Embrapa Clima Temperado
Sistemas de Produção, 4
ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica
Nov./2005

Cultivo do Pessegueiro

Autores

Sumário
Início
 
Importância Econômica
Clima
Solos
Adubação e Calagem
Cultivares
Produção e Obtenção de Mudas
Instalação do Pomar
Irrigação
Práticas Culturais
Manejo das Plantas Daninhas
Doenças e Métodos de Controle
Pragas e Métodos de Controle
Nematóides e Métodos de Controle
Normas Gerais Sobre Uso de Agrotóxicos
Colheita e Pós-Colheita
Industrialização do Pêssego em Calda
Coeficientes Técnicos, Custos, Rendimentos e Rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
 
Expediente 
Pragas e métodos de controle

Os insetos- pragas representam uma constante ameaça e um desafio ao produtor de pêssego, pois existem inúmeras espécies que, esporádica ou constantemente, causam perdas econômicas significativas. Além dessas perdas diretas, os prejuízos ambientais, principalmente em virtude do uso de inseticidas, devem ser considerados.

No Brasil,de maneira esporádica, os pulgões, brocas do tronco e ramos, besouros e vespas podem causar preocupações. Como pragas economicamente importantes, destacam-se, onde quer que se cultive o pessegueiro no País, a cochonilha-branca, a grafolita e a mosca-das-frutas, razão pela qual estas serão abordadas em maiores detalhes neste capítulo.

Cochonilha-branca do pessegueiro

A cochonilha-branca do pessegueiro (Pseudaulacaspis pentagonal), está, atualmente, distribuída em quase todo o mundo, ocorrendo em todas as regiões biogeográficas, embora seja ausente em determinadas localidades. No Brasil, ocorre em todo o país.

A cochonilha-branca ataca um grande número de espécies de plantas lenhosas, cultivadas ou não, assim como numerosas plantas ornamentais e silvestres, infestando seu tronco, folhas e frutos. É uma espécie polífaga.

A fêmea adulta é de coloração rósea amarelada, medindo aproximadamente, 0,8 a 0,9mm de comprimento por 1,2 a 1,3mm de largura e protegida por uma carapaça branca, de forma circular, com cerca de 2 a 2,5mm de diâmetro. Não possui pernas ou antenas. Apesar de as fêmeas serem ápodas e em forma de saco, apresentam capacidade de locomoção, em conseqüência de movimentos ondulares do corpo. Fêmeas não-fertilizadas ao longo das três semanas do período de maturidade sexual saem da carapaça e, sem tirarem o longo estilete do ponto inicial de inserção na planta, começam a secretar uma nova carapaça, que é mais branca e macia do que a primeira. Quando fertilizadas durante esse processo, as fêmeas param de produzir a carapaça e começam a produzir ovos.

O ciclo total da cochonilha-branca do pessegueiro é variável em função das condições de clima, sendo de 35 a 40 dias no verão e de 80 a 90 dias no inverno. O número de gerações anuais varia de duas a três.

Os machos são os únicos que voam. São muito pequenos e de cor alaranjada. Não possuem as partes bucais desenvolvidas e, assim, são incapacitados para se alimentarem e sobreviver mais do que 24 horas. Os machos respondem, ativamente, ao feromônio das fêmeas, procurando-as para a cópula. Esta é rápida e ocorre com maior freqüência ao entardecer. Um macho fertiliza muitas fêmeas e estas, por sua vez, aceitam muitos acasalamentos.

A dispersão da espécie dá-se pelo transporte das ninfas caminhadoras através do vento, pelas partes vegetativas das plantas e das mudas, pelas roupas dos trabalhadores e pelas próprias frutas e caixas que as contêm, entre outras formas.

Medidas de controle

Embora a P. pentagona esteja disseminada por quase todo o mundo, há necessidade de esforços para a prevenção de futuras invasões, a fim de se evitar a introdução de hiperparasitas, por exemplo. Assim sendo, as medidas quarentenárias do país e/ou dos estados devem ser rigorosas quanto a essa praga.

