Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Cultivo do Pessegueiro

Autores

Sumário
Início
 
Importância Econômica
Clima
Solos
Adubação e Calagem
Cultivares
Produção e Obtenção de Mudas
Instalação do Pomar
Irrigação
Práticas Culturais
Manejo das Plantas Daninhas
Doenças e Métodos de Controle
Pragas e Métodos de Controle
Nematóides e Métodos de Controle
Normas Gerais Sobre Uso de Agrotóxicos
Colheita e Pós-Colheita
Industrialização do Pêssego em Calda
Coeficientes Técnicos, Custos, Rendimentos e Rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
 
Expediente 
Instalação do Pomar

A região sul do Brasil apresenta condições muito favoráveis à incidência de bacteriose (Xanthomonas arborícola pv pruni) e, como não se dispõe de cultivares adaptadas às condições locais e que sejam resistentes à bactéria, antes mesmo da instalação do pomar, deve-se fazer o plantio de quebra- ventos.

A adoção de determinado sistema de plantio será sempre dependente da topografia, do tipo de solo e do regime pluviométrico.

Em locais planos, com solo bem estruturado, com boa drenagem, poderá ser escolhido um dos três sistemas clássicos de plantio: quadrado, retângulo ou quincôncio.
Em áreas com topografia levemente ondulada, com até 12% de declividade, é recomendável o plantio em camalhões, dispostos em curvas, com declividade variando de 0,6% a 0,8%.

Os camalhões são construídos com arado, de preferência, de discos. Bons resultados têm sido obtidos com quatro passadas de arado (de três discos ou três aivecas), duas passadas tombando-se as leivas em aclive e duas em declive, seguidas de uma gradagem. Quando o solo é trabalhado em condições ideais, isto é, em estado friável, a operação de gradagem é suficiente para se desmancharem os torrões formados durante a lavração.

Deve-se evitar a utilização da enxada rotativa, para que não haja uma pulverização do solo, com prejuízo de sua estrutura física. A faixa de terra entre duas curvas somente deve ser lavrada caso seja necessário, após o plantio das mudas.

Em áreas com declividade superior a 12%, é conveniente que sejam adotados outros sistemas de conservação do solo.

Em relação à densidade de plantio, para o Estado do Rio Grande do Sul, de maneira geral, recomenda-se um espaçamento de 3 a 4m entre as plantas e de 6 a 7m entre as linhas. Menores espaçamentos entre plantas (1,5 a 2m) já estão sendo adotados, mas, para um melhor resultado, é exigido maior nível tecnológico e práticas culturais adequadas ao sistema.

Preparo do solo e aplicação de corretivos e fertilizantes

A análise do solo deve ser providenciada com antecedência suficiente para que sejam observados seus resultados, no mínimo, três meses antes do plantio.

A área deve ser roçada, retirando-se pedras e tocos.

O calcário deve ser, uniformemente, espalhado em toda a área antes da primeira lavra. As operações de lavra e gradagem devem anteceder o plantio num período aproximado de dois meses.

A adubação de pré-plantio deve preceder o levante dos camalhões, dando-se especial atenção à adubação fosfatada, a qual só deverá ser executada, decorridos 40 dias após a aplicação do calcário.

Plantio

Além da boa procedência, uma boa muda de pessegueiro deve possuir um sistema radicular bem desenvolvido, forte e isento de pragas, doenças e nematóides, e o calo do enxerto uniforme e bem cicatrizado. Mudas fora dos padrões de qualidade e sanidade não devem ser plantadas.

A época de plantio é de junho a julho; caso haja necessidade de retardá-lo, as mudas deverão ser mantidas à sombra ou desenfardadas e enterradas em feixes de, no máximo, 30 mudas, tendo-se o cuidado para que não fiquem bolsões de ar nas raízes. Em qualquer situação, não se pode descuidar da manutenção da umidade elevada junto ao sistema radicular.

Antes do plantio, devem ser retiradas, com uma tesoura de poda, as raízes quebradas, mutiladas ou machucadas, em uma operação conhecida como toalete. Nessa operação, devem ainda ser eliminados todos os ramos laterais a partir do colo da planta até a altura de aproximadamente 80 cm, onde a muda é despontada, ficando-se com uma única haste.

Durante a operação de plantio, deve-se evitar a exposição das raízes da muda ao sol. As covas devem ser de tamanho suficiente para acomodar todas as raízes, sem dobras e bem distribuídas. Colocada a muda na cova, com uma enxada, adiciona-se terra até a cobertura total do sistema radicular, pisando-se ao redor da muda para compactar o solo.

Em solos arenosos e com boa profundidade, as mudas podem ficar 2 ou 3 cm mais profundas em relação ao viveiro, porém, com o ponto de enxertia sempre acima da superfície. Em solos argilosos, deve-se manter a mesma profundidade na qual as mudas estavam no viveiro.

 

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