosa, caracterizada por hiperemia da conjuntiva, opacidade da córnea e formação de folículos linfóides na membrana nictante e na pálpebra. As perdas econômicas resultam da diminuição de peso e produção de lã determinadas pela menor capacidade de apreensão do alimento.

A etiologia da CO é ainda confusa. A literatura tem mencionado o Mycoplasma conjuntivae, Chlamydia psittaci, e uma série de bactérias, entre as quais a Branhamella ovis. Os sintomas clínicos são de lacrimejamento, cegueira e blefarospasmo. A ulceração não é comum ocorrendo com freqüência opacidade da córnea. O tratamento e o controle são feitos pela aplicação local de antibióticos e isolamento de animais infectados.

Doenças de ovinos estabulados

a) Intoxicação Crônica por Cobre (ICC): o Cobre é um microelemento essencial para bovinos e ovinos. As necessidades diárias desse elemento são 4 a 6 e 8 mg/kg para ovinos e bovinos, respectivamente. Embora suínos e aves sejam bastante tolerantes ao Cobre e, de certa maneira também os bovinos, os ovinos são extremamente sensíveis. Eles não toleram regimes alimentares que contenham mais de 10 mg/kg de Cobre. A absorção do Cobre, nessa espécie, é regulada principalmente pelo Molibdênio. No RS, os solos e pastagens contém ao redor de 5-10 mg/kg de Cobre, e não mais que 0.2-0.3 mg/kg de Molibdênio (Gavillon & Quadros, 1966), estando este elemento em condições limítrofes para obstaculizar a absorção do Cobre da pastagem.

Casos de ICC têm sido relatados em ovinos preparados para exposições e submetidos a rações contendo quantidades excessivas de Cobre (30-40 mg/kg). Em tais circunstâncias, o elemento acumulado no fígado e em condições de estresse, é violentamente liberado na circulação, levando a uma crise hemolítica praticamente irreversível. Casos de mortes por ICC têm sido registrados em ovinos pastoreados em pomares de macieira, onde a concentração de Cobre encontrada na pastagem foi de 60 mg/kg.

Os sintomas mais comuns são dispnéia, icterícia e hemoglobinúria. Os níveis de AST podem se elevar a mais de 500 ui/l. O diagnóstico é feito pelos sintomas, pela dosagem de cobre no fígado e rins (acima de 1000 mg/kg) e histologia. No tratamento, recomenda-se a administração de 50-100mg de Molibdato de amônia e 1g de Sulfato de sódio, via oral, associado a 50 mg/kg de D penicilinamine, pela mesma via.

b) Urolitíase: é uma doença metabólica, principalmente de ovinos machos, caracterizada pela formação de cálculos que levam à oclusão da uretra, retenção de urina e ruptura da bexiga. No RS, a doença é rara em ovinos a campo, ocorrendo com mais freqüência em animais preparados para exposições. Casos de urolitíase são vistos, anualmente, em Esteio, onde o estresse do transporte, temperatura baixa e dieta alimentar com excesso de P, favorecem o aparecimento da doença.

Os sintomas iniciais são movimentos laterais da cola, cristais de urina no prepúcio e dor abdominal (animal pateia o abdomem). O tratamento inclui relaxante muscular (Buscopan) e administração oral de acidificante da urina (Cloreto de amônia 7-10g/dia). Para a prevenção recomenda-se manter a relação Ca/P em 2/1 , adição de 1%-4% de Cloreto de sódio na ração para aumentar o consumo de água e 2% de Cloreto de amônia também na ração.