A literatura existente, sobre o controle químico da cochonilha- branca do pessegueiro, é confusa no que se refere a produtos e doses, modo de aplicação e época de controle. Há concordância quanto ao fato de que as ninfas caminhadoras são mais suscetíveis ao controle químico do que aquelas em outros estádios de desenvolvimento, já protegidas pela carapaça. A aplicação dirigida às ninfas caminhadoras pode ser altamente eficiente, mas tem sido considerada de difícil execução pelos agricultores. As fêmeas adultas, protegidas por suas carapaças, são ainda muito mais difíceis de serem mortas. A ocorrência simultânea de ambos os estádios é outro grande problema que ocorre ao se equacionar a forma certa de controle químico. É certo que o uso exclusivo de inseticidas (por exemplo, fenitrotion, fosalone, medidation), com ou sem óleo mineral (1% a 3%), tem propiciado baixo controle, especialmente de infestações com mais de um ano. Há necessidade de se realizarem outras medidas auxiliares e preparatórias para o controle químico. Por exemplo, a remoção de ramos infestados e das cochonilhas através do escovamento. Quando se "prepara" a planta para o controle químico, ele apresenta bons resultados. Segundo várias experiências no Rio Grande do Sul, o uso constante de inseticidas piretróides (por exemplo, deltametrina, cipermetrina, permetrina) para o controle de mosca-das-frutas, grafolita e, mesmo, da cochonilha propiciou grande aumento da incidência da praga. É recomendado o uso desses inseticidas somente para o controle da grafolita (mariposa oriental).

O uso de pulverizadores de baixa pressão e alta vazão propicia melhores resultados, pois estes permitem um franco molhamento das partes atacadas e/ou da planta, condição essencial para se atingir a cochonilha.

Outras formas de controle, tais como feromônio, cultivares resistentes e métodos físicos (armadilhas), embora já testadas experimentalmente, não têm tido aplicação prática.

O controle biológico através de parasitas e predadores é, sem dúvida, o método de maior eficiência na contenção de P. pentagona. Há uma enorme lista de inimigos naturais que foram encontrados atacando-a, no mundo.É vital a presença de inimigos naturais da cochonilha-branca no pomar. Uma das formas de ação é não se queimarem os ramos infestados removidos das plantas, mas sim colocá-los no solo, nas entrefilas, dando chance para que os parasitas venham a emergir e atacar as cochonilhas remanescentes na área. Além dos métodos técnicos de introdução e multiplicação desses agentes de controle biológico, o próprio produtor pode transferir ramos de plantas atacados pela cochonilha e que estejam parasitados para outras áreas. Esses ramos podem ser colocados entre as fileiras, perto das plantas infestadas com a cochonilha. A troca entre vizinhos, por exemplo, pode ser uma prática eficiente e econômica.

Não há perigo de as cochonilhas trazidas com os ramos infestarem as plantas, desde que não fiquem sobre ou em contato direto com a planta quando os galhos forem colocados no chão ao lado do tronco.

Grafolita

A grafolita ou mariposa oriental (Grapholita molesta) é originária da China e constitui-se em séria praga para diversas fruteiras, estando hoje distribuída em quase todo o mundo. Ocorre em toda a Região Centro-Sul do Brasil.

A grafolita vem causando preocupações ao produtor de pêssego, por provocar expressivas perdas de frutos. Levantamentos sobre perdas mostram que a grafolita tem uma incidência variável, porém expressiva, em diversas cultivares.

Os adultos da grafolita são pequenas mariposas de cor cinza-escura, com distintas manchas escuras nas asas, que encobrem todo o corpo do inseto quando ele está pousado e medindo de 6 a 7mm de comprimento. Os ovos são minúsculos, com 0,7mm de diâmetro, de forma redonda-ovalada e cor branco-acinzentada. É difícil percebê-los na planta a olho nu. Encontram-se sobre as folhas novas, de brotações, perto das axilas, e são colocados separadamente.

As lagartas, quando pequenas (cerca de 4mm de comprimento), são de cor branco-creme a levemente amarelada e, quando bem desenvolvidas (cerca de 14mm de comprimento), adquirem cor branco-rosada. A cabeça é bem distinta e escura. A pupa é protegida por um casulo de teia que, geralmente, fica em fendas da casca, no encontro de ramos, na região da base do pedúnculo do fruto, no tronco ou no solo sob a projeção da copa, sendo muito difícil localizá-la.

O tempo necessário para a mariposa atingir cada estágio e desenvolver o ciclo biológico depende, basicamente, da temperatura (quanto maior for a temperatura, menor o número de dias necessários, sendo o inverso também verdadeiro).

O número de gerações anuais é de seis a oito, desenvolvendo-se sobre o pessegueiro, provavelmente, de cinco a seis gerações.

