Embrapa Amazônia Oriental
Sistemas de Produção, 01
ISSN 1809-4325 Versão Eletrônica
Dez./2005
Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino
Therezinha Xavier Bastos
Sumário
Início

Apresentação
Importância econômica
Clima
Solos
Adubação
Cultivares
Produção de mudas
Micorrizas
Plantio
Irrigação
Tratos culturais
Plantas daninhas
Sistema de cultivo sombreado
Doenças e métodos de controle
Pragas e métodos de controle
Normas sobre uso de agrotóxicos
Colheita e pós-colheita
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos, custos, rendimento e rentabilidade
Referências
Glossário
Autores
Expediente
 Clima

Introdução
Condições gerais de clima da Amazônia
Comportamento agroclimático da pimenta-do-reino
Calendário agroclimático da pimenta-do-reino

Introdução

A pimenta-do-reino é uma planta tropical, que encontra condições favoráveis entre as latitudes 20°N e 20°S. Todavia é importante levar em consideração o ciclo da cultura que, sendo longo, é influenciado pela ação das chuvas e da evapotranspiração durante todo o ano. A distribuição desses fatores, pode resultar em deficits hídricos estacionais que, em função da magnitude, limitam a produção em determinados locais.

São mostradas as condições gerais de clima da Amazônia brasileira, seguido de alguns aspectos agroclimáticos da pimenta, como uma contribuição para a orientação do cultivo dessa cultura na região. É apresentado ainda o calendario agroclimático da pimenta-do-reino para a região, com destaque para o Estado do Pará, considerando a grande expansão da cultura nesse Estado.

Condições gerais de clima da Amazônia

A Amazônia brasileira compreende uma área aproximada de 5.000.000 km2, geograficamente é constituida pelos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondonia, Mato Grosso, Pará, Amapá, Tocantins e uma área a oeste do meridiano 44o W denominada de pré-Amazônia Maranhense. É caracterizada por apresentar clima quente e úmido, dando assim a conotação de uniformidade climática, porém apresenta na realidade, nítida variação térmica e acentuada variabilidade hídrica, esta em termos espacial e temporal. A maior flutuação na radiação solar, na temperatura do ar e umidade atmosférica estão associadas com o padrão das chuvas, verificando-se que por ocasião do período mais chuvoso, ocorre redução na temperatura do ar, radiação solar global, brilho solar e aumento na umidade do ar, com o oposto ocorrendo por ocasião do período de menor pluviosidade.

O clima amazônico apresenta temperatura médias máximas e mínimas anuais oscilando respectivamente entre 24 oC e 27 oC, 30 oC e 32 oC e 18 oC e 23 oC e os totais anuais de brilho solar variam entre valores aproximados de 1.500 h e 2.600 h. A umidade relativa do ar oscila entre 67% e 90% e os totais pluviometricos anuais estão contidos entre 1.300mm e 3.000mm.

Balanços hídricos calculados para vários locais representativos da região mostram que os excedentes de água sujeitos a percolação estão entre 169mm ao sul da região em torno de Cuiabá, e acima de 2.000 mm no litoral do Pará e Amapá e os deficits hídricos são praticamente nulos em torno da cidade de Belém e a noroeste do estado do Amazonas e podem alcançar mais de 500mm em Roraima em torno de Boa Vista.

A distribuição das chuvas relacionada com a evapotranspiração de referência e resultados de balanços hídricos definem para a região a ocorrência de quatro períodos de chuva: 1- chuvoso, variando de cinco a dez meses. 2- estiagem, variando de um a dois meses, 3- seco, variando de zero a cinco meses  4- transição, variando entre zero e um mês.

Comportamento agroclimático da pimenta-do-reino                                          

A pimenta-do-reino é típica de regiões de clima quente e úmido, necessitanto, portanto, para seu desenvolvimento e produção, valores elevados de temperatura e chuva. Todavia a distribuição da temperatura e pluviosidade associadas a outros componentes do clima, incluindo brilho solar, umidade do ar, evapotranspiração e ocorrência de deficiência hídrica influenciam na produção. O efeito de elementos do clima nas plantas tem sido abordado do seguinte modo: a temperatura do ar afeta a maioria dos processos físicos e químicos das plantas e considera-se que cada espécie exige um ótimo de amplitude térmica e temperaturas máximas e mínimas, além das quais a planta não desenvolve satisfatoriamente. A insolação, como reflexo da radiação solar incidente, é considerada elemento climático de extrema importância na produção agrícola, visto que insolação e radiação solar estão associadas a produtividade das plantas pelo processo da fotossíntese, transpiração, floração e maturação.

A importância da umidade do ar deve-se principalmente ao fato de estar relacionada pela influência na demanda evaporativa da atmosfera e assim pode-se dizer que quando muito baixa ou muito elevada torna-se prejudicial para a maioria das plantas. Umidade relativa abaixo de 60% pode ser prejudicial por aumentar a taxa de transpiração e acima de 90% reduz a absorção de nutrientes, devido a redução da transpiração, além de favorecer a propagação de doenças fúngicas.