Doenças exóticas ou emergentes

a) Maedi Visna: é uma pneumonia vírica crônica de ovinos, caracterizada por tosse, dispnéia, debilitamento físico e morte. A doença foi identificada pela primeira vez na Islândia, onde Maedi quer dizer dispnéia e Visna, definhamento. A enfermidade mostra sintomas de pneumonia progressiva, ocorrendo alguns casos de manifestação nervosa. O Maedi-Visna(MV) é endêmico em vários países da Europa, sendo particularmente prevalente em ovinos Texel da Holanda. A doença ocorre também em caprinos na forma de artrite encefalite (CAE). Apesar da evidência sorológica da presença de MV no rebanho ovino nacional, o isolamento do vírus, ou mesmo a confirmação da doença por exame histopatológico, não foi ainda descrita em nosso país.

O controle da MV está baseado na identificação e eliminação de animais sorologicamente positivos. Como a principal via de transmissão da doença é o colostro, recomenda-se o isolamento e alimentação artificial do cordeiro, filho de mãe positiva.

b) Adenomatose Pulmonar (AP): é uma doença vírica contagiosa, neoplásica de ovinos adultos, caracterizada por debilitamento físico, dispnéia e corrimento nasal. A doença é invariavelmente fatal e acredita-se seja causada por um Retrovirus.

A transmissão da doença se dá pela liberação de células infectadas no meio ambiente através da tosse do animal. Galpões sem ventilação e superpovoados favorecem a transmissão. O período de incubação varia de 2 meses a 2 anos, quando os animais apresentam dificuldade respiratória, tosse e fluido nasal, acompanhados de debilitamento físico. Na necropsia, os pulmões mostram massas tumorais e o ventrículo esquerdo hipertrofiado.

A ocorrência de AP foi recentemente sugerida no Brasil com base em lesões macroscópicas e microscópicas observadas em uma ovelha Karakul, filha de ovelha importada da Alemanha. O seu controle baseia-se na eliminação de ovinos com sintomas, não havendo, entretanto, teste sorológico para a identificação de animais infectados.

c) Scrapie: é uma doença degeneratíva progressiva, não febril, do sistema nervoso central de ovinos e caprinos que leva, invariavelmente, à morte. O agente causador do Scrapie não foi ainda identificado, mas sabe-se que a doença é definitivamente transmissível. O agente é resistente ao calor, formol, ultravioleta e radiações ionizadas, o que o faz diferir dos vírus convencionais. Aparentemente, existe uma interação entre agente e hospedeiros, controlada geneticamente. Isto significa que alguns animais serão susceptíveis a doença, enquanto outros, com genótipo diferente, serão resistentes.

Scrapie é uma doença de ovinos adultos acima de 3 anos, cursando com coceira intensa e incoordenação motora, progredindo para caquexia e morte. A confirmação diagnóstica é feita pelo exame histopatológico do cérebro, não existindo testes sorológicos.

No Brasil, esta enfermidade foi acidentalmente introduzida pela importação de ovinos da Inglaterra em 1977 e 1985. O primeiro foi um caso isolado de uma ovelha Humpshire Down ocorrido no RS. O segundo envolveu ovinos Wiltshire Horn, importados para o PR, que levou ao sacrifício de 143 animais e à proibição de qualquer importação de ovinos e caprinos do Reino Unido. Essas ações fizeram com que a doença não se estabelecesse em nosso meio. Por outro lado, foi mantida a importação de ovinos do Canadá e USA, países estes onde o Scrapie é endêmico, estando o rebanho ovino brasileiro, dessa forma, exposto a nova introdução da doença. No início de 1995, duas ovelhas de um rebanho Suftolk, de Porto Alegre, foram enviadas ao HCV da UFRGS onde, ao serem examinadas, mostraram sinais clínicos de Scrapie. O exame histopatológico do cérebro desses animais revelou lesões características dessa enfermidade. O caso foi comunicado à Defesa Sanitária Animal do Ministério da Agricultura e Abastecimento que tomou as medidas cabíveis.

Não existe vacina contra o Scrapie, assim como no há tratamento para ovinos infectados. O controle envolve a eliminação dos animais com sintomas clínicos, assim como seus ascendentes e descendentes.

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