O nascimento dos adultos, normalmente, dá-se durante o período da manhã, mas os primeiros vôos somente ocorrem ao entardecer, até cerca de 22 horas e quando a temperatura estiver acima de 16ºC. A mariposa não voa espontaneamente fora desse período, realizando-se aí o acasalamento e a postura; portanto, existe um sincronismo entre a atividade dos adultos e as conseqüentes atividades biológicas no ciclo de vida. Isso se repete a cada geração.

Além do pessegueiro, a grafolita ataca e vive em diversas outras espécies de árvores frutíferas, como ameixeira, pereira, marmeleiro, macieira, nogueira-pecã e nespereira, entre outras.

Entre as plantas silvestres, ainda não se conhecem as possíveis hospedeiras da grafolita.

Danos causados

A lagarta, logo após seu nascimento, procura um broto e penetra nele, fazendo uma galeria de cima para baixo. A extensão da galeria é variável; foram observadas, em ramos de pessegueiro, galerias de 2 a 10cm. Uma larva alimenta-se com três a sete ramos da mesma planta, geralmente vizinhos um do outro.

O dano nos ramos é significativo em plantas jovens (com um a dois anos). Após o início da produção, esses danos são menos importantes.

Os danos nos frutos são muito importantes. O porcentual de frutos atacados tem sido alto nas últimas safras de pêssego na região de Pelotas.

As lagartas penetram, principalmente, na área da base do fruto, próximo à cavidade peduncular, perfurando uma galeria em direção ao seu centro, em torno do caroço. Normalmente, observa-se uma só lagarta por fruto, raramente aparecendo duas delas. A galeria resultante da alimentação da lagarta contém excrementos, do tipo "serragem", ligados entre si por uma espécie de "teia". Essa é uma característica indicativa do ataque da lagarta de grafolita em pêssego, distinguindo-se, perfeitamente, do dano causado pela larva da mosca-da-fruta.

Controle

Na região produtora de pêssego do Município de Pelotas e circunvizinhos, o ataque de grafolita, nos ramos, começa durante a primeira quinzena de setembro.

O importante é interromper o desenvolvimento de futuras gerações, evitando uma posterior investida aos frutos.

Na decisão de se aplicar tratamento contra a grafolita, dois aspectos devem ser considerados:

  • Períodos onde haja chances de maior controle
    Para a região de Pelotas, seriam duas aplicações básicas, independendo da cultivar:
    Primeira aplicação - Na segunda semana de outubro.
    Segunda aplicação - 30 dias após a primeira.
  • Aplicar o tratamento quando se conhecem as quantidades de mariposas que estão presentes no pomar. Isso é possível mediante o emprego de armadilhas para captura. A mesma armadilha usada, comumente, para a captura da mosca-da-fruta também aprisiona o adulto da grafolita. Porém, é importante saber-se distinguir a mariposa. Ela fica, normalmente, na superfície do suco na armadilha, com as asas abertas. A cor das asas, geralmente, é cinza-escura, passando a cinza-clara, quando elas perdem as escamas.

A armadilha com feromônio sexual é excelente para a captura de mariposas de grafolita. Normalmente, são usadas de uma a duas armadilhas por hectare, substituindo-se as cápsulas com feromônio a cada sete semanas. Devem ser instaladas de 15 de setembro até fins de dezembro. Nesse período, é necessária, apenas, uma troca de cápsula .

Ambos os tipos de armadilhas devem ser vistoriados, e as mariposas devem ser contadas duas vezes por semana, anotando-se a quantidade de insetos por armadilha. Quando a média atingir o número indicado, na semana seguinte, deve ser feita a aplicação:

  • Armadilha com suco - 10 mariposas/armadilha/semana.
  • Armadilha com feromônio - 20 mariposas/armadilha/semana.

Para a primeira aplicação e até antes do inchamento dos frutos, deve-se usar um dos seguintes produtos:

Azinfós etil 40 E 250 ml
ou
Deltametrina CE 2,5 20 ml
ou
Carbaryl * 100 litros de água

* A dosagem depende da concentração de Carbaril - ver rótulo

Para a aplicação após o inchamento dos frutos, deve-se usar um dos seguintes produtos, que também terão ação sobre a mosca-das-frutas:

Azinfós etil 40 E 250 ml
ou
Triclorfon 500 300 ml
ou
Deltametrina CE 2,5 30 g
ou
Fosmet 500PM 200 g 100 litros de água

O período de carência dos produtos, ou seja, aquele entre a última aplicação e o início da colheita, é o seguinte:

Produto
Dias
Azinfós etil
21
Deltametrina
5
Carbaril
1
Triclorfor
7
Fosmet
14

Para um bom controle da grafolita, a aplicação do produto deve ser tão uniforme quanto possível, ou seja, cobrindo todos os ramos, folhas e frutos.