A chuva é um elemento climático fundamental para as plantas, pois a água é elemento essencial para o crescimento e desempenha importante papel na fotossíntese e portanto na produção. Essa importancia se torna maior nas regiões tropicais úmidas e na Amazônia porque, ao contrário das regiões fora dos trópicos, onde o cronograma agrícola é determinado pela temperatura, o elemento regulador da agricultura é a chuva dada a sua função na disponiblidade de água para as plantas durante o ano.

Tomando-se por base o comportamento agroclimático da pimenta do reino em regiões de origem e no Pará, onde a cultura é encontrada em maior expansão na região, indicou-se as seguintes referências climáticas para a cultura para as condições Amazônicas : temperatura média anual entre 23°C e 28°C, umidade relativa do ar entre 80% e 88% , total pluviométrico anual entre 1.500mm e 3.000mm e brilho solar acima de 2.000 horas no ano.

Em termos de deficits hídricos, embora tenha sido verificado que a cultura é cultivada sob ampla faixa de deficits hídricos (entre 30 mm e 400 mm), tem-se que a pimenta é exigente em bom suprimento de água principalmente durante a floração e frutificação, havendo assim a necessidade de se manter o solo com bom suprimento de água para evitar queda de produção. Tais condições, associado ao fato de que no Pará, em áreas de baixa pluviosidade e deficits hídricos elevados, o incremento na produção esta relacionado ao emprego de adubação, defensivos e irrigação, recomenda-se a prática de irrigação em áreas com deficit hídricos acima de 100mm.

Calendário agroclimático da pimenta-do-reino                                                  

Embora a influência do clima na pimenta-do-reino, necessita ser mais estudada, pode-se dizer que, quando obedecidas as exigências de solo da cultura, o clima da região, não constitui fator limitante para o seu cultivo, porém é preciso levar em consideração a distribuição das chuvas e da disponibilidade hídrica para a cultura durante o ano, bem como a ocorrência de períodos secos e de montantes de déficits hídricos, os quais encontram-se dentro de uma faixa bastante ampla, com reflexos na produção da pimenta.

Atentando para esse aspecto, na Tabela 1 encontram-se relacionados os períodos mais apropriados para execução de atividades agrícolas (preparo de área, plantio, irrigação) e os períodos de ocorrência de fases produtivas da pimenta (floração, frutificação e maturação) para várias microrregiões do Pará. Na Tabela 2 estão as épocas mais frequentes de ocorrência de floração, frutificação e colheita por unidades federativas na Amazônia.

Tabela 1. Períodos de fases produtivas da pimenta-do-reino ( floração-Fl, frutificação-Fr, maturação-Mat e colheita Col) e períodos mais apropriados para execução de atividades agrícolas ( preparo de área –PA, plantio- Pl e irrigação –Ir) no Estado do Pará.

Pará/ Microrregião

Preparo
 de Área
Plantio Floração Frutificação* Maturação Irrigação Colheita **

Norte das microrreg. Óbidos
 e Almerim 

dez-jan fev fev març.-jun jul-ago ago-dez set-out

Óbidos, Almerim, Santarém Portel,

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul jul-nov ago-set

Breve, Arari, Salgado

out-nov dez-jan jan fev-mai jun-jul ago-nov ago-set

Belém, Castanhal

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul out-nov(***) ago-set

Bragantina

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul ago-dez ago-set

Guamá

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul jul-dez ago-set

Cametá, Tomé-Açu

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul jul-nov ago-set

Paragominas

nov-dez jan jan fev-mai jun/jul jun-dez ago-set

Altamira, Tucurui,
 Maraba, Itaituba,
 S. F. Xingu

out-nov dez dez jan-abr mai-jun jun-out jul-ago

Paraupebas,
Redenção 
C. Araguaia e Sul das
 micorregiões
 Itaituba,
 Altamira

set-out nov nov dez-mar abr-mai jun-set jun-jul

* Inicio de floração ; ** A partir do segundo ano de plantio *** Irrigação na microrregião de Belém em anos excepcionais
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

 

Tabela 2. Fases produtivas da pimenta-do-reino ( floração-Fl, frutificação-Fr, maturação-Mat e colheita Col) e periodos de maior ocorrência na Região Norte.
Unidade Federativa Floração* Frutificação Mauração Colheita**
Acre novembro dez.-mar. abr.-maio jun.-jul.
Amazonas dezembro jan.-abr. mai.-jun. jul.-ago.
Amapá janeiro fev.-maio jun.-jul. ago.-set.
Pará janeiro fev.-ma. jun.-jul. ago.-set.
Rondonia novembro dez.-mar. abr.-maio jun.-jul.
Roraima maio jun.-out. nov.-dez. jan.-fev.
Tocantins novembro dez.-mar. abr.-maio jun.-jul.
* Inicio de floração ; ** A partir do segundo ano de plantio
Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

 
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