Para evitar desperdícios, não aplique volume que permita ao líquido escorrer pelas folhas e cair. Calibre o pulverizador para gotas pequenas.

Aplicações à tarde ou no final do dia certamente oferecem maiores chances de controle, pois, como foi visto, é nesse período que a mariposa voa, acasala e põe ovos. Sempre que possível, pulverize nesses horários.

Mosca-das-frutas

A mosca-das-frutas Sul-americana (Anastrepha fraterculus) é a principal espécie que ocorre na Região Sul do Brasil.

A mosca-das-frutas é de cor amarelada, corpo amarelo mais escuro e asas transparentes com manchas escuras de desenho característico.

A fêmea possui, no final do abdômen, um alongamento pontiagudo, o ovopositor. No macho, o abdômen termina arredondado. Na mosca adulta, em média, o corpo mede cerca de 7mm de comprimento, e a envergadura de asa, cerca de 16mm. O macho é menor que a fêmea.

A larva varia da cor branca à branco-amarelada e possui corpo liso, sem pernas, não se distinguindo, claramente, a cabeça, que fica na parte fina do corpo. A parte posterior termina abruptamente, sem afilar. As larvas, quando totalmente desenvolvidas, medem cerca de 7 a 9mm de comprimento.

A mosca fêmea leva de quatro a sete dias após a emergência para atingir a maturidade sexual, quando, então, pode acasalar. O acasalamento ocorre nas primeiras horas da manhã.

A oviposição ocorre única e exclusivamente em frutos. As larvas nascem no interior do fruto e alimentam-se da polpa, completando todo o desenvolvimento no seu interior. Quando estão plenamente desenvolvidas, saem do fruto e caem no chão, rapidamente, penetram no solo (cerca de 5cm de profundidade) e aí se transformam em pupa. É na pupa que a larva se transforma no adulto. Ele emerge (sai do solo) com as asas fechadas e, logo em seguida, procede à distensão. As moscas, ao nascerem, são quase brancas; após, escurecem, tomando as cores e tonalidades características ao longo dos dois primeiros dias de vida.

O período do ciclo de vida está relacionado à temperatura, ou seja, quanto mais elevada ela for, menor será o tempo para a mosca completá-lo. Em temperaturas médias, em torno de 25ºC e 26ºC, o ciclo completa-se em 26 a 30 dias.

A emergência das moscas ocorre com maior intensidade nas primeiras horas da manhã. A atividade de vôo dá-se entre 11h e 19h, durante os meses de novembro e dezembro (região de Pelotas), sendo a maior concentração de vôo acontece entre 15h e 19h. Durante a noite e no período da manhã, praticamente, não ocorre vôo.

Danos causados pela mosca-das-frutas

O dano causado pela mosca-das-frutas ocorre, exclusivamente, no fruto. A larva, que se alimenta internamente da polpa do fruto, forma galerias, que, posteriormente, se transformam em uma área úmida, em decomposição, de cor marrom.

Normalmente, são encontradas diversas larvas dentro de um fruto atacado. Em certos frutos, como pêssego, ameixa, goiaba e laranja, não se percebe, externamente, a possível presença de larvas da mosca. Com um simples apalpar do fruto, entretanto, nota-se a perda de sua consistência. Quando as larvas saem dos frutos, percebe-se, facilmente, o orifício de sua saída nas cascas e ao pressionar-se o fruto, o extravasamento de suco por esse orifício indica que houve infestação .

Hospedeiros da mosca-das-frutas

Provavelmente, a mosca-das-frutas multiplica-se em grandes quantidades nos frutos silvestres, quando, então, migra para o pomar.

Os frutos silvestres com maiores índices de infestações na região de Pelotas (RS) são araçá, cereja-do-mato, nêspera, pitanga, guabiroba e goiaba-do-mato. Não se constataram infestações, até então, em butiá, caqui, abacate, figo, figo-do-mato, uva e maracujá-do-mato .

Controle

Algumas medidas podem ser tomadas dentro e fora do pomar como forma de auxílio no controle da mosca-das-frutas:

Eliminarem-se plantas silvestres que sejam, constantemente, infestadas pela mosca, ou usarem-se seus frutos para preparar suco para isca ou alimentação animal.

Usar-se isca tóxica e/ou armadilha nas plantas silvestres infestadas.

Retirarem-se os frutos temporões. Nunca deixá-los amadurecer na planta, pois, certamente, serão atacados pela mosca e constituirão foco de infestação. Esses frutos podem, entretanto, funcionar como armadilhas, pois, sendo atacados e depois eliminados, interromperão o ciclo da mosca.

Eliminarem-se, do pomar, os frutos caídos ou refugados. Aconselha-se enterrar tais frutos cerca de 20 a 30 cm de profundidade. Esses frutos, também, podem ser usados para elaboração do suco para as armadilhas ou da isca tóxica.

Tais medidas são muito simples e fáceis de serem postas em prática e, com certeza, contribuirão muito para se reduzir a infestação de mosca e, conseqüentemente, as perdas e os custos de controle.

Armadilhas para captura da mosca

É importantíssimo se ter conhecimento da existência de mosca no pomar.

O único método prático de se confirmar a ocorrência é por meio de armadilhas. A mosca adulta é atraída por substâncias doces e fermentadas. Um recipiente que contenha essas substâncias e com capacidade de capturar a mosca pode tornar-se uma armadilha eficiente. Diversos tipos de recipientes, com diferentes formas, podem ser usados para tal fim.

Quanto mais armadilhas houver no pomar, maiores serão as chances de se capturarem as moscas.

Como atrativos, recomendam-se sucos de frutas como laranja, pêssego e ameixa, entre outras. Pode-se obter o suco dessas frutas por esmagamento e/ou fervura em água e açúcar, sendo este o modo mais simples e rápido.
O suco pode ser coado e guardado em latas ou garrafas. É importante que os recipientes não sejam totalmente fechados, pois a fermentação durante o armazenamento poderá rompê-los. Não haverá problema se o suco fermentar e adquirir odor azedo, pois isso aumentará a atratividade para a mosca.

Sempre que possível, deve-se dar preferência ao suco de pêssego.

A quantidade de suco usada na diluição em água depende da sua consistência. Para sucos muito grossos, dilui-se uma parte de suco em três a cinco partes de água, e, para finos, usam-se partes iguais. Um modo prático de se "calibrar" a diluição do suco é através da viscosidade nos dedos. Caso os dedos fiquem pegajosos quando molhados, a diluição estará correta; caso contrário, será necessário adicionar mais suco.

Quando e como colocar as armadilhas

Como regra geral, a mosca inicia a oviposição quando os frutos estão no período de inchamento. Portanto, as armadilhas devem ser colocadas cerca de 30 dias antes do início desse estádio.

A armadilha deve ser presa em um ramo firme, de modo que não balance muito com o vento, a uma altura de 1,50 a 1,80m e um pouco para dentro da copa da planta, evitando-se a incidência direta do sol e da chuva.
É importante que as armadilhas sejam distribuídas em todos os talhões ou quadras do pomar, nas diferentes cultivares. Para cada cultivar (no talhão, quadra), deve-se registrar o número de moscas capturadas, especialmente o de fêmeas. Assim, poderá ser constatada a tendência do crescimento populacional do inseto e tomada a decisão de controle.

Duas situações distintas determinam a quantidade necessária de armadilhas:

  • Para se detectar a presença da mosca, de duas a quatro armadilhas por hectare são suficientes, dependendo da topografia do pomar. Em áreas planas, sem barreiras, bastam duas armadilhas por hectare; onde haja barreiras ou montes, quatro armadilhas por hectare são necessárias.
  • Para o controle, experiências de produtores indicam possibilidades de sucesso com o uso de uma armadilha a cada cinco plantas ou menos.

Adicionando-se inseticida ao suco (por exemplo, malation, diazinon, dimetoato, triclorfon - uma colher de sopa/litro de suco), especialmente quando se usam armadilhas com aberturas maiores ou sem tampa, tem-se um aumento do número de moscas capturadas. A mistura deve ser feita, somente, no momento da aplicação.

A reposição do suco deve ser feita, pelo menos, a cada três dias. Caso haja muitos insetos na armadilha, deve-se jogar fora o conteúdo existente e recolocar suco.

Aplicação da isca tóxica

A isca tóxica constitui-se de uma solução de açúcar, ou de sucos de fruta, com a adição de um inseticida. Sucos de laranja, pêssego, nêspera, ameixa, entre outros, adoçados na razão de 5kg de açúcar cristal para 100 L de líquido, constituem-se em excelentes veículos para a aplicação de isca tóxica.

Os melhores inseticidas para serem usados em isca tóxica são: diazinon, dimetoato, etion, fenitrotion, fention, malation, mevinfós e triclorfon.

A aplicação da isca deve, sempre, ser feita durante as primeiras horas da manhã, porque as moscas têm maior atividade e necessidade de se alimentarem nesse período, e a isca é uma fonte de alimento para a mosca. Durante o período noturno ou chuvoso, a mosca não voa e não se alimenta. O ideal para aplicar-se a isca tóxica é, então, na manhã seguinte a um dia chuvoso.

A aplicação deve ser feita em torno de 25% das plantas do pomar. As fileiras das bordas devem receber a isca, porque elas atraem as moscas que estão entrando no pomar.

A aplicação deve dar-se diretamente sobre as folhas, numa faixa de cerca de 1m de largura e no lado do sol da manhã. Aproximadamente 150mL de isca tóxica são suficientes para se cobrir essa faixa da planta. Aplica-se com pulverizadores comuns, e a gota de pulverização deve ser grossa. Isso se consegue aumentando a saída de líquido e diminuindo-se a pressão do pulverizador.

Durante o período de inchamento dos frutos, se as armadilhas capturarem alguma mosca-das-frutas (especialmente fêmeas), aplica-se a isca tóxica de três em três dias.

Controle com inseticidas

A pulverização em cobertura total das plantas deve ser adotada, exclusivamente, durante o período do inchamento dos frutos. Para esse tipo de aplicação, usa-se um inseticida que tenha ação de profundidade, ou seja, que mate as larvas nascidas e as que venham a nascer no interior do fruto nos dias seguintes à pulverização. Entre os inseticidas recomendados para esse tipo de pulverização, destacam-se: dimetoato, fenitrotion, fention, formation, mevinfós e triclorfon .

É necessário observar-se, rigorosamente, o período de carência do produto, ou seja, o número de dias entre a aplicação e o início da colheita.

A pulverização deve ser feita por cultivar, em virtude dos distintos períodos de ataque da mosca. Não se pulveriza todo o pomar de uma só vez se houver cultivares com diferentes épocas de maturação dos frutos.

Na Tabela 27, são mostrados os produtos que foram avaliados pela pesquisa e demonstraram melhores resultados para o controle das moscas-das-frutas.

Gorgulho-do-milho

Na região produtora de Pelotas, tem-se verificado a incidência de adultos do gorgulho-do-milho (Sitophilus zeamais) atacando os frutos de pêssego nos pomares. Esta é uma praga cosmopolita, característica de produtos armazenados.

O dano aos frutos é causado, somente, pelo gorgulho adulto, tanto macho como fêmea. Não se observou a presença de larvas de gorgulho no pêssego.

O ataque ocorre, unicamente, na parte basal do fruto, preferencialmente na cavidade peduncular, não se tendo constatado nenhum dano causado pelo gorgulho em outras partes do fruto. Os adultos removem pequenas quantidades da casca e polpa. Têm sido observados, simultaneamente, de três a quatro gorgulhos por fruto, que podem estar se alimentando ou, simplesmente, refugiando-se na cavidade peduncular. 0 dano isolado causado por um gorgulho não é extenso, mas torna-se sério pela soma de danos concentrados na base do fruto. As perdas são diretas, pela queda dos frutos e prejuízos à sua aparência, e indiretas, porque as lesões abrem pontos para o início de infeções fúngicas (como podridão-parda) e, também, para o início do ataque de diversas espécies de outros insetos (principalmente, Nitidulidae). As maiores concentrações de gorgulhos no pessegueiro foram observadas no mês de janeiro, embora tenham sido, também, verificadas antes e após esse período .

A existência de paiol de milho, com altas infestações de gorgulho, é a principal causa local do ataque ao pêssego. Por isso, o combate às infestações nos paióis é fundamental para minimizarem as chances de ocorrerem infestações no pêssego.

Pragas secundárias

Pulgão-do-pessegueiro

Os pulgões de Brachycaudus scwartzi e Myzus persicae adultos são de coloração escura a preta e corpo mole, liso e brilhante, com manchas. Há formas aladas (mais escuras) e formas não-aladas. As ninfas são de coloração verde a marrom-avermelhada .

O pulgão-do-pessegueiro pode infestar, desde cedo, o pessegueiro, iniciando o ataque nos botões florais, flores e, mais tarde, nos brotos. Em infestação severa, pode alastrar-se por folhas mais velhas; entretanto, é mais comum a infestação, somente, nas pontas das brotações

Os danos causados pelo pulgão-do-pessegueiro são muito variáveis. Não há dúvida de que, em plantas jovens (de um a dois anos) e em viveiros, ocorram maiores prejuízos. Essas plantas podem ter sua formação e desenvolvimento comprometidos, uma vez que os brotos infestados não se desenvolvem.

O encarquilhamento ou enrolamento das folhas em conseqüência da infestação do pulgão é chamado, também, de falsa-crespeira-do-pessegueiro, que não deve ser confundida com a causada por um fungo (Taphrina deformans).

O controle com inseticidas é muito fácil para os pulgões em geral, porém, é fundamental que a aplicação do defensivo ocorra no momento certo. Após as folhas estarem encarquilhadas e fechadas, dificilmente o inseticida terá o mesmo efeito que na planta sadia. Assim, é necessário estar-se atento e identificar o início da infestação e, localizadamente, efetuar-se o controle.

Normalmente, o pulgão-do-pessegueiro ocorre, apenas, em partes do pomar. Acredita-se que não haja necessidade de pulverização total da área, mas sim das plantas atacadas e, no máximo, das plantas vizinhas da fileira, como margem de segurança.

Os inseticidas sistêmicos granulados, como aldicarb, carbofuran, disulfotan e forate, quando bem aplicados no solo, podem propiciar bons resultados.

O inseticida pirimicarb é específico para pulgões e bastante seletivo, razão pela qual é considerado preferencial para o controle desta praga. Além desse, pulverização com os inseticidas fosforados (por exemplo, dimetoato, mevinfos, malation, monocrotofos) também podem produzir bom controle.

Escolitos

Acredita-se que existam várias espécies de escolitos (Scolytidae) que ataquem plantas frutíferas, além da comumente referida Scolytus rugulosus. Essa espécie é conhecida, vulgarmente, como o escolito-do-pessegueiro.

Os adultos são pequenos besouros (com 2,0 a 2,5mm de comprimento), de coloração marrom-escura a preta, com as pernas e as antenas marrons. Os machos são menores do que as fêmeas.

Os adultos surgem na primavera, quando iniciam o ataque às plantas. As fêmeas fazem galerias para o interior do tronco e ramos da planta até atingirem os vasos condutores de seiva. Uma outra galeria estreita, longitudinal (de 1,5 a 3,0cm) e lateral é escavada e, nela, são depositados os ovos. Quando eles eclodem, a larva faz uma galeria em direção ao exterior, havendo, no final desta, um alargamento onde ocorre a sua pupação. Os adultos emergem através da perfuração das camadas de tecidos internos e da casca .

O dano direto causado pelo escolito é a obstrução dos canais condutores, que impede a passagem da seiva ao longo da planta, e o dano indireto deve-se ao favorecimento da ação de patógenos, o que pode provocar a morte precoce das plantas.

A condição da planta para que aconteça o ataque e infestação por escolito é questionável. A grande maioria dos pesquisadores que trabalham com esta praga mencionam que S. rugulosus, somente, ataca e infesta plantas sob estresse, com baixo vigor ou em estado de senescência precoce.

O controle desta praga é extremamente difícil, por causa do hábito de ataque, multiplicação e, sobretudo, pelo desconhecimento das características de comportamento e ciclo de vida da praga.

O uso de armadilhas para captura dos adultos é preconizado para outras espécies de escolitos. Ainda não se tem informações seguras que atestem a eficiência desse método de controle para S. rugulosus .

O controle por meio da poda ou remoção de ramos atacados pode ser uma ajuda importante, não tanto para a planta, mas para se evitar a disseminação da praga no pomar. Os resíduos da poda e partes atacadas devem ser queimados, pois, de outro modo, podem servir como foco de multiplicação de escolitos.

A eficiência do controle químico não depende, diretamente, do inseticida em si, mas da forma de aplicação e da chance de o produto atingir o inseto no interior do tronco ou ramo. Para se matar o inseto, o inseticida (piretróides, fosforados) tem que penetrar no orifício em quantidade razoável. Isso é possível através de injeção dirigida no orifício ou pincelamento do tronco e ramos mais grossos.

Ácaros

As espécies que atacam o pessegueiro são o ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e o ácaro-vermelho (Panonychus ulmi), que, no Brasil, ocorre esporadicamente e em apenas certas localidades.

O ácaro-rajado mede cerca de 1mm de comprimento e 0,6mm de largura e possui corpo oval com oito longas pernas. É de cor verde-amarelada a verde-escura, com duas manchas escuras nos lados do corpo.

O ácaro-vermelho mede cerca de 0,5mm de comprimento e 0,4mm de largura e possui com corpo arredondado. É de cor vermelho-escura, com pernas mais claras e longas e abundantes cerdas no dorso do corpo .

Os ácaros vivem em colônias (com diversas formas morfológicas), especialmente na face inferior da folha, onde se localizam, principalmente, junto à nervura central.

O ácaro, no pessegueiro, remove os tecidos superficiais da folha, o que causa perda de seiva junto às primeiras camadas do tecido foliar, ocorrendo um amarelecimento ao longo e lateralmente à nervura central ou bronzeamento em infestações mais severas, podendo haver redução qualitativa e quantitativa dos frutos.

O período ou época de incidência dos ácaros no pessegueiro depende mais de condições climáticas (temperaturas elevadas e longas estiagens) que do estádio de desenvolvimento da planta.

No Sul do Brasil, a infestação do pessegueiro por esses ácaros é rara e sempre acontece durante ou após o período de colheita.

Não existem informações até o presente, para o pessegueiro, de um nível populacional de ácaros que demande controle químico. Acredita-se que o uso intensivo de inseticidas fosforados e piretróides possa causar distúrbios no equilíbrio populacional dos ácaros e estimular a sua proliferação. Assim, o uso tecnicamente correto de inseticidas, no controle das principais pragas do pessegueiro deve diminuir, consideravelmente, a possibilidade de infestação de ácaros.

Formigas

As formigas-cortadeiras, conhecidas, vulgarmente, por saúvas (Atta spp, Acromyrmes spp.) e quenquém (Mycocepurus spp.), são pragas ocasionais no pessegueiro, tanto no viveiro como no pomar.

O mais importante para se evitar o dano causado por formigas é saber de sua existência na área. Assim, antes de se instalar o viveiro ou pomar, é necessário localizar e eliminar os formigueiros existentes. A maioria dessas formigas-cortadeiras fazem ninhos com montículos de palha e/ou gravetos, com 30 ou 40cm de altura; porém, há as que se caracterizam por formarem montes de terra solta na superfície do solo. Para se encontrar o ninho, o modo mais fácil é seguir a trilha ou carreiro. É importante lembrar-se que as formigas cortam as plantas, também, durante a noite e, dependendo da espécie e das condições do clima, podem cortar, somente, nas horas mais frescas do dia. Assim, a vistoria da área do viveiro ou pomar que apresente plantas desfolhadas por formigas deve, também, ser feita de manhã cedo ou à tardinha .

O controle com barreiras físicas na planta que impeçam a subida das formigas pode resolver, temporariamente, a situação. Tais barreiras incluem faixa com graxa, pedaços de lã, esponja com inseticida, etc. ao redor do tronco.

O controle com inseticida-formicida propicia melhor resultado quando o produto for aplicado em formigueiros recém-formados, ou seja, quanto menor o formigueiro, mais fácil será o controle.

Após a localização do formigueiro, deve-se abrir o ninho com uma enxada até se chegar à terra firme e polvilhá-lho com formicida abundantemente ou regá-lo com uma solução de inseticida e água.

A forma mais prática de controle é através da isca tóxica granulada, pois as próprias formigas carregam os grânulos para o formigueiro. A isca deve ser depositada ao longo dos carreiros e, de preferência, à tardinha. Caso se observe movimento ordenado de formigas no carreiro, após três a quatro dias da primeira aplicação, é conveniente reaplicar-se a isca, fazer-se polvilhamento ou, ainda, a fumigação.

 

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